O Espelho Mágico

4 Comensais da Morte



— Vamos embora imediatamente! – Disse Lúcio sem dar chance de Hydra falar com seus amigos, ela acenou para eles e disse que os encontrava mais tarde.

Eles foram engolfados pela multidão que saía do estádio e regressava aos acampamentos. O ar da noite trazia aos seus ouvidos cantorias desafinadas quando retomavam o caminho iluminado por lanternas, os leprechauns continuavam a sobrevoar a área em alta velocidade, rindo, tagarelando, sacudindo as lanternas.

Depois de chegar nas barracas, Hydra perguntou se podia ir encontrar Peter.

— Está muito perigoso lá fora e está tarde – Disse Narcisa.

— Não, deixe ela ir – Disse Lúcio fazendo pela segunda vez Hydra se chocar completamente.

— Tudo bem então... – Concordou Narcisa

— Você quer ir junto, Draco? – Hydra perguntou para o menino que estava sentado em uma poltrona.

— Não, eu vou procurar o Goyle, acho que ele está por aqui em algum lugar.

— Ok então... – Disse Hydra saindo da barraca, seu primeiro destino foi a barraca dos Weasleys e Peter parecia saber disso já que eles se encontraram no meio do caminho.

— Está feliz pela Irlanda? – Perguntou ele em meio aos gritos de comemoração que ainda ecoavam.

— Muito!

Hydra e Peter chegaram na barraca dos Weasleys e foi apresentado ao irmão mais velho da turma, Gui Weasley, um bruxo ruivo, bonito, de cabelos compridos em um rabo de cavalo e usava um brinco, tinha uma aparência jovem e bacana.

— Muito prazer Gui – Disse ela sorrindo e ele sorriu de volta.

— O prazer é meu, Fred e Jorge falam muito de você.

E também a um outro bruxo ruivo de rosto largo e bem-humorado, com sardas que o fazem parecer queimado.

— Prazer, Carlinhos Weasley – Disse ele estendendo a mão para Hydra e Peter.

— Querem tomar uma xícara de chocolate? Deixei que todos tomassem uma antes de nos deitarmos – Perguntou o Senhor Weasley.

— Aceito, não pretendia mesmo demorar – Sorriu Hydra e ela e Peter se sentaram

— Meu irmão tinha te achado bonita, mas agora que viu o Peter acho que desistiu da ideia – Disse Jorge rindo para Hydra enquanto Peter estava distraído conversando com o Sr. Weasley.

— Qual deles? – Perguntou Hydra curiosa olhando para os dois irmãos mais velhos de Fred e Jorge.

— O Gui – Afirmou Jorge.

— Achei que ele fosse bem mais velho que eu! – Exclamou Hydra surpresa,

— Nem tanto, ele é o que? 3 anos e pouquinho mais velho que o Peter só, talvez...

— Bom, meus olhos já estão ocupados com o Peter realmente... – Disse Hydra rindo e admirando o namorado que sorria de volta para ela agora.

Logo estavam discutindo prazerosamente a partida; o Sr. Weasley se deixou envolver por Carlinhos em uma polêmica sobre jogo bruto, e somente quando Gina caiu no sono em cima da mesinha e derramou chocolate quente pelo chão que o pai deu um basta nas retrospectivas verbais e insistiu que todos fossem se deitar.

— É melhor irmos Peter. – Disse Hydra sem graça.

Eles se despediram dos Weasleys e saíram em direção a sua barracas, Hydra se despediu de Peter que a deixou em frente a sua barraca com um beijo e entrou, indo direto para a cama, reparando que nenhum membro da família estava na sala, mas pensou que já deviam estar dormindo.

— Acorda Hydra, acorda! – Draco estava na ponta da sua cama parecendo nervoso e a chamando.

— O que houve? – Perguntou ela sonolenta.

— Venha, mamãe disse que temos que correr, venha logo.

Hydra se levantou assustada.

— Vão para a Floresta agora, já! – Gritou Narcisa na sala, Hydra pegou sua varinha, vestiu um longo casaco e saiu correndo com Draco, que parecia estranhamente calmo.

— O que está acontecendo? – Perguntou Hydra para ele, tudo parecia tranquilo, apenas algumas cantorias de vitória, mas nada demais, não estava entendendo o motivo de toda a correria.

— Nada, só é melhor irmos para a floresta... – Disse ele, ainda parecendo calmo.

Eles pararam perto de uma árvore e Hydra percebeu que o barulho no acampamento tinha mudado. A cantoria parara. Ele ouvia gritos e um tropel de gente correndo.

À luz das poucas fogueiras que ainda ardiam, viu gente correndo para a floresta, fugindo de alguma coisa que avançava pelo acampamento em sua direção, alguma coisa que emitia estranhos lampejos e ruídos que lembravam tiros. Caçoadas em voz alta, risadas e berros de bêbedos se aproximavam; depois uma forte explosão de luz verde, que iluminou a cena.

Um grupo compacto de bruxos, que se moviam ao mesmo tempo e apontavam as varinhas para o alto, vinha marchando pelo acampamento. Hydra apertou os olhos para enxergá-los... não pareciam ter rostos... então ele percebeu que tinham as cabeças encapuzadas e os rostos mascarados. No alto, pairando sobre eles no ar, quatro figuras se debatiam, forçadas a assumir formas grotescas. Era como se os bruxos mascarados no chão fossem titereiros e as pessoas no alto, marionetes, movidas por cordões invisíveis que subiam das varinhas erguidas. Duas das figuras eram muito pequenas.

Mais bruxos foram se reunindo ao grupo que marchava, riam e apontavam para os corpos no ar. Barracas se fechavam e desabavam à medida que a multidão engrossava. Uma ou duas vezes Hydra viu um bruxo explodir uma barraca com a varinha para desimpedir o caminho. Outras tantas pegaram fogo. A gritaria foi se avolumando.

