O Especialista
11 Você confia em mim, Skye?
Playground – Escritório do Diretor
O time de Coulson havia voltado do Havaí com boas notícias. O diretor havia dito que conseguiram descobrir a localização exata da cidade, que era apontada pelos símbolos. Coulson informou que ia divulgar tudo em um grande briefing, mas que antes gostaria de saber o que aconteceu em sua ausência e por essa razão, Leon, May e Bobbi colocaram o diretor a par de tudo que acontecera em relação a Bakshi e da descoberta do verdadeiro nome de Whitehall.
Antes que saíssem, Coulson pediu a Bobbi e May que fossem para a sala de reuniões e se preparassem para o briefing, além de ter pedido a Leon que fosse buscar Skye, que Coulson não vira desde que voltaram do Havaí.
Leon procurou pela base por alguns minutos, até encontrar Tripp e Jemma, que disseram a ele que Skye estava cochilando no Ônibus (o que não era anormal no caso de Skye). Ao adentrar o grande avião, Leon viu Skye dormindo em uma das mesas e ao se aproximar para acorda-la, notou que a jovem parecia estar tendo um pesadelo, que era perceptível pelo seu rosto inquieto, enquanto murmurava baixo:
“não..por favor..não me deixem..”
“Skye...” Leon tocou gentilmente o ombro da hacker uma primeira vez, que não surtiu efeito, então Leon levantou um pouco mais a sua voz, ainda com a mão sobre o ombro de Skye, que acordou assustada, com uma expressão de quem parecia a ponto de chorar.
“Pesadelos, não é? Eu sei como é...” Leon disse, sentando ao lado de Skye. De fato o agente já teve sua cota de pesadelos logo após o incidente em Raccoon City e depois da morte do presidente Bendford.
“Eu to bem...é só que parecia tão real.” A jovem balançou a cabeça, esfregando os olhos com as mãos ainda trêmulas.
“Se quiser conversar sobre...” Leon disse, apoiando o rosto em uma das mãos. “Ajuda a exorcizar o pesadelo.”
“Eu...sonhei que estava sozinha..que todos tinham me abandonado. E depois eu virava pedra ao encostar naquele obelisco maldito.” Leon pode notar que o tom de voz de Skye estremeceu mais na parte em que ela dizia estar sozinha do que na parte referente ao obelisco.
“Vem cá..” Leon sorriu, puxando Skye gentilmente em um abraço, colocando a cabeça da agente em seu ombro e alisando seus cabelos. “Eu sempre fazia isso com a minha irmã mais nova quando ela acordava tendo pesadelos de noite, na época que ela era criança.”
Skye sorriu, fechando os olhos por alguns segundos enquanto respondia:
“Você é bom nisso, sua irmã tem sorte.” Ainda de olhos fechados, Skye assegurou a si mesma de que não estava só. De que a S.H.I.E.L.D era sua família. E nesse contexto, Skye conseguia ver facilmente Leon como um grande irmão mais velho.
“Vamos lá, Coulson tá esperando a gente pro briefing, só quero boas noticias hoje.” Leon disse, sorrindo, enquanto os dois se levantavam e saiam do ônibus a passos rápidos, em direção a sala de reuniões.
Quando Leon e Skye chegaram, todos os membros do time principal de Coulson já estavam reunidos, enquanto o diretor sorriu ao ver os últimos dois agentes chegarem e começou:
“Vamos começar pela parte ruim: a HYDRA tem o obelisco, e uma pessoa que sabe como usa-lo. E nós não podemos deixar que usem. Nós sabemos que ele é uma arma poderosa, mas não estou me referindo só ao fato dele transformar pessoas em pedra. Nossa Intel confirma que ele é uma arma de destruição massiva.”
“Estamos falando de uma arma biológica? Química? Baseada em energia..?” Perguntou Mack, de braços cruzados.
Foi Fitz que respondeu: “Vai saber. Pode ser qualquer uma dessas. É alienígena.”
“Quando Simmons e eu estávamos infiltradas na HDYRA, Whitehall estava planejando um evento que iria matar milhares de pessoas. Não seria errado supor que o obelisco tenha alguma coisa a ver com isso.” Completou Bobbi.
