O Erro de Deus
1 A caça do desconhecido
Está tudo escuro, minha cabeça dói, estou deitado em uma cama, estou transpirando muito, estou em uma poça de suor, espera, onde estou? Uma porta em minha frente se abre, rangendo e libertando feixes de luz, as brechas da porta aberta me mostra uma escada, a luz ilumina uma parte do quarto, que eu creio ser um porão, vejo algumas molduras nas paredes, mas não tem nenhuma fotografia, me levanto com dificuldade para que minha coluna fique inclinada, a dor em minha cabeça fica mais forte, minha visão fica turva, as molduras dobram-se, volto a me deitar na cama encharcada levantando minha mão aos olhos, diminuiu a intensidade da dor e sinto minha visão voltando ao seu eixo, olho as minhas mãos e tenho uma lembrança, só que eu não consigo saber o significado já que tudo está embaçado, só ouvi gritos não consegui distinguir o meu e o das outras pessoas. Não lembro nem da minha voz. Após um tempo deitado tomo a decisão de levantar de novo, consigo sair da cama encharcada e vou até a porta onde me leva a escada que me leva a outra porta e ela parece ser velha, faço força no primeiro degrau para ver se é segura, ela range um pouco, mas não a ponto de desabar e já que parece a única solução para sair daqui, sigo em frente, tem uma lâmpada acesa em cima da escada piscando constantemente, o interruptor que faz com que funcione está entre teias e amarelado, ele combina com as escadas, ao pisar no ultimo degrau tenho outra lembrança, não sei se estou no mesmo lugar do ultimo, mas tudo está mais nítido, não há sons, consigo ver algumas molduras, uma lareira, e um homem em uma poltrona com um livro em seu colo, acho que está dormindo. Volto às escadas ponho a mão na maçaneta enferrujada e giro-a, tenho que usar força para puxar a porta, ao abrir, entro em um corredor escuro, o único sinal de luz, é a lâmpada de onde eu vim, e um janela, que está com uma cortina rasgada em suas laterais, que deixa a luz do sol iluminar o chão do corredor e algumas portas, entro na primeira, mas está trancada, vou para a segunda, mas da no mesmo, desisto de abrir as portas e vou para um cômodo que parece ser a sala de estar, ao colocar um pé no cômodo, ouço um rangido de porta, mas era só a porta porão que faz um estrondo quando fecha. Olho a sala ao redor, e reconheço, é o lugar da ultima lembrança, passo a mão na poltrona, vejo a lareira já em brasas, vejo o livro que antes uma pessoa segurara, no chão, aberto, viro sua capa “A era do caos”, olho em volta e sigo em direção à cozinha, olho para a cozinha e me surpreendo, os utensílios estão todos no chão algumas facas estão cravadas na parede, olho meu reflexo na lamina de uma faca, tenho olhos verdes, sou pardo, cabelo liso, pareço ter uns dezesseis anos, talvez dezessete. Volto para a sala, e abro a porta para sair de casa, a luz do sol ofusca a minha visão por um breve momento. A rua é de paralelepípedos, é uma rua fechada ando mais um pouco em direção a parte aberta da rua vejo alguns carros estacionados do lado direito da rua, ao chegar à esquina, decido voltar, já que não me recordo de nada deste lugar, no caminho de volta ouço gritos, são os mesmos gritos da primeira lembrança, viro constantemente para saber se não foi alguém atrás de mim, os sons se esvaem com o tempo, chegando à porta da casa, sinto que minha força desaparece aos poucos, abro a porta enquanto tenho forças e caio em um tapete enquanto ainda tenho forças. Ao chocar a minha cabeça no chão ouço uma mulher, acho que é uma mulher, sussurrando — Santsu — repetidas vezes, e eu apago. Vejo mais lembranças, comigo a frente da porta desta casa, eu sinto uma coisa está parecendo um cabo de uma faca na minha mão direita que está tremula. Começo a andar em direção a porta respiro fundo e abro-a, por que estou tão nervoso? Ao abrir a porta devagar, volto a minha consciência, em um sofá, na casa ainda me sinto fraco, porém mais forte do que antes, ouço um barulho que vem da cozinha de talheres caindo, levanto meu corpo rapidamente e com passos leves sigo em direção a cozinha, encosto na parede e coloco minha cabeça para dentro do cômodo, quando vistorio a área vejo uma mulher de cabelos pretos, com olhos verdes, e com pele escura, cortando verduras enquanto esquenta algo no micro-ondas, as facas não estão mais cravadas nas paredes, mas ainda deixa sinais, decido em voltar para o sofá, para saber o motivo desta mulher estar aqui, por descuido piso em uma colher que estava próxima de um dos pés do sofá, os ruídos da lamina da faca batendo no balcão de madeira acaba e ouço o ruídos dos passos em direção a sala, penso em ir logo para o sofá só que estou paralisado, tento pensar rapidamente o que faço quando ouço atrás de mim.
