O Espelho Mágico

6 Surpresa em Hogwarts



— Então, o que achou da casa dos meus pais? – Perguntou o Sr. Macmillan, no jantar daquela noite.

— Agora ela é do Peter, querido... – Retrucou a Senhora Macmillan.

— Sim, sim, eu vivo esquecendo... De qualquer maneira, o que achou dela?

— Linda, a vista, a casa, é tudo maravilhoso, um sonho, eu amo tanto o mar... – Disse Hydra, enquanto se servia de um pouco de sopa.

— Você mora em uma mansão, a mansão dos Malfoys é lendária, como você consegue achar qualquer outra casa bonita? – Perguntou Jeniffer, um pouco surpresa.

— Acredite, aquela mansão é assustadora, prefiro muito mais a casa do Peter e a de vocês também.

A Sra. Macmillan sorria satisfeita com aquela afirmação.

— E a casa dos Weasleys, como é? – Perguntou Peter.

— É pequena, um pouco estranha, como se tivesse sido feita às pressas um andar em cima do outro, eu confesso que eu me senti um pouco estranha na primeira vez que fui lá, eu não estava acostumada, mas acho que eles são pessoas tão legais, que eu nem sinto mais isso, me sinto realmente confortável ali também, eu gosto de lá a beça.

— É normal, Hydra, você cresceu em um ambiente diferente – Afirmou Peter.

— Eu sei, mas ainda assim, me senti mal em notar essas coisas.

— Bobagem, querida, ninguém vê algo novo sem estranhar as vezes – Afirmou a Sra. Macmillan.

Na hora de dormir, mais uma vez, Hydra passou para o quarto de Peter, dessa vez, esperou a Sra.Macmillan ir dormir e o Sr. Macmillan ir para o seu plantão no St. Mungo's.

— Você gostou mesmo da casa? – Perguntou Peter, abraçando Hydra, enquanto os dois estavam deitados em sua cama.

— Muito, é linda e eu amo o mar! – Afirmou Hydra, se aconchegando em seus braços.

— Que bom, mal posso esperar para você enfeitar ainda mais ela... – Disse ele, antes de beijá-la.

O resto das semanas de férias passaram voando e no Domingo anterior a ida à Hogwarts, Hydra só pensava o quanto iria sentir falta de Peter.

— Não é tão ruim assim. – Dizia Jeniffer enquanto as duas arrumavam os malões em seu quarto — Você se acostuma, eu fiz isso o ano inteiro com o Abbas, vocês conseguem.

— Eu sei, é que eu estava tão acostumada a ver ele todos os dias ali na mesa da Corvinal, é esquisito.

— Além de você ter enrolado à beça o pobre do meu irmão ano passado né? – Brincou Jeniffer, rindo e fazendo Hydra rir.

— Não foi bem assim... – Disse Hydra, rindo sem graça.

— Não é por ser meu irmão, mas ele sempre foi um partido maravilhoso, várias as meninas de Hogwarts queriam ele.

— Eu sei bem disso! – Brincou Hydra – Amee Goat que o diga... ou a Rita Orance...

— Passado Hydra, passado! – Disse Jeniffer brincando.

Depois do jantar, Hydra sentou com Peter na varanda, a chuva caia forte, mas eles estavam cobertos por um toldo com um edredom cobrindo o corpo deles. Os dois estavam apenas querendo aproveitar cada segundo antes de Hydra ir embora.

— Eu te prometo escrever todos os dias e eu vou em todas as visitas em Hogsmeade que tiverem que eu puder ir – Disse ele alisando os cabelos de Hydra.

— Eu também prometo escrever, espero que tenham mais saídas esse ano que ano passado, eu realmente quero poder te ver – Sorriu ela.

— Além disso tem o feriado de Natal, e eu vou lá te ver nem que eu tenha que invadir a mansão dos Malfoys! – Brincou Peter.

— Eu te amo, sabia Peter? – Perguntou Hydra, sorrindo e fazendo o namorado sorrir um sorriso largo.