“Pra nossa sorte, não vai ser tão fácil assim. Aprendemos que o obelisco precisa ser “ativado” em um lugar específico...” Continuou Coulson, enquanto sua frase foi terminada por Leon:
“E deixa eu adivinhar...esse lugar de ativação fica dentro da nossa cidade misteriosa?”
“Nós sabemos esse local exato?” Perguntou Jemma, com um tom de voz um tanto aflito.
“Boa pergunta! Não. Mas fica na cidade misteriosa...que nós acabamos de localizar. E o que é melhor, a HYDRA não faz a mínima ideia. Fitz?” Disse Coulson, apontando para o engenheiro, que fez surgir no meio da sala uma projeção holográfica em 3D e então Skye tomou a iniciativa, começando a girar a projeção enquanto falava:
“Na nossa missão anterior, conseguimos invadir um potente satélite militar, depois fizemos uma varredura multiespectral da Terra, procurando formações rochosas nas profundezas do oceano que correspondessem ao modelo da nossa cidade misteriosa. E achamos isso.” Skye disse sorrindo, enquanto apontava para um ponto no globo terrestre que ia ficando cada vez menor e mais específico.
“Não é no triângulo das Bermudas né? Faria muito sentido...” perguntou Tripp.
“Nah, resolvemos isso nos anos 80.” Respondeu Coulson, dando de ombros.
“Como é? Skye, podemos incluir isso na nossa lista de mistérios pra resolver quando tivermos livrado o mundo da HYDRA, certo?” Leon disse, sorrindo para Skye, que piscou um dos olhos e disse: “Anotado!”
“A localização da cidade é próxima de Porto Rico, porém a maioria das entradas já está submersa, exceto uma, em San Juan, nos subterrâneos da cidade. Uma equipe de inspeção vai checar a integridade do túnel e vai localizar o templo de ativação do obelisco.” Completou Coulson.
“E depois, senhor?” Jemma perguntou.
A resposta de Coulson foi rápida e segura: “Explodimos tudo.”
Algumas horas depois, Coulson havia dividido seus membros em dois times. May, Skye e Leon iriam até o Canadá, resgatar uma mulher chamada Raina, que trabalhara para a HYDRA durante muito tempo, mas que agora estava sendo perseguida pelos seus ex-empregadores e possuía conhecimentos sobre o obelisco. O segundo time, que consistia do próprio Coulson, Bobbi, Mack, Tripp e Fitz-Simmons iriam até Porto Rico. O time de Coulson iria em um Quinjet, enquanto o de May usaria o Ônibus para ir até o Canadá.
Leon e Skye acompanhavam Coulson até a rampa de entrada do Quinjet, quando o diretor parou e virou para os dois agentes enquanto falava: “Ok, eu vejo vocês em San Juan.” Leon e Skye balançaram a cabeça positivamente, mas Coulson continuou parado, sorrindo para os dois, por alguns segundos, até que Leon quebrou o silêncio: “Tudo bem, Phil?”
“Tudo. Só me lembrando do dia que recrutei vocês, com mais de 10 anos de diferença. De ter me dado conta do quanto cresceram, do quanto são bons no que fazem e melhor ainda, são praticamente parceiros agora. Eu fico feliz que estejam se dando bem. Cuidem um do outro lá fora. Nos vemos em breve.” Coulson disse, enquanto Leon e Skye bateram os punhos fechados, como fazem costumeiramente e observaram enquanto o diretor embarcava no Quinjet. Ao fundo, Leon pode ver Bobbi sorrir para ele, que respondeu com um largo sorriso enquanto seus lábios se moviam e embora não houvesse som, Bobbi conseguiu ler facilmente a mensagem: “Nos vemos logo, lindona.”
Horas Depois – Canadá
O time de May já se encontrava no local onde Raina e os agentes gêmeos Sam e Billy estavam se escondendo. May cuidaria dos agentes do lado de fora do prédio enquanto Leon e Skye tirariam o alvo em segurança do prédio. A dupla subia as escadas a passos rápidos, ambos vestidos com roupas próprias para missão de campo, com vestes táticas e proteções. Ambos puderam ouvir pelo rádio a voz de May dizendo “menos dois. Já chegaram?”
