Um jovem espadachim, filho de um carpinteiro, tinha diversas dúvidas sobre qual seria a sua verdadeira vocação na vida. Ele não conseguia encontrar nada em que fosse verdadeiramente bom, e consequentemente, se achava incapaz de continuar a viver em tamanha agonia existencial. Mesmo assim, ele se julgava especial por ter uma espada capaz de decepar um homem com apenas um golpe, e braços fortes para conseguir levantar um bezerro.

Certo dia, ele resolveu fazer suas malas e partir pelo mundo em busca de algum sentido para sua humilde vida. Viajando pelo mundo, o jovem pensou, em um mundo tão vasto, não seria difícil de achar algo em que fosse bom, ainda mais com suas habilidades especiais. O espadachim tentou ser mago, mas achou o sabor das poções muito amargo. O espadachim tentou ser poeta, mas sua mente não era tão aberta. O espadachim tentou ser fazendeiro, mas tinha preguiça de cuidar do celeiro. O espadachim tentou ser amante, mas seu abraço não era tão aconchegante. O espadachim tentou ser soldado, mas não tinha paciência para ser ordenado.

Ao fim de sua viagem pelo mundo, o espadachim se deparou com o homem mais sábio do mundo. Aquele homem poderia dar um caminho para o jovem espadachim seguir, afinal, todos sabem que o homem mais sábio do mundo sabe de tudo.

— Sábio, eu preciso descobrir qual é minha vocação neste mundo – Disse o espadachim, ao se deparar com aquele senhor já castigado pela idade.

— Me diga, jovem espadachim, o que você tem de especial? Perguntou o velho sábio.

— Eu tenho a força nos braços para levantar um bezerro! – Disparou.

— Mas qualquer um, com muito treino, consegue ter força para levantar um bezerro – ponderou o sábio.

— Eu tenho uma espada capaz de decepar a cabeça de um homem com um só golpe! – Berrou o espadachim.

— Mas qualquer espada, se estiver bem afiada, pode decepar um homem com um só golpe – disse o sábio. – O que você tem de especial, jovem espadachim? – Perguntou insistentemente o sábio.

O espadachim foi embora dali em silêncio e triste, pois realmente não havia esperança para si. Após inúmeras tentativas fracassadas e frustradas, e mesmo depois de ter conversado com o homem mais sábio do mundo, o espadachim desistiu. Já que não havia vocação para ele naquele mundo, talvez a morte fosse a melhor opção, de nada valia um homem sem utilidade no mundo. O espadachim se encostou em uma árvore, colocou sua espada em seu colo e esperou ali até que a morte viesse, o que não demorou muito.

Algum tempo depois, um viajante que passava por ali, viu o esqueleto do espadachim encostado na árvore. Seu filho veio logo correndo e perguntando de quem se tratava, o viajante olhou para aquela cena e imaginou o óbvio.

— Era um espadachim, meu filho, percebe-se pela espada em seu colo – começou o viajante, analisando o fio da lâmina. – Deve ter sido um dos mais corajosos e implacáveis espadachins de todo o reino. Com esse tamanho e com essa espada afiada, deve ter salvado vilas e donzelas, enfrentados leões e dragões, lutado pelo rei e morrido após vários anos de batalhas heroicas. Deve ter aproveitado cada segundo de sua empolgante vida de guerreiro.

Notas finais
Talvez poste outros em breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!