O trio de agentes voava em direção a Bélgica, em contato com Coulson, que dizia:


“Eu fiz um acordo com o Senador que estava nos detonando na imprensa. Christian Ward. Nós damos o irmão dele, e ele pode usa-lo pra ganhar votos...”


“Claro, quem não votaria num homem tão íntegro e honesto, que é capaz de levar até seu próprio irmão à julgamento, pelos crimes que cometeu em nome da HYDRA. Ao menos, o Senador pode passar a jogar a nosso favor..” completou Leon, com um tom de desgosto na voz, o mesmo tom que normalmente aparecia quando o agente falava de política, principalmente depois do ocorrido em Tall Oaks.


“Ok, chegaremos na Bélgica logo. Vamos tentar alcançar Beckers antes da HYDRA.” Completou May, no mesmo tom frio de voz de sempre.


“Não preciso lembrar vocês de que se ele for morto, a ONU virá atrás de nós, não importando que o Senador Ward esteja do nosso lado.”


“Sem pressão...”, emendou Bobbi, girando seus bastões enquanto observava o mapa da região em que iriam pousar.


No momento em que desligaram as comunicações, Simmons, Mack, Fitz e Tripp entraram correndo no escritório de Coulson.


“Senhor, nós descobrimos que o design original das bombas de Toshiro Mori foi criado por um cientista da HYDRA na época da Segunda Guerra. O nome dele era Vincent Beckers!” Jemma disparou, falando rápido enquanto Skye, ao ouvir as informações, começara a digitar algo em seu tablet, levando as informações de Vincent Beckers a uma tela grande.


“Vincent Beckers é avô de Julien, e nós acreditamos que a conexão com a HYDRA continua viva na família.” Continuou Jemma, um pouco mais calma.


“Registros de viagem de Julien Beckers e Whitehall...” Começou Skye
“Coincidem pelo menos 12 vezes nos últimos 5 anos. Não pode ser coincidência!” Completou Tripp.


“Isso não faz sentido...nenhum.” Fitz disse, balançando a cabeça enquanto olhava para Mack, que completou seu pensamento:


“Por que a HYDRA atacaria um de seus próprios agentes?”


“Nós fomos enganados! Coloque May na linha, Skye, agora!”


O trio de agentes se surpreendeu ao ouvir novamente a voz de Coulson pelo comunicador.


“Time, nós temos um problema. Fomos enganados. O alvo não é Julien Beckers. Ele é HYDRA. Beckers fingiu estar do lado da S.H.I.E.L.D, oferecendo asilo para nossos agentes de propósito. E eu mandei a equipe da agente Walters para lá...para a segurança dele. É uma armadilha, o time de Scarlotti vai massacrar nossos agentes de surpresa, e quem mais tentar buscar asilo na Bélgica.” Coulson disse, e embora sua voz estivesse calma, Leon podia notar o estresse começando a aparecer.


“Eu vou tentar entrar em contato com a agente Walters.” Bobbi emendou, ficando alguns minutos tentando estabelecer a comunicação, mas completando em um tom preocupado: “Eu não consigo...devem ter bloqueado ou cortado a comunicação, eles já podem estar em apuros.”


“Nós estamos entrando na área. Skye, mande uma mensagem aos nossos agentes, para que evitem a Bélgica.” Leon respondera enquanto checava suas armas. O agente pode perceber a naturalidade com que usara a expressão “nossos agentes” e ficou feliz por estar se adaptando rápido. Gostava dos seus companheiros, da dedicação e do empenho de todos nessa luta tão difícil. Leon não conhecia nenhum agente da equipe de Walters e nem a própria, mas esperava ainda estar a tempo de conseguir salva-los.


“Estamos pousando em 2 minutos, Coulson, eu aviso quando tivermos Scarlotti sob custódia.” Completou May decidida, desligando as comunicações e ativando a camuflagem do jato, para que pudessem se aproximar o máximo possível da área sem serem detectados.


Devido a urgência do momento, não havia tempo para planos. As câmeras do circuito interno do esconderijo da S.H.I.E.L.D onde o time da agente Walters estava havia sido desligado, então não havia nada que Skye e os outros pudessem fazer da base. Apenas torcer.


