O temporal já se esgotara quando o dia seguinte amanheceu, embora o teto no Salão Principal continuasse ameaçador; pesadas nuvens cinza-chumbo se espiralavam no alto quando Hydra lia a carta que Peter havia mandado naquela manhã. Fred, Jorge e Lino Jordan discutiam métodos mágicos de se tornarem velhos e, com esse truque, participar do Torneio Tribruxo.

— Hydra, você é boa em Poções, podia preparar uma poção de envelhecimento para a gente... – Disse Fred animado.

— Eu preparo Fred, sem problemas, mas eu duvido muito que vá funcionar com seja qual for o feitiço que Dumbledore lançar – Disse ela sem tirar os olhos da carta.

— Mas não custa tentar... – Disse Fred – O que você está lendo ai?

— Carta do Peter, ele ficou sabendo do torneio e perguntou se eu ia me inscrever, acho que ele não viu a parte de ser somente para maiores de idade – Disse Hydra mostrando o pergaminho para os gêmeos.

— Se tudo der certo, você vai! – Disse Fred animado.

Depois que eles comeram, permaneceram em seus lugares, esperando a Profa. McGonagall sair da mesa dos professores. A distribuição dos horários era mais complicada esse ano, pois ela precisava primeiro confirmar se todos haviam conseguido as notas mínimas em seus N.O.M.s. para poderem continuar em seus N.I.E.M.s.

Hydra foi imediatamente aceita em Feitiços, Defesa Contra as Artes das Trevas, Transfiguração, Herbologia, Poções e Alquimia.

— Tenho um tempo livre agora – Disse Hydra para os amigos.

— Nós também... – Disseram todos.

— Na verdade tenho muito mais tempos livres que no semestre passado, que maravilha! – Disse Hydra.

— Você diminuiu muito sua quantidade de matérias e com razão – Disse Jeniffer sentando ao seu lado.

— Vai fazer Poções sozinha, não é? – Perguntou Fred.

— Não, Laura vai fazer com ela, acabei de confirmar com ela – Respondeu Jeniffer.

— Pelo menos isso. – Disse Hydra, não que ela e Laura tivessem muito contato, além de quando estavam no quarto juntas, mas seria bom ter um rosto conhecido na aula, pensava Hydra.

Hydra subiu com os amigos para a sala comunal e ficou escrevendo a resposta para Peter enquanto Fred e Jorge jogavam Snaps explosivos.

"Querido Peter,

O torneio será apenas para maiores de 17 anos, infelizmente não poderei me inscrever, apesar do Fred e Jorge terem certeza que darão um jeito nisso, eu sei que é impossível, os feitiços de Dumbledore jamais deixariam com que alunos menores de idade burlassem essa lei.

Mas a boa notícia é que eu acho que minhas amigas irão vir para o torneio, eu vou escrever uma carta agora mesmo para elas perguntando, mal posso esperar se for verdade, ter elas aqui comigo por um ano seria mágico, só não tão mágico porque você não estará junto.

Me conte tudo sobre seu primeiro dia de treinamento no St, Mungo's

Te amo,

Hydra Malfoy"

— Jeniffer, eu posso pegar sua coruja emprestada para mandar essa carta para o Peter? Eu vou usar a Lydra para mandar a carta para as minhas amigas na Beauxbatons. – Perguntou Hydra.

— Claro, sem problemas.

Hydra escreveu a carta para suas amigas e saiu da sala comunal em direção ao corujal, prendeu a carta para Peter na coruja negra de Jeniffer e a carta para suas amigas na sua coruja, Lydra. Depois desceu em direção a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas onde encontrou todos seus amigos já fazendo fila na porta da sala. Hydra se sentou com Angelina e Alicia como de costume em uma mesa logo na frente e Fred, Jorge e Lino logo atrás.

— Não irão precisar de nenhum livro – Disse o Professor Moody, que vinha pelo corredor para alguns alunos que pegavam os livros das mochilas.

Moody apanhou a folha de chamada e continuou a aula depois da última pessoa confirmar presença.