—Santsu? – viro a cabeça lentamente para trás quando sou abraçado pelas costas, não consigo ter reação nenhuma e como poderia? Há algumas horas atrás não sabia nem como era o meu reflexo, e agora uma mulher que parece ser totalmente estranha para mim, me chama de algo, que eu afirmo ser o meu nome. Quando consigo voltar a controlar meu corpo viro-me para trás estou bem perto da mulher, que a pouco tempo me soltara, desta maneira consigo perceber mais detalhes como a marca em seu pescoço que parece 3 cruzes em direção a direita, a esquerda e a cima, seus braços estavam vermelhos as suas pernas estavam tremulas, seus olhos mostrava cansaço. Enquanto eu analisava os detalhes, ela me pergunta algumas coisas.
— Então, sobre o que você lembra? Consegue ao menos se lembrar de como chegou aqui? – Eu respondo com a cabeça que não, de repente consigo mexer minha boca para lhe perguntar algo.
— Qual seu nome?- Pergunto, logo após fico encolhido sobre os meus ombros.
— Natashia, e o seu é Santsu, você consegue lembrar algo sobre mim ou sobre, Gustavo?
— Gustavo?
— Vou entender isso como um não — ela da um pequeno sorriso, e eu não sei o motivo, mas me deixa um pouco feliz.
— é... Bem... Eu não sei como perguntar isso, mas... – Natashia olha pra mim, com o mesmo sorriso de momentos atrás que me faz ter coragem para lhe perguntar, mas antes que ela faça algo para me fazer falar – Quem eu sou? – o tempo parece ter parado, o sorriso dela não está mais ali, ela parece está em choque, mas de repente o sorriso volta e o tempo volta a contar.
— Bem, vai ser uma longa história, e você vai me achar maluca, então por enquanto apenas coma o que eu lhe preparei – ela vai até a cozinha e volta com um café e verduras picadas enroladas em uma alface, não sei por que, mas fico com uma insana vontade de comer logo e rápido. O prato chega ao meu colo, ele ainda está quente, Natashia pega uma cadeira e a coloca ao lado de uma janela com uma cortina, que geralmente ela olha para fora, como se ela estivesse à espera de alguém, eu dou um pequeno sorriso, e ela olha para mim – O que foi? – eu me viro para ela sem o sorriso.
— Não é nada, mas eu que não me lembro de absolutamente nada sobre o meu passado, e você que está tão nervosa e agitada – Ela olha para mim, com um rosto pálido.