Leon foi diretamente para a porta da frente, se colocando ao lado do batente e dando três pancadas na porta. Como o agente previu, uma saraivada de balas deixara uma série de buracos na porta da frente.


“Ok, eles estão acertando a porta, vão!” Leon disse pelo rádio e pode ouvir o barulho de vidro se quebrando, quando May e Bobbi invadiram a casa pelas janelas da sala, pegando a maior parte da equipe de Scarlotti pelas costas, cada uma das agentes acertando um dos mercenários da HYDRA. Scarlotti ao ver a chegada das duas, correu para o andar de cima, enquanto Leon entrava pela porta, agora que a atenção havia se voltado para as janelas, chutando a perna de uma agente da HYDRA, fazendo-a ficar de joelhos enquanto desarmava o agente ao lado dela. Os agentes puderam notar vários corpos de companheiros da S.H.I.E.L.D no chão, mortos, enquanto a agente Walters estava recostada em uma parede, com o que parecia ser um ferimento de faca no abdome, mas ainda viva.


May correu para o andar de cima, atrás de Scarlotti, ficando Leon e Bobbi contra os outros cinco agentes da HYDRA. A mulher de joelhos partiu para cima de Leon, tentando um soco que logo foi bloqueado e sendo levada ao chão com um chute no peito de Leon, que tinha a intenção de nocautea-la, mas teve que rolar para o lado a fim de esquivar do chute de um dos mercenários. Bobbi já havia sacado seus bastões, usando-os para bloquear o golpe do primeiro mercenário, acertando-o na perna, fazendo com que se curvasse e saltando por cima dele, a fim de chutar o homem que vinha atrás. Leon e Bobbi então acertaram o mesmo mercenário, primeiro com um soco (e um golpe de bastão no rosto) e depois com uma rasteira, ao mesmo tempo. Fazia muito tempo que não atuavam juntos, mas possuíam uma sintonia de combate muito grande, algo que ambos ficaram felizes de perceber.


Com um dos agentes da HYDRA nocauteados, ficaram quatro contra dois. Bobbi lutava com dois ao mesmo tempo, usando os bastões para bloquear o soco e o chute que vieram em sua direção, segurando o braço de um de seus oponentes e passando um dos bastões pela sua perna, fazendo o mercenário girar no ar e bater com a cabeça no chão, caindo nocauteado. Leon também se defendia de dois atacantes, segurando a perna de um deles, que tentara chuta-lo, torcendo a perna de seu oponente e fazendo-o girar pelo ar e ainda lhe acertando um chute antes que caísse, colocando-o fora de combate.


Sobravam apenas dois mercenários da HYDRA, Bobbi havia acabado de chutar um deles para longe, e foi nesse momento que Leon viu que o homem chutado por Bobbi havia tirado um Splinter Bomb do casaco e no instante em que ele arremessou a arma na direção de Bobbi, Leon trocou de lado com a mercenária que lutava com ele, chutando a mulher na frente de Bobbi, e na direção da bomba. O contato do artefato com a mercenária fez com que seu corpo se desintegrasse e virasse pó, exatamente como acontecera com os membros da ONU no ataque feito pela manhã. Aproveitando a oportunidade, Bobbi saltou, girando lateralmente com os bastões e passando por dentro das cinzas da mulher atingida e acertando a cabeça do último mercenário, o levando a nocaute.


“Salvou minha vida..obrigada.” Disse Bobbi, sorrindo rapidamente, enquanto Leon ia em sua direção, colocando uma das mãos no rosto da agente. “Você tá ok?”


“Uhum...vai ajudar a May, eu cuido da agente Walters”, disse Bobbi enquanto Leon concordava com a cabeça e rapidamente subia as escadas.


Leon chegara no exato momento em que May terminava de chutar Scarlotti no chão. Ela estava com o rosto um pouco machucado e o pescoço tinha marcas vermelhas, mas o mercenário no chão estava bem pior. “Bom, e eu achando que você precisava de ajuda aqui em cima..”


May apenas revirou os olhos e ambos desceram correndo, mas a expressão de tristeza de Bobbi, agachada ao lado do corpo da agente Walters já dizia tudo. Haviam chegado tarde demais para salvar a vida daquela equipe da S.H.I.E.L.D. O único consolo de Leon era de que haviam tirado Scarlotti da jogada. Mas esse pensamento não o fazia se sentir melhor, ainda mais com a quantidade de bons agentes perdidos hoje.