— Certo, essa é uma turma de N.I.E.M, não é nenhuma brincadeira de criança – Dizia ele observando a todos que estavam calados excitados – Iremos aprender encantamentos não verbais mais tarde, acho que já deveriam saber, mas estou vendo que não – Disse ele lendo uma carta deixada pelo Professor Lupin – Vocês estão no sexto ano e tem idade o suficiente para aprender as maldições ilegais.

Rostos excitados olhavam para o professor.

— Então... algum de vocês sabe que maldições são mais severamente punidas pelas leis da magia? – Continuou ele.

Vários braços se ergueram, inclusive o de Hydra e Moody apontou para ela.

— Imperius – Disse Hydra firme –, a maldição que faz com que um bruxo controle as ações do outro.

— Há! – Disse Moody alto – Malfoy, certo? – Hydra confirmou com a cabeça assustada. – Mas é claro que você iria saber sobre essa, seu pai deve ter falado muito sobre isso, claro, claro, já usou muito essa desculpa para escapar do Ministério.

Hydra corou fortemente enquanto alguns colegas de classe davam risadinhas, sabia que seu pai usou a desculpa de estar sob efeito da maldição Imperius para ter seguido Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

Moody se apoiou pesadamente nos pés desiguais, abriu a gaveta da escrivaninha e tirou um frasco de vidro. Três enormes aranhas pretas corriam dentro dele.

Moody meteu a mão dentro do frasco, apanhou uma aranha e segurou-a na palma da mão, de modo que todos pudessem vê-la. Apontou, então, a varinha para o inseto e murmurou "Imperio!".

A aranha saltou da mão de Moody para um fino fio de seda e começou a se balançar para a frente e para trás como se estivesse em um trapézio. Saio rodopiando pela sala e parou na cabeça de alguns alunos enquanto os outros riam.

— Engraçado não é? – rosnou ele. – Imagine agora se fizesse isso com vocês... Todos pararam de rir.

— Controle total – disse o professor em voz baixa – Eu poderia fazê-la fazer qualquer coisa que eu quisesse e o mesmo com vocês...

— Há alguns anos, havia muitos bruxos e bruxas controlados pela Maldição Imperius – disse Moody olhando com seu olho bom diretamente para Hydra que ficou ainda mais vermelha. — Foi uma trabalheira para o Ministério separar quem estava sendo forçado a agir de quem estava agindo por vontade própria. Não que eles tenham conseguido totalmente – Mais uma vez disse olhando para Hydra que só queria se esconder embaixo da mesa.

"A Maldição Imperius pode ser neutralizada, e vou-lhes mostrar como, não só a vocês mas as turmas mais abaixo também porque acho que todos precisam se preparar, não só os mais velhos, mas é preciso força de caráter real e nem todos a possuem. Por isso é melhor evitar ser amaldiçoado com ela se puderem. VIGILÂNCIA CONSTANTE!", vociferou ele, e todos os alunos se assustaram. Moody apanhou a aranha acrobata e atirou-a de volta ao frasco."

— Outra maldição ilegal, vamos... – Ordenou Woody e muitas mãos se levantaram novamente, ele apontou para Jeniffer.

— Cruciatus – Respondeu ela meio baixo, como se estivesse com medo.

— Macmillan? – Perguntou Woody para ela e Jeniffer confirmou –Imagino que sua família tenha tido muitos casos de pessoas atingidas por essa maldição no St Mungo's.

Jeniffer afirmou que sim com a cabeça, sem graça.

— A Maldição Cruciatus – começou Moody. – Preciso de uma maior para lhes dar uma ideia – disse ele, apontando a varinha para a aranha. – Engorgio!

A aranha inchou. Estava agora maior do que uma tarântula.

O professor tornou a erguer a varinha, apontou-a para a aranha e murmurou:

— Crucio!

Na mesma hora, as pernas da aranha se dobraram sob o corpo, ela virou de barriga para cima e começou a se contorcer horrivelmente, balançando de um lado para outro a aranha começou a estremecer e a se debater violentamente...

Hydra se sentia horrível, lembrou de quando foi machucada por seu pai por feitiço apesar de mais fraco, doloroso e sentiu seus olhos se encherem d'gua.

