O Escorpião Escarlate
4 Entregando-se a um assassino
Notas iniciais
Depois que o tal Milo saiu, garantindo que eu não fugiria em velocidade ultrassônica pela porta do quarto, trancando-a pelo lado de fora. E sabendo que a janela também não seria uma possível rota de fuga. Há não ser que quisesse ganhar um atestado de óbito por me jogar de uma altura nada promissora de aproximadamente 18metros de altura. Permaneci por um longo tempo parado no mesmo lugar, como um zumbi anestesiado olhando para o teto branco com a expressão vazia de um cadáver oco.
Não saberia dizer quanto tempo tinha se passado parado ali, encostado naquela parede fria como um boneco de trapos inanimado em estado vegetativo. Horas? Minutos? Essas eram perguntas das quais eu, o nerd emocionalmente fracassado, jamais conseguiria responder. Naquele momento o tempo não era um fator relevante. Na verdade ele era um inimigo cruel que quanto mais avançava em marcha fúnebre em minha direção, em passos sem freios, selava irremediavelmente meu destino em matizes opacas e em tons de cinza.
Um espasmo agudo de medo atingiu-me vertiginosamente ao escutar o barulho intrépido da porta sendo destrancada. Era o som que mais temia ouvir. Pois significava que o tempo concedido por aquele criminoso AL Capone para escolher entre fazer sexo com ele por decisão consensual ou sofrer um estupro doloroso de proporções inimagináveis, havia acabado de se extinguir.
Mon dieu! Até que ponto essa situação defasada poderia piorar?
De repente se jogar pela janela daquela altura não parecia uma opção tão ruim assim. Talvez eu quebrasse apenas uma perna com o impacto... os dois braços... e os dentes. Certo! Melhor ignorar essa ideia. Suicídio ainda não era uma opção a ser considerada.
Porém para o meu alívio e o bem de minha sanidade não foi o patife loiro que se materializou no quarto. Não que isso tenha atenuado a preocupação latente por minha integridade física e psicológica, não mesmo. Afinal o cara que tinha acabado de adentrar o cômodo ostentava um sorriso jocoso perturbador de quem vivia armando ciladas sorrateiras. Era o tipo de pessoa que se você tivesse bom senso não lhe daria as costas de jeito nenhum.
Ele parecia tão perigoso quanto o Milo.
_ Então é você o ruivo que o Milo tentou comer a noite, e conseguiu a façanha de escapar das garras venenosas do assassino mais temido no submundo de todo o continente._ Disse com uma expressão que oscilava entre o divertido e a admiração.
Meu coração falhou uma batida quando processei a palavra ‘assassino’. Eu não deveria esta tão surpreso assim com essa informação. Já que havia ficado claro desde o início que aquele loiro sádico era algo muito pior que um mero violador de jovens em becos escuros. Entretanto ter a confirmação patente dessa verdade, lançada de maneira tão casual por aquele estranho de sorriso fácil. Era para se dizer no mínimo aterrador. Se ainda tinha alguma remota esperança de sair incólume da realidade caótica que me encontrava, ela havia acabado de se esvanecer em cinzas bem diante dos meus olhos naquele exato momento.
Eu estava perdido e completamente a mercê de um assassino inescrupuloso. Que não exitaria em me matar tão logo satisfizesse sua libido.
_ Trouxe algo para você comer a mando do Milo. Não seria divertido pra ele se morresse de fome antes de leva-lo pra cama _ Explicou me olhando com malícia a razão de estar ali naquele quarto, ou melhor cativeiro.
Somente agora notei que ele carregava uma bandeja de prata repleta de alimentos pouco saudáveis como: sanduiches, refrescos, fatias generosas de bolo, requeijão, doces e pães.
Para o meu total constrangimento meu estômago rugiu faminto em vista daquela refeição. Mas quem poderia me culpar? Afinal não me alimentava adequadamente desde o enterro do meu pai, a cerca de uma semana atrás. E hoje particularmente a única coisa que havia ingerido era uma xicara de café amargo como desjejum.
Vi o estranho arquear uma das sobrancelhas de forma avaliativa, e me lançar um sorriso enviesado carregado de deboche. Cheguei a conclusão obvia que ele devia ter ouvido o barulho desagradável e inconveniente feito pelo meu estômago. E agora provavelmente estava pensando que eu era um morto de fome.
Ele depositou a bandeja em uma pequena mesa circular e em seguida se virou me olhando com uma curiosidade indefinível em sua face. Com se tivesse acabado de se lembrar de algo extremamente importante.
_ Sabe, tem uma coisa que ainda não consegui entender direito. Como um doncel de aparência tão delicada como você conseguiu a proeza de escapar por entre os dedos do Milo? _ Perguntou intrigado franzindo o cenho numa feição cética que dizia claramente que aquilo era impossível.
Pensei seriamente em ignora-lo. Eu não precisava dispensar uma educação polida com um desconhecido que compactuava ativamente com um criminoso que me mantinha como prisioneiro em cárcere privado. E que talvez nem deus soubesse o que pretendia fazer comigo além de me estuprar, não é mesmo? Quer dizer! Eu ainda não sofria de síndrome de Estocolmo manipulado psicologicamente por seus sequestradores, que agia como uma marionete sem vontade própria.
