O Escorpião Escarlate
2 O encontro no beco
Notas iniciais
peço desculpas pela demora para postar esse capitulo,mas meu tempo anda escasso e ainda tenho que atualizar minnha outra fic " uma segunda chance", então peço um pouquinho de paciencia a todos. agora chega de conversa e vamos a mais um capitulo de o escorpião escarlate.
Despertei com o barulho estridente do despertador. Não sentia nenhuma vontade de levantar naquela manhã, talvez pelo fato de que ainda não aceitava seguir em frente com a recente morte de meu pai. Eu não estava muito certo sobre o que fazer a partir de agora.
No entanto me obriguei a levantar da cama. Não queria correr o risco do Dite aparecer por ali armando um escândalo ensurdecedor, e pregando um inflamado discurso sobre depressão e seus efeitos colaterais para a saúde física e mental. Definitivamente era tudo do que eu não precisava no momento.
Me arrastei até o banheiro para tomar um banho e fazer minha higiene matinal. Tentei não focar minha atenção nos objetos de uso pessoal de Degel que ainda se encontravam espalhado na bancada da pia, ou acabaria voltando a me enfiar debaixo das cobertas e mandando o resto do mundo as favas.
A água do chuveiro estava fria, em contraste com o dia aparentemente ensolarado que se mostrava como um prisma através da janela do banheiro. Fechei os olhos permitindo que a água me banhasse por inteiro, enquanto o ar frio que vinha de fora fazia minha pele pálida se arrepiar de frio.
Eu já comentei que vivo em um apartamento? Pois é moro em um pequeno apartamento rustico que meu pai havia comprado cerca de dois anos após o mesmo se mudar para Tokio.
Como disse antes é um lugar pequeno. Tinha apenas cinco cómodos, que consistia em uma sala, um banheiro, uma cozinha, e dois quartos. Para mim era perfeito, pois comportava tudo o que eu precisava, o que não era muito. Mas acima de tudo aquele diminuto espaço, feito de metros quadrados guardava minha história, e as mais caras lembranças que tranquei a sete chaves no subsolo de minhas memórias.
O único inconveniente era que o meu apartamento, que havia acabo de adquirir como herança, se localizava na zona norte da cidade. O que significa que diariamente durante seis dias da semana eu tinha que embarcar em dois ónibus até a faculdade, e claro, não se esqueça de que o mesmo vale para o trajeto de volta.
Eu não tinha o hábito de ingerir nada como desjejum durante manhã, com a rara excessão de um café extra forte. Mas não sentia apetite algum desde o enterro na semana passada. O simples cheiro de comida me causava náuseas .
Sai do chuveiro e caminhei de volta para o quarto. Se não quisesse me atrasar para a faculdade teria que me apressar, não seria propício perder mais um dia de aula. Afinal eu era bolsista e deveria ter cautela para não acabar perdendo este benefício adquirido com muito esforço e estudo. Tá certo que não fora algo tão difícil assim de ganhar, já que minhas notas sempre foram no mínimo impecáveis. O que me rendeu apelidos torpes como “ nerd” ou “ rato de biblioteca”, mas em todo caso era melhor prevenir do que remediar.
Me vesti apressadamente e amarrei os meus longos cabelos cor de sangue em um rabo de cavalo. Ouvi meu telefone celular tocar quando já estava de saída . Não era preciso conferir para saber que se tratava do Dite, afinal ele era o único que possuía o meu numero, não me dei ao trabalho de atender, apenas o coloquei no modo silencioso e o depositei no bolso da minha calça antes de sair pela porta.
Cheguei a faculdade bem em cima da hora, devido a um congestionamento em uma das avenidas principais do centro da cidade. Felizmente ainda tinha alguns minutos disponíveis antes da primeira aula começar, que eu evidentemente aproveitaria para colocar as matérias em dia. Só esperava não ter perdido muita coisa nesta semana de ausência. Mas não tinha muitas ilusões quanto a isso , cinco dias de aulas perdidas em uma faculdade japonesa , equivale a semanas correndo atrás de provas perdidas , testes não feitos e trabalhos negligenciados . Ou seja, um verdadeiro parque de diversões macabro.
_ Ora, ora... quem resolveu nos agraciar com a sua presença. O mais recente órfão ruivo, sozinho e desprotegido numa cidade tão violenta._ Ouvi uma voz arrastada que para o meu desgosto eu reconhecia muito bem. Me virei dando de cara com Radamantys que me encarava com uma expressão carregada de malícia.
