O Espelho Mágico

13 O Torneio Tribruxo



Na noite de Sábado, como sempre, Hydra seguiu para sua lição com Snape. Depois de mexerem na Poção por cerca de uma hora, começaram as lições de Oclumência.

— Legilimens – Disse Snape apontando sua varinha para Hydra.

Hydra se viu com mais ou menos três anos em na sala da mansão dos Malfoy, um homem de costas falava com sua tia Bellatrix, que Hydra reconheceu pelos retratos que sua mãe lhe mostrara e Hydra assistia se sentindo extremamente assustada enquanto sua tia estava na frente de um homem.

— Nós seremos sempre fieis, meu Lord. – Dizia Bellatrix desesperada.

— Concentre-se, não deixe que eu veja! – Dizia a voz de Snape.

A cena mudou. Hydra estava novamente com três anos, chorando desesperada no colo de sua mãe Narcisa que parecia muito mais jovem e também chorava.

— Eu posso criar a menina, agora que o Senhor das Trevas sumiu, precisamos continuar o trabalho dele – Dizia sua tia Bellatrix, nervosa tentando puxar Hydra do colo de Narcisa enquanto ela se segurava firme a mãe e chorava.

— Não Bellatrix, ela é minha filha, eu não preciso que você crie ela para mim – Dizia Narcisa chorando.

— Você não é forte o suficiente para isso Narcisa, nunca foi, ela provavelmente vai acabar se perdendo com você, comigo ela terá uma criação direita sabendo dos nossos valores.

— Não Bellatrix!

— Não mamãe, não deixa ela me levar, ela é má! – Chorava Hydra no colo de Narcisa.

— Cala a boca menina ingrata! – Gritava Bellatrix.

— Resista Malfoy, resista. – Dizia a voz de Snape.

Hydra voltou para o escritório de Snape que a olhava com desgosto, ela tinha lágrimas nos olhos

— Uma desgraça Malfoy, uma desgraça, você precisa se esforçar mais. – Disse Snape andando pela sala parecendo muito desgostoso.

— Eu estou tentando – Disse Hydra ainda chorando.

— Chega por hoje, espero que esteja mais preparada na semana que vem – Disse ele e Hydra se despediu e se retirou correndo da sala.

Então o motivo de odiar tanto a sua tia Bellatrix era porque ela tentou tirá-la da mãe, a ideia de não ser criada pelos Malfoys sempre a agradou, mas ser criada pelos Lestranges, parecia pior ainda.

Hydra andou o caminho inteiro até a sala comunal da Grifinória imaginando como seria se isso de fato tivesse ocorrido, a pessoa horrível que poderia ser, já que, por mais que sua mãe tivesse as ideias ruins de seu pai, ela ainda era muito mais liberal que sua tia Bellatrix e que seu pai Lúcio, ela evitou muitas vezes que Lúcio a obrigasse ser como ele era e por mais errada que achasse que sua mãe era, imaginar sua vida sem ela a fez vê-la por uma nova perspectiva.

A menina, subiu direto para o quarto mas não conseguiu dormir, a imagem do que vira a assombrava e tudo que ela queria era poder abraçar sua mãe naquele momento. Decidiu então escrever duas cartas, uma para Peter contando o que aconteceu e outra para sua mãe, dizendo que sentia muito por ter a tratado mal tantas vezes, enviaria as duas na manhã seguinte.

No domingo, acordara cedo e foi para o corujal enviar Lydra com a carta para a sua mãe, depois desceu para o café onde recebeu sua carta diária de Peter e colocou em sua coruja a carta que escrevera na noite anterior.

Hydra passou o resto do Domingo com seus amigos na beira do lago.

— Será que o Harry vai se sair bem na terça? – Perguntou Fred, que estava deitado no gramado ao lado de Hydra.

— Eu espero que sim, não vou contar ninguém da Beauxbatons, mas vou torcer pra ele – Disse Gabrielle que estava sentada ao seu lado sorrindo.

— Eu estou com medo, ele é tão novinho, as tarefas não parecem ser fáceis – Disse Angelina.

— Eu acho que ele dá conta, ele venceu Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, comparado a isso, a tarefa vai ser mole, não? – Perguntou Jorge em tom de brincadeira.

— Mas eu não sei, realmente parece ser perigoso, eu também temo pelo Harry – Disse Hydra.

