O Escolhido
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- Não, não, não!- disse eu já me alterando com a moça. — Você só pode estar brincando! Ontem mesmo o doutor John, me atendeu... ele que me medicou, e me ajudou com minha asma!- disse eu com raiva, mas olhando para a cara da mulher que estava assustada, me alcamei um pouco.
- Me desculpe, mas sinceramente, não temos nenhum John Miller aqui.- disse ela tentando soar calma.- Talvez tenha sido em outra unidade hospitalar nossa, não acha?
- Não, eu tenho certe...- olhei para a moça, e pensei que isso não levaria a lugar algum.- É, você pode estar certa, eu me confundi, me desculpe. — disse eu com um tom mais baixo que normal.
- Não se preocupe, error acontecem.- disse ela com um pingo de ânimo na voz.
Depois desse mini- barraco, voltei para a estação do metrô. Senti minha consciência pesar, quando comecei a me lembrar do que fiz com a moça.
- Estúpido, estúpido, estúpido!- disse para mim mesmo, batendo minha mãe na minha cabeça.- E agora, o que eu faço? Voz Misteriosa? O que a senhora- deveria usar esse termo com uma voz?- acha que devo fazer?
Só recebi o silêncio.
- Muito obrigado pela sua ajuda.- disse em um tom sarcástico.
Fiquei em um dos bancos do metrô. Estava bem vazio, por causa, que todos os adolescentes e crianças das cidades, estavam na escola, e os adultos, provavelmente saíram para trabalhar. Fiquei observando o metrô, e o vazio deixou ele mais macabro. Foi quando senti uma leve brisa, fazendo meu cabelo mexer. Estava com a cabeça baixa, até então ouvi uma voz bastante familiar.
- Mitchell! Você está aqui! Fiquei te procurando por muito tempo!- no mesmo instante reconheci aquela voz cheia de animação. Era ele. Era John Miller.
Instantaneamente, virei minha cabeça e senti uma raiva, crescendo dentro de mim.
- Não!- disse com um tom alto. — Não! Eu estava TE -coloquei muito enfase nessa palavra- procurando!
- Calme Mitchell- disse ele com o tom da voz sem aquela animação, e fazendo gesto com a mão para me acalmar.- vou te explicar exatamente tudo.
- Espero que isso explique o mico que passei- disse já em tom razoável.
- Ok- disse ele com um sorriso de lado. — Primeiramente, não me chamo John Miller- senti um medo na boca do estômago.- Me chamo Peter Jones. E em segundo, essa não é minha verdadeira aparência- dizendo isso ele olhou para os lados para ver se não tinha ninguém olhando, então ele simplesmente, puxou uma quantidade grande de ar de seus pulmões, e foi liberando devagar e com isso sua aparência foi saindo junto com o ar.
- O que!? O que está acontecendo!? Que bosta é essa? Isso é impossível!- disse falando mais rápido e sem respirar, do que Jack.
- Calma Mitchell, vou te explicar tudo, se lembra? Sou aquele que você conheceu no hospital e você tendo um ataque de asma.- disse ele sério.- Por favor confie em mim.
- Não você, não é! John era completamente diferente de você.- disse tentando parecer confiante, e agora percebendo ele, ele era completamente diferente de John (falar dele assim era meio estranho) ele tinha cabelos negros batendo um pouco abaixo de suas bochechas. E a cor da pele dele, era um branco meio escurecido, e seus olhos eram um tom de azul negro.
- Espere... me deixe te explicar- quando eu ia dizer algo,e ele me cortou sem nenhuma educação,e continuou- Bem primeiro de tudo quero te dizer que sou um meio que- percebi ele tentando achar a palavra certa- meio que um mutante, mas não sou necessariamente um, enfim isso não vem ao caso agora. Sou de um lugar que se chama " O Grande Bosque ", lá é tipo um hotel, onde pessoas como eu, vão para se estabelecer e controlar seus poderes.- disse ele como se aquilo fosse normal, mas apara ele até que poderia ser, poxa vi o cara se transformar (ou destransformar) na minha frente.
- Pessoas como você? Existe mais pessoas como você?- percebi que disse aquilo como se fosse alguma doença contagiosa.- Me desculpe, não quis dizer que vocês são aberrações, é só que estou sabendo disso rápido demais, e é tudo novo para mim.
- Eu te entendo, quando tinha sido minha vez de ir para O Grande Bosque também fiquei assim.- disse ele com um sorriso.
- Como assim? Como assim sua vez?- eu disse com uma cara de panaca.
- Vamos tomar um café e eu te explico tudo.- disse ele normalmente.
- Tá.- foi o máximo que consegui dizer.
Ficamos caminhando em silêncio observando as pessoas, era totalmente estranha aquela situação, um cara que tinha conhecido a menos de uma semana vem de dizendo que ele é um tipo de mutante, e não sei por que estava acreditando nele.
Chegando em uma pequena lanchonete, linda e com estilo clássico, e os bancos eram com almofadas vermelhas, e seu metal era de um tom escuro, deixando tudo impecavelmente lindo!
- Um capuccino, fazendo favor- disse ele ao garçom, e ele obedientemente assentiu com a cabeça.
- Então pode começar.- disse com firmeza.
- Não vai querer nada?- disse ele.
- Não obrigado. A única coisa que exijo saber é sobre esse negócio de mutantes, Bosque, enfim, de tudo!- disse colocando meus braços sobre a mesa.
- Você que sabe.- disse ele. — Ah! Obrigado.- disse ele ao garçom. O serviço era realmente rápido.- então o que deseja saber primeiro?
