O Eremita
3 Capítulo 3: Nova Luta: Antes
Em seu quarto, Cernnunos experimentou diversos feitiços, descobrindo mais sobre suas pró-prias habilidades. Ele coordenou também os NPC’s da Torre para melhor defende-la naquele lugar. Durante esse meio tempo os Corvos, com seus servos, estudavam aquele mundo, conseguindo informações com viajantes e em vilas. Toda noite eles faziam um relatório completo sobre as informações coletadas utilizando a habilidade [Mensagem]. Num curto resumo, a Torre de Babel estava atualmente localizada num planalto nas fronteiras de um reino de Humanos (uma vez que existiam várias outras raças naquele mundo, informação essa que deixou Cernnunos surpreso e empolgado).
— Reino de Humpty? De Humpty Dumpty? O ovo? — indagou Cernnunos ao saber o nome do reino onde se encontrava, no mesmo dia em que se trancou no quarto.
— Então está familiarizado com a lenda, mestre? — perguntou Hugin. Cernnunos assumiu um ar nostálgico e um tom saudoso.
— Ele é um personagem de minha infância... Em terras longínquas... Diga-me, a que lenda você se refere?
— Eras atrás um rei ganhou um ovo de seres divinos, um ovo tão belo que parecia o fiho da Lua, do Sol e das Estrelas. Esse ovo recebeu o nome de Humpty Dumpty, o Jovem Deus Astral. Dizem que quando o ovo chocasse, um Deus surgiria para iniciar a Era de Ouro do Reino, onde ele conseguiria dominar o mundo sob uma única bandeira.
‘Logo, o reino se renomeou em homenagem ao ovo e permaneceu assim por séculos até alguns anos atrás, quando o último rei de Humpty Dumpty morreu. Os dois príncipes mais velhos começaram a brigar pelo trono vago, vários nobres escolheram lados nessa guerra civil e quando o ovo sumiu, o reino se dividiu em Humpty ao oeste e Dumpty ao leste. Agora eles estão em um cessar fogo, mas permanecem em guerra...
O silêncio de alastrou por alguns segundos até Cernnunos, preocupado, perguntar:
— O que houve? Hugin?
— Perdoe-me, mestre.... Alguns membros de nossa unidade estão interrogando aldeões, aven-tureiros e militares dos dois reinos enquanto falamos e deles recebemos uma informação atenuante.
— Fale Hugin, qual o problema? — Cernnunos perguntou tentando não se afetar pelo que ouviu.
— Cerca de cem soldados de Dumpty estão atacando e massacrando as aldeias e vilas nas fronteiras de Humpty. Soldados do reino estão se reunindo na cidadela de Bife ao noroeste do Planalto da Torre de Babel para ataca-los e fazê-los parar com tanta destruição, por isso os de Dumpty planejam se refugiar no Planalto.
— Cem soldados estão vindo para cá? Por que logo aqui?
— Suponho que seja porque o Planalto é de difícil acesso, por causa do terreno rochoso e dos vários declives íngremes que o cercam, fácil de defender com a estratégia certa. É um ótimo lugar para uma fortaleza.
Cernnunos pensou por um tempo, tentando achar uma forma de evitar um ataque à Torre... Nada lhe veio à mente.
— Não posso fazer muito com tão pouco. Descubra mais sobre a força desses soldados e dos que estiverem em Bife.
— Sim, mestre.
Depois que Hugin desligou, Cernnunos foi atingido por um cansaço repentino. “Uma ameaça tão cedo... Não nego que esperava uma, mas... Já? Como irei lidar com isso? Na verdade, tenho como lidar? Na Torre devemos ter cerca de 3000 NPC’s, sem contar os golens e o Quarto Andar. Felizmente, podemos usar todos os nossos poderes neste mundo. Considerando a facilidade que Hugin e Munin tiveram para capturar soldados dos dois reinos, acredito que eles não sejam tão fortes. Nível 50, talvez? Sim, acredito que sim. O que é bom, grande parte dos membros da Torre poderão lidar com o exército inimigo se for assim. Sei que é idiotice considerar alguns poucos soldados como um padrão, mas é tudo que tenho. E me agarrarei nisso. Criarei uma estratégia base para defender a Torre e quando Munin entregar o relatório farei as mudanças necessárias. Sim, sim, sim. Posso fazer isso. É uma esperança.”
Horas depois, Munin entregou seu relatório. Entre os 100 soldados, 60 deles eram usuários de magia e os outros guerreiros, ranger, entre outros. O máximo de poder que eles podiam usar eram as habilidades de Tier 3, o Tier mais alto para humanos comuns, o que tornava aqueles 100 soldados bem impressionantes. Pelo menos, para os padrões daquele mundo.
Isso deixou Cernnunos profundamente decepcionado. Eles eram muito mais fracos do que pen-sava. Ele poderia massacrá-los sem sair do lugar, assim como vários outros da Torre também poderiam. Por que, então, ele se preocupou tanto? “Não. Não mais. Esses idiotas já fizeram o que não deviam ter feito há muito tempo.” Com esse pensamento vingativo, Cernnunos saiu de seu quarto... Bem, na verdade ele fez isso uma semana depois, queria dar tempo para seus novos amigos chegarem mais perto da Torre.