A terça-feira chegou e com ela a primeira prova do torneio, todas as aulas seriam interrompidas ao meio- dia e toda escola tinha um clima de tensão e excitação.

Hydra que tinha o tempo depois do almoço vago, estava sentada no Salão Comunal, esperando a hora de descer para assistir a primeira prova, resolveu examinar as duas cartas que recebera no dia anterior.

"Querida Hydra,

Não fique desse jeito, nada aconteceu, você não foi criada pela sua tia, você não pode deixar que isso te abale tanto, eu sei que te fez pensar e realmente a alternativa foi muito melhor, mas isso também não exime sua mãe de todos seus erros, não esqueça disso, embora eu goste que tenha uma relação um pouco melhor com ela.

Quanto as aulas, eu fico feliz que esteja tendo, eu queria muito ter tido aulas de Oclumência, tivemos uma noção básica no sétimo ano, mas nada muito profundo, quem sabe você não pode me ensinar nas férias depois que aprender?

O treinamento está indo bem, mas está pesado, eu chego em casa exausto todos os dias, mas me avisaram que o primeiro ano seria assim, fico até feliz que você ainda esteja na escola, assim não me sinto culpado de não poder te dar toda atenção que você merece, apesar de sentir tanta a sua falta, todos os dias, não tem um dia que eu não queira estar ao seu lado, Hydra.

Te amo muito,

Peter Macmillan"

"Minha querida filha,

Fico feliz de ler isso, mas o que aconteceu? Por quê essas palavras agora? O que está acontecendo por aí além do tal torneio Tribuxo? Espero que ninguém esteja lhe pressionando contra sua família, lembre-se que independente de tudo, você sempre será uma Malfoy e deve ter orgulho disso.

Com amor,

Narcisa Malfoy"

Logo Fred e Jorge entraram na sala sem que ela percebesse.

— Vamos Hydra? A primeira tarefa vai começar e precisamos coletar apostas! – Disse Jorge animado.

— Vocês vão apostar contra seu amigo? – Perguntou Hydra se levantando.

— Nós apenas recebemos as apostas, quer apostar? – Disse Fred

— Nem pensar, eu tenho péssimas lembranças das suas apostas esquisitas.

Os três desceram juntos e se reuniram a multidão que ia em direção a fora do castelo.

Hydra viu que uma grande arquibancada foi erguida nas margens da floresta, ela subiu e procurou um bom lugar junto com Fred e Jorge que coletavam apostas dos outros estudantes, a arena ainda não tinha nenhuma amostra do que esperava os campeões, então ela esperou nervosamente com os outros alunos.

Depois de um tempo, Ludo Bagman apareceu na arena e sua voz foi magicamente ampliada.

— Boa-tarde senhoras e senhores, que dia! Hoje teremos nossa primeira prova do torneio Tribuxo. – Dizia ele animado e a multidão aplaudia – Para a primeira prova, cada um de nossos quatro campeões terá que roubar o ovo guardado por nada mais nada menos que UM DRAGÃO – Gritinhos de surpresa e ansiedade foram ouvidos, junto com mais aplausos e gritos.

— Não, não pode ser um dragão de verdade, pode? — Perguntava Hydra para os gêmeos chocada

— Dragões? Que maneiro! – Gritava um aluno do terceiro ano ao seu lado

— O primeiro participante será o Sr. Cedrico Diggory!

Um dragão prateado foi colocado junto a um ovo dourado e todos gritavam assustados.

Cedrico saiu da barraca aonde estava parecendo verde e mais assustado que qualquer um.

Cedrico pegou sua varinha e transfigurou uma rocha em um cachorro para distrair o dragão, de princípio realmente o dragão pareceu curioso olhando o dragão enquanto Cedrico contornava a arena em direção ao ovo.

"Ele está se arriscando, o campeão!", Narrava Ludo Bagman.

O dragão saiu de perto do ovo e Cedric correu para pegá-lo, mas logo o dragão viu o que acontecia e voltou e soltou uma chama azul brilhante que não atingiu Cedrici por muito pouco.

"Boa tentativa – pena que não deu resultado!" – Continuava Bagman.

Cedrico esperou o dragão se distrair mais uma vez e fez a mesma tentativa e quase conseguiu antes que o dragão visse novamente o bruxo e voltasse e dessa vez o queimasse um pouco.

"Aaah, por um triz, por muito pouco"... Narrava Ludo Bagman.