“Chegamos.” Respondeu Leon enquanto Skye batia na porta e uma voz pedia que usassem seus distintivos em um scanner próximo a porta, o que ambos fizeram e segundos depois um dos gêmeos abrira a porta (Nem Leon ou Skye conseguiam distinguir ambos.)
“Qual é Sam, não era mais fácil usar o olho mágico?” Perguntou Skye entrando, enquanto Leon ficara do lado de fora, vigiando o corredor.
“Sou o Billy, Sam é o mais baixo.” Respondeu o agente.
“Temos que ir. Não vai demorar pra HYDRA chegar aqui.” Disse Leon, enquanto colocava os olhos em Raina pela primeira vez. Definitivamente não era uma pessoa que inspirasse qualquer tipo de confiança. Tinha o olhar astuto como o de uma raposa.
Assim que o quarteto começou sua caminhada na direção do elevador, uma mulher apareceu na esquina do corredor. Ela tinha o rosto da agente May (com uma grande cicatriz em um dos lados) e uma arma na mão. Leon a reconheceu como Agente 33, uma ex-agente da S.H.I.E.L.D que fora sequestrada pela HYDRA e submetida a lavagem cerebral, transformando-a numa agente obediente. A HYDRA então a fez usar uma máscara sintética com a aparência da agente May, a fim de enganar a equipe de Coulson. Um acidente envolvendo uma queimadura posteriormente fez com que a máscara ficasse agarrada à sua pele.
Skye reagiu rápido, segurando as mãos da agente 33 enquanto tentava desarma-la. Leon estava prestes a ajuda-la, mas notou mais dois homens subindo, agentes da HYDRA, que vieram em sua direção, o primeiro tentando um chute baixo e o segundo um chute lateral em Leon, tentando acerta-lo ao mesmo tempo. O agente deu uma cambalhota pra trás, evitando os dois chutes. Quem quer que fossem esses operativos da HYDRA, eram bons. Skye ia ter que se virar contra 33 por algum tempo.
Skye continuava a tentar desarmar sua adversária, tentando manter a arma longe de si e de Billy e Raina. A arma disparou duas vezes, mas ninguém foi atingido, enquanto as duas lutavam para ter o controle da situação.
“Vão pelas escadas!” Disse Skye, que com o canto do olho pode ver Leon segurando o braço de um dos inimigos, torcendo e usando o homem de escudo contra o chute do segundo adversário. Skye finalmente conseguiu fazer com que 33 largasse a arma, e com um rápido movimento de mão, bateu o rosto de sua adversária contra a parede, e recebeu de imediato uma cotovelada no rosto como resposta. 33 era boa, mas Skye havia aprendido muito com May e Leon. Ambas atacavam e defendiam os golpes uma da outra. Socos e chutes bloqueados com destreza provavam que Skye já lutava como uma agente veterana.
Leon, por sua vez, conseguia levar a luta contra os dois adversários, que apesar de habilidosos lutadores, eram inclinados a tentar golpes mirabolantes, com cambalhotas e chutes voadores. Leon aproveitou um dos ditos chutes para segurar a perna de um dos oponentes, girando-o e o fazendo bater na parede, aproveitando a surpresa do impacto para lhe acertar dois socos no rosto e um potente chute na barriga, o derrubando, ao mesmo tempo que era atingido na costela pelo outro, tendo que se defender rapidamente de um segundo chute que passou a centímetros de seu rosto.
Leon então ouviu um estrondo e viu Skye e 33 agarradas, se arremessando pela porta do apartamento de onde haviam saído, mas logo teve de voltar sua atenção ao seu atacante, que no momento dava pequenos pulos no chão, tentando confundi-lo.