Entretanto retrocedi com a estratégia de se passar por mudo e surdo notando que ele permanecia parado no mesmo lugar com a expressão relaxada e as mãos enfiadas casualmente dentro dos bolsos da calça. Numa postura despreocupada que dizia de forma muda e calculada que ele dispunha de todo o tempo do mundo se fosse necessário, até me dignar a dar-lhe a resposta desejada.
_ Eu ... o chutei. _ Verbalizei por fim relutante. E desejando que ele não fosse indiscreto o suficiente para questionar onde exatamente eu o havia chutado. Me remexi em desconforto e embaraço mediante a ideia de ter de ser mais especifico na minha resposta evasiva.
_ Está me dizendo que escapou do Milo... o chutando? _ Questionou pausadamente frisando a palavra ‘chute’. _ Que diabos de chute foi esse que deixou o escorpião frouxo o bastante para que um frágil doncel conseguisse lhe passar a perna? _ Eu já deveria saber que é inútil esperar sutileza de um bandido que obviamente desconhecia o significado da frase ‘ invasão de privacidade’.
Sim! Definitivamente era mais fácil e promissor esperar sutileza de um rinoceronte manco em uma loja de porcelana, do que recato moral de um meliante vulgar diplomado com honras na arte da criminalidade.
O que iria responder agora pra aquele maldito infeliz que permanecia plantado como um poste público na minha frente, aguardando em evidente curiosidade mórbida uma resposta satisfatória que sanasse sua pergunta impertinente, do qual obviamente não iria rebaixar a dar-lhe?” Ah! Sabe o que é? Eu golpeei propositalmente uma parte vulnerável de sua anatomia. E há julgar pelo volume extratoferíco de sua calça ele deveria ser uma cavalo superdotado”. Meu rosto esquentou furiosamente só de imaginar em verbalizar algo tão insipido do gênero.
De qualquer forma não foi necessário responder a sua pergunta inadequada. Ele olhou pro meu rosto, que decerto se encontrava vergonhosamente carmim devido pensamentos impróprios e arregalou os olhos azuis escuros em completa descrença ao deduzir adequadamente onde eu o havia chutado.
_ Puta que pariu! Você chutou as bolas do Milo e ainda sobreviveu pra contar história? _ Seus olhos mostravam choque mesclado com incredulidade.
O silêncio que envolveu o quarto foi rompido pela gargalhada estrondosa daquele troglodita desprovido sanidade mental. Ele ria-se tanto que lágrimas escorriam pelo canto dos olhos e parecendo ter dificuldade para respirar. Desejei ser invisível e evaporar pela fechadura da porta na velocidade de luz.
_ Eu já sou seu fã ruivinho. A proposito pode me chamar de Kanon. _ Articulou se apresentando após de recuperar do acesso de risos.
Eu não conseguia deixar de pensar que ele devia ter um senso de humor negro e distorcido por se apresentar de forma tão casual. Como se eu fosse apenas uma visita passageira trocando amenidades frívolas na casa de um velho amigo. E não um refém desarmado prestes a sofrer um estupro nas mãos de um assassino desconhecido.
Será que isso ainda podia piorar?
_ Já vi que não é muito de conversa. Mas eu realmente gostei de você, só por ter tido coragem de chutar o pau daquele escorpião filho de uma prostituta do cú arrombado. Por isso o aconselho a não tentar lutar contra ele, ou pode acabar se machucando seriamente no processo. Milo é um dos homens mais perverso e temido de todo o país, não é em vão que ninguém quer ter o azar de cruzar o caminho dele._ Decretou sombrio numa postura relaxada que não combinava em nada com o aviso mórbido por de trás de sua sentença.
O olhar obsceno que ele me enviou transmitia claramente os disseres “vai ter que abrir as pernas e deixa-lo te comer se não quiser ganhar uma passagem carimbada e só de ida para o inferno”.
Mas que merda de conselho descabido fora aquele? Aquele boçal infeliz era louco?
Ouvi o barulho alto da porta se trancando e percebi que estava sozinho novamente naquele ambiente claustrofóbico. Não que eu estivesse reclamando, afinal antes só do que mau acompanhado. Além do mais precisava pensar seriamente qual atitude deveria ser tomada quando aquele criminoso adentrasse aquele recinto.
Massageei minha têmpora prevendo uma enxaqueca fenomenal a caminho e deixei um suspiro derrotado escapar de meus lábios ressecados ao constatar que não havia tempo e nem muito a se pensar.
Sentei na pequena cadeira circular frente a mesa com a bandeja de alimentos. Meu estômago roncou novamente. E apesar de ter cogitado a hipótese daquela refeição estar envenenada com arsênico ou outra substancia igualmente nociva, me rendi ao apelo da fome que me consumia num processo lento e voraz causado por inanição a longo prazo. De qualquer forma seria extremamente estúpido enfrentar aquele filho perdido de satã fraco e de barriga vazia. Eu precisava de glicose na corrente sanguínea e energia calórica se quisesse sobreviver naquele covil de mafiosos.