— Eu estou esperando Gustavo – Ela cai para esquerda da cadeira e acerta um vaso que quebra ao cair no chão, entro em pânico, me levanto rápido do sofá antes que a cabeça de Natashia caia no chão, não sei como, mas eu consegui chegar ouço o estrondo do prato que estava no meu colo caindo no chão e separando-se em dezenas de pedaços, o resto do corpo desaba sobre os meus braços, e a levo para o sofá, ela está com febre, sua temperatura está muito alta, enquanto anda para o sofá, quase escorrego em um dos cacos de vidro, enquanto ponho-a no sofá ela resmunga algumas coisas, só que estou muito agitado para ter a paciência para escutar o que ela diz, tento ir para a cozinha lentamente para tentar me acalmar e pensar em para fazer a primeira coisa que eu penso é em trazer uma toalha molhada com água fria para por em sua testa, corro para a sala com a toalha encharcada na minha mão que respinga sobre os meus pés, porém eu não sinto o frio percorrer para o meu pé nem o toque da água sobre ele, volto e coloco alguns cubos sobre a toalha e aperto, o frio tanto da toalha como dos cubos adormecem a minha mão, não paro para pensar porque eu não tinha sentido o frio da toalha antes, ao derreter os cubos corro para a sala e coloco em sua testa, não consigo pensar em mais nada para fazer então sento na cadeira que antes ela estava sentada, não sei por qual motivo, mas também olho pela janela, para ver se esse tal de Gustavo chegue e me diga o que fazer. Passa um tempo que Natashia está inconsciente e já estou ficando entediado a coisa que me matinha acordado era pelo o fato daquela mulher saber quem eu sou, mas estou tão deprimido que nem isso pode me levantar a moral, levanto-me da cadeira e estico as pernas, e me vem a cabeça, o que está atrás das portas, preciso limpar os cacos do vaso antes que eu me corte vou para fora da casa onde tem um armário de limpeza no quintal, pelo menos é o que eu lembro, ele está emperrado mas faço força que faz com que abra, ao abrir fico espantado com que vejo, o quarto tem profundidade que não aparenta ter do lado de fora, existe quatro prateleiras, a primeira tinha vassouras, pás, rodos e panos; a segunda a mesma coisa só diferenciada que em sua parte de baixo existem alguns baldes; a terceira, e a que mais me impressionou tem uma arma, ela está sendo segurada por duas correntes que vem do teto, porém também, ao lado, tem outras duas correntes abertas e me vem a cabeça onde ela está, passo os dedos sobre algumas marcas que estão cravadas na arma, olho para o lado, e já tinha esquecido que existia uma quarta prateleira, ela está cheia de livros velhos, que faz a poeira subir quando eu ando por perto, quando começo a bisbilhotar os livros ouço alguns passos seguidos de um estrondo, pego a vassoura rápido e corro para casa, quando entro na casa me surpreendo, Natashia está no chão e murmurando algo, jogo a vassoura no chão e corro para ajudá-la, ela segura em meus ombros.
— Temos que fugir – Ela sussurra.
— Fugir? Por quê?
— O tempo acabou!
— Tempo que tempo? — Mas antes que responda ela volta a dormir eu a pego e coloco-a no sofá, volto ao vaso quebrado e vejo algumas coisas que antes estava no vaso vejo a fotografia, eu e um homem ao meu lado, ele não sorri, diferente de mim, ele tem cabelo grisalhos e um olho preto, suas sobrancelhas estão grossas e o seu olhar está perdido sem alguma direção nó dois estamos de smoking, parece que estamos indo ou voltando de alguma premiação, perco minha consciência e tenho uma lembrança, estou em um barco, com o homem ao meu lado com uma vara de pescar, estamos a 3 km da margem, o homem fala comigo, mas eu não ouço nada, só ruídos, vejo na margem a poltrona de casa com o livro em seu braço, segundos depois de eu focar minha visão nela ouço gritos fortes, que parece ser do homem atrás de mim, olho para traz o homem grita cada vez mais alto, tampo os meus ouvidos, e ao colocar minha mão sobre eles, sinto a faca que está na minha mão esquerda, meu corpo toma por si só as decisões a partir