“Acho que já podemos acabar com isso, Bruce Lee.” Leon disse, dessa vez tomando a iniciativa do ataque, com um chute giratório, que seu adversário abaixou e tentou aproveitar a brecha para derrubar Leon com uma rasteira, porém o agente da HYDRA não esperava que Leon saltasse, dando um chute giratório no ar, não muito diferente dos que seus inimigos faziam instantes atrás. Da posição agachada em que o homem da HYDRA estava, o chute do agente o acertou no rosto em cheio, fazendo com que ele girasse no chão e caísse desacordado. Agora, era hora de ajudar Skye.
Dentro do apartamento, a luta entre 33 e Skye continuava de maneira equilibrada, com ambas defendendo os ataques umas da outra, tentando buscar a imobilização do oponente. Aproveitando-se de uma esquiva, Skye segurou o braço do 33, acertando o queixo da adversária com a mão aberta, como vira May fazer várias vezes, e depois chutando o tornozelo de 33, fazendo a cair de joelhos, um golpe característico de Leon.
“Renda-se 33! Nós podemos te ajudar!” Disse Skye, enquanto segurava o braço de 33, tentando fazer com que a ex-agente da S.H.I.E.L.D desistisse.
A única resposta de Skye fora um violento soco no estômago que a fez recuar. Ela tinha que admitir, a resistência de 33 era incrível, talvez parte do processo de lavagem cerebral. Skye ainda segurava o braço de 33 e a agente da HYDRA se aproveitou disso, correndo em direção a parede com Skye e usando o impulso para dar dois passos para cima, efetivamente subindo pela parede e girando numa cambalhota, caindo atrás de Skye e usando a força do movimento para torcer o braço da agente da S.H.I.E.L.D, a arremessando violentamente no chão.
Skye ainda tentava se levantar, quando 33 a acertou um chute no rosto, deixando a agente atordoada. Quando Skye deu por si, 33 estava com a arma apontada para seu rosto, com um sorriso triunfante nos lábios.
“Não preciso da sua ajuda...” disse 33 e Skye fechou os olhos, se preparando para o impacto do tiro. Com olhos fechados, a agente não pode ver quando Leon entrou na sala e chutou o braço de 33, fazendo a arma pular para longe novamente e se aproveitando do momento de surpresa para acertar uma cotovelada no rosto da mesma.
“Vai Skye, escolte o Billy e o alvo até o ponto de extração, eu encontro vocês lá!” disse Leon, entrando em posição de combate, no momento em que 33 se levantava.
Skye pensou em ficar e ajudar o parceiro, mas sabia que Leon podia cuidar de 33 e não gostava da ideia de Billy e Raina estarem sozinhos lá embaixo, então ela concordou com a cabeça e passou correndo pela porta.
33 ainda tentou ir em direção a Skye, mas teve de desviar de um dos chutes de Leon.
“Desculpa querida, sua luta agora é comigo.” Disse o agente, já partindo para o ataque novamente, com um chute alto e baixo com a mesma perna, acertando o tornozelo e o rosto de 33, a fazendo cambalear. Skye havia feito um bom trabalho, 33 estava mais cansada e machucada que Leon, e tinha cada vez mais dificuldade em bloquear os ataques do agente. Leon ouviu a voz de May pelo rádio:
“Skye, Billy e o alvo estão seguros, onde você está?” Quando Leon estava prestes a nocautear 33 e responder a May, ouviu vários passos vindo do corredor. Um grupo de assalto da HYDRA, e provavelmente bem armados.
“Eu preciso que venham com a van o mais perto possível do prédio...eu vou precisar improvisar aqui.” Respondeu Leon, tirando do cinto uma granada de fumaça e jogando no chão do apartamento, obscurecendo a visibilidade do time da HYDRA, e impedindo que eles atirassem.
“Terminamos isso depois, querida.” Disse Leon, conseguindo ver a van preta parar embaixo da janela do prédio e então o agente colocou os braços na frente do rosto e saltou pela janela, sentindo o impacto de vidro enquanto caia.
Pelos cálculos de Leon, a queda do segundo andar o colocaria no teto da van, e ele acertou. Infelizmente assim que colidiu com o teto do veículo, Leon sentiu o impacto em seus ombros e costela, o que atrapalhou sua aterrissagem e o fez deslizar até o chão. Assim que se levantou a porta da van se abriu e Skye e Billy o puxaram pra dentro e May ligou o carro, fazendo-os sair pela rua e deixando para trás uma visivelmente irritada agente 33, que os olhava pela janela.