“Ok! Pense imparcial e racionalmente na melhor estratégia a ser seguida em base nas opções disponíveis”. Ordenei a mim mesmo tentando miseravelmente colocar ordem e silêncio no caos tumultuado dos meus pensamentos incoerentes.
Certo! Eu precisava reconhecer que as possibilidades eram limitadas, isso para não dizer nulas e ineficientes. Pular da janela parecia uma ideia promissora... se logicamente no processo não acabasse tendo o pescoço quebrado. Se esconder naquele espaço limitado era inútil e excepcionalmente indigno. E bem, me humilhar vergonhosamente como um maricas covarde em crise de colapso nervoso, era uma hipótese degradante ao extremo para se quer ser remotamente cogitada. E se havia uma coisa que eu, Camus Versalhes não era, é um rato sujo e covarde que se alojava em galerias subterrâneas de esgotos se alimentando de resíduos fecais e lixo pútrido.
Cair lutando ferozmente era honrável. E porque não acrescentar magnânimo? Oras! Eu lutaria bravamente... e morreria rapidamente. Ainda era bem fresca a memoria de como aquele bastardo loiro me dominou com uma facilidade revoltante na noite anterior. E eu não gostaria de acabar subjugado por aquele cretino novamente, não mesmo, muito obrigado.
E por último e não menos importante. Acatar sua ameaça e me entregar a ele por livre e espontânea vontade aquele assassino.
Um calafrio que eu desconfiei seriamente não ter nada a ver com a rajada de vento frio que adentrou pela janela esvoaçando a cortina, eriçou os pelos da minha nuca com essa última opção.
Será que ele me deixaria partir se conseguisse o que queria? De preferencia vivo e em perfeitas condições físicas?
Sim! Porque quanto à parte psicológica eu não tinha ilusões de sair ileso. O mais provável é que precisasse frequentar periodicamente pelo resto da minha vida, que eu começava a suspeitar não ser tão longa assim, consultas regulares com algum terapeuta do hospital publico da zona norte.
Talvez eu devesse apenas parar de tantas conjunturas infundadas e me entregar a ele sem meandros e tanto drama inútil que decerto não me levaria a lugar algum naquela situação. Provavelmente seria até menos doloroso e traumático do que ser penetrado contra a vontade e acabar tendo uma hemorragia anal. Não era o Dite que vivia proclamando aos quatro ventos que pela porta de trás todo mundo era igual? Afinal de contas se fosse tão ruim assim não haveria um número tão alarmante de gays espalhados pelo mundo afora.
E bem, isso era um problema de proporções cabalísticas. Porque definitivamente eu não fazia parte do percentual altíssimo de homossexuais nas estatísticas falhas do governo. Não que tivesse preconceito ou algo do gênero, de forma alguma, devo acrescentar. Apenas não se tratava de minha orientação sexual, apesar de ser um doncel e 99,99% das pessoas acreditarem erroneamente que seres como eu são obrigatoriamente os passivos submissos de uma relação gay.
Não é irônico a capacidade infinita dos seres ditos evoluídos mentalmente em serem tão mesquinhos em seus conceitos primatas e contraditórios?
Na verdade eu não me enquadrava em nenhum parâmetro pré-definido no requisito sexualidade. Pelo fato tíbio de minha vida sexual ser inativa, portanto sem uma base especifica para comparações que me fizesse chegar a um consenso adequado sobre o assunto.
Não sentia atração por mulheres. Mas também não me atraia em nada corpos masculinos. Olhando por essa ótica o mais provável é que me enquadrasse perfeitamente na categoria assexuado e frígido. Sabe como é: sem vida pessoal, frio, e ainda virgem aos 20. E não! O atual status de minha vida monótona não me desagradava em absoluto, e eu realmente apreciaria se continuasse exatamente assim depois dessa maldita noite.
A perspectiva de ser sodomizado por um lunático acostumado a matar como se fosse tão normal como acabar de constatar que o céu é azul, fazia com que gelo corresse pelas minhas artérias destruindo células e neutralizando o córtex cerebral.
Não que realmente fizesse diferença. Afinal ele havia deixado claro e sentenciado que independente da escolha tomada. Fosse essa afirmativa ou não, ele teria sua vontade prevalecida. E eu não conseguia definir o que era menos horrível. Ser estuprado como uma boneca inflável de plástico descartável ou permitir consensualmente que ele me usasse como uma rameira vulgar de beira de estrada.
Seria ingenuidade minha esperar que ele voltasse atrás ou que tenha se esquecido de minha presença na casa? Talvez ele tenha caído em si e percebido que sua atitude era ilegal e antiético. Ou quem sabe ele não tenha sofrido um ataque fulminante ou avc cardíaco e tenha morrido, enquanto estou aqui divagando inutilmente sobre assuntos complexo desprovido de racionalidade lógica. Certo, estou sendo otimista, é evidente que eu não teria tanta sorte assim.
