Não, isso não poderia estar acontecendo! Senti minha garganta extremamente dolorida, senti como se ela estivesse sendo cortada bem devagar. Cheguei até pensar que a morte seria uma opção melhor do que aquilo que estava acontecendo. Então, tudo ficou escuro, senti um alívio, e dormi.

–Ele está acordando!- pudi ouvir a voz da minha mãe.- Chame o médico!

Senti uma mão quente e gostosa tocando meu rosto. Logo percebi que era minha mãe. Senti tanta saudade dela fazendo isso, pena que ela me esqueceu, por causa daquele marido dela -não ele não era meu pai, era meu padrasto-, não achava ele diretamente um idiota, mas umas coisas nele, dava vontade de bater nele, o Maxwell, todos o chamavam de Max -menos eu-, não sei o que minha linda mãe viu nele, minha mãe tinha longos cabelos negros e grossos, que emolduravam perfeitamente seu rosto, e seus grandes cílios extremamente negros -o que fazia ela não precisar passar lápis de olho- emolduravam seus olhos cor de mel, e sua pele branca, linda e maravilhosa. Enquanto, seu marido (eca!), era um cara normal, com cabelos lisos, penteados para trás, encaracolando na nuca, com cor de castanho, ele não era musculoso, mas também não era fora de forma. Seus olhos eram castanho- escuro bem escuro, e tinha uma pequena barbicha, o que mais me incomodava nele, era o jeito dele, enquanto minha mãe tinha toda aquela classe, ele só "ia na onda", por ele, ele só vestia, aquela maldita,calça moléton e aquela blusa, ridiculamente ridícula de pólo.

– Mitchell, você está bem querido?- ela disse com uma linda e doce voz, que me deixou muito tranquilo.

–Estou sim mãe.- respondi com uma certa fraqueza.

– Senhora...?- disse o médico para minha mãe.

– Maggie. Maggie Marshall. — disse ela com aquele lindo sorriso, e percebi que usava um batom castanho.

– E eu sou Maxwell Marshall.- disse ele, ficando entre minha mãe e o médico. Não podia acreditar, o tão ciumento que ele era, isso era uma das coisas que me estressava nele. Minha mãe deixou de se divertir, só para ser a "Senhora Marshall Perfeita".

– Olá, sou o Doutor John Miller.- disse ele dando um sorriso para os dois. Ele parecia ser bem simpático. Pude notar um pouco de sua aparência, só percebi que ele era loiro, e meio pálido, com certeza, por causa do clima de inverno em nossa cidade, nossa linda cidade, Detroit.

– Parece que Mitchell, só teve uma recaída de asma. Ele estava tomando os remédios certinhos srª Marshall?

– Sim..., claro... pelo o que eu tenho visto, sim.- disse ela confusa, ela sabia que ela não participava da minha vida, a não ser quando tinha um problema, como esse, por isso ela me chama de "Garoto Problema".

– Ok, então, vou deixar Mitchell descansar um pouco e quando ele acordar converso um pouquinho com ele.- disse ele olhando para mim

.- Se vocês tiverem algum compromisso, vocês podem ir. Temos muitas enfermeiras competentes aqui.

– Já que você falou, temos que ir não é amor?- disse Maxwell, por que ele tinha que falar alguma coisa?- Temos muitas coisas para fazer hoje, e você sabe que não podemos nos atrasar. -Senti tanto ódio dele naquele hora, que eu queria pular daquela maca e falar poucas e boas para ele.

– Cl...claro- disse ela com os olhos baixos, ela sabia que ela estava errada, mas ela tinha que trabalhar, mas eu sei que ela só foi embora, por causa de Maxwell.- É temos que ir.- agora ela falou mais firme.

– Ok então, iremos cuidar de seu filho!- disse o médico, com uma animação a mil!- E eu faço questão de ficar aqui com ele.

– Muito obrigada, doutor.- disse minha mãe com um brilho nos olhos. Vi minha mãe, e seu marido, saindo de minhas vistas, senti um nó de mágoa no meu estômago. Percebi que o médico notou, que eu estava já consciente, mas extremamente extremo, acabado, meu corpo doía, a cada músculo, a cada osso, e senti dores até aonde eu não sabia que tinha, então ele começou a conversar:

–Mitchell, você está bem?- Foi só agora que percebi, o quanto sua voz, era gentil, e me senti mais á vontade.

– S- sim, estou bem, obrigado por perguntar- forcei para dar um sorriso para ele. Ele começou a colocar a mão em um dos buracos do seu jaleco, e tirou um pequeno frasco, e dentro tinha um líquido, parecia bem ralo, e parecia como água. E ele abrindo o líquido, muito delicadamente, senti um fragrância, muito boa, queria afundar meu nariz, dentro do pequeno vidro. Acho que percebeu, o quanto eu gostei do cheiro, e sorriu para mim.

– Tome, Mitchell- disse ele me entregando o frasco- consegue beber?

– Sim- disse tentando me sentar na maca- Consigo. Peguei, o frasco, ele estava meio gelado, mas era um gelado muito bom, antes cherei ele, e olhei dentro dele. John, riu de mim, olhei para ele e tentei dar um sorriso de lado. Então bebi. Aquele gosto, era incomparável, nem uma coisa, poderia existir com aqueles gosto, era uma explosão de sabor na minha boca, e só me fez querer mais e mais, então quando o vidro acabou, passei a língua dentro do vidrinho. Me senti como um grande panaca, só depois percebi que John estava rindo outra vez de mim. Poxa quantas vezes em um dia eu poderia ser panaca?

– Me desculpe- disse dando um riso de lado- sabe... pela aquela nojenta coisa que eu fiz.

– Sem problemas- disse ele com um sorriso no rosto- todos temos um lado nojento certo?

– Acho que sim.- respondi.- mas o que exatamente era aquilo?

– Hmm... era um -senti ele ficando um pouco nervoso, então sua expressão voltou ao normal, e ele percebeu que eu estava o encarando, então voltou com um sorriso no rosto- é só um remédio diferente, não a nada para se preocupar!

– Tá legal- disse, mas estava com uma ponta de dúvida da garganta, mas fiquei quieto.

– É Mitchell! Parece que você está melhor, achei que você iria precisar passar mais tempo aqui, mas olhe para você! Acho que você já está bem, para ir para sua casa. O que acha?

– È, seria bem legal.- disse dando um sorriso decente agora. Esperei, ele ligar para minha mãe, e seu marido, para vir me buscar, fiquei lá esperando eles enquanto ficava conversando com John, esse cara realmente é muito legal! E ele tinha umas conversas, boas, nada daqueles adultos que tentam se interagir com os jovens, e tristemente falham. Vi minha mãe cheia de classe, chegando com aquele encosto do seu lado. Não conseguia acreditar, ela cheia de classe, com aquilo do seu lado.

–Tchau John, prazer em conhecer!- disse dando um rápido tchau e balançando a mão em despedida.

– Tchau Mitchell! Igualmente!- disse ele dando um dos seu sorrisos, e balançando a mal de volta.