Enquanto dirigia, May olhou Leon e Skye pelo espelho. Skye estava com o nariz e o canto da boca sangrando, enquanto Leon embora não tivesse ferimentos visíveis, estava com a mão na região das costelas. “Bom trabalho, vocês dois.”, disse a agente enquanto Leon e Skye sorriam, tocando os punhos.
“Vem cá..porque Whitehall quer te capturar agora? Da última vez que checamos, ele queria a sua cabeça.” Disse Leon, enquanto Skye estava limpando o canto da boca e o nariz com um lenço cedido por Sam. Raina ficou em silêncio, então foi May quem respondeu:
“Ele deve achar que ela tem alguma informação sobre o obelisco, provavelmente. Talvez como aquela coisa funciona.”
“Está me dizendo que Whitehall tem o Divinador? Então eles não querem me matar...eles precisam de mim.” Disse Raina, com um sorriso confiante.
“E pra que diabos precisariam de você?” perguntou Skye.
“Eu posso segurar o Divinador. Ele lê o seu DNA e reage a isso. Por isso algumas pessoas são transformadas em pedra. Algumas pessoas são dignas do seu poder, outras não. Você vai ver quando segura-lo.” Foi a resposta de Raina.
“Ahn...não, valeu. Não quero morrer sem assistir a nova turnê do Monty Python.” Respondeu Skye com um sorriso desdenhoso.
“Você não morreria...não segundo o seu pai.” Respondeu Raina, e embora os outros agentes esperassem que ela continuasse, a mulher ficara em silêncio pelo resto da viagem.
Duas horas depois – Ônibus
Enquanto o grande avião rumava a caminho de Porto Rico, Skye estava interrogando Raina, mas em um tom de conversa, junto de duas xícaras de café na mesa de jantar do Ônibus. Leon observava de longe, já que Skye parecia estar conseguindo com que Raina se abrisse com ela, e o agente não gostaria de atrapalhar. No momento, conversavam sobre o pai de Skye. O que Leon sabia dele é que foi um médico, que procura pela filha de uma maneira que beira a insanidade e que tem deixado um rastro de corpos pelo caminho. Não parecia ser o sujeito mais simpático do mundo.
Depois de algum tempo de conversa Leon percebeu que Skye se levantou abruptamente, quase derrubando seu café e praticamente correu na direção do sofá onde Leon estava sentado, com uma expressão aflita, enquanto dizia:
“Temos que impedi-los, Leon! Coulson e os outros estão em perigo!”
Leon rapidamente levantou e pediu que Sam ficasse de olho em Raina e os dois correram até a sala de planejamento, onde May estava.
“Nós temos que impedi-los May!” Repetiu Skye, com urgência na voz.
“Acalme-se. Raina pode estar mentindo pra você. Sabe disso.” Respondeu May.
“Mesmo assim, não sei se gostaria de apostar a vida do Phil nisso.” Argumentou Leon, encarando May.
“Raina me disse que o Divinador serve para guiar aqueles que são dignos ao templo. Se aqueles que não forem dignos entrarem no templo...! Temos que avisar Coulson.” Skye parecia ter total certeza do que dizia e Leon já estava com o comunicador a postos, quando May deu o sinal e o agente começou sua comunicação com o time de Coulson.
Foi nesse momento que uma estranha interferência começou a atrapalhar o sinal dos comunicadores, e então uma voz invadiu os alto-falantes do Ônibus.
“S.H.I.E.L.D 6-1-6 não ativem suas defesas, ou serão abatidos imediatamente.”
“HYDRA!” Disse May, enquanto o time voltava para a sala central do avião, no momento que Billy dizia, olhando pela janela:
“Tem aviões da HYDRA em ambos os lados...estamos cercados.” A voz pelos comunicadores continuava:
“Vocês tem alguém a bordo que eu quero. Uma mulher, Raina. Vou enviar meus homens para busca-la. Qualquer tentativa de fuga ou retaliação serão recebidas com fogo hostil.”