Como que para confirmar veemente minha capacidade assombrosa de atrair desgraças iminentes a porta do quarto foi aberta novamente. E não! Não era o tal Kanon de sorriso fácil e jocoso trazendo consigo uma nova bandeja alimentícia repleta de porcarias calóricas e gordurosas. E sim um loiro alto de presença assustadoramente asfixiante, andar cadenciado e astuto. Como uma serpente peçonhenta rodeando de forma lasciva e traiçoeira seu banquete suculento.
E bom, há julgar pelo olhar faminto que me devorava descaradamente, havia poucas duvidas de quem seria o banquete...
_ O que você decidiu ruivo? _ Indagou cinicamente aquele sequestrador desgraçado. Como se tivesse me dado um vasto leque de escolhas, e não me ameaçado de abuso sexual.
Um espasmo letárgico de medo atingiu-me em cheio, e um nó se formou em minha garganta, tornando-me mudo. A aura opressora daquele homem era por demais sufocante, ao mesmo tempo que era estranhamente magnética. De certa forma , era sorte que eu estivesse sentado inexpressivamente em uma cadeira, caso contrário, minhas pernas bambas não conseguiriam sustentar o peso morto de meu corpo.
Seu olhar encontrou-se com o meu e senti-me sugado por aquelas orbes azuis tão intenso. Dentro de mim não havia sequer cacos de coragem que pudessem ser reunidos, dando-me a oportunidade para que as palavras que definiria irremediavelmente os acontecimentos daquela fria noite de outono, e talvez o resto de minha vida, saíssem como uma cacofonia sentenciada de minha boca.
Eu já havia tomado uma decisão. No fundo, na verdade, nunca houve desde que tinha sido jogado naquele quarto cinza, como um prostituto em cumprimento de sua profissão, uma escolha. Eu apenas protelava o que já sabia ser inevitável. Iludindo-me com esperanças vãs.
Se eu tinha certeza? Não, eu não tinha. Certezas naquele momento era um artigo de luxo que eu evidentemente não possuía. Uma palavra fugaz, que fui obrigado a riscar do meu dicionário provisoriamente. Não havia certeza de absolutamente nada. Nem mesmo se estaria respirando vivo após aquela noite. O tal kanon não tinha dito que ele era um assassino cruel do submundo? As chances de ser assassinado e ter o corpo jogado em uma vala funda em algum terreno baldio eram muito grandes.
Doía como ferro quente sobre a pele nua, a constatação vertente de minha impotência, em uma situação que nem no meus piores pesadelos acreditei ser possível passar. E ainda saber que estava só, como sempre o fora. Eu não era nada aos olhos dos outros. Apenas uma anomalia tida como escória repulsiva pela sociedade hipócrita, que ocultava sua perfídia sobre uma enganosa fachada de tolerância. Sabia que se viesse a falecer ali ninguém se daria ao trabalho de investigar o ocorrido. Claro! Porque seria um doncel a menos na tradicional e ilustríssima cidade de porcos dissimulados.
Além do mais se a minha suspeita se provasse correta e aquele Milo fosse realmente o líder de um remanescente clã da yakuza, ele não seria questionado em absolutamente nada. Até onde sei os yakuza não atuavam apenas nos ramos clássicos da ilegalidade como ,prostituição, tráfico de drogas, jogo, agiotagem e extorsão. Eles também controlavam o mercado financeiro e a politica interna, estendendo seus tentáculos muito além do oriente médio.
Em outras palavras. Aquele mafioso poderia fazer o que quisesse comigo que ninguém se atreveria sequer a tentar impedi-lo, temendo por suas próprias vidas. Nem mesmo a policia com toda sua pompa e empáfia não passavam de súditos encoleirados da yakuza, que disfarçavam sua corrupção através de fardas da lei.
Eu estava perdido.
Não havia como correr. Nem para onde fugir...
E era irreal demais a concepção de que isso realmente estivesse acontecendo comigo.
_ Você... me deixara partir se eu me entregar por livre e espontânea vontade?_ Me parabenizei por minha voz não ter tremido miseravelmente sobre o peso aterrador daqueles orbes anormalmente aguçados, que pareciam querer tragar minha alma do corpo, incinerando-a em suas chamas azuis inumanas.
Ele arqueou as sobrancelhas grossas em minha direção estreitando os olhos como um lince faminto em dia de caça. Senti-me sendo analisado atentamente, como se me estudasse. De repente manter a fachada inexpressiva perante aquelas feições duras e implacáveis, numa paradoxal contradição em seu rosto de anjo, ou demônio, estava se tornando uma tarefa impossível. Força e poder jorravam em abundancia de cada poro de seu corpo desenvolto, inundando aquele quarto em uma atmosfera densa e rarefeita.
Ele era pura ameaça, um assassino a espreita, silencioso e mortal.
E era impressão minha ou a temperatura ambiente do quarto tinha aumentado subitamente alguns graus Celsius?
_ Nesse caso..._ Começou num tom aveludado como seda, que não enganaria nem o seu próprio reflexo no espelho, o que fez com que uma bile desagradável subisse até a garganta. _ talvez eu o solte pela manhã. Ou talvez não, quem sabe?_ Disse com um sorriso torto de escárnio dando ênfase ao ‘talvez’. Desencostando-se do batente da porta e caminhando em passos felinos até a mesa.