- Tudo desde o começo.- disse com uma expressão séria (ou pelo menos tentando fazer uma).
- Está bem! Você decide.- disse ele tomando um gole de capuccino.- Primeiramente, nossa diretora, a senhorita Roberts, é um oráculo, você sabe o que é isso garoto?- disse ele a mim. Assenti em afirmação sem interromper a explicação.- Então, como você deve saber oráculos podem prever o futuro, mas a senhorita Roberts, também é meio intuitiva, então quando ela teve uma visão sobre você, me mandou para te "resgatar"- disse ele fazendo aspas com os dedos- então ela usou essa parte intuitiva dela, para me ajudar a te achar. Ela sabia que você iria ter um ataque de asma, então me mandou ir até você no hospital.- disse ele sério.
- Mas como você conseguiu? Ninguém sabia quem você era!- disse eu confuso.
- Calma Mitchell, irei te explicar tudo, enfim como já te disse sou uma espécie de "mutante", e eu tenho o poder de hipnose. Ou seja posso criar ilusões nas pessoas, então me disfarcei de médico, e fiz todos acreditarem em mim.
- Muito legal...- disse com um certo entusiasmo.
- É, é legalzinho- disse ele com um sorriso.- Enfim, dei aquele pequeno frasco para você, você se lembra?- Assenti dizendo sim.- Então, aquilo era um " Quebra Barreiras".
- Um o que!?- disse fazendo cara de confuso de novo.
- Um " Quebra Barreiras" aquele líquido, ajuda pessoas assim como eu. O nome próprio já diz, ele quebra as barreiras- ele viu que estava com uma expressão de quem não estava entendendo nada- vou explicar, quando um humano tem habilidades, geralmente ela consegue quebrar as barreiras por si própria, mas em caso específicos, precisamos dar esse frasco para certas pessoas, pois a barreira do seu corpo humano, não permite que seus poderes se expandem.
- Então vocês dão isso, para quebrar as barreiras que nosso corpo coloca- disse começando a juntar o quebra- cabeças.
- Isso! Mas , com você houve uma falha- ele notou minha expressão de preocupação.- não, não a nada a temer, foi só um contratempo, mas por algum motivo seu corpo, não aceitou o remédio, na hora h, então achei que tudo foi um mal engano, então saí do hospital, mas a senhorita Roberts, me ligou e falou para eu voltar, pois ela teve uma visão sobre você. Sobre seus poderes se manifestando, então ela me explicou que seu poder, estava impedindo as barreiras serem quebradas.
- E qual seria esse meu poder, tão cabuloso?- disse com um sorriso.
- Telepatia.- disse ele com um tom e cara séria.
- E isso é bom ou ruim?- perguntei como não quer nada.
- Um pouco dos dois.- ele viu que eu iria perguntar o por que, mas ele logo se adiantou.- O bom, é que seus poderes, são extremamente poderosos, e... misteriosos- ele botou muita ênfase em "misteriosos"- e a coisa ruim é que eles são misteriosos.
- E por que isso seria ruim?- perguntei com um pouco de preocupação.
- Porque não sabemos o que ele pode fazer.- agora senti um medo em sua voz. Nunca pensei que um cara daquele poderia sentir, medo, poxa o cara era de um tipo de cara que expira respeito. Então isso só me deixou mais preocupado.
O máximo que pudi dizer foi — Oh...
- Não se preocupe Mitchell, só estou fazendo tempestade em um copo d' água.- disse ele rindo.- só com algumas aulas e um pouco de treinamento, poderemos saber os seus limites.- disse ele tentando desviar a conversa.
- Como assim? Aulas e treinamento?- disse confuso.
- Ah, sim!- disse ele batendo as mão sem fazer barulho- esqueci de mencionar que você deve ir para o Bosque comigo.- disse ele olhando nos meus olhos.
- Ãnh? Como assim? Não, não posso ir! Tenho minha vida aqui em Detroit, e minha escola e minha famíl....- minha voz sumiu, depois que senti uma dor, não física, mas sentimental corroendo meu coração.- O que estou querendo dizer é que tenho uma vida aqui.
- Mitchell,- disse olhando profundamente em meus olhos, como se estivesse querendo olhar dentro da minha triste alma- o seu poder te escolheu. E com certeza isso não foi em vão.
- Tá eu sei, mas tenho minha mãe aqui, e todas as pessoas que me conhecem? Elas iriam perceber que eu sumi, e iriam querer mandar polícia atrás de mim.- disse com uma cara meio triste.
- Isso são só detalhes Mitchell- disse ele com um sorrisinho- Esqueceu que sou um hipnotizador? Só terei que apagar a memórias deles.
- Isso irá doer?- perguntei segurando uma lágrima, poxa se eu fosse com ele minha vida iria se transformar tragicamente.
- Não, consigo amenizar a dor quando uso meus poderes. Então, você vem comigo?- disse ele estendendo a mão.
" O que eu iria perder? Não tinha nada que me prendia a essa vidinha que tenho, e fora que vou me livrar de Maxwell, mas minha mãe, não importa! Maxwell, não teria a coragem de bater em minha mãe acho. Mas..."
- Mitchell? Então o que me diz?- disse ele interrompendo meu pensamento.
- Vou.- foi o que consegui dizer. Na verdade não foi exatamente eu. Senti um empurrão dentro de mim, me obrigando a dizer. — Sim Peter. Eu vou.- achei que essas palavras iria mudar todo o meu destino, e realmente iriam.
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