May guiou Leon para um canto e disse algo em seu ouvido, que o fez deixar a sala e logo depois se juntou ao resto do time na parte central do avião, todos com suas armas em punho. Skye perguntou, assim que May se aproximou:
“Onde Leon foi?”
“Ele é nosso elemento surpresa. Confie em mim.Vamos nos preparar para a entrega. Eu não vou sacrificar a vida de nós pela Raina, ela não vale isso.”
“Como nos rastrearam?” Perguntou Billy
“Provavelmente pelo rastreador que implantamos em Raina meses atrás...” Respondeu May, com desgosto.
Minutos depois os agentes na sala se encontravam perplexos com a chegada de Grant Ward, junto de um time da HYDRA, para fazer a extração de Raina.
“Primeiro você nos dá o Bakshi...agora se alia a HYDRA de novo? Escolha um lado Ward...” Disse Skye, com desprezo na voz.
“Eu já escolhi, pode deixar. Agora vamos.” Ward disse, apontando para Raina, que apenas sorriu e seguiu seu caminho junto com os agentes da HYDRA. “Você também.” Continuou Ward, apontando para Skye.
“Pro inferno que ela vai com você...” Disse May, apertando mais ainda o punho de sua arma.
“Ela vem comigo, ou a HYDRA derruba o avião...” Disse Ward, confiante.
May permaneceu em silêncio por alguns segundos, mas quando percebeu que Skye parecia pronta a se entregar, para evitar que o avião fosse abatido, colocou a mão em um de seus ouvidos e disse.
“Não vão, não com a Raina aqui. Kennedy, extração. AGORA!”
Antes que mais alguém pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, duas granadas de luz invadiram a sala, deixando todos os ocupantes momentaneamente cegos. Skye então sentiu um par de braços agarra-la, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, ouviu a voz de Leon em seu ouvido:
“Sou eu, vamos!”
Leon puxou Skye pela mão e juntos correram até o hangar do avião, onde ficavam os veículos. Leon parou perto de um deles, coberto com um pano preto, enquanto Skye falava ao seu lado:
“Não podemos abandona-los aqui!! A HYDRA vai tirar a Raina e derrubar o avião!”
“Ordens da May! E você sabe que se tem alguém que pode impedir isso é ela. Ela me deu ordens pra garantir a sua sobrevivência, e é isso que eu vou fazer. A May tem um plano, eu sei disso. E você precisa confiar em mim. Você confia em mim, Skye?” Leon segurou uma das mãos de Skye e a agente não pode deixar de notar o quanto seus olhos exalavam confiança. E confiança era a única coisa que restava a ela, confiança em Leon e May. Skye então apertou com força a mão de Leon e balançou a cabeça positivamente.
“Eu confio em você! Qual...qual é o plano?”
Assim que Skye terminou de falar, Leon puxou o pano preto do veículo, revelando a Lola, um Corvette vermelho anos 50 e o carro de estimação do Diretor Coulson. Ninguém dirige a Lola, ninguém toca na Lola, mas aquilo era uma emergência.
Leon e Skye entraram no carro e a agente acionou o botão que abria as portas do hangar, no mesmo momento em que dois agentes da HYDRA apareceram na porta. Leon rapidamente sacou sua pistola e disparou nos dois, os derrubando no ato, enquanto dava a ré no carro e o deixava escorregar pela rampa, para fora do avião.
Leon deixou o carro cair por alguns segundos até acionar o módulo de voo da Lola (e se a S.H.I.E.L.D conseguia fazer um porta-aviões voar, um carro era moleza.), e com um aperto de botão, acionou a capota do conversível e ligou o sistema de camuflagem, deixando o carro invisível, evitando que fosse rastreado pelos aviões da HYDRA.
Leon e Skye estavam salvos, mas os dois agentes não conseguiam evitar o pensamento de que o plano de May teria que ser muito bom, ou seus companheiros com certeza iriam morrer dentro do Ônibus.
Fale com o autor