As pessoas no ar foram repentinamente iluminadas ao passarem sobre uma barraca em chamas, e Hydra reconheceu uma delas – o Sr. Roberts, o gerente do acampamento. As outras três, pelo jeito, deviam ser sua mulher e seus filhos. Um dos arruaceiros virou a Sra. Roberts de cabeça para baixo com a varinha; a camisola dela caiu deixando à mostra suas enormes calças; ela tentava se cobrir enquanto a multidão embaixo dava guinchos e vaias de alegria.

Hydra queria chorar vendo a cena, se revoltou, sentiu medo, nojo, tudo junto.

— É o papai não é? – Perguntava ela nervosa para Draco – Ele é um desses homens, não é? E você sabia, mamãe também, por isso mandou que fossemos para a floresta, não foi Draco? – Gritava Hydra assustada para o irmão.

Antes que Draco pudesse responder, uma multidão assustada passou por eles, fazendo com que eles se separassem, Hydra o perdeu completamente de vista.

— DRACO, DRACO! – Gritava ela procurando por ele mas foi levada para a floresta por uma multidão que gritava desesperada e fugia.

Hydra olhou para trás ao alcançar outras árvores. Os manifestantes sob a família Roberts eram mais numerosos que nunca; os garotos viram os bruxos do Ministério tentando chegar aos bruxos encapuzados no centro, mas encontravam grande dificuldade. Aparentemente estavam com medo de executar algum feitiço que pudesse fazer a família Roberts despencar, Hydra também queria ajudar de alguma forma, mas sabia que não podia fazer nada naquele momento.

As lanternas coloridas que antes iluminavam o caminho para o estádio tinham sido apagadas. Vultos escuros andavam perdidos entre as árvores; crianças choravam; ecoavam gritos ansiosos e vozes cheias de pânico por todo o lado no ar frio da noite.

Uma pessoa, que ela não conseguiu ver quem era, esbarrou nela e a fez cair em uma pedra, Hydra sentiu sua cabeça sangrando, mas estava tão nervosa que esqueceu que naquela situação, poderia usar magia para se curar.

Ela apenas correu, foi para mais para dentro da floresta onde o som diminuiu e não conseguia mais ver o que acontecia e se sentou no tronco de uma árvore chorando sem parar.

"Não é possível que meu pai tenha feito uma coisa dessas", pensava ela enquanto soluçava.

— Hydra, Hydra é você? Eu estava te procurando como um louco!– Ela ouviu a voz de Peter que estava de pijamas e casaco todo despenteado e nervoso. – Você está machucada? – Disse ele se abaixando a sua frente.

— Eu... eu... – Hydra não conseguia parar de chorar tempo o suficiente para responder.

— Você está sangrando...

Peter observou a ferida em sua cabeça e fez um feitiço que fez com que o sangramento parasse imediatamente.

— O que houve? – Perguntou ele, quando acabou.

Hydra o abraçou e chorou mais ainda explicando a situação. Ele se sentou ao seu lado depois de um tempo.

— E você realmente acha que foi seu pai?

— Não só ele, mas sim, mamãe me avisou antes de tudo começar para vir para a floresta, não pode ser uma coincidência, Peter, você não acha?

Peter ficou calado sem saber o que falar por um instante, então os dois se assustaram e viram uma coisa enorme, verde e brilhante, irrompeu do lugar escuro que os olhos de Hydra se esforçaram para penetrar: e voou para o topo das árvores e para o céu. Depois percebeu que era um crânio colossal, aparentemente composto por estrelas de esmeralda e uma cobra saindo da boca como uma língua. Enquanto olhavam, o crânio foi subindo cada vez mais alto, envolto em uma névoa de fumaça esverdeada, recortando-se contra o céu noturno como uma nova constelação.

De repente, toda a floresta ao redor deles explodiu em gritos.

— É a marca dele, é a marca dele! – Gritava Hydra! Peter a abraçou e os dois ficaram escondidos em um canto da árvore enquanto a multidão passava gritando.

Hydra não sabe quanto tempo passou ali, abraçados, assustados, sem reação, até as coisas parecerem ter se acalmado.

— Vamos, eu te levo até a sua barraca... – Disse Peter.

— Eu não quero, eu não quero ver meu pai, por favor não me leva para lá.– Chorou Hydra.

— Então eu te levo para a minha barraca. – Disse ele e os dois andaram em direção a barraca de Peter, passaram pela aglomeração e voltou ao acampamento. Tudo estava silencioso agora; não havia sinal de bruxos mascarados, embora várias barracas destruídas ainda fumegassem.

Eles chegaram até a barraca de Peter aonde o Sr. Macmillan e Jeniffer já esperavam nervosos, abraçaram Peter ao verem que ele chegara bem.

— Estávamos muito preocupados! – Chorou Jeniffer – Hydra, que bom que você está bem também. – Disse ela a abraçando e depois abraçando Peter novamente.

— Hydra, seus pais devem estar preocupados, Peter, não é melhor leva-la até a barraca da família dela? – Perguntou o Sr. Macmillan.

— Não, por favor não, eu não quero ir para lá, eu acho que meu pai é responsável por isso, por favor Sr. Macmillan, não me faça voltar lá! – Hydra voltara a solução sem parar, fazendo com que todos ficassem muito nervosos com a situação.

— Tudo bem, pode entrar, mas eu vou procurar seus pais para dizer que você está aqui e está bem, ok? Você pode dividir o quarto com a Jeniffer. – Disse ele calmamente, Hydra concordou e entrou na barraca.

Hydra ainda tremia nervosa, se sentou no sofá da barraca dos Macmillans e Peter sentou ao seu lado acariciando seus cabelos.

— Abbas passou aqui antes e disse que o ministério está furioso, fizeram tudo isso em cima de seus narizes – Disse Jeniffer, se sentando também.

— Ele sabe o que houve exatamente? – Perguntou Peter

— Comensais da Morte, eles acham que se tratam dos comensais que não estão em Azkaban, como... – Ela interrompeu a fala subitamente

— Como o meu pai... – Completou Hydra, triste.

— Não sabem dizer nomes... – Disse Jeniffer sem graça – Mas o Ministério acha que essa é a ideia deles de brincadeira, você sabe, maltratar os trouxas...

