O Erro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O Erro
Em um lugar pouco distante estava andando na relva e via vultos atrás de mim, olhava pra trás e eles fugiam com se eles quisessem que eu não os visse. Era uma noite clara, cheia de estrelas e a lua cheia brilhava no céu. Eu estava com um vestido branco que se arrastava pela grama, mais adiante debaixo de uma árvore vi uma garota sentada em um balanço. Parecia triste e sozinha.
No inicio me deu medo, pois ela estava em plena noite sentada em um balanço debaixo de uma árvore. Mas percebi que estava chorando, mesmo sem dar para ver seu rosto eu senti. Suas roupas meladas de sangue e seu ar de mistério.
Inexplicavelmente ela falou:
-Sofrer um terço da vida é pouco, pra quem vive uma maldição.
E aquele ar de mistério e medo soprou e deu aquele frio na espinha.
E eu perguntei:
-Porque falas assim?
E ela rapidamente respondeu:
-Porque é a verdade.
-E porque choras? Eu folgada perguntei de novo.
-Cometi um erro! Ela exclamou.
E eu querendo morrer perguntei outra vez:
-Como se chamas?
Ela parou pensou e em minutos de silêncio, levantou o rosto e disse:
-O medo!
O rosto dela todo desfigurado com arranhões, cortes e pontos; tive um susto. Minha mente deliberadamente queria sair correndo, mas meu coração não deixava e minhas pernas criavam raízes.
-Todos fogem com medo e sou chamada assim por causa desse meu rosto. Sozinha no mundo eu sou!
Pensei que ia morrer todos os meus instintos diziam pra sair correndo, mas ao ouvir estas palavras alguma coisa tocou em mim.
-Porque você tem este rosto? Eu perguntei.
-Ah, já faz tempo, mas muito bem antes disso eu era linda...
-Pode me contar tua historia? Perguntei de novo.
Então ela começou:
Nasci em meados do século XIX, cresci e me tornei a moça mais linda do vilarejo. Sempre amei dança e cantar, os rapazes ficavam encantados quando me viam. Só que depois de um tempo cada um foi se casando, percebi que eles não me amavam e sim me achavam bonita. Quando de repente meus pais fizeram eu me casar á força com um homem rabugento, que só me maltratava e abusava de mim. Por conta disso, meus dias eram de terror.
Tinha medo de um novo dia renascer e também de escurecer. Eu passava pelas ruas, os mais sensatos só me olhavam e os insensatos riam de mim.
A cada dia o ódio tomava conta de mim, e por isso matei meu marido, e todas as pessoas que riam de mim. Meus pais por desgosto se mataram e os rapazes fugiam de mim. Eu ainda era bonita só que tinha alguns arranhões e machucados por causa de meu marido. Por isso comecei a detonar meu rosto, todo dia acordava e cortava ou machucava algo em meu corpo com a esperança de pagar pelos erros que cometi, porém de nada adiantava sofria cada vez mais. Percebi que todos morriam de velhice, mas eu continuava intacta, não envelhecia. E todos me viam como uma assombração e até hoje vivo, mas pra mim estou morta.
-Mas você não cometeu erro algum, tirando os assassinatos. Tudo isso deve ter ocorrido por algum motivo...
Nem deixou eu terminar e irritada falou:
-Virar uma assombração!
-Não, ter me encontrado!
E aumentei a voz e falei, e ela não entendendo perguntou:
-Como assim?
E então comecei.
-Já pensou que tudo que você passou no passado é só pra você aprender que beleza não é tudo e sim o amor, você viu que ninguém te amava só seus pais, só que eles erraram não deviam morrer e sim te aceitar e ajudar, você sempre foi solitária. Ninguém gostava de você de verdade e sim pela sua beleza, voz e jeito de dançar. E Deus ti deu mais uma chance de viver a vida não só pela beleza e mentiras e só pelo amor. As pessoas tem que gostar de você pelo que é.
E do rosto dela caíram lágrimas, e estas mesmas lagrimas limparam seu rosto. E ela perguntou:
-De onde você tirou isso?
E eu simplesmente respondi:
-Do coração. A boca deve falar do que está cheio o coração.
E ela enxugando as lágrimas, falou:
-Já esta tarde. É melhor você ir.
E eu fui. No outro dia de tardezinha quase anoitecendo eu voltei ao mesmo lugar, mas não vi ninguém apenas um bilhete que dizia assim “espere anoitecer”.
Eu esperei e continue a ler o bilhete “olhe para o céu e veja a estrela que mais brilhar, sou eu.” Percebi que ela estava afastada de todos as estrelas, mais senti que estava feliz.
E no final estava escrito:
“Viva enquanto é tempo e nunca tenha vergonha de brilhar, só porque seu brilho é diferente. Mas lembre: é diferente, mas é especial. E sempre estarei olhando por você.”
Notas finais
Cometem
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