— Eu também te amo, Hydra... – Disse ele a beijando.

Hydra dormiu com Peter mais uma vez naquele noite e acordou cedo no dia seguinte, mudando para o quarto de Jeniffer, um pouco depois, a Sra. Macmillan acordou as duas, que pegaram seus malões e Hydra colocou Lydra na gaiola, ainda chovia.

— Vamos de táxi – Disse o Sr. Macmillan.

— De que? – Perguntou Hydra.

— É um carro trouxa que leva as pessoas de um lugar para o outro. – Explicou Peter.

Logo depois, dois táxis estacionaram na porta da casa. O motorista estranhou a coruja que Hydra carregava.

Ela seguiu com Peter em um carro enquanto o Sr. e Sra. Macmillan e Jeniffer seguiram no outro.

— Abbas não veio? – Perguntou Hydra para Peter, enquanto estavam a caminho da estação.

— Vai encontrar com a gente lá – Disse Peter, segurando firme a mão de Hydra.

Chegando na estação de King's cross, o Sr. Macmillan pagou os motoristas com dinheiro trouxa e os cinco seguiram para a estação 9 ¾, atravessando a barreira, primeiro o senhor e a senhora Macmillan, depois Jeniffer e depois Peter e Hydra, logo ela avistou a locomotiva vermelha de Hogwarts.

— Abbas! – Gritou Jeniffer, ao avistar o namorado, que já esperava com um bouquet de orquídeas dentadas. Ela foi correndo ao seu encontro.

— Acho que meus dois filhos cresceram de verdade... – Disse o Sr. Macmillan, meio saudoso.

Pouco depois, a locomotiva começou a apitar e Hydra se despediu primeiro do Sr e Sra. Macmillam.

— Muito obrigada por tudo! – Disse ela.

— Esperamos você nas férias de natal se seus pais permitirem. – Disse a Sra. Macmillan.

— Seja sempre bem-vinda, minha filha e se precisar de algo, qualquer coisa, pode contar conosco, já sabe, né? – Perguntou o Sr. Macmillan, a abraçando. Hydra criou muito carinho pelo pai de Peter, principalmente depois que saber o que ele fez por ela quando ela era criança.

Finalmente chegou a hora de se despedir de Peter, seus olhos estavam cheios de lágrimas e os dele também, se afastaram um pouco da família e se beijaram e abraçaram.

— Não chora, eu prometo que vou te ver o máximo que eu puder... – Disse Peter para Hydra.

— Eu espero que sim – Disse Hydra, abraçando o namorado mais uma vez.

Um apito deixou claro que o trem partiria em breve, Hydra deu outro beijo em Peter e entrou correndo no trem com seu malão e a gaiola de Lydra, acompanhada de Jeniffer.

— Tchau Abbas, te vejo em Hogsmeade! – Gritou Hydra, para o rapaz que acenava para ela.

Jeniffer entrou em um compartimento com Rita e algumas outras colegas do sexto ano.

— Ei, Hydra, como foram as férias? – Perguntou Rita, enquanto Jeniffer se acomodava no compartimento.

— Divertidas no final das contas e as suas?

— Interessantes... – Disse ela sorrindo.

— Não vai ficar conosco? – Perguntou Jeniffer, quando viu Hydra se preparando para se retirar.

— Eu vou procurar os meninos, mas depois eu passo por aqui novamente. – Disse ela.

— Ok, manda um abraço para eles – Disse Jeniffer, sentando ao lado das amigas.

Hydra foi atrás de Fred e Jorge, finalmente os encontrando em um compartimento com Lino, Angelina e Alicia.

As amigas se abraçaram e cumprimentaram com entusiasmo (entusiasmo esse ironizado pelos meninos).

— Nosso sexto ano, dá para acreditar? – Perguntou Angelina animada.

— Não, eu ainda acho que é brincadeira, não acredito que ano que vem nos formamos! – Disse Alicia.

— Eu não acredito é que ainda faltam dois anos para sairmos desse lugar! – Disse Fred.

