O Espantalho de Alphic
3 Os guerreiros de Pandora parte 2
John Smith olhava para o céu enquanto a carroça que levaria ele e as outras pessoas para Pandora. Quando soube que Pandora selecionaria guerreiros de toda a Alphic para se juntar ao príncipe, viu a oportunidade perfeita de divulgar seu trabalho. Ao seu lado um homem cheio de cicatrizes, cabelos longos e pretos (aparentava não cuidar dos mesmos), e um pouco mais alto que John.
– O que está escrevendo? — Perguntou ele.
– Um sonho que tive com uma bela mulher, duas garrafas de vinho e uma noite, bem, digamos que muito animada. — Respondeu John.
– Bela história eu presumo. — Deu uma breve risada. — Meu nome é Ícaro , aliás. O que faz você querer ir à Pandora?
– Quando fui informado da seleção de guerreiros, pensei comigo mesmo: "qual será melhor oportunidade de narrar uma história épica?" — Parou de escrever e olhou para Ícaro. — Eu acho, por diversas razões, que você lutará nesta seleção, mas por que razão?
– Se vamos viajar por toda Alphic, presumo que encontrarei meu antigo rival, e terei minha vingança. — Parou um pouco para pensar sobre o que Ícaro recém dissera. — Não apenas vou lutar, como vou ganhar.
Nesta hora ouviu-se risadas vindas de outras pessoas que estavam na carroça. Se consideravam superiores uns aos outros, sendo que a maioria não se conhecia. Um padre levantou sua mão para se anunciar. Ele tem cabelo apenas nas laterais da cabeça, e os mesmos eram loiros, é gordo e estava carregando uma mochila pequena, além de aparentar inocência.
– Quero que saibam, que é apenas uma competição, não podemos levar magoas pelos resultados.
– Pare por ai. — Interrompeu um homem loiro, que estava vestido com roupas de tecido pretas. — Não precisamos de uma palavra sagrada e de nenhum mandamento aqui.
– Não estou aqui para promover a palavra do senhor, tenho em mente a mesma meta de vocês, a riqueza. — O padre então olhou para todos em sua volta, pois um estranho silêncio tomou conta da carroça. — Eu sei que todos querem riquezas, ou até mesmo fama, não adianta negar.
John novamente parou de escrever, e olhou para o padre, provavelmente querendo contrariar. Quando abriu a boca para falar, foi anunciado que chegaram à Pandora.
Fora da cidade tinham várias tendas, talvez pelo fato de que não eram todos que podiam pagar pela mordomia de dormir em uma pousada. A primeira vista a cidade aparentava ser gigante e luxuosa, com imensos portões de madeira e construída basicamente de pedra.
– Luxuosa, não? — Perguntou John à Ícaro.
– Pouco me importo com isso, estou aqui apenas para a aventura.
Após a breve conversa, fez-se silêncio. Enquanto caminhavam, cada um por si e John com Ícaro, por achar algum lugar que pudessem dormir, se depararam com diversas pessoas que aparentavam estar lá pelo torneio, e um olhar de ódio estampado na cara de cada um dos mesmos. Dinheiro, fama, emprego, adrenalina, por que coisas tão simplórias são capazes de gerar ódio entre pessoas que nem se conhecem?
Mais além, Ícaro conseguiu achar um lugar que ainda tinha algum espaço vazio. Foi John que pagou pelo quarto, com a condição de dividir o espaço com ele.
♦♦♦
O príncipe já estava ficando preocupado com a pessoa que chegou as pressas no castelo, pois a mesma estava inconsciente fazia várias horas. Um guarda abriu a porta e anunciou que o convidado havia acordado. Rapidamente os dois desceram as escadas e foram para a ala onde o estranho repousava. Ele estava sentado na cama e com as mãos nos olhos, vestindo a roupa branca padrão de quem está sendo tratado no castelo.
– Seu castelo é magnifico, senhor. — Disse ele.
– Agradeço, mas poderia me dizer seu nome?
– Bem, meu nome é Ulisses, e vim aqui pela aventura. — Ulisses parou de falar, sua cara dava a entender de que estava pensando se deveria continuar falando.
– Aposto que tem algo além da aventura que você deseja.
– Eu quero vingança. — Falou Ulisses seriamente.
– Mas de quem?
– Eu não sei o nome dele, sei apenas como ele é, e acredito que com o progredir da jornada acharemos ele, e completarei meu objetivo. Aliás, você não me disse seu nome, poderia?
– Meu nome é...
Foi interrompido pelo mesmo guarda que avisou o príncipe sobre a chegada de Ulisses, mas que agora viera informar sobre a reclamação de seu povo quanto a quantidade de pessoas que chegara na cidade. "Mas que povo revoltado", foi o que ele estava pensando.
– Fique à vontade, salas de treino estão a sua disposição. — Olhou para uma serviçal. — Dê a ele o que desejar comer e beber, e o leve para um quarto individual. Seja bem vindo, Ulisses.
Ao chegar perto da porta, o príncipe disse para o guarda ficar observando o convidado, e relatar para ele qualquer coisa que pareça suspeita, mas deixando o homem ter sua privacidade.
Sob ordem dele, três representantes do povo entraram na sala de reuniões. É uma sala com a iluminação de três janelas com cortinas vermelhas. A mobilha se resumia à uma grande mesa redonda, com dez ou doze cadeiras à sua volta e um armário pequeno perto da porta. As cadeiras são estofadas e perfeitamente organizadas. Cada um dos representantes e o príncipe estavam em cadeiras longes umas das outras, ficando assim todos em distâncias iguais. Um guarda fechou a porta e ficou do lado de fora, para que ninguém ousasse ouvir.
– Muito bem, por onde começamos? — Perguntou o príncipe.
A discussão levou cerca de meia hora, e trataram de assuntos como economia e alimentação. O príncipe convenceu os representantes de que era bom ter vários visitantes na cidade, e eles saíram pela cidade para espalhar os argumentos para o povo.
Ainda na sala de reuniões, ele olha pela janela e vê que já está escurecendo. Já se foi mais um dia, faltam apenas três.
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