O Escorpião E A Rosa
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Rose, recuperando do susto que levara, olhou-o com azedume e respondeu.
– Eu sabia, foi só um lapso ao chama-la de coruja. — sabia que era mentira mas sentia que tinha que impedi-lo de saber que a tinha superado em mais alguma coisa, sabia que era ridículo pensar assim mas sentia que tinha mostrar que sabia mais que ele em relação a tudo, e não conseguiria isso se ele soubesse que ela não tinha conseguido distinguir uma coruja de um Mocho-Real.
– Ah. — Disse ele parecendo pouco interessado no que ela tinha dito, e no minuto seguinte falou. — O que você estava fazendo?
– Ora, era óbvio! Estava dando comida para elas!
– Mas você sai por aí assim alimentando os animais dos outros? — Perguntou ele indo acariciar o seu Mocho- Real que agora dava toda a sua atenção ao dono.
Ela abriu a boca espantada e depois perguntou como se já soubesse a resposta.
– Essa coruja é sua?
– É um Mocho-Real. — Repetiu ele sem tirar os olhos de Enzo.
– Isso! — Disse ela irritada por estar sendo corrigida por ele pela segunda vez em menos de dois minutos.
– Sim, ele é meu. — prosseguiu ele como se ela nem tivesse falado. — Se chama Enzo.
– Bem... eu não saio por aí alimentando os animais dos outros como você falou. Apenas a sua coruja... quero dizer... o seu Mocho-Real quis comer um pouquinho dos biscoitos que eu tenho trazido para a minha coruja.
Só nesse momento o rapaz notou a coruja branca que estava a centímetros dele. Reconheceu-a de imediato, era a coruja que vira na noite em que chegara a Hogwarts, aquela que cruzou com o seu Mocho-real.. Recompondo-se do choque, disse.
– Bem estranho isso?
– O quê?
– O Enzo aceitar comida de estranhos. Eu ensinei ele a rejeitar toda a comida que alguém que não seja da minha família lhe possa oferecer, mas com você... ele me desobedeceu.
– Porquê é que você ensinou isso para ele? — Perguntou ela cruzando os braços sempre mantendo a sua postura irritada. — Ah, espera... já sei... só sua família puro sangue é que pode tocar na sua coruja... e o facto de uma filha de uma nascida trouxa que nem eu tocar nele pode infecta-lo!
Ao ouvir aquilo, Scorpius sentiu o sangue a ferver de raiva, mais uma vez estava a ser julgado por ser filho de quem era, e aquela menina nem o conhecia, nunca lhe passara pela cabeça ficar chateado por ela ter alimentado Enzo, tinha apenas feito uma pequena afirmação, pois Enzo só o tinha desobedecido em relação a ela.
– Não é nada disso. — disse ele tentando manter a calma. — Só estava dizendo que eu ensinei ele a não aceitar comida de estranhos e ele nunca me tinha desobedecido, excepto com você!
– Ué? Mas ensinou isso para ele porquê?
– Porque eu tinha uma coruja antes e ela foi envenenada ao ser alimentada por um estranho! — disse ele conseguindo manter a calma.
Aquilo não era de todo algo que ela estivesse esperando, quando ele disse isso, ela perdeu a sua postura rígida e ficou sem reacção.
– Eu... — começou ela.
– Fiquei destroçado.
–Quantos anos você tinha?
– 7. Não entendia, porquê é que alguém iria fazer algo assim?
–Talvez... ele tivesse algum tipo de aversão a corujas...
– Foi o que eu pensei... mas mais tarde eu percebi que não era isso.
– Então era o quê?
Ele abriu a boca para falar, mas no minuto seguinte desistiu da ideia, levantou-se entregando um pregaminho a Enzo. Olhou para Rose e disse.
– Não vale a pena falar disso com você.
Depois disso ele deixou sua coruja voar em direcção a sua mãe a quem mandara uma carta a pedir mais meias (sem saber como ele perdia todos os pares) calça e camisas já que ainda não parara de crescer. Quando deixou de ver Enzo, fez menção de sair.
–Espera....
– Pensei que você odiava falar comigo por mais de 5 minutos.
Ela ficou quieta sem falar nada, se fosse antes ficaria super irritada e mandaria ele para o quinto dos infernos, mas a revelação que ele fez anteriormente impedia-a de irritar-se sem sentir um onda de remorso e compaixão posteriormente, não sabia o que faria se alguém envenenasse Abby.