Todos ficaram em silêncio.

— E a marca negra? – Perguntou Hydra – Quem fez?

— Abbas não sabia me dizer, mas achava que tinham pego o culpado, acho que amanhã iremos descobrir – Disse Jeniffer.

Ninguém falou mais nada, Hydra ficou com o rosto afundado no ombro de Peter chorando baixinho, ela sempre soube do ódio de seu pai pelos trouxas, sempre soube que ele foi (e possivelmente ainda é) um comensal da morte, mas nunca tinha experimentado a sensação disso tudo de perto antes.

Depois de um tempo, o Sr. Macmillan voltou, Jeniffer exausta já tinha ido dormir e Hydra estava quase adormecendo nos braços de Peter no sofá. Ela deu um salto ao ver o Sr. Macmillan entrando na barraca.

— Não foi fácil, mas eu convenci seus pais a deixarem você voltar conosco amanhã. – Disse ele sorrindo, Hydra reparou que ele trazia sua mochila nos braços – Aqui – Disse ele dando a mochila para ela –, sua mãe mandou para você, são as suas coisas, eles me deram instruções para levar você diretamente para casa amanhã.

— Eu não vou! – Disse Hydra decidida – Eu não volto para aquela casa nunca mais!

— Hydra – Disse Peter ainda meio sonolento levantando do sofá –, infelizmente você ainda não é maior de idade, você vai precisar ir... – Hydra caiu no choro novamente. – Mas eu prometo que no segundo que você fizer dezessete anos eu te tiro de lá se você quiser, eu prometo! – Ele então a abraçou.

— Minha filha, fique calma, tente não discutir quando chegar em casa, faltam poucos dias para o fim das férias e você vai poder ficar em Hogwarts e logo depois fará dezessete anos e assim como Peter, saiba que eu e Mezra iremos lhe acolher com todo coração se assim você quiser. – Hydra se emocionou tanto com as palavras de carinho do Se. Macmillan que voltou a chorar.

Peter serviu um pouco de chá que a acalmou e finalmente foi para o quarto de Jeniffer, onde dormiu quase no mesmo segundo que encostou na cama.

Depois do que pareciam alguns minutos, o sol nem tinha nascido ainda e o Sr. Macmillan acordou Hydra e Jeniffer para partirem. Todos se arrumaram, ele dobrou e guardou a barraca com magia e seguiram juntos para fora do acampamento.

Hydra viu com tristeza o olhar desorientado do Sr. Roberts à porta de casa, com certeza teve sua memória alterada e se sentia um pouco culpada por saber que seu pai provavelmente era o causador de sua dor, ao menos um dos.

Eles ouviram vozes ansiosas quando se aproximaram do lugar onde estava a Chave de Portal e, ao chegarem, encontraram numerosos bruxos e bruxas reunidos em torno de Basílio, o guardador das Chaves de Portais, todos exigindo, em altos brados, partir do acampamento o mais rápido possível. Hydra viu os Weasleys e se reuniram a eles enquanto os senhores Weasley e Macmillan tinham uma discussão com Basilio e entravam na fila.

— Você acha que seu pai era um dos comensais da morte? – Perguntou Fred sem jeito.

— Eu acho que sim, Fred... – Disse Hydra triste, estava prestes a chorar de novo e Peter disse algo para os gêmeos e eles não fizeram mais perguntas.

Os Weasleys, Harry e Hermione partiram primeiro, em um pneu velho e logo depois Hydra e os Macmillan conseguiram uma chave de portal em forma de uma garrafa pet amassada e Hydra se viu em cima de uma pequena colina.

— É perto da nossa casa, vê? – Disse Peter apontando para a grande casa branca que ficava abaixo da colina.

— Se despeçam aqui, eu vou levar Hydra para casa – Disse o Sr. Macmillan sob protesto de todos.

— Pai, deixa ela pelo menos dormir um pouco lá em casa! – Disse Jeniffer.

— Não posso minha filha, eu bem que queria, mas eu prometi que seria a primeira coisa que faria quando chegasse aqui, infelizmente, eu sinto muito mesmo Hydra, espero que você saiba que não é vontade minha, eu entendo a sua indignação e gostaria de poder acolher você em minha casa, mas infelizmente, você ainda é menor de idade e fiz uma promessa aos seus pais. – Disse ele sem jeito.

— Eu entendo... – Disse Hydra, lutando para não chorar na frente deles.

Jeniffer abraçou Hydra por alguns segundos e disse que faria de tudo para ajudá-la, Peter a beijou, mesmo sem graça de estar na frente do pai e irmã dele e ela retribuiu, o rapaz também prometeu que sempre estaria ali para ela.

— Peter, leve sua irmã para casa, eu vou aparatar com Hydra para a casa dela.

— Mas ela ainda é menor de idade! – Disse Jeniffer.

— Aparatar ao meu lado não tem problema, ela não pode fazer sozinha.

Jennifer e Peter acenaram de novo para Hydra e foram em direção a casa.

— Segura firme meu braço, ok?

— Ok!

Foi tudo muito rápido, Hydra sentiu tudo girar e parecia que não iria parar nunca, sentiu um enorme enjoo e uma sensação de seu corpo estar sendo todo remexido, em pouco tempo, se sentindo doente de enjoada, se viu na porta da entrada do jardim de sua casa.

— Acho melhor acompanhá-la até dentro de casa – Disse o Sr. Macmillan.

Hydra andou até a entrada, segurando no braço do Sr. Macmillan, ainda se sentindo meio tonta e sem conseguir andar sozinha direito, com certeza foi o pior tipo de viagem que já fez.

Chegando dentro de casa, Narcisa veio correndo recebê-la, como se nada demais tivesse acontecido.

— Minha filha, eu estava tão preocupada! – Narcisa a abraçou, mas Hydra não se mexia – Muito obrigada por ter trazido ela para casa, deseja entrar e tomar café conosco? – Perguntou Narcisa educada ao Sr. Macmillan.