Eu não gostava daquele sujeito, tudo nele me causava asco. Mas por alguma razão desconhecida, ele vivia me perseguindo pelos corredores da faculdade. Por sorte ele era um veterano e este era seu último ano naquela instituição. Não teria de suportar aquele ser intragável a partir do próximo semestre.
Sim! Esse pensamento era animador.
_ Sua preocupação é tocante Radamantys, porém desnecessária. Sei me cuidar devidamente bem sozinho. _ Disse com polidez e uma perceptível nota de ironia. Eu que não perderia meu escasso tempo trocando falsas amenidades com aquele energúmeno com excesso de massa muscular e de caráter duvidoso.
_ Sabe Camus , alguém tão delicado e em uma posição tão vulnerável como a sua deveria tomar cuidado . A final nunca se sabe o que pode acontecer a um doncel sozinho no mundo. _ Disse. E não me passou despercebido a ameaça velada de suas palavras. Sabia que devia ficar em alerta, Radamantys era uma pessoa perigosa e sem escrúpulos moral, que se julgava acima do bem e do mau.
Era de conhecimento público que ele respondia em liberdade a um processo judicial por ter estuprado e espancado um rapaz, que até hoje permanecia em coma em uma unidade de terapia intensiva no hospital central de Tokio. Como era de uma tradicional linhagem da monarquie inglesa e possuía o respaldo financeiro, ele não fora julgado pelo crime de estupro e pederastia. Sim, a vitima era um adolescente de 16 anos de nome Valentine.
Pelo menos era o que dizia os tabloides de jornais e revistas. E pelo pouco que conhecia daquele animal ignorante, atestava veemente que não era sensacionalismo da mídia.
_ É uma ameaça Radamantys? _ Perguntei secamente mantendo a face neutra.
_ Claro que não Camus. Sua desconfiança me ofende, que espécie de homem você pensa que sou? _ Tinha tanta sinceridade nos seus olhos amarelos quanto a de um politico de extenso histórico de corrupção. Sim! Definitivamente era mais seguro dormir com uma cobra peçonhenta enrolada no pescoço, do que creditar nas palavras dissimuladas de Radamantys, e ainda esperar sair ileso.
_ Não o conheço o suficiente para pensar algo risível a seu respeito Radamantys. _Agora era oficial. Eu Camus Versalhes, estudante do segundo ano de história da maior faculdade particular de Tokio, tinha acabado de descobrir um potencial talento a carreira de ator.
_ sim você não conhece ...o que é uma pena. Mas podemos reverter essa situação. _ Disse sugestivamente com um sorriso jocoso que classifiquei como “ altamente repugnante”. Não me dignei a responder a sua irrisória e esdruxela tentativa de aproximação. Será que aquela criatura descerebrada não notava que eu não o suportava? Definitivamente inteligência não era o seu ponto forte.
_ Pense bem Camus você só teria a ganhar._ Acrescentou comum brilho nos olhos que era no mínimo doentio. Eu abominava esse tipo de pessoa, que agiam como se os outros fossem mercadorias a venda em uma loja de exposição. Compráveis e descartáveis.
_ Não tenho nada a pensar Radamantys.. Agora se você me dê licença eu tenho uma aula pra assistir._ Disse de forma entediada, dando-lhe as costas e seguindo rumo ao corredor principal da faculdade. Não me dei ao trabalho de verificar se aquela criatura odiosa disse mais alguma coisa. Sinceramente eu pouco me importava. Sei que não é uma atitude muito educada, ok, não era nada educado. Mas não tenho dúvidas que você iria rever esse conceito se tivesse a má sorte de dividir o mesmo espaço físico com aquele quadrúpede com ares de superioridade.
_ Camus..._arqueei a sobrancelha de forma debochada ao reconhecer Dite andando despreocupadamente em minha direção. Rebolando descaradamente e lançando sorrisos maliciosos para um ou outro cara. Sim, o Dite era gay, e tinha o péssimo hábito de flertar com qualquer coisa que se movesse e usasse calças.
Era notável os olhares lascivos repletos de luxúria que ele recebia enquanto caminhava, ou melhor, desfilava com a pompa de um pavão em época de acasalamento.
_ Camus até que enfim você resolveu aparecer. Eu já não aguentava mais o Shion perguntando a toda hora sobre o seu mais brilhante e promissor aluno._ Shion era um dos professores que completava o quadro de ensino daquela instituição.