A chuva foi ficando mais pesada à medida que o trem seguia mais para o norte. O céu estava tão escuro e as janelas tão embaçadas que as lanternas foram acesas antes do meio-dia. O carrinho dos lanches surgiu sacudindo pelo corredor e Hydra comprou petiscos para todos.

Draco aparecera à porta. Atrás dele, vinham Crabbe e Goyle, seus enormes capangas agressivos, que pareciam ter crescido no mínimo trinta centímetros durante o verão.

— Hydra – Disse ele sem jeito –, você está bem?

— Sim Draco, está tudo bem.

Draco olhou com desprezo para os Weasleys.

— Vejo que já voltou a andar em péssima companhia...

— Eu nunca parei. – Ironizou Hydra fazendo Alicia e Angelina rirem.

— Bom, nos vemos em Hogwarts... – Disse ele fechando a cabine e indo embora.

— Seu irmão está cada dia mais simpático – Brincou Fred.

— Nem me fale... ele estava se gabando no começo do ano que papai disse que algo iria acontecer em Hogwarts esse ano, só espero que nãos seja nada ruim! – Disse Hydra

— Vindo do seu pai... – Disse Jorge sem graça.

— Acredite, eu procurei pela casa inteira algum sinal de que pudesse ser algo ruim, pelo menos lá em casa eu não encontrei nada, acho que já é um bom sinal...

Fred e Jorge apresentaram alguns de seus produtos novos para Hydra que dava ideias de como poderiam melhorar as partes que usavam poções, apesar de sozinhos eles já serem capazes de criar coisas que espantavam Hydra. Depois, jogaram algumas partidas de Snap explosivos, finalmente, depois de algumas horas, trocaram as vestes da escola e o trem diminuiu a velocidade.

Quando as portas do trem se abriram, ouviu-se uma trovoada no alto, Hydra não desejava ser um dos alunos do primeiro ano atravessando o lago naquele tempo.

Os garotos passaram pelos portões, ladeados por estátuas de javalis alados, e as carruagens subiram o imponente caminho oscilando perigosamente sob uma chuva que parecia estar virando tromba-d'água. As pessoas que tinham tomado as carruagens anteriores já subiam correndo os degraus para entrar no castelo; Hydra e seus amigos saltaram da carruagem e correram escada acima, também, só erguendo a cabeça quando já estavam seguros, no cavernoso saguão de entrada iluminado por archotes, com sua magnífica escadaria de mármore.

Hydra entrou no salão principal que tinha o aspecto esplêndido de sempre, decorado para a festa de abertura do ano letivo. Pratos e taças de ouro refulgiam à luz de centenas e centenas de velas que flutuavam no ar sobre as mesas. As quatro mesas longas das Casas estavam cheias de alunos que falavam sem parar; no fundo do salão, os professores e outros funcionários sentavam-se a uma quinta mesa, de frente para os estudantes. Estava muito mais quente ali. Passaram pela mesa dos alunos da Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, e se sentaram com os colegas da Grifinória no extremo do salão, Hydra sentiu um profundo vazio e tristeza ao olhar a mesa da Corvinal e não ver Peter nem seus amigos.

Ela examinou os ocupantes da mesa com mais atenção. O minúsculo Prof. Flitwick, professor de Feitiços, estava sentado em uma alta pilha de almofadas ao lado da Profa Sprout, a mestra de Herbologia, usando um chapéu enviesado sobre os cabelos grisalhos e esvoaçantes. Conversava com a Profa Sinistra, do Departamento de Astronomia. Do outro lado de Sinistra estava o mestre de Poções, de rosto macilento, nariz de gancho e cabelos oleosos, Snape, havia um lugar vago, que Hydra achou que devia ser o da Profa McGonagall. Ao lado, e bem no centro da mesa, sentava-se o Prof. Dumbledore, o diretor, seus cabelos e barbas prateados e ondulantes brilhando à luz das velas, suas magníficas vestes verde-escuras bordadas com luas e estrelas. Dumbledore tinha as pontas dos dedos longos e finos e ele apoiava nelas o queixo, contemplando o teto através de oclinhos de meia-lua, como se estivesse perdido em pensamentos.