Hydra sabia que ela queria evitar uma cena na frente dele e decidiu apenas acompanhar o teatro de sua mãe e não falar nada na frente dele, o Sr. Macmillan não precisava saber os horrores que aconteciam naquela casa quando ninguém olhava.

— Eu agradeço muitíssimo, mas eu preciso partir, minha esposa deve estar muito preocupada, só vim acompanhar Hydra.

— Qualquer dia então... – Sorriu Narcisa forçadamente.

— Sim, seria ótimo. Até mais Hydra, se cuida! – Sorriu ele e a abraçou. – Se eles fizerem algo com você, se te lançarem um feitiço que seja, me mande uma coruja imediatamente que eu te busco! – Disse o Sr. Macmillan, baixinho em seu ouvido, deixando Hydra muito confusa e sem ação, como ele podia saber o que seu pai fazia com ela?

— Senhora Malfoy – Disse acenando e aparatou assim que saiu da casa.

— Eu vou para o meu quarto! – Disse Hydra, sem olhar a mãe nos olhos e tremendo. – E eu não quero por favor ter que ver nenhum de vocês até chegar o dia de ir para Hogwarts.

— Você vai fazer o que eu quiser que faça! – Disse Lúcio, que chegava na sala, com seu olhar pomposo de soberba e de frieza cinza.

— Você fez aquilo! Você fez aquilo com aquela pobre família! Você conjurou a marca negra, não fez pai? NÃO FEZ PAI? — Gritava Hydra descontrolada, perdera qualquer senso de preservação que tinha, qualquer medo, apenas gritava como uma louca, indo para cima de seu pai.

— Eu não conjurei nada, mas sim, me diverti com aqueles trouxas nojentos, é para isso que eles servem! – O brilho cruel nos olhos de Lúcio era assustador.

— Que tipo de monstro você é? – Gritou Hydra novamente.

— Se você não se calar imediatamente... – Disse ele com ódio e foi interrompido por Hydra.

— Você vai fazer o que? Me dar outra cicatriz? – Hydra disse isso puxando o vestido que usava para cima e mostrando uma cicatriz branca na altura da lombar. Narcisa colocou a mão na boca e Lúcio parecia ainda mais nervoso.

— Você trouxe isso em si mesma, se comporte imediatamente! – Disse ele, agora também gritando.

— Eu tinha sete anos! Sete anos e você me deu essa cicatriz mágica e quase me deu outra a dois anos atrás, fora as outras vezes. Assume a sua culpa, assume que você é um covarde que gosta de se aproveitar de quem é mais fraco que você! – Lúcio ficou vermelho de fúria e Narcisa chorava desesperada.

Hydra viu Lúcio levantando a varinha, mas Narcisa se colocou na frente da filha.

— NÃO LÚCIO! ELA É NOSSA FILHA!– Gritou ela – DESSA VEZ NÃO, DEIXA ELA IR, POR FAVOR!

— Ela precisa aprender uma lição! – Lúcio conjurou um feitiço o qual fez o corpo de Hydra se esticar dolorosamente.

— LÚCIO, PARA, PELO AMOR DE DEUS, PARA! – Gritava e chorava Narcisa.

— ictus – Gritou Lúcio, apontando a varinha para filha.

No mesmo momento, Hydra sentiu dores em várias partes do corpo, era como se várias mãos a batessem, marcas roxas apareceram por várias partes.

— NÃO, LÚCIO, CHEGA, CHEGA! – Gritava Naricisa, se colocando na frente dele.

As dores continuaram, Hydra gritava, chorava e se debatia.

— Expelliarmus – Gritou Narcisa, finalmente desarmando o marido, que olhava para ela com grande fúria, por um momento, Hydra, deitada no chão, achou que Lúcio iria fazer algo contra ela.

— Suba, Hydra, suba imediatamente, por favor, minha filha! – Disse Narcisa.

No começo, ela não conseguia se mexer, ainda sentia muitas dores e estava muito confusa, com medo de Lúcio fazer alguma coisa contra a sua mãe.

— SUBA AGORA, HYDRA! – Gritou Narcisa.

Hydra levantou, ainda cambaleando, subiu para o quarto o mais rápido que pôde e se trancou lá, com medo, dor, raiva, tudo misturado.

Se jogou na cama, colocou o travesseiro em cima da cabeça e começou a gritar e chorar, seu som foi abafado pelo macio travesseiro branco, se sentia impotente, covarde, por quê não revidara dessa vez? Por quê apenas deixara acontecer novamente? Por quê estava naquele lugar?

Hydra ouviu uma gritaria no andar de baixo, se perguntava aonde estaria Draco, se ele estaria ouvindo tudo isso e só escolheu não fazer nada ou apenas não estava em casa, o que parecia estranho para ela.

A menina levantou da cama, tirou seu vestido e se olhou no espelho, marcas roxas se espalhavam por todo seu corpo, ela pensou em preparar uma poção para diminuí-las, mesmo arriscando receber uma notificação do ministério, mas preferiu não, iria usar essas marcas como um reflexo do que Lúcio verdadeiramente era para ela.

Depois de um tempo, novamente deitada, finalmente adormeceu.

— Filha, acorda! – Hydra abriu os olhos e viu Narcisa sentada ao lado da sua cama com os olhos inchados e vermelhos.

— Mãe, me deixa em paz por favor, por favor, é tudo que eu peço..– Pediu Hydra sonolenta.

— Eu conversei com o seu pai, ele acha melhor que você passe o resto das férias em outro lugar. –Narcisa falou calmamente, como sempre, agindo, ou fingindo como se nada tivesse acontecido. Hydra levantou a cabeça nesse momento.

— Vocês vão me deixar ir embora? – Perguntou ela esperançosa.

— Não embora, viajar, você pode ir para a casa de uma das suas amigas na França como costumava fazer.

— Eu quero ficar com o Peter! – Disse Hydra.

Narcisa respirou fundo e respondeu:

— Tudo bem, eu vou mandar uma coruja aos Macmillans pedindo se podem lhe receber pelo resto das férias, mas Hydra, é só isso você terá que voltar nos feriados como sempre, eu só acho que você e seu pai precisam de um tempo afastados.

