O Espelho Mágico

9 O Cálice de fogo



Pouco tempo depois, Hydra notou que os estudantes da Durmstrang entraram junto com os de Hogwarts no salão principal, eles estavam despindo os pesados casacos de peles e olhando para o teto escuro e estrelado com expressões de interesse, Hydra não ficou surpresa de eles terem escolhido a mesa da Sonserina para se sentarem mas se surpreendeu de ver o jogador de quadribol, Vitor Krum, entre eles.

Na mesa dos funcionários, Filch, o zelador, acrescentava cadeiras. Estava usando a velha casaca mofada em homenagem à ocasião. Ele acrescentara duas cadeiras de cada lado de Dumbledore.

Depois que todos os estudantes tinham entrado no salão e sentado às mesas das Casas, vieram os professores, que se dirigiram à mesa principal e se sentaram. Os últimos da fila foram o Prof. Dumbledore, o Prof. Karkaroff e Madame Maxime. Quando a diretora apareceu, os alunos de Beauxbatons se levantaram imediatamente, Hydra tinha se esquecido desse velho habito da antiga escola e suas amigas a olharam com reprovação quando ela não levantou de imediato.

Alguns alunos de Hogwarts riram da atitude dos alunos da Beauxbatons, mas Hydra sabia que eles não ligavam, apesar de se sentir estranha se ser a única aluna de Hogwarts fazendo o mesmo os alunos só tornaram a se sentar até que Madame Maxime estivesse acomodada do lado esquerdo de Dumbledore. Este, porém, continuou em pé e o Salão Principal ficou silencioso.

Os amigos de Hydra a olharam da mesa da Grifinória e ela fez sinal de quem iria encontrar com eles depois.

— Uh lala, esses são os gêmeos? – Perguntou Gisele olhando para Fred e Jorge.

— Sim, eles mesmo, mas só o Jorge está disponível, ok? – Completou Hydra rapidamente, apontando para o Jorge discretamente.

— Por quê?

— Porque minha amiga Angelina é apaixonada pelo Fred e por favor eu não quero brigar com ela de novo e nem magoar ela e nem que você magoe, então me prometa que ficará longe dele.

— Como se eu precisasse prometer! – Disse Gisele e Gabrielle e Hydra riram, Gisele sempre teve a personalidade muito namoradeira e nunca teve muitos critérios e sempre teve muita beleza, uma combinação perigosa, sabia Hydra.

Dumbledore começou a falar e elas se calaram.

— Boa-noite, senhoras e senhores, fantasmas e, muito especialmente, hóspedes – disse Dumbledore sorrindo para os alunos estrangeiros. – Tenho o prazer de dar as boas-vindas a todos. Espero e confio que sua estada aqui seja confortável e prazerosa.

Fleur, ainda segurando o xale na cabeça, deu uma inconfundível risadinha de zombaria o que fez Hydra ficar irada, ela achava a menina extremamente irritante e esnobe.

— Muitos te acham esnobe também... – Lembrava Gabrielle para infelicidade de Hydra quando ela comentava sobre Fleur

— O torneio será oficialmente aberto no fim do banquete – disse Dumbledore. – Agora convido todos a comer, beber e se fazer em casa! Ele se sentou, e Hydra viu Karkaroff se curvar na mesma hora para a frente e iniciar uma conversa com o diretor. As travessas diante deles se encheram de comida como de costume. Havia uma variedade de pratos à mesa que Hydra jamais vira em Hogwarts, inclusive alguns decididamente estrangeiros e seus preferidos.

— Bouillabaisse! – Exclamou Hydra colocando um pouco da comida Francesa no prato– já tem tempo que não como isso!

De alguma forma o Salão Principal parecia muito mais cheio do que de costume, ainda que só houvesse umas vinte pessoas a mais ali; talvez porque os uniformes de cores diferentes se destacassem tão claramente contra o preto das vestes de Hogwarts. Agora que tinham despido as peles, os alunos de Durmstrang deixavam ver que usavam vestes de um intenso vermelho sangue.

Hydra notou quando Fleur foi até a mesa da Grifinória pegar mais Bouillabaisse e viu que vários meninos a olhavam e alguns pareciam ter ficado temporariamente sem fala.

— Ai meu Deus vai começar de novo!? – Riu Gabrielle.

— O que? – Perguntou Hydra ainda com raiva.

— Você e Fleur disputando pra ver quem atrai mais olhares...

— EU NÃO FAÇO ISSO! – Disse Hydra indignada, mas suas amigas riram.