A Profa Minerva encabeçava uma longa fila de alunos do primeiro ano até o centro do salão. Se os alunos mais velhos estavam molhados, seu estado nem se comparava ao desses garotos. Eles pareciam ter feito a travessia do lago a nado em lugar de fazê-la de barco. Todos estavam tomados por tremores, em que se misturavam o frio e o nervosismo, ao passarem pela mesa dos professores e pararem em fila diante do resto da escola – todos exceto o menorzinho, um menino com cabelos castanho-baços, que vinha embrulhado em um agasalho O casaco era tão grande que o garoto parecia coberto por um toldo escuro e peludo.

A Profa Minerva agora colocava um banquinho de três pernas diante dos novos alunos e, em cima, um chapéu de bruxo, extremamente velho, sujo e remendado. Os garotos arregalaram os olhos. E todo o resto da escola também. Por um instante, fez-se silêncio. Em seguida um rasgo junto à aba se escancarou como uma boca, e o chapéu começou a cantar:

"Há mil anos ou pouco mais,

Eu era recém-feito,

Viviam quatro bruxos de fama, Cujos nomes todos ainda conhecem:

O valente Gryfindor das charnecas,

A bonita Ravenclaw das ravinas,

A meiga Huflepuff das planícies,

O astuto Slytherin dos brejais.

Compartiam um desejo, um sonho, Uma esperança, um plano ousado

De, juntos, educar jovens bruxos,

Assim começou a Escola de Hogwarts.

Cada um desses quatro fundadores Formou sua própria casa, pois cada Valorizava virtude vária Nos jovens que pretendiam formar.

Para Gryfindor os valentes eram Prezados acima de todo o resto;

Para Ravenclaw os mais inteligentes Seriam sempre os superiores;

Para Huflepuff, os aplicados eram Os merecedores de admissão;

E Slytherin, mais sedento de poder, Amava aqueles de grande ambição.

Enquanto vivos eles separaram Do conjunto os seus favoritos Mas como selecionar os melhores, Quando um dia tivessem partido?

Foi Gryfindor que encontrou a solução Tirando-me da própria cabeça Depois me dotaram de cérebro Para que por eles eu pudesse escolher!

Coloque-me entre suas orelhas, Até hoje ainda não me enganei. Darei uma olhada em sua cabeça E direi qual a casa do seu coração!"

Os aplausos ecoaram pelo Salão Principal quando o Chapéu Seletor terminou

A Prof a Minerva agora desenrolava um grande pergaminho.

— Quando eu chamar seu nome, ponha o chapéu e se sente no banquinho – explicou ela aos alunos do primeiro ano. – Quando o chapéu anunciar sua casa, vá se sentar à mesa correspondente. – Ackerley, Stuart!

Um menino se adiantou, tremendo visivelmente da cabeça aos pés, apanhou o chapéu, colocou-o e se sentou no banquinho.

— Corvinal! – anunciou o chapéu.

Stuart Ackerley tirou o chapéu e correu para uma cadeira à mesa de Corvinal, na qual todos o aplaudiam.

Hydra olhou para a mesa da Corvinal com grande saudade do seu antigo habitante.

— Baddock, Malcolm! – Sonserina!

A mesa do outro lado do salão prorrompeu em vivas. Hydra começava a sentir saudades de 3 anos atrás, quando fez sua seleção, já no quarto ano. Fred e Jorge vaiaram Malcolm Baddock quando ele se sentou e Hydra pediu para que eles não fizessem isso.

— Nem todos da Sonserina são ruins, o namorado da Jeniffer é uma pessoa muito legal, além disso, é chato com eles! – Disse ela séria e os meninos riram desdenhando.

— Branstone, Eleanora! – Lufa-Lufa!

— Cauldwell, Owen! – Lufa-Lufa!

— Creevey, Dênis!