–Bem... — começou ela. — porque você acha que não vale a pena falar disso comigo?
– Porque não vale... nem com você, nem com ninguém.
– Mas porquê?
– Porque nesses meus 14 anos de vida aprendi que a gente acaba sempre sendo julgado por aquilo que os seus amigos e familiares fizerem, não importa quem você seja, que você seja diferente da pessoa que fez isso, se você está ligado a eles, todo o mundo te mete no mesmo saco que eles, e você acaba sendo julgado sem sequer ter feito nada.
Ele desceu as escadas logo em seguida não dando oportunidade para Rose responder, e deixando-a completamente confusa se perguntando o que queria ele dizer com aquilo. Ficou alguns segundos quieta ainda olhando para o local em que Scorpuis estivera segundos antes, depois decidiu descer, estava ficando tarde e decidiu ir para o dormitório.
Quando entrou no quarto comunal encontrou Lily muito aflita rabiscando em alguns pregaminhos.
– O que é que você está fazendo?
– Deveres.
– Porque é que você não fez antes?
Lily olhou para a prima e disse.
– Por favor, não estou afim de ouvir sermão!
– Não te vou dar sermão nenhum. Só acho que se você não tivesse deixado tudo acumular...
– Eu deixei acumular porque... primeiro eu estava com preguiça, e segundo....- ela olhou para os lado. — Estive treinando para as provas de Quadribol.
– Você vai mesmo participar?
– Vou....
– Como apanhadora?
– Não! Eu te falei no jantar.... como artilheira.... mas quero dar um susto no Tiago...
– Ah é verdade... a sua pequena vingança.
Lily voltou a se concentrar nos deveres, sentindo pena da priminha mais nova Rose disse.
– Quer ajuda?
– Sim! — Falou ela rapidamente como se estivesse desejando aquilo há muito. Rose se sentou do lado dela e começou a ajuda-la.
Passado algum tempo apareceu Dominique que vinha com um ar muito desarrumado.
–Onde você estava? — Perguntou Rose. — Olha só para você.
Dominique corou um pouco.
–Ah... por aí.
Lily, no entanto, riu-se baixinho.
– Você sabe onde ela estava Lily?
– Eu não sei onde ela estava, mas sei com quem ela estava...
– Com quem?
Dominique, quase saltou para o local onde Lily estava e tapou a boca dela.
– Não sei como é que você sabe , mas não fala nada Lily...
Lily olhou para a prima como se estivesse desafiando-a com o olhar.
– Eu faço o que você quizer. — Disse Dominique quase implorando e destapando a boca da prima.
Lily olhou maliciosamente para a pilha de trabalhos de casa. Entendendo tudo, Dominique suspirou pegando o primeiro pregaminho.
– Me entrega tudo amanhã de manhã. — Disse a pequena Potter subindo as escadas para o dormitório felicíssima da vida.
Rose curiosa disse.
– Se você me falar com quem estava eu te ajudo a fazer isso.
Dominique olhou para ela e disse.
– Não preciso, obrigada.
– Nesse caso, boa sorte! — Disse Rose subindo e deixando a prima atolada em deveres que nem eram dela.
Quando se deitou as palavras de Scorpius voltaram a memoria de Rose, que queria ele dizer com aquilo? O que é que aquilo tinha a ver com o facto de terem envenenado a coruja dele? Tinha percebido em parte o que ele queria dizer com aquilo, ele tinha sido sempre descriminado por ser filho de Draco Malfoy, apenas por isso, e ele não tinha culpa nenhuma disso. Mas não via como é que aquilo estava ligado com a coruja envenenada. Porque é que ele achava que não valia a pena falar disso com ela? Rose deu meia volta na cama com essas perguntas na cabeça, até que ela se lembrou de uma coisa que a fez se levantar imediatamente. Ultimamente, ela tratava ele muito mal , pelas razões mais absurdas, e ele que estava acostumado a ser sempre rejeitado por ser um Malfoy, naturalmente pensou que era por isso que ela o detestava. Mas não era isso, ela não o tratava mal por causa disso, até porque achava isso um absurdo. Tinha que falar com ele e esclarecer isso imediatamente.
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