Era um homem de atitudes ponderadas e feições serenas que denotava um caráter marcante de alguém que muito tinha a ensinar. Pessoalmente eu o via como um sábio ancião na pele de um jovem e excepcional professor de história. Não julgava e nem dava tratamentos diferenciados aos seus alunos, mesmo se esses fossem donceis, assim como eu, vistos como lixo social ou prostitutos de baixa aquisição.
Eu o respeitava por isso. Pelo fato de ele ser um homem seguro em suas convicções e não demonstrar o mínimo abalo por enfrentar tantas opiniões contraditórias.
Precisava encontra-lo e justificar a razão da minha ausência naquele semana. Não gostaria que ele pensasse que me tornei relapso em meus estudos, até porque ele era uma das poucas pessoas que se mostravam receptivas naquele lugar, e eu não gostaria de perder isso.
Infelizmente de acordo com meu itinerário de aula, eu só veria Shion amanhã no último horário. Então de qualquer forma não havia muito a se fazer, além de esperar até o dia seguinte para me justificar.
_ Hum._ Disse por fim.
_ Nossa Camus! Quanta eloquência_ Ironizou Dite. _ Isso é falta de sexo Camye, uma boa foda resolveria esse problema._ Falou na maior cara de pau.
Nem me dignei a responder a seu comentário vulgar. Na verdade eu já estava acostumado a escutar esse tipo de coisa vindo do Dite. Mas pelo menos agora ele parou de tentar me arrastar a festas e boates de origens duvidosas , o que já era um começo, devo dizer. Provavelmente se cansou de tantas negativas de minha parte para acompanha-lo nesses tipos de lugares, que para mim mais se assemelhavam ao inferno.
Dite vivia dizendo que era incompreensível do porque de um “monumento Frances” como eu, segundo ele, viver em celibato e preferir o isolamento do meu retiro acompanhado de um bom livro, ao invés de aproveitar a vida com tudo o que ela tem de direito.
Mas convenhamos que a remota ideia de eu Camus Versalhes, um sujeito quieto e comportado, monótono até, eu diria. Sabe como é:frio, distante, calado, incapaz de expressar o que sente... se divertindo em umas daquelas orgias que o Dite chamava de festa , era algo tão insanlubre que beirava ao surreal.
_ Afrodite poupe-me de seus comentários inadequados._ Disse secamente.
_ Nossa Camye! Como você esta ranzinza hoje. Oh! Espere você sempre está rabugento._ Falou zombeteiramente. Apenas revirei os olhos de forma entediada, enquanto seguíamos até o última sala no fim do corredor .
_ Até logo Camye. A gente se vê depois. Ah! E tente não congelar ninguém com seus comentários congelantes._ Disse só para me provocar, tenho certeza. Porque mesmo eu não podia mata-lo? Ah! É mesmo, porque ele era meu amigo, e o único só para constar.
Estreitei os olhos em sua direção enquanto ele seguia saltitante para sua aula ,que se não me engano ficava no segundo andar.
A sala de aula já se encontrava cheia quando entrei. Fui direto para o meu costumeiro assento que se localizava na última fileira no canto direito, próximo a janela. Eu gostava daquele lugar, pois não tinha que me preocupar em dispensar falsas cortesias aos outros alunos, que na verdade só me viam como um doncel nerd emocionalmente fracassado, ou como um prostituto host que só conseguira uma bolsa integral por ali prestando serviços sexuais ao reitor pedante.
Não que eu me importe com as medíocres opiniões alheias ao meu respeito, não mesmo. Houve um tempo, não tão distante , que as palavras feriam-me com a eficácia de uma arma letal, me causando magoas e distanciamento das pessoas e do mundo ao meu redor.
Hoje palavras e olhares mordazes se tornaram insignificantes, talvez pelo fato de já estar habituado a esse tipo de recepção. Como uma estátua de mármore congelada, indiferente as criticas cruéis ou ao mais elevado dos elogios, assim o tempo e o desprezo haviam me tornado.
As aulas se arrastaram por todo o período da manhã, numa monotonia tão arraigada que até mesmo eu “ o esteriotipo do aluno perfeito”, tinha que admitir estar entediado. Embora tenha certeza que minha expressão, ou melhor a falta dela, nada dizia.
Ao termino das aulas fui para a biblioteca ,como estava de folga do meu emprego de meio período na parte da tarde no centro comercial de Tokio, eu poderia adiantar alguns trabalhos atrasados e iniciar outros que haviam sido passados hoje.