— Faz sim, vocês duas fazem, vocês sempre foram as mais bonitas da escola e sempre souberam disso! – Zombou Gisele e Hydra se sentiu ficar muito vermelha.

— Não, não é bem assim... – Gaguejou ela.

— É sim e nós te amamos mesmo assim. – Sorriu Gabrielle.

Hydra parou pra pensar e realmente as vezes sua vaidade deixava falar mais alto e realmente sempre teve uma pequena rivalidade com Fleur, mesmo sem querer.

Depois de um tempo, Hydra levou Gabrielle e Gisele para a mesa da Grifinória para apresentar a seus amigos que ainda não a conheciam, muitas cabeças masculinas viraram para ver as três, já que Gabrielle e Gisele, principalmente Gisele, também eram muito bonitas.

Hydra pediu espaço e se sentou ao lado de Jorge e suas duas amigas ao seu lado.

— Meninos, essas são Gabrielle e Gisele. – Disse ela apresentando as meninas a Fred, Jorge e Lino que quase babavam.

— Enchanté! – Respondeu Gisele visivelmente flertando com os meninos, Angelina não gostou nada disso, estava claro em seu rosto.

— E vocês se lembram das minhas amigas Angelina, Katie e Alicia. – As meninas acenaram umas para as outras.

Depois de todos apresentados, Gisele ficou conversando com os meninos e Gabrielle com as meninas.

— A Hydra também sentiu frio quando veio para cá. – Dizia Alicia para Gabrielle – Deve ser quente aonde vocês estudam.

— Oui, muito mais do que aqui! – Disse Gabrielle simpática, das quatro amigas, Gabrielle sempre foi a mais doce, sempre com um sorriso no rosto e uma palavra de afeto, sua voz era suave e não tinha quase ninguém que não se apaixonasse por seu jeito meigo, nem mesmo Angelina resistiu a sua amizade e se empolgou conversando com a ela, esquecendo um pouco de Gisele que ainda conversava com os meninos sempre mexendo nos longos cabelos negros.

Hydra olhou para a mesa dos funcionários e finalmente notou que as duas cadeiras que estavam vazias acabavam de ser ocupadas. Ludo Bagman sentou-se agora do outro lado do Prof. Karkaroff enquanto o Sr. Crouch, chefe de Percy, ficou ao lado de Madame Maxime.

— O que seu irmão está fazendo ali? – Perguntou Hydra para Fred e Jorge que também olharam surpresos para Percy.

— Não fazemos ideia! – Respondeu Jorge chocado.

— Hydra, é melhor voltarmos para a mesa com o resto da nossa escola, fique aqui com seus amigos, depois nos falamos melhor – Disse Gabrielle se levantando com Gisele (para a tristeza dos meninos e alivio de Angelina) e indo em direção a mesa da Corvinal. Logo depois, os pratos foram limpos

— Sua amiga Gabrielle é um doce! Tinha esquecido o quanto ela é simpática – Disse Kate.

— Sua amiga Gisele é uma... – Antes que Angelina pudesse completar, Dumbledore se levantou mais uma vez. Neste momento, uma agradável tensão pareceu invadir o salão. Fred e Jorge se curvaram para a frente, observando Dumbledore com grande concentração.

— Chegou o momento – disse Dumbledore, sorrindo para o mar de rostos erguidos. – O Torneio Tribruxo vai começar. Eu gostaria de dizer algumas palavras de explicação antes de mandar trazer o escrínio...

— O que? – Perguntou Lino.

— ...Apenas para esclarecer as regras que vigorarão este ano. Mas, primeiramente, gostaria de apresentar àqueles que ainda não os conhecem o Sr. Bartolomeu Crouch, Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia – houve vagos e educados aplausos –, e o Sr. Ludo Bagman, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. O Sr. Ludo Bagman, Chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. Houve uma rodada mais ruidosa de aplausos para Bagman do que para Crouch, talvez por sua fama de batedor ou simplesmente porque ele parecia muito mais simpático. Ele agradeceu com um aceno jovial. Bartolomeu Crouch não sorriu nem acenou quando seu nome foi anunciado. Ao lembrar-se dele vestido com um terno bem cortado na Copa Mundial de Quadribol. Fred e Jorge se olharam e Hydra entendeu o que estavam pensando.

Nos últimos meses, o Sr. Bagman e o Sr. Crouch trabalharam incansavelmente na organização do Torneio Tribruxo – continuou Dumbledore – e se juntarão a mim, ao Prof. Karkaroff e à Madame Maxime na banca que julgará os esforços dos campeões.