— Um tempo afastados... – Repetiu Hydra.

— Ele não tinha a intenção, Hydra! – Disse Narcisa, vendo as manchas roxas no corpo de Hydra.

— Ele nunca tem...

— Mas ele não tinha mesmo, ele só perdeu o controle, acredite. – Narcisa mais uma vez, quase chorava.

— Não, mãe, não tente defender ele, por favor... Eu já estou cheia, farta disso, completamente farta disso, só me deixa ir em paz, você foi tão boa me defendendo. – Disse Hydra, se levantando.

— É melhor esconder isso... eu sei uma poção que...

— NÃO! – Disse Hydra, vendo que Narcisa olhava para sua manchas roxas no corpo – Eu não quero falar nada para eles, mas elas ficam.

Hydra provavelmente iria falar, ela sabia que era mentira jurar que não, mas sabia também que se a mãe soubesse, provavelmente não a deixaria partir, queria evitar um escândalo.

— Pelo menos o seu rosto está intacto... – Disse Narcisa, levantando e acariciando as bochechas da filha.

— Aonde está o Draco, mamãe? Aonde ele estava ontem de noite? – Perguntou Hydra, afastando as mãos da mãe.

— Na casa de um amigo, Goyle eu acho, ou Crabbe...

"Pelo menos ele não viu, ele não ignorou, apenas não viu...", pensava Hydra.

— Obrigada por ter parado ele... – Disse Hydra, antes de sumir em seu banheiro.

— Não foi a primeira vez que eu parei, Hydra... — Respondeu Narcisa chorosa, porém sendo forte — Ninguém machuca a minha filha se eu puder fazer algo sobre isso, nem mesmo meu marido, o pai dela, eu te amo muito para isso, Hydra, eu só sinto muito de verdade que isso tenha acontecido com você de novo...

CAP 5 (Perdão, pelo visto eu esqueci de postar ele e não consigo mudar mais agora, então vou acrescentar ele aqui)

Hydra separou todas as coisas para as férias e o ano em Hogwarts em seu malão, deixou Lydra pronta na gaiola e se arrumou antes mesmo da resposta dos Macmillans, só queria saber de sair daquela casa o mais rápido possível. Narcisa voltou com a resposta algumas horas depois dizendo que os Macmilans a receberiam com muito gosto e que já estavam esperando por ela hoje mesmo.

— Você vai por Flu – Disse Narcisa chorosa.

— Mãe, você não precisa seguir o papai em tudo, você sabe disso, não é? Você pode ir embora também.

— Eu sei disso Hydra, não diga bobagens vai! — Disse Narcisa se virando e saindo do quarto, antes apontou a varinha para o malão de Hydra e esse flutuava atrás dela enquanto seguia para a sala de jantar, Hydra seguiu com a gaiola de Lydra.

Chegaram a sala de jantar e ela se acomodou com suas coisas dentro da lareira.

— Feliz aniversário Hydra! – Chorou Narcisa, a abraçando e entregando o pó de Flu – Eu sei que já passou, mas ainda assim...

— Obrigada mamãe. – Hydra sentiu lágrimas nos olhos a abraçando — Eu te amo... — Hydra pegou o pó de Flu e tacou na lareira, as chamas verdes surgiram e ela disse "casa dos Macmillans". Depois da habitual viagem desconfortável, Hydra se viu dianta da mesma sala que esteve no ano anterior e algumas vezes depois, saiu levando o malão e a gaiola de Lydra e logo a Sra. Macmillan veio recepcioná-la.

— Minha filha, seja bem-vinda! – Disse ela abraçando Hydra – Estamos muito felizes em ter você aqui.

— Hydra – Peter veio correndo a abraçar e beijar rapidamente a sua boca. – Eu disse que queria que você ficasse na minha casa, mas meus pais não deixaram... – Disse ele baixinho – Então eu vou passar o resto do verão aqui com você no meu velho quarto.

— E ela irá passar no quarto da Jeniffer... – Disse a Sra. Macmillan alto.

— Eu sei mãe...

— Venha, deixe-me levar suas coisas para lá – Disse a Sra, Macmillan usando o mesmo feitiço que Narcisa para fazer seu malão flutuar – Peter, leve a coruja dela para junto da nossa.

Peter levou Lydra para a varanda e Hydra seguiu a Sra. Macmillan por uma das portas de madeira, subiram uma escada em espiral e chegaram a um grande corredor branco com vários retratos que se mexiam e cochichavam enquanto ela passava, elas pararam na terceiro porta de madeira a direita.

— Jeniffer, estou entrando com a Hydra. – Anunciou a Sra. Macmillan e a porta se abriu.

Jeniffer a recebeu com um abraço, seu quarto era grande e todo rosa, inclusive os móveis que eram de um tom mais escuro que as paredes e o teto, nas paredes alguns posteres da Grifinória e da banda "As esquisitonas", também viu duas camas quase idênticas, assumiu que uma delas fora posta lá para que ela pudesse dormir.

— Temos um quarto de visitas, mas está cheio de entulhos... – Disse a Senhora Macmillan deixando o malão de Hydra do lado da segunda cama – Então achamos melhor você dormir aqui.

— Está maravilhoso, só espero não te incomodar Jeniffer.

— De jeito nenhum, eu sempre quis ter uma irmã! – Brincou.

— Lance foi para o St. Mungo's, nenhuma pessoas ficou seriamente ferida ontem, graças a Deus, mas tivemos vários casos de surtos nervosos, eu tenho que ir em breve, Jeniffer vai servir o almoço para vocês e o treinamento do Peter só começa em Setembro, então você ficará em boa companhia. – Disse a Sra. Macmillan sorrindo.

Hydra notou uma cópia do profeta diário na cama de Jeniffer, a manchete dizia:

"CENAS DE TERROR NA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL"

Completa com uma foto em preto e branco da Marca Negra cintilando sobre as copas das árvores.

— Já deixei sua coruja no corujal lá fora junto com as nossas. – Disse Peter entrando no quarto.