daquele momento e eu corto sua garganta, volto ao controle, o sangue do pescoço do homem faz com que as águas tomem sua cor, olho para traz estranhamente tranquilo e a poltrona não está mais lá. Volto a casa, tenho que me apoiar na parede para me equilibrar, minha respiração está pesada e espero algum tempo para voltar a limpar, pego a vassoura que ainda estava no chão e começo a varrer, Natashia ainda solta alguns gruídos dizendo sempre a mesma coisa – Temos que fugir – Tiro minha atenção dela e vou com os destroços do vaso até a cozinha, porque se não estou enganado lá tem um lixeiro, a pá está ao lado e termino o trabalho, sento um pouco e penso, enquanto vejo as gotas de suor caindo da testa de Natashia, pego a vassoura e vou até a sala de armário de limpeza guardo a vassoura e vou até os livros, pego um livro e percebo que tem uma foto comigo e com uma criança ao meu lado que parece ter uns 10 anos, ele tem cabelo liso e olhos verdes, está sorrindo, mas sem aparecer um fio do seu dente, deixo a foto de lado e olho os livros, pego o primeiro da prateleira que não tem capa, e nem verso começo a abrir o livro e escuto o som de uma porta abrindo, é de casa,parece que a Natashia finalmente acordou e deve estar me procurando, fecho o armário, é claro com o livro nas mãos, chego em frente a casa e olho ao redor, parece que ela está dentro de casa já que a porta está aberta, entro silenciosamente na casa, e me deparo com um homem enorme em frente ao sofá de sobretudo, conversando com Natashia que agora está acordada, com passos leves vou até a conzinha e coloco brechas da minha cabeça para sala, para ver e ouvir que ele está falando e dizendo, não sei porque,mas pego uma faca que está em cima do balcão.
— Onde ele está? — Natashia sorri.
— Se você acha que vou responder apenas, por...- Ela recebe um tapa na cara, que faz com que eu aperte mais forte o punhado da faca e me tento a avançar, mas eu preciso ver a situação primeiro.
— Você acha que pode me responde com esse olhar de uma pessoa sã? Você não acha que já fez coisa ruim de mais não? Porque você não diz onde ele está logo, assim talvez te desculpamos, ou quem sabe te deixamos viver o pouco que te resta. – Natashia continua sorrindo, com um corte na boca por conta do tapa que levara, mas o que me impressiona mais é que por traz do seu corte, além de não haver sangramento, sua pele é branca e rapidamente é fechado.
— Você sabe que palavras bonitas não me farão contar, me mate logo – O homem parece estar impaciente.
— Isso tudo por conta de um qualquer, mesmo sabendo que vamos encontrar, de qualquer maneira, você ainda quer se sacrificar? Então vou fazer do seu jeito, morra. – Ele tira uma faca de seu sobretudo, conectada a uma corrente brilhante, mas antes que ela o empunhe eu dou um pequeno grito, que paro com minhas mãos, ele para e vira-se para a cozinha. Estou respirando fundo, e baixo, mas vou para baixo do balcão, ele começa a derrubar as panelas que estavam em cima da pia, uma a uma, eu seguro forte a bainha da faca, até que escuto um barulho de porta rangendo nós dois olhamos é a Natashia, numa tentativa desesperada de fugir, ele volta os olhos para ela e começa a andar calmamente para sua direção, me levanto lentamente e desço rapidamente quando ele ameaça a virar o rosto para traz, quando ouço um grito de socorro seguidamente de gritos chamando o Gustavo, o homem com sobretudo começa a gargalhar.
— Você não sabe ainda, não é? – A cara de transtorno de Natashia me faz derramar uma lagrima, mas parece que ela não mostra nenhum sentimento. Apenas está transtornada enquanto continua gritando pelo Gustavo, ele retira novamente a faca, eu fico totalmente irracional e pulo para suas costas, cravando a faca no seu pescoço ele me joga para traz, eu rastejo de volta para casa, e fico olhando a sua reação com a faca cravada em seu pescoço, ele ainda está de pé, mas como? Nem está sangrando, levanta a sua mão e puxa a faca, vira o seu corpo, está com um sorriso que me faz entrar em pânico.