À menção da palavra "campeões", a atenção dos estudantes que ouviam pareceu aumentar. Talvez Dumbledore tivesse notado, porque ele sorriu e disse:

— O escrínio, então, por favor, Sr. Filch

Filch, que andara rondando despercebido um extremo do salão, se aproximou então de Dumbledore, trazendo uma arca de madeira, incrustada de pedras preciosas. Tinha uma aparência extremamente antiga. Um murmúrio de interesse se elevou das mesas dos alunos;

— As instruções para as tarefas que os campeões deverão enfrentar este ano já foram examinadas pelos Srs. Crouch e Bagman – disse Dumbledore, enquanto Filch depositava a arca cuidadosamente na mesa à frente do diretor –, e eles tomaram as providências necessárias para cada desafio. Haverá três tarefas, espaçadas durante o ano letivo, que servirão para testar os campeões de diferentes maneiras... sua perícia em magia, sua coragem, seus poderes de dedução e, naturalmente, sua capacidade de enfrentar o perigo.

A esta última palavra, o salão mergulhou num silêncio tão absoluto que ninguém parecia estar respirando.

— Como todos sabem, três campeões competem no torneio – continuou Dumbledore calmamente –, um de cada escola. Eles receberão notas por seu desempenho em cada uma das tarefas do torneio e aquele que tiver obtido o maior resultado no final da terceira tarefa ganhará a Taça Tribruxo. Os campeões serão escolhidos por um juiz imparcial... o Cálice de Fogo!

Dumbledore puxou então sua varinha e deu três pancadas leves na tampa do escrínio. A tampa se abriu lentamente com um rangido. O bruxo enfiou a mão nele e tirou um grande cálice de madeira toscamente talhado. Teria sido considerado totalmente comum se não estivesse cheio até a borda com chamas branco-azuladas, que davam a impressão de dançar. Dumbledore fechou o escrínio e pousou cuidadosamente o cálice sobre a tampa, onde seria visível a todos no salão.

— Quem quiser se candidatar a campeão deve escrever seu nome e escola claramente em um pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice – disse Dumbledore. – Os candidatos terão vinte e quatro horas para apresentar seus nomes. Amanhã à noite, Festa das Bruxas, o cálice devolverá o nome dos três que ele julgou mais dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir.

"Para garantir que nenhum aluno menor de idade ceda à tentação", continuou Dumbledore, "traçarei uma linha etária em volta do Cálice de Fogo depois que ele for colocado no saguão. Ninguém com menos de dezessete anos conseguirá atravessar a linha.

"E, finalmente, gostaria de incutir nos que querem competir, que ninguém deve se inscrever neste torneio levianamente. Uma vez escolhido pelo Cálice de Fogo, o campeão ficará obrigado a prosseguir até o final do torneio. Colocar o nome no cálice é um ato contratual mágico. Não pode haver mudança de ideia, uma vez que a pessoa se torne campeã. Portanto, procurem se certificar de que estão preparados de corpo e alma para competir, antes de depositar seu nome no cálice. Agora, acho que já está na hora de irmos nos deitar. Boa-noite a todos."

Hydra acenou e se despediu das amigas e seguiu com os amigos de Hogwarts para a torre da Grifinória.

— Uma linha etária! – exclamou Fred Weasley, os olhos brilhando, enquanto atravessavam o salão rumo às portas que se abriam para o saguão de entrada.

— Bom, isso deve ser contornável com uma Poção para Envelhecer, não? E depois que o nome estiver no cálice, a gente vai ficar rindo, ele não vai saber dizer se você tem ou não dezessete anos! Você faz uma para nós, não faz Hydra? – Perguntou Jorge.,

— Faço, apesar de continuar achando que não vai dar certo... – Respondeu ela enquanto caminhavam.

— Mas eu acho que ninguém abaixo de dezessete anos terá a menor chance – disse Hermione –, ainda não aprendemos o suficiente...

— Fale por você – disse Jorge rispidamente. – Você vai tentar entrar, não vai, Harry?

Harry ficou pensativo e não respondeu.

— Onde está ele? – perguntou Rony, que não estava ouvindo uma só palavra dessa conversa, e examinava a aglomeração de alunos para ver que fim levara Krum. – Dumbledore não disse onde o pessoal de Durmstrang vai dormir, disse?