— Para por favor! Coitadinha!– Chorou Angelina.

Moody ergueu a varinha. As pernas da aranha se descontraíram, mas ela continuou a se contorcer.

— Reducio – murmurou Moody, e a aranha encolheu e voltou ao tamanho normal. Ele a repôs no frasco.

— Essa maldição causa uma dor incontrolável, foi muito usada para tortura. – Disse Moody – Outra maldição? – Perguntou ele a turma que agora não levantava a mão, todos tinham medo do que aconteceria com a última aranha. Rita levantou a mão trêmula.

— Avada Kedavra – Disse ela nervosa.

— Ah, a última e a pior. Avada Kedavra... a maldição da morte.- Disse Moody.

Ele enfiou a mão no pote ele a apanhou a terceira aranha e a colocou sobre a escrivaninha. O inseto começou a correr, desvairado, pela superfície de madeira.

Moody ergueu a varinha e Hydra sentiu algo estranho. – Avada Kedavra! – berrou Moody

Houve um relâmpago de ofuscante luz verde e um rumorejo, como se algo vasto e invisível voasse pelo ar – instantaneamente a aranha virou de dorso, sem uma única marca, mas inconfundivelmente morta. Vários alunos gritaram e algumas meninas quase choraram, inclusive Hydra.

— Não existe contramaldição. Não há como bloqueá-la. Somente uma pessoa no mundo já sobreviveu a ela... – Disse Moody.

— Harry Potter... – Sussurou Fred Weasley.

— Exatamente, Harry Potter, seu colega de escola – Confirmou o professor.

— Avada Kedavra é uma maldição que exige magia poderosa para lançá-la, vocês podem apanhar as varinhas agora, apontá-las para mim, dizer as palavras e duvido que consigam. Mas não estou aqui para ensiná-los a lançá- la – Disse ele observando toda a turma agora calados e nervosos — "Ora, se não há uma contramaldição, por que estou lhes mostrando essa maldição? Porque vocês precisam conhecê-la. Vocês têm que reconhecer o pior. Vocês não querem se colocar em uma situação em que precisem enfrentá-la. VIGILÂNCIA PERMANENTE!", berrou ele e a turma inteira tornou a se sobressaltar. Vocês são alunos do sexto ano e o mundo lá fora não irá perdoa-los ou esperar que estejam prontos, vocês precisam aprender o pior e o melhor!

"Agora... essas três maldições, Avada Kedavra, Imperius e Cruciatus, são conhecidas como as Maldições Imperdoáveis. O uso de qualquer uma delas em um semelhante humano é suficiente para ganharem uma pena de prisão perpétua em Azkaban. É isso que vão ter que enfrentar. É isso que preciso lhes ensinar a combater. Vocês precisam estar preparados. Vocês precisam de armas. Mas, acima de tudo, precisam praticar uma vigilância constante, permanente. Apanhem suas penas... copiem o que vou ditar..."

Os alunos passaram o resto da aula tomando notas sobre cada uma das Maldições Imperdoáveis.

Os alunos explodiram em falatórios sobre as aulas quando estavam saindo, Hydra permaneceu calada, aproveitou o intervalo para voltar correndo para a sala comunal, logo foi seguida de seus amigos que ainda faziam comentários sobre a aula que acabaram de ter.

— Você acha que ele vai ensinar isso mesmo para os alunos mais novos? – Disse Angelina – Não é o tipo de coisa que nós aprendemos.

— Se ele diz que sim, é bem capaz de sim mesmo – Afirmou Fred.

Hydra estava sentada quieta e Jorge sentou ao seu lado.

— O que houve? A aula te deixou tão chocada assim? – Perguntou ele.

— Não, na verdade é que me fez lembrar sobre meu pai, ele realmente disse que estava sob a Maldição Imperius, mas eu acho que o Professor assim como eu, não acredito nisso... – Disse ela chateada.

— Seu pai não é você Hydra, em breve ele saberá disso, se já não sabe – Disse Jorge e Hydra se sentiu um pouco mais animada.