— Então você estava ai? Parece que você encontrou a sua casca, Gabriel estava a sua procura. – Ele enrola sua mão esquerda no meu pescoço e começa a apertar, eu estou prestes a perder a consciência, quando Natashia pega a faca que estava no chão e decepa a mão dele com a qual ele estava me enforcando.
— Corra! – Natashia grita desesperada, enquanto abre os braços e fica na minha frente, o homem não sangra e não grita, ele pega a sua mão esquerda que cairá no chão, e coloca na posição de seu braço, faz com que pareça um corte circular, uma luz escura ressoa sobre o corte e não sei como, ele volta ao controle da mão, puxa o cordão que está conectado com a faca e instantaneamente ela vai à direção de sua mão, estou correndo enquanto olho para traz bato a cabeça na parede, vou em direção ao corredor, e me sinto culpado por ter deixado a Natashia com o homem sozinha, corro na direção da porta do porão, tento abri-la só que está muito dura, coloco uma força tremenda que faz com que a maçaneta seja arrancada da porta, não sei como, mas também não tenho tempo para pensar no assunto, corro para as escadas, mas a faca do homem passa através da parede e quase acertar a minha cabeça, com o susto eu caio para traz, e seguro com minha mão direita para me apoiar a corrente que está ligada a faca, minha mão queima instantaneamente que me faz solta-la e cair de novo, agora me apoio no buraco que antes era o lugar da maçaneta e começo a correr na direção dos quartos, vejo a corrente sendo puxada e me desespero ainda mais, na brecha dos corredores para a sala, vejo Natashia na porta, com vários cortes que brilham cada vez menos, corro em direção ao primeiro quarto, mas como eu esperava está trancado, a faca vem de novo que faz a porta ser arrebentada e também ela é puxada,quando a faca volta, a porta bate na parede e cai, mas por que eu estou congelado, eu preciso correr, eu vejo lentamente a faca novamente ser lançada por dentro da parede que está em minha frente, de repente o tempo para, tudo retrocede, é uma lembrança, desta vez eu estou na casa, mas nos bastidores, eu estou parado atrás da poltrona, enquanto eu a circulo para ver quem está sentado, é o homem da foto do barco, ele está quase igual tirando a sua falta de barba, minha mão está tremendo, o homem desperta com um susto, eu não falo nada só vou ao meu quarto, quando desapareço nos corredores, volto a realidade a faca continua passando pela parede, sinto que consigo desviar só que eu não quero, para que correr, se ele vai jogar a faca de novo e de novo? Percebo que a ponta da faca está ensangüentada, mas ela não me atingiu, bem... que seja, vou morrer mesmo pra que tentar desviar, fico estranhamente calmo, quando os meus ouvidos voltam a funcionar enquanto Natashia está na passagem da sala para o corredor, não sei por que ela está gritando, tudo fica mudo novamente, percebo uma intensa luz no corredor, olho para os olhos dela, a forte luz vem do meu corpo, mas como? Olho para baixo e vejo a espada cravada no meu peito esquerdo, quando volto a minha consciência completa, sinto o formigamento no meu lado esquerdo do corpo que me faz gritar. O meu corpo dividido pela luz, toma completamente o meu lado esquerdo, mas não sinto nada no meu lado direito não sei o por que, mas seguro a bainha da faca, mesmo queimando eu retiro do meu peito, e a dor passa instantaneamente, caio no chão de quatro, respirando muito forte, sinto os músculos que a faca cortou, voltando ao seu lugar, corro para Natashia que cairá no chão, enquanto os cortes recuperam-se, eu dou uma rápida analisada no corpo dela, os cortes permanecem, soltando pequenos raios de luz, o homem que ainda está na sala está vindo atrás de mim.
— Parece que realmente é você, eu não diria parabéns, mas é uma honra matá-lo, quer dizer, se você entregar-se talvez eu te poupe. – Ele diz com um sorriso que me irrita extremamente.
— Cale a boca. – Sussurro, com lagrimas saindo do meu olho direito.