Finalmente depois de uns 15 minutos enquanto todos seguravam o fôlego, o cão distraiu o dragão tempo o suficiente para que Cedrico recuperasse o ovo.

Um urro ensurdecedor tomou conta da arena, até Hydra se sentiu feliz pelo rapaz.

— Realmente muito bom! – gritou Bagman. – E agora as notas dos juízes!

Cedrico obteve excelentes notas e parecia satisfeito com o resultado, saiu ovacionado pelo público.

— Um a menos, faltam três! – berrou Bagman, quando o apito tornou a tocar. – Senhorita Delacour, queira fazer o favor!

Um dragão verde foi colocado no lugar do que estava lá anteriormente e um novo ovo dourado.

Fleur tremia e parecia muito nervosa. Hydra sentiu simpatia pela bruxa naquele momento, desejando que ela fosse bem.

Fleur ficou mais ou menos dez minutos tentando encantar o dragão, algumas vezes parecia conseguir, mas o dragão ficou em um estágio de semi acordado por um bom tempo, quase a queimando diversas vezes.

— Ah, não tenho muita certeza se isto foi sensato! – Bagman dizia animadamente na primeira tentativa de Fleur.

O dragão soltou um ronco e cuspiu um grande jorro de chamas e a saia dela pegou fogo, ela apagou com um pouco de água tirada da varinha.

— Ah... quase! Cuidado agora... meu bom Deus, pensei que já tinha apanhado! – Dizia ele na segunda tentativa.

Finalmente, Fleur conseguiu fazer o dragão adormecer e pegou o ovo, a multidão aplaudia empolgados.

— Muito bem Sennhorita Delacour– gritou Bagman. – E agora as notas dos juízes!

As notas de Fleur foram quase tão boas quanto as de Cedric.

— E aí vem o Sr. Krum! – exclamou Bagman enquanto a multidão aplaudia.

Um dragão vermelho e oriental foi colocado no local junto a um novo ovo dourado.

Krum não demorou muito para conseguir o que queria, ele lançou a azaração Conjunctivitus no dragão que, agoniado, saiu andando e amassou metade dos ovos verdadeiros. Hydra sentiu pena do pobre dragão que parecia sofrer que escondeu o rosto no ombro do Jorge para não chorar.

— Muito ousado! – berrava Bagman e o pobre dragão soltou um poderoso e terrível urro, enquanto a multidão prendia a respiração em uníssono. – Que sangue-frio ele está demonstrando... e... sim, senhores, ele apanhou o ovo!

Os aplausos romperam o ar invernal como se espatifassem uma vidraça, as notas de Krum foram as melhores até então, apesar de ele ter perdido pontos por ter danificado os ovos verdadeiros.

— Que crueldade, tadinho do pobre dragão! – Dizia Hydra ainda com pena com dragão que foi acolhido por seus cuidadores, entre eles, Carlinhos Weasley.

— E agora, lá vem ele, Harry Potter – Gritou Ludo Bagman.

Agora um dragão negro e assustador estava guardando um novo ovo dourado.

Harry entrou parecendo nervoso, mas mais confiante do que Fleur por exemplo, ele apontou a varinha e conjurou um feitiço que Hydra não conseguiu entender qual.

Por um tempo, nada aconteceu e Hydra se sentiu muito nervosa imaginando que o que quer que o rapaz tenha feito, não dera certo.

— Ele vai ser morto se continuar assim! – Chorava ela para Fred e Jorge.

Hydra viu então a vassoura Firebolt disparando em direção a Harry, começando a sobrevoar a floresta, chegando ao cercado e estacando imóvel no ar, aguardando que ele a montasse. A multidão fez ainda mais estardalhaço

— GENIAL, GENIAL – Gritou Ludo Bagman

Hydra chorava de alivio, aplaudia e gritava.

Harry passou a perna por cima da vassoura e deu impulso contra o chão. Um segundo depois estava voando alto.

Hydra segurava a respiração nervosa e apertava forte a mão de Fred que estava ao seu lado, Harry mergulhou em direção aos ovos, a cabeça do Rabo-Córneo o acompanhou; Hydra pensou que o pior iria acontecer, mas ele se recuperou do mergulho bem na hora; um jorro de fogo fora cuspido exatamente no ponto em que ele estaria se não tivesse se desviado...

— AI MEU DEUS! — Chorava Hydra alto.