Depois do intervalo, seguiu para a aula de Alquimia (junto com dois meninos da sua turma) lá encontrou alguns alunos das outras casas, não eram muitos na sala.

— Bem-vindos, bem-vindos! – Disse uma bruxa alta, morena e magra que deveria ser a professora de Alquimia – Estou feliz de ver que esse ano novamente tivemos demanda por essa matéria tão fascinante que é Alquimia! – Disse ela animada olhando ao redor da turma. — Alquimia é uma prática que combina elementos da Química, Antropologia, Astrologia, Filosofia, Metalurgia e Matemática. Existem quatro objetivos principais na sua prática. Um deles seria a transmutação dos metais inferiores ao ouro; o outro a obtenção do Elixir da Longa Vida, um remédio que curaria todas as doenças, até a pior de todas, a morte! E daria vida longa àqueles que o ingerissem. Vocês sabem o nome do elixir que garante ambos os objetivos? – Perguntou ela e algumas pessoas levantaram a mão, ela apontou para Hydra.

— A Pedra Filosofal.

— Muito bem Srta. Malfoy, cinco pontos para a Grifinória! A Pedra Filosofal, como todos sabem só teve um único bruxo capaz de faze-la, vocês sabem quem?

Novamente mãos se levantaram e ela apontou para uma aluna da Corvinal.

— Nicolas Flamel – Respondeu ela.

— Muito bem Srta. Panyson, dez pontos para a Corvinal. Nicolas Flamel que morreu recentemente depois de ter destruído a sua invenção, como muitos devem lembrar, causou muitos problemas a Hogwarts alguns anos atrás.

Hydra soube de toda história envolvendo Harry Potter e a pedra filosofal apesar de estar na Beauxbatons naquela época, Draco falou muito sobre isso quando ela foi para casa.

O resto da aula, foi discutido sobre todos os meios de tornar metais em ouro e como treinariam a partir da aula seguinte.

Hydra então seguiu para a sua primeira aula de Poções do semestre.

Somente uma dúzia de pessoas no máximo conseguiram nota para continuar nas aulas de poções, sendo ela e Laura, as únicas da Grifinória.

A aula ocorreu como o de costume, Snape com seu mau humor que parecia ter piorado mais, agora que ensinava poções complicadíssimas, mas que Hydra já sabia graças as aulas particulares que teve durante o ano anterior com ele, então era a única capaz de fazê-las no final.

— Lamentável... – Reclamava ele vendo os caldeirões dos outros alunos – Como vocês conseguiram passar pelos N.O.M.s vai além da minha compreensão.

Depois de todos saírem desanimados da sala, Hydra fez questão de demorar um pouco mais para guardar suas coisas e tentar ter uma oportunidade de conversar com o professor, o que conseguiu quando a sala estava vazia.

— Professor Snape? – Disse ela.

— Sim.

— Eu gostaria de saber sobre as nossas aulas... – Hydra estava sem jeito de falar – Se elas...

— Sábados às oito. – Respondeu ele cortando Hydra e se virou. Hydra saiu contente das masmorras.

Na hora do jantar, Hydra seguiu com Angelina e Alicia para o salão principal, encontraram Harry, Hermione e Rony no caminho, chegaram ao saguão de entrada, que estava lotado de gente fazendo fila para o jantar. Tinham acabado de entrar no fim da fila, quando uma voz alta soou às costas deles.

— Weasley! Ei, Weasley!

Eles se viraram. Draco, Crabbe e Goyle estavam parados ali, cada qual parecendo mais satisfeito.

— Que é? – perguntou Rony rispidamente. – Seu pai está no jornal, Weasley! – disse Draco brandindo um exemplar do Profeta Diário, e isso bem alto para que todas as pessoas aglomeradas no saguão pudessem ouvir. – Escuta só isso!

"NOVOS ERROS NO MINISTÉRIO DA MAGIA

Pelo visto os problemas no Ministério da Magia ainda não chegaram ao fim, informa nossa correspondente especial Rita Skeeter. Recentemente censurado por sua incapacidade de controlar multidões durante a Copa Mundial de Quadribol, e ainda devendo à opinião pública uma explicação para o desaparecimento de uma de suas bruxas, ontem o Ministério enfrentou novo constrangimento com as extravagâncias de Arnold Weasley, da Seção de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas."