— Está irritado?
— Cale a boca. – Meu rosto fica completamente vermelho, e fico extremamente com fome. Não sei porque, mas sinto que vou sair do controle, mas continuo firme.
— Quer que eu cale a boca? Então tente me calar. – Saio completamente do controle e avanço, por um rápido período de tempo olho no vidro das prateleiras ao meu lado que sobem com a velocidade com que estou avançando, os meus olhos são tomados pelo vermelho. O homem ainda está com o sorriso na cara, e tenho o pensamento constante em comê-lo, para saciar a fome, minhas mandíbulas cravam em seu pescoço, e consigo ver os seus olhos tentando ainda me acompanhar, uma parte de seu pescoço está cravada nas minhas mandíbulas e a tiro, fico em pé atrás dele, com uma parte de seu pescoço em meus dentes.
— Que gosto horrível. – Não sinto, nem vejo o sangue e acho que devo desistir de saber se ele sangra ou não, ele puxa novamente a sua faca que ainda estava no corredor e vai direto para sua mão.
— Será que se eu cortar a sua cabeça você morre? – Ele fala com os olhos interligados ao meu, enquanto uma nova parte de seu pescoço é reestruturada. Eu engulo o pedaço de carne e novamente avanço, só que ele está mais rápido, ele corta o meu braço esquerdo levemente e não acontece nada, ele também está surpreendido, acerto um soco em sua barriga que faz ele se curvar, depois mordo a faca que está em sua mão esquerda, e faço com que a solte, não queima a minha boca, jogo-a para a mão direita, ela queima minha mão, e tento cravá-la em suas costas, só que ele consegue se recuperar e faz com que sua cabeça bata em minha mão e faz a faca cair, ele a puxa com sua mão esquerda e crava no meu peito do lado direito e o formigamento volta, continuo podendo andar vou até onde Natashia está, a minha fúria está passando e estou ficando mais calmo, até ela passar tenho que deixar Natashia segura, tiro com minha mão direita a faca e corro para ela, eu a empurro, enquanto o homem não vê, escada a baixo, depois quebro as paredes com que faça ela trancafiada no porão, eu sei que ela vai dar um jeito de sair, não sei como consegui essa super-força, mas eu consegui, eu não estou mais com raiva, e minha fome está muito maior que o inicio, corro para o outro lado do corredor, o homem me segue, agora com a cara de sério, passo pela porta aberta e fico pasmo com o que vejo, o garoto da foto do armário de limpeza sufocado com uma corda apertando seu pescoço, com a pistola cheia de marcas em sua mão, e com uma enorme mancha de sangue no teto e no chão, seu rosto pálido e os respingos de sangue pelo quarto me faz ter náusea, uma mulher está deitada na cama com uma grande poça de sangue a sua volta, só que não consigo ver mais detalhes, não lembro dela, vejo a sombra do homem chegando próximo, quando sua mão me puxa pela camisa, eu retiro ela e lhe dou um chute na barriga, ele não faz nenhuma ação,minha força de antes já acabou, ele me levanta com as mãos entrelaçadas pelo pescoço e o ar sai de meus pulmões, não fico sufocado, nem sinto mais dor, vejo uma luz fraca saindo do quarto seguida de um barulho de pistola, logo penso que o garoto está vivo, mas como? O homem que segura meu pescoço vira a atenção para o quarto e eu o empurro para o outro lado do corredor, porém não adianta muito já que ele nem caiu, ele volta a por as mãos no meu pescoço e rapidamente encho meus pulmões de ar, ele me levanta e me seguro para não soltar, para a minha surpresa e a do homem, o menino está parado na porta com a pistola em sua mão, o homem rapidamente me solta e puxa a faca que está na entrada do corredor, mas antes de sua faca chegar às suas mãos, o garoto aponta para sua cabeça e atira, eu fecho os olhos, e repito várias vezes – isso é um sonho... Isso é um sonho... – o garoto me ignora e vai direto para a faca que parou de seguir o homem e caiu no chão. Ele agacha calmamente, e pega a faca, enquanto isso eu consigo ver sua cabeça perfurada por uma bala com algumas gotas de sangue caindo sobre o piso de madeira, o garoto segura a faca com força, ela queima sua mão, anda em minha direção, ele tem um furo no peito, mas não é da arma.