— Nossa, como ele sabe voar! – berrou Bagman, enquanto a multidão gritava e exclamava. – O senhor está assistindo a isso, Sr. Krum?

Harry voou mais alto descrevendo um círculo; o Rabo-Córneo continuava acompanhando o progresso do garoto; sua cabeça girava sobre o longo pescoço, Harry se deixou afundar rapidamente na hora em que o dragão abriu a boca, mas desta vez teve menos sorte – ele escapou das chamas, mas o bicho chicoteou o rabo para o alto ao seu encontro, e quando ele virou para a esquerda, um dos longos chifres arranhou seu ombro, rasgando suas vestes

— AI MEU DEUS, ELE FOI FERIDO! – Gritaram Hydra, Fred e Jorge ai mesmo tempo nervosos.

A multidão gritava ainda mais. Harry começou a voar, primeiro para um lado, depois para o outro, suficientemente longe para o bafo do bicho não o perfurar, mas, ainda assim, oferecendo uma ameaça suficientemente forte para o dragão não tirar os olhos dele. A cabeça do bicho virava para um lado e para o outro, vigiando o garoto com aquelas pupilas verticais, as presas à mostra...

Harry voou mais alto. A cabeça do Rabo-Córneo se ergueu com ele, o pescoço agora esticava-se ao máximo, ainda se movendo, como uma serpente diante do seu encantador...

O garoto subiu mais alguns palmos, e o bicho soltou um rugido de exasperação. Harry era uma mosca para ele, uma mosca que o bicho gostaria de amassar; seu rabo tornou a chicotear, mas Harry estava demasiado alto para que pudesse alcançá-lo... o dragão cuspiu fogo para o ar, Harry se desviou... as mandíbulas do bicho se escancararam... Então o dragão se empinou, abrindo finalmente as poderosas asas negras de couro, grandes como as de uma avioneta – e Harry mergulhou. Antes que o dragão percebesse o que ele fizera, ou onde desaparecera, o garoto estava voando a toda velocidade para o chão em direção aos ovos, agora sem a proteção das patas com garras do dragão – Harry soltou as mãos da Firebolt –, agarrou o ovo de ouro...

E, com um grande arranco, tornou a subir e parou no ar, sobre as arquibancadas, o pesado ovo bem preso sob o braço bom.

A multidão foi à loucura, Hydra chorava, gritava, abraçava os gêmeos, comemorava como nunca.

— ELE CONSEGUIU!!! – Gritava ela.

— Foi genial! – Gritava Fred.

— Maravilhoso, genial! – Gritava ainda mais Jorge.

— Olhem só para isso! – berrava Ludo Bagman. – Por favor olhem para isso! Nosso campeão mais jovem foi o mais rápido a apanhar o ovo! Bom, isto vai diminuir a desvantagem do Sr. Potter!

As notas de Harry foram altas, apenas o diretor da Durmstrang deu nota baixa ao garoto, mas ainda assim ele ficou empatado com Krum.

Hydra seguiu com os outros para a sala comunal que estava preparada para uma grande festa.

— Já conseguimos as bebidas e comida – Disseram Fred e Jorge.

— E fizemos algumas coisas especiais com os cremes de caramelo, então fique longe deles – Sorriu Fred.

Hydra ajudou a colocar toda a decoração.

Quando Harry, Roy e Hermione finalmente entraram, a sala comunal da Grifinória explodiu de vivas e gritos outra vez. Havia montanhas de bolos e garrafões de suco de abóbora e cerveja amanteigada em cima de cada móvel; Lino Jordan soltara alguns dos seus Fogos Fabulosos do Dr. Filibusteiro Sem Fumaça Nem Calor, por isso o ar estava denso de estrelas e faíscas; e Dino Thomas, um amigo de Harry do quarto ano, que era muito bom em desenho, tinha pendurado magníficos galhardetes novos, a maioria dos quais mostrava Harry voando na Firebolt em volta da cabeça do dragão, embora houvesse uns dois que mostravam Cedrico com os cabelos em chamas.

— Parabéns Harry, você foi genial! – Disse Hydra abraçando o rapaz que ficou vermelho depois que ele se serviu com um pouco de comida.

— Putz, isso é pesado – comentou Lino Jordan, levantando o ovo dourado, que Harry deixara em cima de uma mesa, e pesando-o nas mãos. – Abra, Harry, vamos! Vamos ver o que tem dentro!

— Ele tem que decifrar a pista sozinho – disse Hermione depressa. – É a regra do torneio...