Draco ergueu os olhos.

— Imagina, nem escreveram direito o nome dele, Weasley, é quase como se ele não existisse, não é?

— Draco, cala a boca, não fala assim dos Weasleys! – Gritava Hydra que era contida por Angelina e Alice.

Todos no saguão agora prestavam atenção. Draco esticou o jornal com um gesto largo e continuou a ler:

"Arnold Weasley, acusado de possuir um carro voador há dois anos, envolveu-se ontem numa briga com guardiões trouxas da lei (policiais) por causa de latas de lixo extremamente agressivas. O Sr. Weasley parece ter ido socorrer "Olho-Tonto" Moody, um ex-auror idoso, que se aposentou do Ministério ao se tornar incapaz de distinguir um aperto de mão de uma tentativa de homicídio. Ao chegar à casa do ex-auror, fortemente guardada, o funcionário verificou, sem surpresa, que, mais uma vez, o Sr. Moody dera um alarme falso. Em consequência, o Sr. Weasley foi obrigado a alterar muitas memórias para poder escapar dos policiais, mas se recusou a responder às perguntas do Profeta Diário sobre as razões que o levaram a envolver o Ministério nesse episódio pouco digno e potencialmente embaraçoso."

— E tem uma foto, Weasley! – acrescentou Malfoy, virando o jornal e mostrando-a. – Uma foto de seus pais à porta de casa, se é que se pode chamar isso de casa! Sua mãe bem que podia perder uns quilinhos, não acha?

Rony tremia de fúria. Todos o encaravam.

— Se manda, Malfoy – disse Harry. – Vamos Rony...

— Ah, é mesmo, você esteve visitando a família no verão, não foi, Potter? – caçoou Draco. – Então me conta, a mãe dele parece uma barrica ou é efeito da foto?

— Você já olhou bem para sua mãe, Malfoy? – respondeu Harry, ele e Hermione seguravam Rony pelas costas das vestes para impedi-lo de partir para cima do outro. – Aquela expressão na cara dela, de quem tem bosta debaixo do nariz? Ela sempre teve aquela cara ou foi só porque você estava perto dela?

Harry olhou constrangido para Hydra que de fúria ficou completamente sem graça, não gostava de ouvir sobre sua mãe, mas entendeu o motivo dele ter feito isso.

O rosto pálido de Draco corou levemente.

— Não se atreva a ofender minha mãe, Potter.

— Então vê se cala esse bocão – disse Harry dando as costas ao colega. BANGUE!

Várias pessoas gritaram. Harry sentiu uma coisa branca e quente arranhar o lado do rosto, mergulhou a mão nas vestes para apanhar a varinha, mas antes que chegasse sequer a tocá-la, ouviu um segundo estampido e um berro que ecoou pelo saguão de entrada.

— AH, NÃO VAI NÃO, GAROTO!

O Prof. Moody descia mancando a escadaria de mármore. Tinha a varinha na mão e apontava diretamente para uma doninha muito alva, que tremia no piso de lajotas, exatamente no lugar em que Draco estivera.

Fez-se um silêncio aterrorizado no saguão. Ninguém exceto Moody mexia um só músculo Hydra estava com um misto de choque e preocupação pelo irmão.

— Ele o mordeu? – rosnou o professor para Harry Potter. Sua voz era baixa e áspera.

— Não – respondeu Harry –, por pouco.

— DEIXE-O! – berrou Moody.

— Deixe... o quê? – perguntou Harry espantado.

— Não você, ele! – vociferou Moody, apontando o polegar por cima do ombro para Crabbe, que acabara de congelar em meio a um gesto para recolher a doninha branca. Parecia que o olho giratório de Moody era mágico e enxergava através da nuca do professor.

Moody começou a mancar em direção a Crabbe, Goyle e a doninha, que soltou um guincho aterrorizado e fugiu em direção às masmorras.