— Eu acho melhor eu me apressar e ir para o St. Mungo's, não deve estar nada fácil lá, Hydra querida, se sinta em casa... – A Sra. Macmillan então se virou e sumiu pelo corredor.

— Você está bem? – Perguntou Peter.

— Estou só cansada, eu tive uma discussão feia com papai quando cheguei em casa... – Disse Hydra sentando na sua cama, perdera toda coragem de contar o que aconteceu na noite anterior.

— A gente imaginou, para sua mãe chegar ao ponto de pedir para você vir para cá... – Disse Jeniffer sentada na cama ao lado, ela sorriu ao olhar para Peter – Você não precisa dormir aqui, eu acoberto para vocês. – Disse dando uma piscadinha e Hydra deu uma gargalhada tímida.

— Você não parece bem, Hydra... – Disse Peter, observando seu rosto – Tem alguma coisa errada, não tem?

— Meu pai fez tudo aquilo lá na Copa e...

— Não, não é isso, Hydra, o que houve? – Pressionou Peter.

Hydra não conseguiu falar nada, apenas chorar.

— Pelo amor de Deus, Hydra, o que houve? – Perguntou Jeniffer, agora também nervosa.

Hydra sentiu os braços de Peter ao seu redor e Jeniffer pegando suas mãos ao seu lado.

— Nos fala, por favor, o que ele fez com você? O que seu pai fez? Ou sua mãe? – Perguntou Peter.

Finalmente, reunindo coragem, Hydra levantou as mangas das vestes, mostrando as marcas roxas no braço. O rosto de Jeniffer ficou tão branco que a assustou, mas nada se comparava ao de Peter, que oscilava entre branco e vermelho.

— Aonde? Aonde mais? – Perguntou ele, parecendo se controlar muito para não quebrar algo.

— No corpo todo... – Disse Hydra sem graça.

— Me mostra, por favor me mostra... – Pediu Peter, agora ainda mais vermelho.

Hydra mostrou as marcas para ele e Jeniffer, se sentindo casa vez mais envergonhada, fraca, culpada, de alguma forma, parecia que ela provocara aquilo, ao menos, era o que seu pai sempre dizia, apesar dela saber que era mentira.

— Aquele... eu vou... EU VOU... – Peter levantou, correndo, deu um soco tão forte na parede que deixou uma marca e teve que usar um feitiço para ajeitar o osso, que havia sido lesionado.

— Peter, para, você só está deixando a Hydra mais assustada! – Disse Jeniffer, segurando o irmão.

Peter estava transtornado, seu rosto e corpo estavam de um vermelho forte, seus olhos estavam em chamas, realmente, era assustador e reconfortante, de certa forma, como se alguém lutasse muito para a proteger.

Peter respirou fundo, sua irmã ainda o segurava, branca, em choque... Hydra assistia tudo calada, sentada na cama que tinha sido preparada para ela. Ele finalmente recuperou a cor normal do corpo e rosto e se virou para ela:

— Vamos denunciar seu pai, o Ministério, eles vão ter que fazer alguma coisa...

— O que, Peter? Eu não tenho parentes próximos que eu possa ficar, todos estão presos em Azakaban ou mortos até onde eu saiba, meu pai tem dinheiro e amigos, ele não vai ser prejudicado, eu vou sair como a maluca da história! – Disse Hydra.

— ELE NÃO PODE FICAR IMPUNE COM TUDO! – Gritou Peter.

— Peter, para! Você está deixando ela ainda mais nervosa... – Disse Jeniffer, ao seu lado.

— Ele não vai, eu vou embora de lá ano que vem e ai...

— E ai ele vai continuar impune! Ele é um monstro, como ele ousa te machucar? Como eu não pude te proteger disso? – Disse Peter, sentando ao seu lado, ainda meio transtornado.

— Por favor, Peter, eu não quero mais falar sobre isso, não agora e você não teria o que fazer... – Disse Hydra, se sentindo exausta.

— Não, Hydra, você não pode...

— Peter, depois! – Disse Jeniffer, ríspida.

— Ok, vamos comer, depois você precisa dormir um pouco, mais tarde nós conversamos então. – Disse Peter sem graça.

Os três seguiram para a sala de jantar, aonde Hydra ajudou Jeniffer e Peter a servirem uma deliciosa refeição de peito de frango e purê de batata, ela não sabia o quanto estava com fome até aquele momento, onde se serviu três vezes.

— Você está se sentindo melhor? – Perguntou Peter.

— Sim, apenas cansada...

Depois de ajudar tirar o almoço, Hydra seguiu com Peter para o seu quarto, as paredes eram claras e tinha um pôster da Corvinal, várias fotos espalhadas de amigos e suas com Hydra, sua cama era grande com lençois brancos. Hydra estava tão cansada que apenas deitou e dormiu, abraçada ao Peter.

Ela acordou já de noite.

— A gente pode ir ver a minha casa amanhã... – Disse ele sorrindo, deitado a seu lado.

Peter e Hydra desceram, se juntaram a Jeniffer, que estava sentada na sala lendo.

— Você está melhor? – Perguntou Jeniffer.

— Sim... – Respondeu Hydra, sentando em uma poltrona, com Peter ao seu lado.

— Eu vou pegar uma poção Hydra, para essas manchas... – Disse Peter.

— Eu quero que elas fiquem mais um pouco – Disse Hydra -, elas me lembram o monstro que eu tenho em casa.

Novamente, Peter ficou de uma cor vermelha forte, mas se controlou melhor dessa vez.

— Você pode nos contar o que houve? – Pediu ele.

Hydra se viu contando tudo o que aconteceu, naquela vez, na vez em Hogwarts, em sua casa quando criança... no final, Jeniffer tinha lágrimas nos olhos, tentando disfarçar e Peter continuava muito vermelho.

— Quantas vezes? – Perguntou Peter.

— Quantas vezes o que? – Perguntou Hydra, já sabendo do que se tratava.

— Quantas vezes ele usou feitiços contra você?

— Eu não...

— Hydra, você sempre foi muito corajosa, por favor, coragem agora...