— É, anda, Harry, abra! – fizeram coro vários colegas.

Lino passou o ovo a Harry e o garoto enfiou as unhas no sulco que corria a toda volta do objeto, forçando o ovo a abrir. Estava oco e completamente vazio – mas no momento em que Harry o abriu, um som terrível, alto e agudo com um agouro, encheu a sala. Hydra tampou os ouvidos com as mãos em agonia, mas por um momento depois achou que tinha entendido o que o barulho estava "falando", mas não prestou atenção o suficiente para saber do que se tratava ou para entender de fato se tinha alguém falando algo ou não.

— Fecha isso! – berrou Fred, as mãos tampando os ouvidos.

— Que é isso? – perguntou Simas Finnigan, um outro amigo de Harry do quarto ano olhando o ovo enquanto Harry tornava a fechá-lo com um estalo.

— Parecia um espírito agourento... quem sabe você vai ter que passar por um deles da próxima vez, Harry!

— Era alguém sendo torturado! – arriscou Neville, que ficara muito pálido e largara os pães de salsicha no chão. – Você vai ter que enfrentar a Maldição Cruciatus!

— Deixa de ser babaca, Neville, isso é ilegal – disse Jorge. – Não usariam a Maldição Cruciatus contra os campeões. Achei que lembrava um pouco o Percy cantando... quem sabe você vai ter que atacar ele quando estiver debaixo do chuveiro, Harry.

— Quer uma tortinha de geleia, Mione? – Hydra ouviu Fred oferecer.

Hermione olhou com ar de dúvida para o prato que o garoto lhe estendia. Fred sorriu. – Pode se servir. Não fiz nada com elas. É com os cremes de caramelo que você tem de se cuidar...

Neville, que acabara de encher a boca de creme, se engasgou e o cuspiu fora. Fred deu uma risada.

— É só uma brincadeirinha, Neville...

Hermione apanhou uma tortinha de geleia. Depois perguntou: – Você apanhou tudo isso na cozinha, Fred?

— Foi – respondeu ele sorrindo para a garota. Ele fez uma voz de falsete e imitou um elfo doméstico: – "O que pudermos lhe arranjar, meu senhor, qualquer coisa!" São super prestativos... me arranjariam um boi assado se eu dissesse que estava faminto.

— Como é que você entra lá? – perguntou Hermione com uma voz inocentemente desinteressada.

— É fácil, tem uma porta escondida atrás da pintura de uma fruteira. É só fazer "cosquinha" na pera, ela ri e... – Ele parou e olhou desconfiado para a garota. – Por quê?

— Nada – apressou-se Hermione a dizer.

— Vai tentar liderar uma greve de elfos domésticos, é? Vai desistir dos folhetos e incitar os caras a se revoltarem? Algumas pessoas riram, Hydra ficou séria olhando para eles:

Hermione não respondeu.

— Não vai perturbar os elfos dizendo que têm que pedir roupas e salários! – avisou-a Fred. – Vai desviar os caras do preparo da comida!

Nesse instante, Neville provocou uma ligeira distração transformando-se em um grande canário.

— Ah... me desculpe, Neville – gritou Fred, abafando as risadas. – Me esqueci... foram os cremes de caramelo que enfeitiçamos...

Um minuto depois, Neville entrava na muda e quando as penas acabaram de cair ele reapareceu tal qual era. E até engrossou o coro de gargalhadas

— Cremes de Canários! – anunciou Fred para os alunos facilmente excitáveis. – Jorge e eu inventamos, sete sicles cada, uma pechincha!

— Gostou? – Perguntou Jorge para Hydra.

— Vocês fizeram isso sozinhos? – Perguntou ela surpresa – Eu me surpreendo de verdade com a grande habilidade que vocês tem...

— Então você gostou?

— Eu só achei maldade usar no pobre Neville – Disse ela sorrindo.

— Da próxima vez a gente pode testar em você... – Brincou Fred.

— Se quiserem aparecer no dia seguinte sem dentes... – Respondeu Hydra também brincando.

A festa foi até de madrugada e Fred e Jorge ainda "apresentaram" alguns de seus produtos para os alunos que riam descontroladamente.

Finalmente Hydra subiu com Angelina e Alicia para o dormitório, decidiu escrever logo para Peter contando tudo sobre a primeira prova e depois dormiu.