A volta para o Playground foi silenciosa. May já não falava muito de qualquer jeito, e mesmo Leon e Bobbi não conhecendo os agentes mortos naquele dia, era inevitável que sentissem uma sensação de fracasso, ou no mínimo, que sua vitória sobre Scarlotti e seu time de mercenários tenha sido bem amarga. Os dois agentes ficaram no fundo do avião, lado a lado, de mãos dadas, com a cabeça de Bobbi encostada no ombro de Leon, ambos refletindo em silêncio sobre aquele dia.


4 Horas Depois – Playground


Leon e o resto do time já haviam voltado da Bélgica, graças a velocidade incrível do Quinjet. O agente se encontrava no escritório de Coulson, que preparava a papelada para a transferência de Ward.


“Me chamou, Phil?”


“Sei que deve estar cansado, Leon, mas eu gostaria que fizesse algo pra mim...”


Leon concordou com a cabeça e se aproximou da mesa, enquanto Coulson se levantava e entregava a ficha de Ward para ele.


“Vamos transferir a custódia de Ward para o governo, é problema do irmão dele agora e uma equipe do Serviço Secreto está vindo para busca-lo. Eu queria que você acompanhasse a equipe. Como você era um agente do Serviço Secreto, acredito que não vão se importar.”


Leon balançou a cabeça positivamente, completando: “Acha que ele vai tentar escapar?”


“Não sei. Mas ele sabe que o irmão vai tentar joga-lo no corredor da morte. Ele não tem mais nada a perder. Eu não duvido que tente. Por isso quero você lá...”


“Porque não usamos um tranquilizante e colocamos ele pra viajar dormindo?” Questionou Leon, com os braços cruzados.


“Eu pensei nisso, mas o senador Ward quer que as câmeras flagrem o momento do irmão dele sendo entregue a justiça, para que possam ver, publicamente, o grande “herói” que ele é...” Coulson respondeu, com um tom de desdém na voz. Ele não gostava da ideia. Sabia que Ward tentaria algo, mas com Leon indo junto, talvez pudesse impedi-lo.


“Ok Phil...pode deixar.” Leon respondeu, se virando para sair, mas não antes de ouvir Coulson dizer: “Obrigado Leon, sabia que podia contar com você. Eu te encontro lá embaixo.”


Ao descer as escadas Leon seguiu para o hangar de veículos, onde iria ocorrer a transferência de Ward. Enquanto aguardava a chegada da equipe do Serviço Secreto Leon viu Skye se aproximar, com uma expressão apreensiva.


“Você vai com eles, Kennedy? Levar o Ward?” Skye perguntou, mordendo o lábio inferior enquanto se recostava na parede.


“Sim...Coulson me quer lá, caso Ward tente alguma coisa.” Leon viu Skye afirmar silenciosamente com a cabeça, mas ainda o olhava com uma expressão tensa, até que Leon colocou uma das mãos no ombro de Skye, usando o mesmo tom de voz seguro que usava com Sherry anos atrás, quando a menina se preocupava com as missões de Leon: “Não se preocupe Skye, vai ficar tudo bem. Eu sobrevivi a Raccoon City no meu primeiro dia de trabalho. Vamos lá...” Leon sorriu estendendo o punho fechado para Skye, que bateu seu próprio punho no de Leon, dizendo: “Só toma cuidado, tá?”


Skye se afastou, ao ver Bobbi chegar, também com uma expressão preocupada, embora não tanto quanto os outros, talvez pela experiência.


“Não vou pedir pra você se cuidar. Sei que vai fazer isso, mas fica de olhos abertos ok? Ward é tão perigoso quanto você.”


Leon balançou a cabeça positivamente, enquanto os dois agentes davam as mãos.


“Vou estar de volta antes que perceba, e depois só teremos mais uns mil problemas pra resolver antes de consertarmos toda essa bagunça com a HYDRA, mas vamos chegar lá..” Leon sorriu e passou os olhos pelo galpão, percebendo que não havia ninguém prestando atenção neles, o agente se inclinou para frente, juntando seus lábios com os de Bobbi, praticamente roubando um beijo, mas antes que pudesse se afastar, a agente inclinou seu rosto, aprofundando o beijo por mais alguns segundos, até se afastarem, enquanto ambos ouviam a chegada da equipe do Serviço Secreto. Leon então sorriu para Bobbi mais uma vez e foi em direção aos recém chegados, enquanto todos acompanhavam a vinda de Ward, algemado nas mãos e pés e cercados de agentes da S.H.I.E.L.D.


