O Espelho De Almas
2 Capítulo 1 - 2° Parte
Uma vez, meu pai me ensinou todos os passos para ser um investigador de boa classe.
Esses são os 7 passos que ele me ensinou:
1°: Para ser um bom investigador, você deve sempre fazer questionários com pessoas que conheçam a tal vítima ou tal acaso roubado de posses;
2°: Nunca seja desconfiado, nem mesmo quando está fazendo perguntas anonimamente, seja discreto;
3°: Procure não deixar rastros que possam deixar desconfiança no caminho durante uma investigação;
4°: Lanchinhos sem migalhas é uma boa opção;
5°: Se você souber a resposta verdadeira de tal pergunta, e a pessoa te disser uma mentira descarada, suma, não continue falando com ela.
6°: Durante uma investigação, procure lembrar TUDO que você aprendeu quando via filmes do mesmo gênero;
7° (última e mais importante): JAMAIS PERDER A ESPERANÇA DURANTE UMA INVESTIGAÇÃO.
E era exatamente isso que me veio na cabeça quando descobri que Charlie tinha ido para a direção da sala proibida.
Peguei tudo que podia inclusive minha esperança, e fui atrás. Quando cheguei à frente da porta, vi que tinha um reflexo, era como uma luz sendo colocada na frente de um espelho grande.
Percebi que era uma luz fraca, isso seria uma pista para achar o danado do Charlie.
Quando fui abrir a porta, ao tocar na maçaneta, deu-me um vulto. Fiquei tonta e caí no chão. Veio-me uma luz tão forte na cabeça que quase desmaiei. Mais ou menos meia hora depois de ficar caída no chão sem nenhuma ajuda, eu consegui me levantar.
Quando fui tocar novamente a maçaneta da porta literalmente “PROIBIDA”, levei um choque, mas não era um choque qualquer... Durante a dor do choque, parece que ouvi uma coisa sobrenatural. Não entendia o que era, mas sabia que precisava correr atrás.
Vi que a porta não estava trancada, então bastou um empurrão para descolar a porta do chão, pelo fato de ela ser muito antiga.
Quando abri, me impressionei com o que vi! Era um tipo de espelho ENORME, ele começava no chão e terminava próximo ao alto teto da sala, que deveria ter uns 12m de altura.
Me aproximei dele para ver como estava, mas por curiosidade, coloquei só minha mão.
- Espera um pouco, cadê o reflexo? – perguntei muito assustada!
Minha mão continuava no meu corpo, mas não aparecia no espelho.
Por um motivo ou outro, aquele espelho, em minha opinião, era meio amaldiçoado. Mas para que julgar o lindo espelho se nem conhecia seu verdadeiro mistério?
Então lembrei novamente dos 7 ensinamentos de papai, e sabia que aquilo era uma missão para mim. Fui de corpo inteiro para frente do espelho, só que quando terminei de me posicionar a sua frente, dei um pulo de susto e vim de volta para o lado do espelho onde não pegava meu reflexo.
- Muito interessante, meu reflexo não aparece, mas minhas roupas sim! – pensei muito apavorada!
Como aquilo era possível?! Sim, não era, mas é. O estranho é que Charlie não estava lá, pelo menos não pelo meu ponto de vista. Não o avistei em lugar algum, cada parte da sala estava vazia, ecoando junto com meus pensamentos sem validade e vazios. A única coisa que havia na grande sala, além do grande espelho que ficava bem no centro, era um quadro de parede MUITO ANTIGO, mal dava para perceber o que estava pintado no quadro devido a poeira que estava empapada por cima da pintura.
- Como sou tão curiosa, vou assoprar – afirmei.
De repente, uma nuvem de poeira subiu em mim, então resolvi ir até o espelho pra ver onde tinha atingido a poeira, pois não enxergava nada além do reflexo de luz que havia visto antes.
- Burra, burra, burra! – afirmei ao me lembrar de que o espelho não era normal.
- Um minuto, que luz é esta? – Me perguntei enquanto estudava de que direção à luz estava vindo.
Fui levada pela curiosidade, até tinha me esquecido da pintura empoeirada que havia acabado de assoprar.
Estava chegando perto da luz misteriosa, até que de repente, ela sumiu!
Vi ela reaparecendo perto da pintura empoeirada, daí me lembrei dela, neste caso, aproveitei a ocasião para inspecionar as duas coisas, literalmente “coisas”.
Cheguei perto da luz e ela sumiu novamente! Que saco! Não conseguia chegar até a luz! É... Acho que ela era mais esperta que eu... Então, como não conseguia chegar até onde queria com a luz, resolvi inspecionar o próprio quadro empoeirado.
- Vejamos o que essa belezinha tem a me oferecer – falei confiante que algo sobrenatural acontecesse.
De repente, percebi que a pintura era de uma pequena vila sendo inundada por um mar mediterrâneo, vindo do lado leste da vila, onde o sol nascia ao contrário. Percebi, também, que a pintura estava molhada, mas como podia estar molhada, se era mais antiga que meus bisavós?
Fui tocando a pintura para ver se algum canto a mais estava molhado, e logo me dei por conta que a única parte molhada era a que representava água.
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