O começo de Dezembro trouxe chuva e neve granulada à Hogwarts. As aulas com o professor Moody passaram de maldições imperdoáveis para feitiços silenciosos.

— Quero que formem duplas e tentem enfeitiçar uns aos outros – Disse ele.

Os alunos da Beauxbaton que estavam na aula conseguiram fazer sem dificuldade, Hydra sabia que essa era uma de suas especialidades e havia aprendido um pouco enquanto estava lá, mesmo sendo muito nova, alguns amigos mais velhos a ensinaram, então também não teve muita dificuldade para conseguir fazer Angelina ficar com os cabelos vermelhos sem pronunciar uma palavra.

— Excelente Malfoy! – Disse o Professor Moody olhando para ela com seu olho normal e deu os parabéns também para todos os alunos da Beauxbatons.

Na aula de Feitiços, eles aprenderam um feitiço muito interessante chamado Fideliuis.

— Era muito usado na época de Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado – Disse o pequeno Professor Flitwick – É um dos melhores feitiços de proteção para residências, alguém pode me dizer como funciona?

Hydra levantou a mão.

— Senhorita Malfoy.

— O Feitiço Fidelius é extremamente difícil e potente feitiço que pode ser usado para esconder um segredo; a bruxa ou bruxo que abriga o segredo é conhecido como o Fiel do Segredo. Uma habitação cuja localização foi protegida por este feitiço é invisível, intangível, não-localizável e à prova de som. Este é um feitiço extremamente antigo, um dos o mais antigo de todos. – Disse Hydra que tinha lido sobre o feitiço no dia anterior.

— Muito bom Srta. Malfoy, maravilhoso! Dez pontos para a Grifinória – Disse o Professor Flitwick, satisfeito — Quando o feitiço é inicialmente lançado, pode-se escolher mais de uma pessoa para ser Fiel do Segredo. Uma vez que o Fiel do Segredo morre, todas as pessoas que aprenderam o segredo antes da morte, se tornarão os novos Fiéis. Se o Fiel optou por não revelar o segredo para ninguém, em seguida, o segredo morrer com ele.

— Como se faz para que o segredo seja revelado? – Perguntou Angelina.

— Boa pergunta, Srta. Johnson. Uma vez que o segredo foi implantado, o único método para outro aprendê-lo é se o Fiel divulgar o seu conteúdo a essa pessoa diretamente, ele não pode ser descoberto de outra maneira. Além disso, ele aparece como se a divulgação deve ser voluntária. O método para o Fiel voluntariamente dizer a outra pessoa o segredo pode ser a forma verbal ou escrita. Também é possível que o Fiel possa revelar informações para outro, mostrando a eles

O resto da aula foi bem interessante e eles aprenderam como lançar o feitiço e tornar juma pessoa seu Fiel do segredo, apesar de parecer ser um feitiço extremamente difícil, eles testaram o feitiço depois em uma sala vazia ao lado da deles, casa um tentando até conseguirem fazer de um dos colegas o fiel do segredo da sala, fazendo com que os outros não a vissem e meio que não lembrassem dela ali.

Hydra descobrira no meio da semana que Peter não iria poder passar o natal em casa e sim trabalhando.

— Eu não vou vê-lo no feriado! – Disse ela desgostosa para Gabrielle e Gisele numa manhã durante o café.

— Mas você tem visto ele em Hogsmeade, não tem? – Perguntou Gisele

— Sim, nos vimos mais três vezes depois do passeio oficial, mas mesmo assim... – Disse Hydra desanimada.

— Você vai poder então ir no baile de inverno! – Disse Gisele tentando animá-la.

— Eu tinha esquecido disso, parece ser legal, mas eu não quero ir com ninguém... – Disse Hydra, se lembrando do Baile que ouviu falar que ocorreria no Natal.

— Não precisa, você vai conosco! – Sorriu Gabrielle.

— E com nossos pares, porque eu não vou sozinha mesmo! – Completou Gisele.

A Professora Minerva contou sobre o baile, em uma das aulas de transfiguração.

"O Baile de Inverno está próximo, é uma tradição do Torneio Tribruxo e uma oportunidade para convivermos socialmente com os nossos hóspedes estrangeiros. Agora, o baile só será franqueado aos alunos do quarto ano em diante, embora vocês possam convidar um aluno mais novo se quiserem..."

— Como eu fosse chamar alguém do terceiro ano – Riu Fred.