— Acho que não! – rugiu Moody, tornando a apontar a varinha para a doninha, ela subiu uns três metros no ar, caiu com um baque úmido no chão e quicou de novo para cima.

"Não gosto de gente que ataca um adversário pelas costas", rosnou Moody, enquanto a doninha quicava cada vez mais alto, guinchando de dor. "Um ato nojento, covarde, reles..." A doninha voava pelo ar, as pernas e a cauda sacudiam descontroladas

— Professor, pare, por favor, você vai machucar ele! – Gritava Hydra desesperada, em meio à multidão que se divertia.

— Nunca... mais... torne... a... fazer... isso – continuou o professor, destacando cada palavra para a doninha que batia no piso de pedra e tornava a subir.

— Prof. Moody! – chamou uma voz chocada. A Prof a Minerva vinha descendo a escadaria com os braços carregados de livros.

— Olá, Profa McGonagall – cumprimentou Moody calmamente, fazendo a doninha quicar ainda mais alto.

— Que... que é que o senhor está fazendo? – perguntou a professora seguindo com o olhar a subida da doninha no ar.

— Ensinando – respondeu ele.

— Ensinan... Moody, isso é um aluno? – gritou a professora, os livros despencando dos seus braços.

— É. – Não! – exclamou ela, descendo a escada correndo e puxando a própria varinha; um momento depois, com um estampido, Draco reapareceu, caído embolado no chão, os cabelos lisos e louros sobre o rosto agora muito vermelho. Ele se levantou, fazendo uma careta e Hydra correu para ampará-lo.

— Moody, nunca usamos transformação em castigos! – disse a professora com a voz fraca. – Certamente o Prof. Dumbledore deve ter-lhe dito isso?

— É, talvez ele tenha mencionado – respondeu Moody, coçando o queixo displicentemente –, mas achei que um bom choque...

— Damos detenções, Moody! Ou falamos com o diretor da casa do faltoso!

— Vou fazer isso, então – disse Moody, encarando Draco com intenso desagrado. O garoto, cujos olhos claros ainda lacrimejavam de dor e humilhação enquanto Hydra o segurava, ergueu o rosto maldosamente para Moody e murmurou alguma coisa em que se distinguiam as palavras "meu pai".

— Ah, é? – disse Moody em voz baixa, aproximando-se alguns passos, a pancada surda de sua perna de pau ecoando pelo saguão. – Bom, conheço seu pai de outras eras, moleque... diga a ele que Moody está de olho no filho dele... Diga-lhe isso por mim... agora, imagino que o diretor de sua casa seja o Snape, não?

— É – respondeu Draco cheio de rancor.

— Outro velho amigo – rosnou Moody. – Estou querendo mesmo conversar com o velho Snape... vamos, seu... –Tirando ele de Hydra e segurando o garoto pelo antebraço saiu com ele em direção às masmorras.

— Rony me desculpe, ele não...

— Esquece Hydra, não é sua culpa, além do mais, isso foi demais – Disse Rony sorrindo se referindo ao que aconteceu com Draco.

Os dois dias seguintes transcorreram sem grandes incidentes, as aulas realmente eram muito mais difíceis no sexto ano do que Hydra imaginava. Peter e ela continuavam se comunicando diariamente por cartas e ele parecia estar gostando muito do treinamento do St Mungo's.

Hydra estava fazendo o dever de poções na sala comunal que estava quase deserta a não ser por Harry Potter e Rony Weasley que também pareciam estar fazendo dever e estranhamento por Fred e Jorge Weasley que estavam sentados com as cabeças encostadas uma na outra, as penas na mão, examinando um pedaço de pergaminho. Hydra estava tão ocupada que não deu muita atenção para o fato até que a voz de Jorge ecoou baixinha pela sala.

— Não... assim parece que nós o estamos acusando. Temos que ter cuidado...

Então Jorge deu uma olhada na sala e viu que Harry e Hydra o observavam, apesar de Harry disfarçar rapidamente.