O miudinho Dênis Creevey adiantou-se com passos incertos, tropeçando no casaco de Hagrid.

— Grifinória! – gritou o chapéu. Hagrid aplaudiu com os demais alunos da Casa, quando Dênis Creevey, abrindo um sorriso de lado a lado do rosto, tirou o chapéu, recolocou-o no banquinho e correu para se juntar ao irmão.

A seleção prosseguiu; garotos e garotas expressando no rosto variados graus de medo se adiantavam, um a um, até o banquinho de três pernas, e a fila foi diminuindo à medida que a Prof a Minerva ultrapassava a letra "L!

Depois de um longo tempo (o estômago de Hydra roncava) finalmente, com "Whitby, Kevin!" (Lufa-Lufa!) encerrou-se a seleção. A Prof a Minerva apanhou o chapéu e o banquinho e levou-os embora.

O Prof. Dumbledore se levantara. Sorria para os estudantes, os braços abertos num gesto de boas-vindas. – Só tenho duas palavras para lhes dizer – começou ele, sua voz grave ecoando pelo salão. – Bom apetite!

As travessas vazias se enchiam magicamente diante dos seus olhos e Hydra comeu tanto quanto pudera aguentar.

— Acho que esse ano vai ser ótimo, eu e Fred vamos tentar fazer o máximo de encomendas possíveis – Disse Jorge sorridente enquanto comia purê de batata.

— Eu ainda não acredito que vocês conseguiram só três N.O.M.s cada – Retrucou Angelina.

— Nós já dissemos, nossos talentos estão além do campo acadêmico – Respondeu Jorge sério.

— Eu fiquei meio chateada com cinco N.O.M.s. – Disse Alicia – Imagina três!

Hydra permanecia calada, ela sabia que tinha tinha obtido mais N.O.M.s que seus amigos e não queria se gabar disso, não que Fred ou Jorge ligassem, mas suas brigas com Angelina ensinaram Hydra a agir com cuidado com ela, apesar de achar que ela também não ligaria para isso.

A chuva ainda batucava com força nas janelas altas e escuras. Mais uma trovoada sacudiu as vidraças e o céu tempestuoso relampejou, iluminando os pratos de ouro quando os restos do primeiro prato desapareceram e foram substituídos instantaneamente por sobremesas.

Quando as sobremesas também tinham sido destruídas, e as últimas migalhas desaparecidas dos pratos, deixando-os limpos e brilhantes, Alvo Dumbledore tornou a se levantar. O burburinho das conversas que enchiam o salão cessou quase imediatamente, de modo que somente se ouviam o uivo do vento e o batuque da chuva.

— Então! – exclamou Dumbledore, sorrindo para todos. – Agora que já comemos e molhamos também a garganta, preciso mais uma vez pedir sua atenção, para alguns avisos.

"O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los de que a lista dos objetos proibidos no interior do castelo este ano cresceu, passando a incluir Ioiôsberrantes, Frisbees-dentados e Bumerangues-de-repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do Sr. Filch, se alguém quiser lê-la." Os cantos da boca de Dumbledore tremeram ligeiramente.

Ele continuou:

— Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram à terceira série. "Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de quadribol entre as Casas."

— O QUE? – Exclamou Hydra e todos os amigos que faziam parte do time de quadribol xingavam Dumbledore em silêncio. "Se o Olívio estivesse aqui..." – Pensou Hydra.

— Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o grande prazer de anunciar que este ano em Hogwarts...

Mas neste momento, ouviu-se uma trovoada ensurdecedora e as portas do Salão Principal se escancararam.

Apareceu um homem parado à porta, apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Todas as cabeças no Salão Principal se viraram para o estranho, repentinamente iluminado por um relâmpago que cortou o teto. Ele baixou o capuz, sacudiu uma longa juba de cabelos grisalhos ainda escuros e começou a caminhar em direção à mesa dos professores.

Um ruído metálico e abafado ecoava pelo salão a cada passo que ele dava. Quando alcançou a ponta da mesa, virou à direita e mancou pesadamente até Dumbledore. Mais um relâmpago cruzou o teto.