Ward foi colocado na parte de trás de um veículo militar, sentado entre dois agentes em um dos bancos laterais. Leon estava sentado de frente para ele, junto com mais um agente, enquanto outros dois iam no banco da frente, onde havia um vidro à prova de balas, para impedir que quem estivesse na parte de trás do veículo pudesse atingir o motorista.


A calmaria da viagem incomodava Leon e os outros agentes, criando um clima de tensão, pois ninguém sabia o momento que Ward podia tentar algo. O momento veio quando o veículo militar levou uma fechada de um caminhão. O balanço do veículo fez com que Leon desviasse o olhar de Ward para a estrada por alguns segundos e foi nesse momento que o agente ouviu o barulho do prisioneiro deslocando o pulso e se libertando de uma das algemas.


Tudo foi incrivelmente rápido. No momento em que perceberam que Ward estava solto, ele já havia acertado uma cotovelada no agente ao seu lado e empurrado o outro para o chão do veículo. Leon se movera na direção de Ward, bloqueando o chute que o prisioneiro tentara aplicar, ao mesmo tempo que Ward bloqueara o soco de Leon. O agente então acertou uma cabeçada em Ward, ao mesmo tempo que o prisioneiro usava sua outra perna para empurrar Leon de volta ao seu lugar, do outro lado do veículo. Se aproveitando disso, Ward então agarrou o agente que havia empurrado no chão, que tentava se levantar, se colocando atrás dele enquanto pegava a arma do agente e apontava para a cabeça do mesmo.


“Ward, abaixa essa arma! Você não tem chance de sair daqui!” Disse Leon, enquanto os outros agentes apontavam suas armas para Ward, que estava encostado na porta traseira do veículo, usando o outro agente como escudo.


“O único jeito de vocês me pararem, é atirando no seu companheiro...e acho que não vão querer isso. Nós vamos fazer assim, eu abro a porta e saio com ele, e quando eu ver que não estou sendo seguido, eu liberto o agente. Se eu perceber que estou sendo seguido, eu estouro os miolos dele...mas eu quero que perceba, agente Kennedy, que eu não sou o inimigo aqui. Diga a Coulson que ele vai receber um presente meu, logo logo...” Ward dizia enquanto abria as portas traseiras e pulava para fora, ainda usando o agente como escudo.


Leon não poderia acerta-lo sem acertar o agente. Ele sabia que tinha de impedir Ward, mas a qual custo? Se para prender bandidos ele precisaria ter que matar um homem inocente, de que adianta esse trabalho? Leon sabia que deveria atirar no homem e parar Ward, mas desde o ataque na ONU pela manhã, muitos bons homens e mulheres já haviam perdido a vida naquele dia. Leon não iria acrescentar um agente que estava apenas fazendo seu trabalho.


Leon só pode observar enquanto Ward se afastava com o agente refém, se aproveitando do fato de estarem em uma auto estrada relativamente deserta e com vegetação no acostamento. Passaram-se cerca de vinte minutos até que Leon pode ouvir a voz do refém no rádio, dizendo que Ward o havia algemado e que havia fugido. Apesar de saber que o refém estava vivo, de terem capturado Scarlotti e do senador Ward ter ajudado a aliviar a pressão que o exército e o governo faziam na S.H.I.E.L.D, mesmo depois de tudo isso, Leon não conseguia afastar a sensação de que havia falhado duas vezes naquele dia. Por outro lado, o agente também tinha a certeza de que, mesmo que ele não estivesse ali, Ward escaparia, e pior, talvez sem sua presença, ele tivesse matado todos os outros agentes no transporte. Leon iria capturar Ward, mais dia, menos dia, isso o agente garantiu para si mesmo. Estar na S.H.I.E.L.D é ter de tomar esse tipo de decisão difícil e Leon não se arrependera da decisão que tomou hoje.

Notas finais
No próximo capitulo: Escritas alienígenas everywhere!