Hydra continuou olhando curiosa e os gêmeos fizeram um sinal com a cabeça para irem lá fora, ela deixou suas coisas na mesa e seguiu com eles para o lado de fora da sala comunal, parando em um corredor.

— O que aconteceu com vocês? – Perguntou ela.

— Hydra, é um assunto ultra secreto, nós não podemos deixar que ninguém saiba... – Disse Fred sério

— Vocês estão me assustando, o que houve? Sabem que podem confiar em mim.

— Você se lembra do Ludo Bagman na Copa mundial? – Perguntou Jorge baixinho.

— Sim, claro que lembra, o que tem ele?

— Ele estava recebendo apostas, eu e Fred apostamos tudo que tínhamos no resultado do jogo e ganhamos.

— Isso é ótimo! Por quê estão assim então?

— Você se lembra do mascote do time da Irlanda? – Perguntou Fred ainda baixinho.

— Claro, os Leprechauns! – Disse Hydra com a cabeça quase colada na dos gêmeos.

— Lembra que eles distribuíram moedas de ouro? – Perguntou Jorge

— Sim, lembro sim, papai não deixou eu pegar, o que tem isso?

— As moedas dos Leprechauns somem com o tempo e foi com nelas que o Ludo Bagman nos pagou – Disse Fred baixinho porém furioso.

— Ai meu Deus eu não acredito! Deve ser um engano! – Disse Hydra.

— Bom, é isso que nós vamos ver, nós estamos escrevendo para ele para saber o que houve e exigir nosso ouro – Disse Jorge.

— Mas de uma forma delicada – Completou Fred.

— Vocês querem ajuda?

— Por enquanto não, só não conte pra ninguém, ok? Só estamos lhe contando porque é nossa melhor amiga – Disse Jorge.

Hydra se sentiu feliz pela confiança que os gêmeos tinham nela e prometeu não contar nada a ninguém.

Depois de um tempo Hydra e os gêmeos voltaram para a sala comunal e Hydra contou para eles como estava triste de ver Peter somente nos passeios a Hogsmeade.

— Nós podemos lhe ajudar com isso – Disse Fred.

— Como?

— Amanhã depois das aulas lhe mostraremos um meio de poder ver o Peter quando você quiser.

Hydra ficou intrigada, quis saber mais mas decidiu esperar, logo depois subiu para o quarto e foi dormir.

No dia seguinte, depois das aulas e antes do jantar, Fred e Jorge levaram Hydra até um corredor no terceiro andar e pararam em frente à estátua de uma bruxa de um olho só.

— O que estamos fazendo aqui exatamente? – Perguntou Hydra.

— Lhe oferecendo um presente – Disse Fred sorrindo.

— Dissendium! — sussurrou Jorge dando uma batida na bruxa de pedra com a varinha.

Na mesma hora, a corcunda da estátua se abriu o suficiente para admitir uma pessoa bem magra.

— Vá em frente – Disse Jorge.

Hydra se içou de cabeça para dentro do buraco e deu um impulso para frente. Ele deslizou um bom pedaço, descendo o que parecia um escorrega de pedra e aterrissou na terra úmida e fria. Levantou-se, então, olhando a toda volta e estava tudo escuro, Hydra sentiu Fred e Jorge atrás dela

— Lumus! — Disse Hydra e pôde ver que se encontrava em uma passagem muito estreita, baixa e terrosa.

— Se você seguir essa passagem, você irá direto para Dedosdemel em Hogsmeade, o mapa que mostra quando é seguro usar a passagem não está mais conosco, mas se você tiver cuidado, por ir para lá sempre que quiser – Disse Jorge atrás de Hydra que olhava admirada a passagem.

— Eu não acredito nisso meninos! Como vocês sabem desse lugar? Alguém mais sabe? – Disse Hydra admirada.

— Só nós dois e o Harry Potter. – Respondeu Fred.

— E como vocês ficaram sabendo disso?

— É uma longa história que contamos depois, agora é melhor irmos embora... – Disse Jorge.

Eles voltaram pela passagem e Hydra agradeceu aos meninos, estava doida para contar a novidade para Peter, agora poderia ver ele quando quisessem e não só algumas vezes por ano.