Meu coração se afundou de pavor em meu peito. Parecendo querer fazer um buraco em minha caixa torácica e fugir pelas costelas. Quase me arrependia de não ter arriscado a sorte pala janela. Uma morte rápida e indolor não deveria ser assim tão ruim no fim das contas.
_ A minha paciência não é eterna Camus. vou perguntar só mais uma vez. O que você decide? Se entregar a mim livremente ou ser fodido a seco sem preparação prévia?_ Inquiriu com os olhos cintilando insanidade , cruzando os braços rígidos numa postura predatória parando a poucos passos com uma expressão ilegível.
Engoli uma grande quantidade de saliva a seco que desceu queimando como lava pela garganta. Escondi estrategicamente minhas mãos pálidas debaixo da toalha verniz da mesa. Ocultando daqueles olhos afiados e semicerrados de impaciência os tremores incontroláveis que embranqueciam os nós dos meus dedos.
_ Sim_ Murmure baixo, porém alto o suficiente para que ele escutasse. Abaixei a cabeça sentindo minhas bochechas arderem em vergonha e embaraço, desejando que o chão se abrisse e me engolisse inteiro até o inferno.
_ Porra! Sim o que? Seja mais preciso. _ O som estridente da bandeja metálica se chocando com o piso do chão me pegou desprevenido, assustando-me. No momento que aquele criminoso em visceral irritação socou abruptamente o vão plano da mesa.
Minhas entranhas empedraram em terror súbito, temendo que ele simplesmente me içasse do assento e me jogasse sobre a cama, violando-me. Ou pior! Que ele tirasse uma arma sobre o cós da calça e atirasse a queima roupa sobre meu corpo desprotegido.
Suor frio escoria vertiginosamente pela minha nuca, impregnando de forma pegajosa os fios rubros em uma massa disforme e empapada. Eu definitivamente não sabia como agir numa situação caótica como aquela. Era evidente que aquele Milo era um homem de ações abrasadoras, misturado com a ferocidade dominadora de sua personalidade. Uma combinação explosiva que me dava incerteza de suas atitudes. Tinha receio que ele voasse em minha direção, descontando toda raiva que pudesse ter de mim, vai que ele resolve se vingar por ter escapado e chutado certa parte de seu corpo na noite anterior? Eu sinceramente não me admiraria com tal feito vindo dele.
_ Sim. Vou me entregar por vontade própria._ Esclareci apressadamente temendo que os receios que rondavam minha mente se concretizassem. E tive a horripilante sensação de ter acabado de vender a alma ao diabo quando um brilho de satisfação e um sorriso voraz delineou-se em sua face rustica.
Em um movimento ágil e preciso tive o corpo suspenso da cadeira por mãos fortes. Que enlaçaram minha cintura num apero férreo, impossível de escapar.
_ Vou fazê-lo meu. _ Grunhiu feroz com seu hálito quente resvalando luxurioso em meus ouvidos.
Dedos firmes se entrelaçaram em meus cabelos me obrigando a levantar a cabeça e encarar os olhos escurecidos que passeavam sem pudor por todo meu rosto. Antes que tivesse tempo de articular algum pensamento coerente à boca dele cobriu a minha.
Sabe, eu poderia simplesmente fingir, dissimular e afirmar categórico o quanto meu estômago se revirou em asco, dando-me engulhos. Dizer orgulhoso que permaneci impassível, como um bloco de gelo, frio e distante, no momento que aquela boca insolente invadiu a minha com sua língua quente e molhada, serpenteando como uma cobra sinuosa minha cavidade bucal em uma exploração ávida.
Mas a verdade por mais humilhante que seja, e era muito, devo acrescentar. é que aquela boca lasciva chupando minha língua, e aquelas mãos experientes que se enfiavam sorrateiras por debaixo da camisa beliscando e apertando meus mamilos tornando-os rígidos, estava despertando reações chocantes em meu corpo.
Aquele cheiro almiscarado que exalava de sua pele entorpecia meus sentidos e nublava a razão. A única consciência que ainda retinha era de seu peso me pressionado contra a parede, a respiração pesada de seu peito que descia e subia em descompasso, o calor inebriante de seu corpo, e o gosto viciante e hipnótico de seus lábios cheios comprimindo os meus.
Arrastado pelo ósculo que engolia meus sentidos como um redemoinho intempestivo que traga para o seu interior destrutivo toda matéria exposta, entrelacei seu pescoço em meus braços afundando os dedos na cascata dourada que eram seus cabelos.
Em algum lugar distante no subúrbio de minha consciência, uma voz fraca e quase desfalecida sussurrava que aquilo era errado. Que eu não deveria está tão receptivo aos toques daquele homem. Mas estava realmente muito difícil se lembrar no momento a razão pragmática pelo qual eu não deveria está tão entregue assim, quando na verdade aquilo parecia ser o certo. Principalmente sentindo todo meu corpo arder daquele jeito e fogo liquido vertendo em cada veia, injetada por aquela boca faminta que parecia desejar me engolir por inteiro.
Eu estava zonzo, como se tivesse acabado de virar uma garrafa inteira de vodka.