Passei longa s e exaustivas horas trancafiado naquele espaço dedicado ao conhecimento, fazendo teses e antíteses dos mais variados temas históricos da atualidade. Almoço? Por favor! Eu não dispunha de tempo para dispensar com algo tão banal. Se bem me lembro minha última refeição tinha sido na noite do dia anterior. Não, eu não estava tentando suicídio por inanição, de forma alguma, eu só me encontrava sem tempo e desprovido de apetite.
Eram tantos trabalhos e de assuntos tão complexos que não me apercebi que lá fora o céu já se encontrava tomado pela manto enegrecido da noite, e certamente teria permanecido alheio a este fato se Marin a bibliotecária não tivesse me advertido do adiantar das horas, de maneira nada sutil.
Recolhi todo o trabalho pronto guardando-os na pasta e sai, após me desculpar com Marin pela minha demora, com certeza ela também deveria me achar um maldito rato de biblioteca.
Não havia mais ninguém na faculdade, as portas das salas se encontravam trancadas, assim como a diretoria e a recepção na entrada principal.
Me surpreendi quando constatei que o meu celular marcava 21:45, praguejei em vos baixa, pois isso significava que teria que andar cerca de dois quarteirões para pegar outra linha de ônibus que me deixaria na entrada da estação de metrô.
Soltei um suspiro de aborrecimento enquanto caminhava pelas ruas silenciosas da zona sul da cidade. Me encolhi um pouco sobre minhas roupas sentindo a baixa temperatura daquele noite de outono, e amaldiçoando a minha estupidez por não ter lembrado de pegar um casaco antes de sair.
Era tudo o que eu estava precisando, sofrer um choque térmico causado por hipotermia – Pensei ironicamente.
As ruas iam deserta e esporadicamente um carro, sofisticado, levando em conta a classe das pessoas que moravam naquele bairro, passavam próximo com o motor silencioso. Passei por um casal que se agarrava perto de uma lata de lixo destampada que exalava um odor pútrido de fezes, como eles conseguiam a proeza de ficarem quase se acasalando como animais no cio naquele ambiente asqueroso, era uma incógnita para mim. Talvês eles fossem porcos e apreciassem o chiqueiro
Apressei o passo curto que antes dava, para um mais longo. Virei uma esquina me deparando com um beco que se encontrava envolto pela penumbra. O poste que deveria iluminar aquela local se encontrava apagado. Não era encantador? Você paga uma fortuna como impostos ao governo, e nem iluminação pública você tem como retorno.
Ignorei o escuro e segui andando apressadamente rumo a saída daquele lugar desagradável, quando inesperadamente me choquei com alguma coisa.
Eu nunca saberia ao certo os detalhes de como aconteceu. Apenas que num instante estava terminando de atravessar a rua, e no momento seguinte senti toda a extensão do meu corpo bater de frente com algo sólido, e com força mais que o suficiente para me lançar ao chão pela força gravitacional causado pelo impacto.
_ Caralho! Você não olha por onde anda não? _ Um arrepio que eu desconfiei não ter nada a ver com a baixa temperatura, eriçou os poucos pelos de minha anatomia, quando uma voz grave e de irritação acentuada adentrou os tímpanos dos meu ouvidos.
Ergui bruscamente a cabeça num gesto automático, em busca do portador daquela voz de timbre tão magnético, e me encolhi inconscientemente como um gatinho assustado frente ao predador implacável quando o encontrei.
Porque bem a minha frente se encontrava o homem que deveria ter cerca de um 1,83m de altura, um verdadeiro gigante se comparado aos meus ridículos 1, 66 m. Os cabelos eram de um louro incandescente que iam em perfeitos cachos até pouco abaixo dos ombros. A pele era bronzeada e cobria os músculos salientes que se encontravam parcialmente desnudos por sua blusa preta, que marcava o torso de seu corpo másculo.
Mas o que me fez realmente engoli uma grande quantidade de saliva a seco foi o ar selvagem de seu rosto, os olhos eram de uma tonalidade azul safira, beirando ao cobalto, que naquele momento reluziam num asfixiante brilho assassino, que me fazia desejar que o chão se abrisse e me engolisse até o inferno. Ou que pelo menos eu tivesse uma pá para cavar um buraco e me esconder.
O nariz era afilado que se alinhava com perfeição com as maças de seu rosto saliente, os lábios formavam uma linha dura de escárnio, que lhe dava um ar de crueldade, um conjunto que faria até o mais corajoso dos homens enfiarem o rabo entre as pernas e fugirem apavorados como um rato sujo guinchando pelos esgotos imundos da cidade.