Mais um relâmpago cruzou o teto. O relâmpago revelou nitidamente as feições do homem e seu rosto era diferente de qualquer outro que Hydra já vira. Parecia ter sido talhado em madeira exposta ao tempo, por alguém que tinha uma vaguíssima ideia do aspecto que um rosto humano deveria ter, e não fora muito habilidoso com o formão. Cada centímetro da pele do estranho parecia ter cicatrizes. A boca lembrava um rasgo diagonal e faltava um bom pedaço do nariz. Mas eram os seus olhos que o tornavam assustador.

Um deles era miúdo, escuro e penetrante. O outro era grande, redondo como uma moeda e azul-elétrico vivo. O olho azul se movia continuamente, sem piscar, e revirava para cima, para baixo, e de um lado para o outro, independentemente do olho normal – depois virava de trás para diante, apontando para o interior da cabeça do homem, de modo que só o que as pessoas viam era o branco da córnea.

O estranho chegou-se a Dumbledore. Estendeu a mão direita, que era tão cheia de cicatrizes quanto o rosto, e o diretor a apertou, murmurando algo. Parecia estar fazendo perguntas ao estranho, que abanava negativamente a cabeça, sem sorrir, e respondia em voz baixa. Dumbledore assentiu com a cabeça e indicou ao homem o lugar vazio à sua direita.

O estranho se sentou, sacudiu a juba grisalha para afastá-la do rosto, puxou um prato de salsichas para si, levou-o ao que restara do nariz e cheirou-o. Tirou então uma faquinha do bolso, espetou a salsicha e começou a comer. Seu olho normal fixava as salsichas, mas o olho azul continuava a dar voltas na órbita registrando o salão e os estudantes.

— Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas – disse Dumbledore, animado, em meio ao silêncio. – Prof. Moody

Era normal os novos membros do corpo docente serem recebidos com aplausos, mas nem os colegas nem os estudantes bateram palmas, exceto Dumbledore e Hagrid. Os dois juntaram as mãos e bateram palmas, mas o som ecoou tristemente no silêncio e eles bem depressa pararam. Todos pareciam demasiado hipnotizados pela aparência grotesca de Moody para ter qualquer reação exceto encarar o homem.

— Olho-Tonto Moody! – Murmurou Fred – Papai estava falando sobre ele, parece que era um Auror muito bom, mas que é meio pirado.

Moody parecia totalmente indiferente à recepção quase fria que tivera. Ignorando a jarra de suco de abóbora à sua frente, o homem tornou a enfiar a mão no interior da capa, puxou um frasco de bolso e bebeu um longo gole. Quando levantou o braço para beber, sua capa se elevou alguns centímetros do chão.

Dumbledore pigarreou outra vez.

— Como eu ia dizendo – recomeçou ele, sorrindo para o mar de alunos à sua frente, todos ainda mirando Olho-Tonto Moody, paralisados –, teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.

— O senhor está BRINCANDO! – exclamou em voz alta Fred Weasley e Hydra o olhou para espantado.

A tensão que invadira o salão desde a chegada de Moody repentinamente se desfez. Quase todos riram e Dumbledore deu risadinhas de prazer.

— Não estou brincando, Sr. Weasley – disse ele –, embora, agora que o senhor menciona, ouvi uma excelente piada durante o verão sobre um trasgo, uma bruxa má e um leprechaun que entram num bar...

A Prof a Minerva pigarreou alto.

— Hum... mas talvez não seja hora... não... Onde é mesmo que eu estava? Ah, sim, no Torneio Tribruxo... bom, alguns de vocês talvez não saibam o que é esse torneio, de modo que espero que aqueles que já sabem me perdoem por dar uma breve explicação, e deixem sua atenção vagar livremente.

"O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria – Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades – até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido."

— Ai meu Deus, essa era a surpresa que minha amigas da França tinham eu acho, será que elas vão vir para o torneio? – Disse Hydra feliz ignorando completamente o comentário sobre a alta taxa de mortalidade do torneio.

— Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio – continuou Dumbledore –, nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal.

"Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões."

— Ai meu Deus, ai meu Deus, minhas amigas devem vir! – Hydra estava tão feliz que sacudia Fred que estava a seu lado.

— Estou nessa! – sibilou Fred para os colegas de mesa, o rosto iluminado de entusiasmo.

— Ansiosos como eu sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts – disse ele –, os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos contendores. Somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção. Isto – Dumbledore elevou ligeiramente a voz, pois várias pessoas haviam protestado indignadas ao ouvir suas palavras, e os gêmeos Weasley, de repente, pareciam furiosos – é uma medida que julgamos necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, por mais precauções que tomemos, e é muito pouco provável que os alunos abaixo da sexta e sétima séries sejam capazes de dar conta delas. Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido campeão de Hogwarts. – Seus olhos azul-claros cintilaram ao perpassar os rostos rebelados de Fred e Jorge. – Portanto peço que não percam tempo apresentando suas candidaturas se ainda não tiverem completado dezessete anos.

"As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco, e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!"

Dumbledore tornou a se sentar e virou-se para falar com Olho-Tonto Moody. Ouviu-se um estardalhaço de cadeiras batendo e se arrastando quando os alunos se levantaram para sair como um enxame em direção às portas de entrada do Salão Principal.

— Não podem fazer isso com a gente! – reclamou Jorge Weasley, que não se reunira aos colegas que se dirigiam às portas, mas continuara parado olhando de cara emburrada para Dumbledore. – Vamos fazer dezessete anos em abril, por que não podemos tentar?

— Não vão me impedir de me inscrever – disse Fred, teimoso, também amarrando a cara para a mesa principal. – Os campeões vão fazer todo o tipo de coisa que normalmente nunca podemos fazer. E mil galeões de prêmio!

— Não fiquem assim meninos... – Dizia Angelina

— Fácil para você dizer, você terá dezessete anos! – Disse Fred furioso e Angelina ficou vermelha.

— É, realmente eu vou tentar o torneio – Disse ela.

— Eu te dou a maior força! – Sorriu Hydra que ainda não podia acreditar que suas amigas iriam passar o ano letivo com ela finalmente depois de 3 anos separadas.

Harry, Rony, Hermione, Fred e Jorge saíram para o saguão de entrada, os gêmeos discutindo as maneiras pelas quais Dumbledore poderia impedir os menores de dezessete anos de se inscreverem no torneio. Hydra seguiu com Angelina, Alicia e Katie.

— Todas suas amigas tem mais de dezessete anos? – Questionou Alicia.

— Na verdade não, somente duas delas... – Hydra não tinha parado para pensar nisso – Será que só elas duas vão vir? – Pensou ela em voz alta, Gabrielle e Gisele faziam dezessete anos no começo de outubro, mas Desiré assim como ela somente no final do ano letivo.

Os garotos se dirigiram à entrada da Torre da Grifinória, que ficava escondida atrás de uma grande pintura a óleo de uma mulher gorda com um vestido de seda rosa.

— Senha? – perguntou ela quando os garotos se aproximaram. – Asnice – disse Jorge enquanto Hydra se aproximava–, um monitor me informou lá embaixo.

O retrato girou para a frente, expondo um buraco na parede, pelo qual todos passaram. Um fogo crepitante aquecia a sala comunal circular, mobiliada com fofas poltronas e mesas.

Hydra subiu direto com as meninas para o quarto, Jeniffer e Rita já estavam lá dentro.

— Uma pena que eu só faço 17 anos em Abril... – Reclamou Jeniffer — Eu ia amar participar, eu ainda não acredito que Abbas não me disse nada sobre o torneio.

— Ele queria fazer surpresa com certeza – Disse Hydra trocando os robes pelo pijama.

— Você tentaria Hydra? – Perguntou Alicia.

— Acho que sim, parece com algo que eu gostaria de fazer. – Disse ela pensando em toda excitação e glória que o torneio trazia.