Seu tronco me comprimiu ainda mais a si esfregando seu quadril em meu baixo ventre, despertando uma parte conhecida e inconveniente entre as pernas.
Mon Dieu! Eu não acredito que tive uma ereção me esfregando em um homem.
Pior ainda, um criminoso assassino que havia me sequestrado e coagido a me submeter a sua vontade.
Tinha alguma coisa muito errada comigo. E não era o fato assombroso de descobrir que tinha hormônios e me eriçava todo sendo prensado contra a parede por alguém do mesmo sexo, não mesmo. Afinal no fim das contas eu não era frigido. E me excitar com outro pênis não deveria ser assim tão ruim, não é mesmo? Certo! Eu estou chocado. Mas tudo bem, eu vou superar isso... algum dia.
Talvez isso fosse apenas algum tipo de efeito alucinógeno causado por substancias nocivas. Será que o bolo de chocolate que eu ingeri daquela bandeja trazida pelo Kanon estava fermentado com drogas?
Percebi que enquanto divagava estupidamente sobre minha recém descoberta sexualidade, aquele loiro ardiloso havia me deitado sobre a cama.
Como foi mesmo que fui parar ali? E desde quando estava sem camisa?
Um gemido alto e traidor escapou de mim quando aquela boca quente se fechou em um dos meus mamilos mordendo-o e sugando numa sucção lenta que me arrancava suspiros de deleite. Sua boca úmida se retirou do meu peito, traçando um caminho torturante pela barriga, descendo pelos quadris e pélvis, deixando um rastro de fogo por onde sua língua passava.
Um muxoxo de protesto escapou de minha boca quando ele cessou as caricias. Olhei para baixo indignado por ele ter parado e senti meu rosto queimar ao deparar com o sorriso debochado daquele desgraçado olhando malicioso para a ereção desperta que se avolumava em minha calça. Meus braços, nuca e costas arrepiaram, e meu corpo estremeceu de vergonha, mas tratei de crispar os lábios e fingir que não era comigo.
Porém um gemido lamentável escapou de meus lábios quando ele enfiou a mão dentro da calça e retirou meu membro duro de lá. Uma prova deprimente e incontestável de minha excitação.
_ Ora, ora! Parece que alguém tá bem animadinho pra um refém que supostamente está sendo forçado á abrir as pernas. _ Ironia escoria como veneno de animal peçonhento em cada palavra sibilada pelo bastardo, enquanto segurava habilmente meu falo necessitado
_ Vai se ferrar seu desgraçado. _ Ladrei furioso com a audácia prepotente daquele mafioso, não acreditando que ele achasse que eu Camus Versalhes, estivesse realmente gostando daquele abuso sexual patrocinado por um anarquista sádico.
E não estava?
Engoli em seco ignorando propositadamente a resposta degradante que brilhava em matizes de néon na minha mente. Se eu sobrevivesse a essa situação absurda teria que agendar de forma urgente uma consulta psiquiátrica no hospital central para analises posteriores. Sim! Por que era oficial! Eu tinha sérios problemas mentais.
_ O único que vai ser ferrado aqui com o meu pau será o seu rabo. _ Disse lambendo os lábios com um sorriso sacana para logo em seguida levar o meu falo duro, introduzindo-o naquela cavidade quente e molhada.
Minha mente ficou em branco e o resto da minha sanidade que ainda não havia pulado suicida pela janela do quarto foi para o espaço, e não quis mais voltar de lá. Naquela altura meu rosto deveria está mais vermelho que a cor rubra do meu cabelo. E o olhar malicioso que não prometia nada de bom dele me hipnotizando com suas esferas azuis, enquanto chupava lascivamente meu membro, não ajudava em nada a atenuar o constrangimento fenomenal que me corroía como traça em roupa velha.
A maneira como sua língua sugava a minha glande até a base me fazia arquejar em necessidade febril e levantar o quadril desesperadamente em busca de maior contato com sua boca.
Aqueles gemidos escandalosos que ecoavam despudorados pelo paredes do leito eram meus? Há julgar pelo brilho de satisfação em suas íris reluzentes. Sim! Eram meus.
Eu era um puto! E aquilo era o fundo do poço.
Virei a cabeça para o outro lado desviando- me daqueles olhos inflamados que não cessavam com a opressão magnética impresso na sapiência indecifrável que eram suas safiras.
Em resposta senti meu corpo ser levemente erguido e a calça ser puxada para baixo, assim como a cueca boxe que seguiu o mesmo destino. Senti-me exposto e vulnerável sobre seus olhos afiados que me analisavam de cima abaixo com as pupilas obscurecidas.
_ tão lindo... e completamente a minha mercê... _ murmurou rouco com uma expressão obscurecida que me fez encolher instintivamente sobre a cama.
Ofeguei em frenesi ao ter o falo abocanhado de uma só vez por sua boca faminta, sugando-me como se fosse uma fruta suculenta. Espasmos percorria-me por todos os lados, e eu não saberia dizer por onde começavam ou terminavam. Ele aumentou a rapidez da felação e eu podia sentir meu membro bater fundo em sua garganta, e não sabia como era possível que ele não se engasgasse com aquela sucção.