— Minha mãe, meus amigos, meu irmão, todos pensam que foram somente essas vezes... – Disse ela sem graça.

— Mas na verdade? – Perguntou Peter, parecendo cada vez mais nervoso e no ponto de ficar fora de controle.

— Sete...

— SETE? – Perguntaram Jeniffer e Peter, ao mesmo tempo, chocados.

— Sete. – Confirmou Hydra – Uma quando eu tinha sete anos, outra quando eu tinha nove ou dez, outra quando eu tinha onze, outra quando eu tinha doze, as duas nas férias, outra quando eu tinha treze, outra ano retrasado e outra ontem...

— E por quê ? – Perguntou Jeniffer, com a mão na boca, em choque.

— Porque eu respondi a ele, porque eu falei que não concordava com o que ele fazia, os motivos variavam, mas para ele era sempre minha culpa e sempre não iria acontecer novamente...

— Você viveu a sua vida quase toda sendo machucada pelo seu pai? – Perguntou Jeniffer.

— Praticamente... – Respondeu Hydra, desejando do fundo do coração não pensar naquilo.

— E sua mãe? – Perguntou Peter, sentado ao seu lado, apertando as mãos em forma de punho.

— Ela não sabia da maioria, as que ela viu, tentou intervir, como ontem, mas ela sempre acha que o papai perdeu a cabeça e está arrependido – Disse Hydra, calmamente.

— E você nunca denunciou ele, nada? Por que, Hydra? Você sempre foi tão corajosa – Disse Peter.

— Porque ele me ameaçava, sempre ameaçou, eu preciso esperar, só falta um ano e eu vou ser livre! – Disse Hydra, um pouco desesperada.

— Você precisa contar para alguém, Hydra, um adulto! – Disse Jeniffer.

— Não, por enquanto não, por favor...

Os dois tentaram insistir no assunto, mas Hydra decidiu não dar mais respostas, não queria mais pensar naquilo, apenas esquecer pelo dia.

— Eu só queria te proteger, é horrível que eu não possa, que você não deixe... – Disse Peter, parecendo muito triste. – deixa eu denunciar seu pai, ou ao menos eu mesmo fazer algo com ele para ele nunca mais te machucar, pra ele saber que você não está sozinha...

— Eu preciso proteger a mim mesma, Peter, não faça nada, não agora, por favor, por mim... – Respondeu Hydra, acariciando seu rosto.

O senhor e a senhora Macmillan se juntaram a eles no jantar, finalmente Hydra conseguiu tirar a cabeça de todas as coisas horríveis do último dia, Jeniffer e Peter cumpriram a promessa e não falaram nada para os pais, porém o Sr. Macmillan veio falar com ela depois do jantar:

— Eu sei, a mais ou menos 9 anos atrás eu atendi uma menininha machucada, muito machucada e assustada no St. Mungo's que tinha se machucado por acidente, mas eu sabia que era mentira, eu denunciei o pai dela mas ninguém quis me ouvir, eu lutei por ela, mas eu infelizmente falhei e hoje ela está aqui na minha frente de novo machucada por aquele homem, eu sei que está, não adianta negar e não precisa confirmar... me desculpe Hydra. — Disse o Sr. Macmillan de forma séria, deixando Hydra tão chocada que não conseguia se mexer.

— O, o, o senhor? O senhor era o curandeiro que me até deu naquela noite? – Guaguejou ela.

— Nunca pense que ninguém tentou te proteger Hydra, porquê eu tentei...
Hydra o abraçou e agradeceu profundamente, ainda chorando, então era aquilo que um amor paterno de verdade (mesmo que não fosse paterno de fato), parecia? Era o que ela sentia naquele momento pelo menos.

Os dois foram até a sala de jantar encontrar com o resto da família.

— Ainda temos muito trabalho amanhã. – Comentou o Sr. Macmillan tomando um gole de café que fora servido. – Mas pensei que Peter poderia levar você e Jeniffer para comprar o material de Hogwarts no Beco Diagonal, o que acham?

— Ótima ideia, eu preciso mesmo comprar meus livros. – Disse Jennifer. – Hydra, quais aulas faremos juntas esse semestre?

— Bom, eu vou cursar Poções, Defesa-Contra-As-Artes-Das-Trevas, Transfiguração, Feitiços, Herbologia e abriu uma turma de Alquimia, então eu me inscrevi também, fiquei muito feliz, eu decidi abandonar Runas antigas, Astronomia, Trato de criaturas mágicas e História da Magia e me aconselharam a não continuar com Estudo dos Trouxas porque seria muita coisa para nível N.I.E.M que me fosse útil na carreira e você?

— Eu vou cursar Runas antigas, Defesa-Contra-As-Artes-Das-Trevas, Transfiguração, História da Magia e Feitiços, então acho que teremos pelo menos três aulas juntas. – Disse Jeniffer animada.

— Eu tenho medo de ninguém da nossa casa cursar poções comigo... – Disse Hydra desanimada.

— A Laura eu acho que vai, ela foi a única da Grifinória junto com você que tirou O e conseguiu entrar para a turma do Snape pelo que fiquei sabendo. – Disse Jeniffer – E seus amigos, já sabem o que vão cursar?

— Fred e Jorge receberam três N.O.M.s cada, acho que vão fazer somente, eu acho que vai ser Adivinhação, Feitiços e Defesa-Contra-As-Artes-Das-Trevas, ou Transfiguração, não tenho certeza, a Angelina e Alicia eu ainda não sei ainda.

— Só três N.O.M.s? – Perguntou Peter surpreso.

— Eles não ligam muito para isso, começaram um negócio novo, Gemialidades Weasley, eles inventaram um monte de brincadeiras novas, estão bem animados.

— Bem, nem todos querem seguir carreiras iguais, isso é verdade... – Disse o Sr. Macmillan admirado. – Mas imagino que o Arthur e a Molly não devam estar felizes com isso.

— Não mesmo, pelo menos a Sra. Weasley não, mas aqueles dois não tem jeito não... – Brincou Hydra, sorrindo ao se lembrar dos amigos.