A presença daquele homem era pesada, tornando o ar denso e rarefeito e dificultando a passagem do oxigênio pelos pulmões. Como se o fato de dividir o mesmo espaço que ele minasse minhas forças, tornando-me frágil. Tudo nele desde o olhar que transbordava sadismo até sua postura prepotente era um aviso letal de “ perigo”.
Por um instante fugas tive pena de quem tivesse a desgraçada sorte de ousar se meter em seu caminho, tive a horrível impressão de que estes acabariam sumindo pra sempre do mapa, ou encontrados em uma vala funda com o cadáver mutilado.
_ Desculpe, estava distraído. _ Disse polidamente, escondendo meu medo através de uma máscara de indiferença.
Levantei do chão e me pus a recolher algumas folhas de trabalho que haviam escapado da pasta no momento do impacto, tentando a todo custo ignorar o fato de que aquele homem continuava parado no mesmo lugar me observando, apesar de eu ter acabado de me desculpar pelo incidente.
_ Sabe... andar desatento num lugar perigoso como este é uma atitude corajosa, porém igualmente imprudente. Ainda mais para um doncel tão gostosinho como você._ O ouvir dizer com uma voz rouca que fez meu estômago embrulhar de pavor.
Pelo canto dos olhos o vi me analisando de cima a baixo com uma expressão de fome que não ajudou em nada a diminuir o meu medo. Ignorei seu comentário carregado de lascíva e da maneira obscena que ele me encarava.
Guardei as folhas soltas dentro da pasta novamente, junto com minha identidade, muito mais rápido do que julgava ser possível. Para logo em seguida me virar para sair dali, mas tive meu caminho bloqueado ao tentar passar por aquele homem.
_ Não precisa ter pressa ruivo. Porque não aproveitamos o momento para nos divertimos?_ Disse lambendo os lábios e me olhando com tanta luxúria, que fez meu coração parar uma batida de puro terror.
Estanquei completamente atordoado por aquela situação tão surreal e absurda. Eu não conseguia acreditar que algo assim estivesse mesmo acontecendo comigo.
Era evidente quais eram as intenções daquele homem e eu não conseguia conceber a ideia, mesmo que hipotética, que poderia acabar sendo estuprado e morto por um completo desconhecido numa esquina qualquer do Japão.
Lancei um olhar disfarçado para ele de novo.
Eu tinha que reconhecer que ele absurdamente lindo , de presença intimidadora. Que esbanjava virilidade por cada poro de seu corpo felino. Mas isso era apenas a constatação da verdade , não significava que eu quisesse ser estuprado por ele, não mesmo.
_ Poderia me dá licença?_ falei com uma frieza polar, agradecendo mentalmente a todas as entidades possíveis por minha exímia capacidade de ocultar com perfeição toda e qualquer vestígio de emoção aparente. Tinha certeza absoluta que meu rosto permanecia inalterado, em completa oposição ao desespero que internamente me consumia.
O vi arquear as sobrancelhas de forma sínica, como se tivesse acabado de se surpreender com algo, e se divertisse intimamente com isso. Uma reação que eu não entendi. Por acaso eu havia dito alguma coisa engraçada?
Antes que eu tivesse tempo suficiente para me esquivar fui jogado bruscamente contra a parede, e tendo todo meu corpo imobilizado facilmente por aquele homem.
_ você tem coragem ruivinho. A última pessoa que se atreveu a usar esse tom comigo, teve todos os ossos quebrados antes de eu cortar sua cabeça com uma katana._ Sibilou venenosamente em meus ouvidos. E o meu instinto dizia que ele não estava mentindo, ele era muito bem capaz de ter feito isso mesmo. Estremeci de medo, ciente de minha vulnerabilidade.
Meu deus! Eu estava perdido.
Ele puxou violentamente meus pulsos , para logo em seguida prende-los com uma só mão atrás das costas em um aperto de ferro, que me fez soltar um gemido de dor pela pressão exercida. Ele não havia deixado brechas para uma possível fuga.
Senti ele se alojar entre minhas pernas, separando-as com seu joelho direito, pressionando levemente minha virilha, que para meu completo horror reagiu em contato com suas coxas musculosas.
Me desesperei. Não acreditando no que estava acontecendo.
Maldita hora que resolvi passar por aquela rua. Porque isso estava acontecendo comigo? Não bastava ter acabado de enterrar meu pai? Ou melhor, não bastava eu ter nascido fadado a ser um amaldiçoado doncel, que nem vistos como homens eram? Agora teria que vivenciar um estupro também?