Uma chupada particularmente calculada sobre a cabeça de cogumelo fez-me retesar por inteiro em ondas de choque e um grito estrangulado abandonou meus lábios num gozo precoce e inexperiente que se esvaiu em extase sobre sua boca infernalmente quente.
Eu era patético...
_ Humm... delicioso. _ Pisquei varias vezes tentando submerge da letargia pós-orgasmo que me engolfou como uma violenta tsunami tropical. Quando finalmente minha visão embaçada conseguiu romper o torpor e se focar, encontrei seus olhos sagazes sobre mim. Passando a língua de maneira obscena sobre um filete de semêm que escoria na lateral de sua boca.
O vi se levantar soturno da cama e se despir lenta e preguiçosamente, jogando as vestes no chão com a lentidão de um caçador que mantém a vitima em seu campo de visão, deixando-a a aterrorizada para o momento de ataque.
Quando enfim Milo livrou-se de todas as roupas ficando completamente nu na minha frente, minha boca ficou seca. Ele era de longe o homem mais másculo que já tinha visto, não que eu fique reparando na anatomia alheia, de jeito algum. Mas era meio que impossível desgrudar os olhos de um loiro despido, do jeito que veio ao mundo. Com o tórax malhado e bem definido, bíceps salientes na barriga, ombros largos numa postura rígida de um militar, uma impressionante tatuagem de um escorpião escandinavo vermelho que mais se parecia com uma segunda pele encobrindo toda a extensão bronzeada de suas costas. Coxas grossas cobertas por pelos escuros que iam até o seu membro grande e ereto...
_ Gosta do que vê? _ Eu não sei que cara eu devia ter feito olhando assim tão abertamente seu corpo varonil. Mas se o sorrisinho arrogante que ele ostentava fosse indicativo de algo, devia ter sido uma bem idiota.
Alguém deveria dizer a ele que modéstia faria muito bem ao seu ego anormalmente grande. Esnobe estúpido é isso que ele era. Claro que eu poderia acrescentar outros adjetivos perjorátivos aquele ser vil.
_ Não é grande coisa! _ Menti com a face impassível. Lançando um olhar gélido e desdenhoso para o seu corpo exuberante.
_ Acho que vai mudar de ideia quando enfiar o meu pau nessa sua bunda branca. _ Rosnou contrariado.
Olhei disfarçadamente para o seu falo duro sentindo minhas entranhas se revirarem.
Ele era louco? Não tinha como aquela tora que ele chamava de pênis caber dentro de mim!
Tentei recuar instintivamente para trás quando ele subiu na cama, afundando-a com seu peso e engatinhando até mim com uma expressão maldosa de eriçar os pelos. Mas infelizmente, devo dizer, não fui muito longe. Mãos ásperas seguraram minhas pernas, puxando-me facilmente entorno de seus quadris largos, fazendo com que nossos membros roçassem um no outro e gemermos em uníssono.
Suas mãos agarraram minhas nádegas com força, provavelmente depois ficaria um hematoma pela pressão exercida. O cheiro pungente exalado pelo seu corpo intoxicando meus sentidos como uma droga, a respiração pesada que fazia seu peito acelerar em descompasso num magnetismo tão nivelado que certamente surpreenderia até Newton.
Tive os cabelos puxados para trás bruscamente deixando o pescoço exposto a sua libido. Uma trilha de saliva foi feito por sua boca percorrendo o maxilar, deslizando sucessiva até a orelha, preenchendo-a com sua língua. Uma de suas mãos desceu pelas costas se detendo nos glúteos, os massageando em apertos ávidos as separando.
Retesei em desconforto e embaraço ao sentir seu dedo ser introduzido pelo orifício exposto. Era estranho e não menos constrangedor ser tocado de forma tão intima por um completo desconhecido. Pensando bem! Seria vergonhoso até mesmo se fosse com uma pessoa que gozasse de minha total intimidade.
_ Relaxa... logo ficara gostoso. _ sussurrou com a voz rouca notando a tensão retraindo meus movimentos.
Seu dedo anelar fazia movimentos circulares em meu canal, alargando-o, vasculhando seu interior como se estivesse à procura de algo. Em algum momento dessa exploração o senti tocar em certo local que me fez ofegar em súbita onda de prazer, enrijecendo novamente meu membro túrgido.
Não tardou para que outro dedo fosse somado, e inconscientemente rebolar despudorado em uma necessidade tangente de ser tocado novamente naquele ponto prazeroso. Em meio a tantas sensações tumultuadas que me percorriam como chamas sobre a pele, um terceiro dedo foi acrescentado. Acelerando as palpitações do meu sistema cardíaco e escurecendo qualquer resquício de racionalidade.
Em meio ao turbilhão de luxuria que ardia como o fogo da inquisição em cada poro do meu corpo subjugado, o vi estender o braço sobre a cômoda da cabeceira e retirar um pacote de camisinha da gaveta. Um gemido rouco saiu de sua boca quando segurou o seu falo já pingando pré-semém, acariciando brevemente sua glande inchada que parecia implorar por alivio enquanto encobria-o completamente com o preservativo, posicionando-se em seguida em minha entrada. E foi exatamente assim sem aviso antecedente ou prévio, e sem nenhuma delicadeza dispensada que fui penetrado de uma só vez.