— O traje é a rigor – continuou a professora –, e o baile, no Salão Principal, começará às oito horas e terminará à meia-noite, no dia de Natal. Então...

A Profa McGonagall olhou deliberadamente para a turma.

— O Baile de Inverno naturalmente é uma oportunidade para todos nós... hum... para nos soltarmos – disse ela em tom de desaprovação.

Algumas pessoas riram, Fred e Jorge deram uma piscadinha para Hydra.

— Mas isto não significa – continuou ela – que vamos relaxar os padrões de comportamento que se espera dos alunos de Hogwarts. Ficarei seriamente aborrecida se, de alguma maneira, um aluno da Grifinória envergonhar a escola.

— Jamais faríamos isso, Professora! – Disse Jorge ironicamente para desgosto da Professora que olhava para ele com os lábios apertados de raiva.

— Esse recado é especialmente para vocês dois, senhores Weasleys, espero ver os dois no seu melhor comportamento – Disse ela raivosa.

Muitas pessoas se inscreveram para passar o Natal em Hogwarts, incluindo Hydra.

— Eu já tenho um par – Disse Gisele animada no almoço sentada na mesa da Grifinória com seus amigos

— Quem? – Perguntaram quase todos ao mesmo tempo.

— Mikael Gunstraze – Disse ela apontando para um rapaz louro de cabelo quase raspado, corpulento e alto da Durmstrang que estava sentado na mesa da Sonserina.

— Bonito – Respondeu Hydra sem muita animação.

— Eu também tenho um par... – Disse Alicia sem graça para as meninas e todas a olharam chocadas

— QUEM?

— O Lino me pediu ontem, mas não contem pra ninguém ainda... – Respondeu ela sem graça.

Angelina olhou esperançosa para Fred, Hydra sabia que ela queria que o rapaz a convidasse.

Durante os próximos dias, Hydra foi convidada por vinte e três meninos para o baile até aquele momento, cinco da Durmstrang, três da Beauxbaton (incluindo Pierre, é claro) e quinze de Hogwarts, sendo três da Sonserina, cinco da Lufa-Lufa, dois da Corvinal e cinco da Grifinória. Hydra respondeu a todos que já tinha sido convidada por outra pessoa e aceitado (menos para Pierre que disse que não queria ir mesmo com ele nem que precisasse ir sozinha).

— Vinte e três convites? Isso não é normal! – Disse Angelina surpresa em uma noite na sala comunal enquanto estavam sentadas fazendo os deveres.

— Eu só queria poder ir com o Peter, mas eu já chequei com a Profa Minerva, mesmo se ele pudesse ele não poderia, o baile é para alunos apenas – Disse Hydra desanimada.

— Mas você não vai sozinha, vai? – Perguntou Alicia.

— Eu acho que sim, eu prefiro assim... – Disse ela desanimada.

— Não vai não – Disse Jorge se sentando ao lado das meninas.

— Como assim não vou não? – Perguntou Hydra intrigada.

— Você vai comigo, ué! – Disse ele confiante

— Mas Jorge...

— Nada de mais Jorge, você é minha amiga e eu quero a sua companhia para o baile – Disse ele e Hydra sorriu e beijou sua bochecha.

— Você tem certeza que não prefere ir com alguém que... Com alguém que você possa...

— Não se preocupe com isso.– Interrompeu ele –Você me compensa me apresentando a sua amiga Gabrielle melhor depois.

— A Gabrielle? – Perguntaram Alicia e Angelina juntas

— Sim, eu acho ela uma gracinha.

— Eu achei que você queria a Gisele – Disse Angelina desgostosa.

— Ela é linda também, mas eu prefiro a Gabrielle.

— Mas por quê você não chamou ela para o baile então, Jorge? – Perguntou Hydra.

— Porque eu soube que ela já foi convidada e como eu disse, eu quero ir com você – Disse ele sorrindo e se levantando para se juntar a Fred e Lino no outro lado da sala.

— Eles fariam um casal muito fofo! – Disse Angelina sorrindo.

— Concordo. – Disse Hydra – Eu vou descobrir com quem a Gabrielle vai, mas com certeza vou falar do Jorge para ela.

— Você vai com ele para o baile então? – Perguntou Angelina.

— Vou sim, eu gostei da ideia de ir com um amigo.

— Eu só espero que eu seja chamada também... – Disse Angelina olhando esperançosa para Fred no outro lado da sala.