Senti sua língua quente deslizar sobre minha jugular, para logo em seguida descer sobre meu pescoço, mordendo-o e chupando-o com a selvageria de um anima enjaulado.
_Humm....delicioso._ Gemeu ele com voz entrecortada nos meus ouvidos.
Tentei me soltar me debatendo com todas as minhas forças, mas ele nem parecia sentir o meu esforço. Num ato de desespero mordi sua boca com vontade, e tive a satisfação de sentir o gosto ferroso de seu sangue em minha língua.
Em resposta ele puxou bruscamente meu cabelo o torcendo em um aperto doloroso que me fez arfar de dor.
_ Que gatinho mais arisco temos aqui. Acho que vou ter que amansa-lo... _ Disse com uma voz macia limpando o sangue de seus lábios com a língua de maneira libidinosa, e com um brilho sádico nos olhos que me fez ficar mais pálido do já era normalmente.
Fui empurrado novamente contra a parede, com força o bastante para me deixar atordoado e tonto pelo impacto. Sentia sua mão apalpando todo meu corpo agressivamente, se detendo em minhas nádegas. Algo duro roçou em minha coxa, e arregalei os olhos assustado ao constatar que esse “algo” era sua ereção proeminente, que se destacava sobre sua calça escura.
Minha mente sempre tão racional estava em branco. Sabia que era inútil gritar, ninguém me escutaria, e mesmo que escutasse não tinha esperanças de que fossem tentar fazer algo real para me ajudar. Afinal quem liga para um doncel sendo atacado por um maníaco? O mais provável é que dissessem que a culpa era minha. Ou que se eu morresse era uma aberração a menos no mundo.
Essa era uma triste verdade. Eu não tinha ninguém, se eu morresse a única pessoa que choraria por mim era o Dite. E a constatação desse fato nunca me machucou tanto como agora. Sim. A solidão sempre fora a minha mais fiel companheira, eu nasci sozinho, e pelo visto também morreria só.
Tentei afastar esses pensamentos derrotistas de minha mente, se eu quisesse sair daquela situação que mais se assemelhava a um pesadelo precisa usar a única coisa que eu dispunha a meu favor, minha mente.
Uma ideia brilhou como uma luz em meio a tanta confusão e angustia dentro de minha cabeça. Uma ideia que tinha o percentual de 95% de chance de sucesso.
Escutei o barulho do zíper de minha calça ser aberto por mãos hábeis . E foi neste momento reuni toda minha força e apliquei-lhe um potente chute em sua virilha, que há julgar pelo gemido estrangulado que ele deixou escapar, deve ter sido realmente dolorido.
Mas o que realmente me importava é que tive meus braços imediatamente soltos por suas mãos poderosas, enquanto ele se dobrava de dor no chão. Torci para que suas partes intimas tivesse sido inutilizado pelo resto de sua vida, era o que aquele patife merecia. Pensei com mórbida satisfação.
Não consegui evitar a provocação que saiu de minha boca zombeteiramente.
_ Vous avez une bonne nuit._ Disse fazendo uma reverencia debochada.
Os olhos dele me encarravam possessos de fúria, me dando a certeza de que se ele me pegasse eu estaria fodido.
Literalmente.
Ele rosnou irado e tentou se levantar, e essa foi a deixa para eu virar as costas e correr o mais rápido que minhas pernas conseguissem, como se mil demônios me perseguissem. Não me recordo de ter corrido tanto em toda minha vida, mas também não era como se eu tivesse passado por uma situação semelhante antes.
Só parei de correr quando entrei no primeiro ónibus que estava passando, e então pude realmente suspirar aliviado.
Mas uma coisa era certa, aquele homem era perigoso. Sorte que tokio era uma grande metrópole e as chances de me esbarar com ele novamente eram praticamente nulas. Eu não queria nem imaginar o que ele faria comigo caso ele conseguisse colocar as suas mãos em mim.
Me arrepiei de pânico com essa pensamento.
Me dei conta de que minha pasta com meus documentos não estava comigo, provavelmente havia ficado naquela rua, mas eu não voltaria lá nem por um decreto, ou ameaça de morte.
Mas e se aquela homem tivesse achado a pasta?
Meu sangue congelou nas veias e a cor sumiu do meu rosto com esta possibilidade.
Eu definitivamente estava perdido...
Notas finais
bem meus lindos espero que tenham gostado e desde já adianto que daqui para frente a história vai realmente esquentar.
beijos e até o proximo capitulo.
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