O Escolhido
7 A Invasão - Terceira parte : O beijo
Notas iniciais
–Esse bosque parece não ter fim – reclamo – E eu estou com muito frio e com sono, pelo menos aquele inferno de mentirinha esquentou
–Podemos parar um pouco e acampar – Alex fala entrando no meio das árvores
–Finalmente – comemoro e Mellody e eu seguimos o Alex
–Aqui é um bom lugar para dormir não acham – Alex fala deitando perto de uma árvore – Boa noite – ele fala e abre as asas para envolver o corpo dele
–Boa noite. Que ótimo método de se esquentar – Mellody fala e pega o saco de dormir dela
–Boa noite Mell
–Boa noite
Fico virando de um lado para o outro dentro do saco incomodado com o frio e desisto de dormir
–Jack ainda está acordado ? – ela pergunta sonolenta
–Defina acordado – ela fala sonolenta – Eu só estou com muito frio
–Er... agente podia dormir junto pra dividir o calor corporal – ela fala e nós dois coramos
–É uma boa ideia – falo ainda corado
–Você está tremendo – Mellody diz, pousando a mão sobre minha bochecha
Seguro os dedos macios e gentis dela junto ao meu rosto.
–Seria loucura eu esperar que fosse ficar mais quente a essas alturas – falo soltando a mão dela do meu rosto
–Mas não é loucura não – ela fala fazendo que não com a cabeça – Eu estava aqui pensando que Alex teve uma ótima ideia – ela aponta para o Alex – Dividindo o calor do corpo – ela fala e se aproxima mais de mim e sorri
–Assim é melhor – digo, quando ela se aproxima mais de mim. Com essa aproximação consigo sentir um cheiro doce de pinho e de terra. Ficamos deitados por um bom tempo, ouvindo o barulho dos nossos dentes ainda tremendo e das folhas ao vento.
–Não era só por causa do calor – Mellody fala quase sussurrando – Eu só... eu queria ficar perto de você está noite
–Olha só, a Mellody que não queria nada comigo está dando em cima de mim – falo e rio – Brincadeira. Eu também.
A luz da lua reflete nos olhos dela, fazendo seu olhar reluzir. De repente, não consigo me controlar, não estou mais pensando em tristeza, guerras e nem no frio. Estou pensando na silhueta dela sobre o cobertor e em como sua pele deve ser macia. E mesmo depois dessa confusão toda e no meio da nossa missão eu ainda possa gostar de alguém e querer sentir os lábios dela nos meus.
–Mellody ? – pergunto e pouso minha mão no rosto dela – Posso te contar uma coisa ?
–Claro que pode — ela fala aproximando o rosto dela ao meu
–Isso não importa agora – esqueço de tudo e beijo a Mellody
Parece um sonho o vento aumenta o frio diminui e esqueço dos detalhes ao meu redor quando o beijo foi ficando mais duradouro, sempre soube que os lábios dela eram perfeitos. Com tantas coisas que podem estar acontecendo ao meu redor agora, eu nem estou me importando. Depois de vários segundos que eu fiquei saboreando os lábios da Mellody nós paramos de nos beijar.
–Nossa – falamos juntos – Isso foi incrível
–Desculpa Mell eu...
–Tudo bem – ela me interrompe – Agora só quero dormir – ela encosta a cabeça no meu ombro e fecha os olhos – pensando em você – ela sussurra pra ela mesma mas sem querer eu ouço
Encosto minha cabeça na cabeça dela e durmo. Depois de um tempo em silêncio foi ficando mais frio e Mellody acorda e eu também
–Está mais frio que antes – Mellody diz se levantando
–Pois é – levanto também
Olhamos para o lago e três criaturas saíram dele, elas tinham o corpo revestido de escamas e no rosto tinha escamas no rosto
–Sereias – Mellody afirma
–Sereias ? – pergunto – Isso existe ? E eu acho que sereias são meio frufru para estar aqui nesse bosque
–Sim são sereias, elas existem sim e as sereias que os humanos pensam como é não e daquele jeito, sereias são uma das piores criaturas já criadas — ela responde em ordem as minhas perguntas
–Vou acordar o Alex
–Ok
Antes que eu chegue perto do Alex para acorda-lo as sereias começam a cantar e eu me sentia do mesmo jeito que eu me senti quando Mellody me beijou, eu não conseguia me mexer nem sentir nada ao meu redor, eu perdi totalmente o controle pelo meu corpo. A única coisa que eu ainda tenho controle é a audição.
–Parem – ouço a voz da Mellody ecoando nos meus ouvidos – Nós deixem em paz
Acho que aqueles monstros querem que eu sofra porque elas agora me deram a minha visão, mas isso é ruim eu só vejo a Mellody sofrer lutando com as sereias e eu não posso fazer nada.
–Parem. O que nós visemos com vocês ? – Mellody pergunta balançando a espada para todo lado com esperança em acerta-las e elas não respondem só cantam
Ouço um galho a se quebrar atrás de mim e tento me virar para ver o que era, mas como as outras vezes que eu tentei, não teve resultado.
–O que ? Parem já com isso – ouço a Mellody falando e vindo em minha direção, ela começa a me empurrar
’’O que está acontecendo ?”
Depois de algum tempo que eu percebo que a floresta está passando pra trás, ou seja, elas estão me controlando para ir até elas, agora entendo o porque da Mell estar me empurrando. Eu começo a me debater por dentro mas por fora não tenho nenhum resltado.
’’Ótimo, é assim que eu vou morrer ? Morto por umas criaturas que eu pensava que era coisa de menininha ?
Quando eu pensava que era o fim de tudo uma silhueta aparece no meio de Mellody e eu das sereias e invoca um feitiço, aquele feitiço não é nada parecido com outros que eu fiz ou que eu já vi, isso não importa agora eu só sei que umas sombras envolveram as sereias e elas desapareceram. A silhueta vira pra mim e pisca como se ele fosse um protetor meu e desaparece nas mesmas sombras que fizeram as sereias desaparecer. Sem perceber eu voltei a controlar meu corpo e Mellody também percebe e me abraça.
–Que bom que você está bem – ela fala quase chorando e se vira – Cadê as sereias ?
–Você não viu ? – pergunto ainda assustado – Uma pessoa apareceu e fez um feitiço pra elas desaparecerem
–Você não viu quem era ?
–Não deu pra ver ele estava todo de preto, e o feitiço que ele usou não é nada comparado ao que eu já vi
–Como era esse feitiço ?
–Aparecia um monte de letras no ar quando ele estava fazendo e quando ele lançou uma nuvem negra cobriu as sereias
–Ele era um demônio – Mellody confirma – Vamos dormir, temos um dia longo amanhã
Vamos em direção ao nosso acampamento e dormimos. ’’Talvez essa seja a última vez que iremos sonhar”
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