Mas sua pergunta foi respondida quase instantaneamente; os garotos estavam passando pela mesa da Sonserina naquele momento e Karkaroff se apressava em chegar aos seus alunos

— Voltamos ao navio, então – foi ele dizendo. – Vítor, como é que você está se sentindo? Comeu o suficiente? Devo mandar buscar um pouco de quentão na cozinha?

Hydra viu Krum sacudir negativamente a cabeça e tornar a vestir as peles.

— Professor, eu gostaria de beber um pouco de vinho – disse outro garoto de Durmstrang esperançoso.

— Eu não ofereci a você, Poliakoff – retorquiu Karkaroff, seu caloroso ar paternal desaparecendo instantaneamente. – Vejo que derramou comida nas vestes outra vez, moleque porcalhão...

Karkaroff lhe deu as costas e conduziu os alunos para fora, chegando à porta no mesmo momento que Harry, Rony e Hermione. Harry parou para deixá-lo passar primeiro, Hydra estava logo atrás.

— Obrigado – disse Karkaroff, olhando distraído para o garoto.

E então o bruxo estacou. Tornou a virar a cabeça para Harry e encarou-o como se não pudesse acreditar no que via. Atrás do diretor, os alunos de Durmstrang pararam também. Os olhos de Karkaroff percorreram lentamente o rosto de Harry e se detiveram na cicatriz. Os alunos de Durmstrang miraram Harry cheios de curiosidade, também.

— É, é o Harry Potter, sim – disse alguém com um rosnado às costas deles.

O Prof. Karkaroff virou-se completamente. Olho-Tonto Moody se achava parado ali, apoiado pesadamente na bengala, o olho mágico encarando sem piscar o diretor de Durmstrang.

A cor se esvaiu do rosto de Karkaroff enquanto Hydra observava a cena. Uma expressão terrível, em que se misturavam a fúria e o medo, perpassou o rosto do homem.

— Você! – exclamou ele, encarando Moody como se duvidasse de que realmente o via.

— Eu – disse Moody sério. – E a não ser que tenha alguma coisa a dizer a Potter, Karkaroff, você talvez queira continuar andando. Está bloqueando a porta.

Era verdade; metade dos estudantes no salão aguardava atrás deles, espiando por cima dos ombros uns dos outros para ver o que estava causando o engarrafamento. Sem dizer mais uma palavra, o Prof. Karkaroff arrebanhou seus alunos e saiu. Moody observou-o desaparecer de vista, seu olho mágico fixando as costas do bruxo, uma expressão de intenso desagrado em seu rosto mutilado.

Hydra finalmente conseguiu subir para a torre da Grifinória com seus amigos, depois de ficarem comentando um bom tempo, durante o caminho, sobre o que acabara de acontecer com Harry, Moody e Karkaroff.

— Eu não acredito em tudo isso, você viu aqueles meninos da Durmstrang? Eles são bem bonitinhos... – Disse Alícia, se jogando em uma poltrona perto da lareira.

— Os da Beauxbatons também! – Disse Katie.

— É, alguns...

— O que foi, Hydra? – Perguntou Angelina, notando a falta de ânimo da amiga em falar dos meninos da Beauxbatons.

— Meu ex... namorado, sei lá o que ele era, ele veio com a comitiva da Beauxbatons...

— Mais um ex namorado? Isso provavelmente vai ser interessante então, tem mais barraco pra acontecer? Uma pena que o Peter e o Olívio não estão aqui para participar... – Disse Fred, se interessando na conversa.

— Não vai não, porque eu não pretendo deixar ser, não quero nem papo com ele! – Disse Hydra, parecendo um pouco nervosa.

— Por que? O que foi que ele fez de tão grave assim? – Perguntou Angelina, muito curiosa para saber a resposta.

— Nada, eu só não quero...

Ninguém, é claro, acreditou na resposta de Hydra e ficaram tentando insistir para saber a verdade por um bom tempo, até finalmente desistirem.

— Você acha que eu tenho chance de ser campeã? – Perguntou Angelina, antes de subir para dormir.

— Sim, claro que acho, que é melhor que você para isso aqui nessa escola? – Disse Hydra, deixando a menina animada e abrindo um largo sorriso.

— Eu não sei, mas eu tenho medo de não ser escolhida...

— Medo por quê? Se você não for, pelo menos vai ter tentado e isso já é maravilhoso, Angelina, já será um motivo de orgulho para a Grifinória, como você sempre é! – Disse Hydra sorrindo para a amiga.

— É... Você tem razão – Disse a menina também sorrindo de volta para Hydra.