A dor lancinante que me rasgou foi indescritível. Era como se estivesse sendo partido ao meio por cerrote cego e carbonizado vivo pela pira de um crematório. Cerrei os olhos contendo o impulso de me debulhar em lágrimas de dor e sufocar o grito que se alojou em minhas cordas vocais como uma rocha seca.
_ N-não... Ahahha... Do-dói... Para... Eu imploro... _ Eu sei. Foi uma açoitada imperdoável ao meu orgulho suplicar misericórdia aquele ser cruel. Mas acredite! Ter o orifício anal arrombado por um mastro de cerca de 20cm muda a visão demagoga de um nerd não mais virgem sobre o mundo.
_ Hunmn... Que buraquinho mais apertadinho... _ Disse com as pupilas dilatadas ignorando propositadamente minha lamuria.
Seu braço subiu até o meio das minhas pernas tendo o membro capturado por sua mão quente em movimentos precisos de masturbação. Arqueei o tronco em resposta a caricia esquecendo momentaneamente a dor horrenda.
O senti se movimentar lentamente em meu interior na medida que estimulava minha genitália presa em sua mão, alargando o canal estreito com sua ereção pulsante, preenchendo-me por inteiro.
Seu braço livre rodeou minha cintura, puxando-me mais para si. O que fez com que seu membro se afundasse ainda mais em meu interior, acertando sem piedade minha próstata em golpes potentes devido ao ângulo que estava, encoxado possessivamente sobre seus quadris.
_ Aaaahhhh Milo..._ Gritei febril tremendo como se de repente um fio desencapado de alta tensão estivesse enviando correntes elétricas por todo meu corpo.
Os lábios cheios dele se retorceram em um irritante sorrisinho sarcástico de pura malicia ,mas eu não me importava realmente. Estava embriagado demais em níveis inimagináveis de sensações intensas. A deriva de um mar infinito de emoções complexas e contraditórias, do qual nunca pensei ser verdadeiramente capaz de experimentar. Eu estava me afogando sem nem mesmo debater naquelas águas turvas de desejo, ânsia e outras paradoxais emoções que não conseguia identificar, ou rotular em meio a tempestade turva que me arrastava como um náufrago oceano adentro.
Dor? Eu nem me recordava mais de sua insignificante existência. Na verdade naquele instante era como se ela nunca tivesse existido.
Em um movimento rápido fui jogado com certa violência sobre a cama por um Milo possuido, sem nunca retirar seu pau vibrante de meu orifício, ergueu minhas pernas tremulas em seus ombros investindo cada vez mais duro em estocadas potentes, criando atrito entre os corpos e fazendo com que suas bolas se chocassem contra minhas nádegas.
Finquei as unhas no lençol de linho tentando inutilmente normalizar a respiração afoita que descia e subia irregular sobre o peito, pulsando alucinado em ritmo dos golpes agressivos de suas estocadas. Era como se ele quisesse atravessar meu corpo ao meio em sua luxuria. Trazendo consigo o barulho pegajoso de seus testículos sendo socado feroz entre meus glúteos.
_ Ahhhh!!! Inferno... que delicia... _ Rosnou com as pupilas nubladas apertando dolorosamente minhas coxas, marcando-as com suas mãos fortes.
Estou perdido. Pensei, convulsionando incontrolavelmente em espasmos elétricos enquanto semicerrava os olhos de um prazer avassalador, com lagrimas deslizando pela face. Milo inesperadamente abaixou a cabeça ainda sustentando minhas pernas em seus ombros e lambeu a cabeça de cogumelo sensível e escorrendo pré-gozo penetrando mais fundo, se é que isso ainda era possível.
Estremeci violentamente como se tivesse sido tragado para dentro de um tornado destruidor. Arrastado e catatônico por tantos estímulos recebidos gozei abundantemente pela segunda vez melando seu rosto suado de esperma, tombando fraco em seguida sobre o colchão, como se tivesse acabado de correr uma maratona olímpica.
Senti as paredes internas do meu canal se contrai e Milo acelerar as estocadas em meu corpo bambo, urrando ensandecido ao atingir o clímax como um animal enjaulado que acaba de ser liberto das grades restritas. Seus fios dourados grudados em sua nuca e pescoço devido ao suor pela atividade exercida, para logo em seguida desabar ofegante respirando audivelmente alto pela boca.
Eu me senti como se tivesse boiando em um vácuo escuro, perdido no espaço-tempo de uma eternidade distorcida. As pálpebras pesaram de sono e manter os olhos abertos tornou-se uma tarefa humanamente impossível há à um reles mortal.
Sons indistintos e distantes ecoavam disforme em minha mente torpe, e por um fugaz segundo de lucidez , senti-me aninhado por braços fortes que transmitiam uma segurança tão sólida, que era como se as trevas de um mundo vazio não pudesse tingir-me em seu ódio lúgubre.
E eu desejei naquela derradeira noite sem estrelas, que o amanhã fosse apenas um sonho distante...
Sem o peso carrasco de uma realidade imutável.
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