Depois do jantar, Hydra foi se deitar no quarto de Jeniffer mas mudou para o quarto de Peter depois que os senhores Macmillan foram dormir.

— Amanhã podemos ir cedo no Beco Diagonal e depois se você quiser, podemos visitar o Fred e o Jorge, sei que isso iria lhe animar. – Disse Peter a abraçando.

— Com certeza iria! — Confirmou Hydra, beijando Peter. – Mas talvez o Sr. Weasley esteja muito ocupado com tudo que está acontecendo no Ministério por causa do... – Hydra fez uma pausa e engoliu a seco – Por causa da Copa mundial, eu vou enviar uma coruja perguntando o que ele acha amanhã de manhã antes de irmos.

— Você vai contar para eles? – Perguntou Peter.

— Não sei, eu acho que não...

— Eles não são seus melhores amigos?

— Sim, mas do que adianta contar? Só vai deixar eles com raiva e querendo brigar com o meu pai, assim como você ficou...

— Adianta saber que seus amigos estarão lá para você e que esse idiota do seu pai não vai poder fazer nada sem a gente saber... – Disse Peter, acariciando seu rosto – Acredite, se eu pudesse, machucaria o Lúcio nesse momento.

— E você se tornaria igual a ele, esquece isso, por favor...

— Eu não consigo! – Disse ele, olhando com tristeza para suas manchas roxas.

— Acho melhor pegarmos aquela poção para tirar essas coisas agora... – Disse Hydra.

No dia seguinte, Hydra enviou uma coruja para Fred e Jorge antes de partir para o Beco Diagonal com Jeniffer e Peter.

— Eu realmente não vejo a hora de ter dezessete anos e poder aparatar! – Disse Jeniffer quando entrava na lareira para viajar por Flu.

— Não parece ser tão bom quanto dizem... – Disse Hydra lembrando da aparatação com o Sr. Macmillan e da horrível sensação que teve.

— Fica fácil depois de um tempo. – Brincou Peter.

No Beco Diagonal, Hydra foi direto até a Floreios e Borrões, aonde comprou com Jeniffer todos os livros que precisavam, depois foi até a Sorveteria Florean Fortescue aonde os três ficaram sentados nas mesas da calçada e Hydra leu o Profeta Diário.

"CAOS NO MINISTÉRIO, FALTA DE SEGURANÇA DEIXA CENTENAS NO PREJUÍZO"

— Essa Rita Skeeter ama aumentar os fatos, papai nunca gostou dela – Comentou Peter vendo a manchete.

— Mas verdade seja dita, não dá para entender como deixaram que acontecesse tudo aquilo embaixo do nariz do Ministério – Disse Jeniffer

— É, eu nunca imaginei que o papai e os amigos idiotas dele teriam essa coragem, devo confessar. – Hydra de novo ficava triste e distante quando falava do assunto, então Peter rapidamente mudou o tópico.

— E suas amigas francesas, Hydra, elas não mandaram notícias?

— Sim, elas me mandam cartas toda semana, elas disseram que tem uma grande surpresa para mim, mas até agora não sei o que é.

— Vai ver elas vão te visitar antes do final das férias – Disse Jeniffer

— É, talvez...

— Hydra, você notou na nossa lista que eles pediram vestes formais? – Perguntou Jeniffer mostrando o pedaço de papel de Hogwarts.

— Sim, na verdade eu já separei umas três opções no meu malão antes de sair de casa, só não sei o porquê, se quiser olhar uma das minhas para ver se gosta...

— Não precisa, vamos na Madame Malkin que eu encomendo uma.

Hydra, Peter e Jeniffer voltaram para a casa na hora do almoço carregados de compras, a Sra. e o Sr. Macmillan ainda estavam no trabalho, então Jeniffer e Peter foram preparar a comida enquanto Hydra tentava ajudar.

— Eu sinceramente nunca aprendi nenhum feitiço doméstico, eu preciso aprender tudo isso. – Disse ela enquanto via Peter apontando a varinha e fazendo legumes se picarem sozinho.

— Nós aprendemos aos poucos, eu ainda não posso usar magia para cozinhar, então eu e Peter aprendemos do jeito tradicional, mas mamãe sempre foi nos mostrando alguns feitiços úteis — Disse Jeniffer que fervia água em uma grande panela.

— Eu tive que aprender assim que fiz dezessete anos, ainda mais agora morando sozinho. – Sorriu Peter – Mas você não precisa se preocupar, eu te ensino quando chegar a hora.

— A hora de você virar a Sra. Macmillan – Brincou Jeniffer rindo.

Hydra realmente sempre se achara muito nova para todo tipo de assunto de casamento, mas a cada dia, via que viver com Peter depois de se formar em Hogwarts seria o caminho mais provável, ela amava Peter e queria se casar com ele um dia, apesar de ainda parecer tão distante.

— Calma Hydra, eu estava só brincando! – Disse Jeniffer notando o silêncio de Hydra.

— Eu sei – Sorriu ela –, eu estava viajando aqui nos meus pensamentos, não se preocupe.

Os três prepararam o almoço e enquanto comiam, Lydra chegou com a resposta dos Weasleys.

"Querida Palerma,

Nos espanta que você ainda ache que tenha que perguntar se pode nos visitar, papai e Percy realmente estão enfurnados dentro do Ministério, mas estamos aqui em casa planejando uma partida de quadribol que precisa desesperadamente de uma goleira hoje de tarde.

Esperamos vocês,

Fred e Jorge Weasley"

Hydra sorriu com a resposta.

— Você se importa de ir sozinha? – Sorriu Peter – Eu recebi uma coruja do St. Mungo's enquanto estávamos preparando o almoço dizendo que preciso fazer uma inspeção hoje, a não ser que a Jeniffer queira ir com você.

— Eu combinei de encontrar o Abbas daqui a pouco, ele finalmente conseguiu alguns minutos fora do Ministério pra me ver... – Respondeu Jeniffer rapidamente.

— Eu não me importo de ir sozinha, não se preocupem gente...