— Mate-o. – Fico curioso com sua voz, mais grossa que aparenta ser, depois percebo o que ele está falando.
— O que? Por que eu? Você não deu um tiro na cabeça dele, ele não já ta morto? – Ele está nervoso por conta da faca que queima a sua mão.
— Não faça perguntas, só faça o que eu digo! – Ele joga a faca próxima de mim, sou tentado a pegar, mas não pego, a faca já fez uma marca na sua mão esquerda. – Olhe só, vou lhe dar uma explicação rápida, se você matar ele, a faca não mais o obedecerá, ela vai obedecer você, esse é nosso ultimo recurso já que você não tem nenhum meio de defender-se, entendeu? A Natashia iria me ajudar a você fazer isso, falando em Natashia, cadê ela? – Eu fico surpreso que ele saiba da existência da Natashia, tenho lembranças da luta que tivemos agora pouco, e o que ele fez com ela, pego a faca com a minha mão esquerda, não acontece nada, nenhum formigamento, o braço do homem, meche alguns centímetros e ele sussurra –Não confie nele – eu não lhe dou ouvidos e cravo a faca em seu peito, o seu corpo começa a exalar luz, seguida de uma completa escuridão nos seus olhos e boca, logo depois seu corpo se desintegra e a faca cai no chão, junto de sua corrente.
— Gustavo? – Ele olha para traz, eu percebo que ele da um pequeno sorriso, quando vê que estou colocando a corrente no meu braço esquerdo – então já sabe meu nome? – eu solto um pequeno sorriso.
— Você parece ser bem famoso – ele continua na direção a sala onde Natashia está trancada, quando ouvimos passos na porta, faço um gesto com a boca “Mais deles?” ele confirma com a cabeça e segue em minha direção com passos curtos, ele pega a arma de marcas que está no chão e coloca na cintura.
— Vamos ter que sair daqui pela janela – Ele sussurra.
— O que? E a Natashia? – Eu respondo aumentando um pouco o tom da minha voz.
— Ela está bem escondida.
— Eu não vou embora sem ela. Vamos lutar! – Ele bate na minha cara.
— Você é maluco, não percebeu a dificuldade para matá-lo? Você teve que se transmutar para devorador, e mesmo assim não conseguiu comparar-se a ele, e agora você está com fome e fraco, temos que recuar, depois voltamos para pega-la. Acredite em mim, ela gostaria que fizéssemos isso. – Mesmo relutante, confirmo com a cabeça, corremos para o quarto e pulamos a janela retangular quase me engancho, mas Gustavo me ajuda. Não parei para ver as redondezas da casa, mas é um tanto deserto, tem um carro parado em uma estrada, Gustavo corre para ele, quebra a janela, o carro buzina, mas ele passa a mão sobre o volante ele para de buzinar instantaneamente.
— Procure uma chave reserva – Diz Gustavo, um pouco nervoso.
— O que? Como assim? Você não é mágico? Por que não liga o carro apenas passando a mão sobre o volante? – Digo com um tom de voz mais irritado.
— Estou fraco demais, não consigo mais usar o meu poder.
— E por que você o fez parar de buzinar, e não fez ele ligar de uma vez?
— Não pensei direito – Eu levanto o tapete que cobre o piso do carro e está lá, a chave reserva. Sem mais, sem menos, ele coloca o carro para funcionar. Olho para traz e tem um homem explodindo a janela e correndo atrás de nós, eu o olho e começo a perceber que volto a ficar com fome, não, quer dizer eu já estava com fome só que ela estava sendo encoberta pela adrenalina.
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