Ao sair de seu quarto, Cernnunos viu que era esperado. Três figuras estavam a sua frente, à direita estava um Mordomo moreno de expressões lupinas e cabelos ruivos impecavelmente arrumados. À esquerda, uma empregada idosa de postura firme, sua pele pálida e enrugada, seus cabelos prateados numa trança que tocava o chão e seus olhos completamente negros. Entre os dois estava A Dama, uma boneca angelical como sempre— “Árvores coram?” Cernnunos se perguntou. Os três se curvaram perante Cernnunos.
—Hilda, Lupus. Faz muito tempo que não os vejo. Como estão?
— Não somos merecedores de sua preocupação, senhor— disse Hilda, a Empregada-Chefe. Ela coordenava todas as empregadas da Torre, além de defender as portas para a Sala dos Tronos, juntamente com Galileo, o Mordomo-Chefe. Por defenderem uma das salas mais importantes da Torre, eles possuíam uma posição de igual respeito ao dos Guardiões de Andares.
— Hilda, eu me preocupo pois me importo com cada um de vocês. Não se esqueça disso.
Um sentimento de admiração passou pelos três. Todos se ajoelharam dizendo em voz alta e uníssono:
— Nunca esqueceremos.
Cernnunos sorriu perante aquela demonstração de respeito. “Isso é bom” pensou. Mas não era hora para essas coisas.
— Oh, sim. O que vocês estão fazendo aqui?
— Soubemos— disse A Dama— que o senhor iria sair numa missão para exterminar alguns vermes impertinentes...
— Eh? — exclamou Cernnunos. Ele não fazia ideia que eles pensassem assim.
— ...então viemos nos despedir e perguntar se o senhor possui ordens antes de ir.
— Hã, bem... Não, acredito que não. Já discutimos o sistema hierárquico em minha ausência e em minha presença, além do que fazer em diferentes situações... Mas... Na verdade, agradeço por vir aqui, acabei de ter uma ideia. Segundo os Corvos, Bife está cercada por inimigos e não fazem ideia disso. Acredito que dominar a cidade sob a bandeira da Trinity Heaven será um primeiro passo interessante para a criação de nosso reino.
— Reino?
— Não gosto da ideia de estarmos nas terras de um reino qualquer. Por isso quero que Grael conquiste e governe aquela cidade por mim. Se ele cumprir isso sozinho... Estará perdoado pelo que fez— “Não é como se eu quisesse puni-lo, a culpa foi minha mesmo.”
— Como quiser, senhor— Ela mantinha a cabeça baixa.
— E mais uma coisa. Existem bombas debaixo da cidade. Diga-o para tomar cuidado e tirá-las de lá antes de tudo.
Essa última ordem demonstrava o verdadeiro motivo pelo qual Cernnunos não queria aquela cidade nas mãos de nenhum dos reinos. Acontece que o plano de Dumpty era atrair grande parte da força militar daquela região para o Planalto, enquanto Bife, uma cidade estrategicamente importante para Humpty nas fronteiras, era atacada e dominada. Bife era uma cidade construída numa ilha num grande lago cujas margens, assim como as da ilha e toda a cidade tinham muralhas. Era uma verdadeira fortaleza, isso sem contar a enorme quantidade de monstros nas terras da região. Além disso, ela era o principal apoio militar da região sul do reino, que possui muitos recursos em montanhas, lagos e florestas. Se Humpty perdesse Bife, com a estratégia certa, a derrota seria questão de tempo. Mas esse plano necessitava de duas coisas: o domínio do planalto e a surpresa. O primeiro Cernnunos nunca iria permitir, o segundo... Digamos que Dumpty não é bom em guardar segredos. Depois que Humpty descobriu os planos, foi decidido desenvolver e colocar bombas nas profundezas da cidade e quando alguém importante visitasse a cidade (o que certamente iria acontecer, devido à importância daquele ponto) ela explodiria, a vantagem de Dumpty seria perdida e sua queda que seria questão de tempo.
Cernnunos olhou para o fim do corredor onde cinco seres, (dois elfos negros, um com vestes verde-escuras, carregando um arco de madeira branca e outro com vestes negras carregando uma cimitarra vermelha. Um homem-sapo, vestido com uma armadura de couro e com um chicote farpado enrolado na cintura. Um orc com vestes azuis claras carregando um cajado de madeira negra e um anjo de túnica branca com um cetro dourado) a sua escolta, o aguardavam. Ao ver o orc um plano se formou em sua cabeça.
— Vocês três estão dispensados. Vocês cinco, me esperem nos portões. Irei ver os Guardiões do Quarto Andar.
Uma surpresa surgiu nos olhos dos oito, mas ninguém disse nada. Com uma reverência, todos sumiram. Cernnunos suspirou pesadamente. “Esse sumidouro me irrita”.
O quarto andar da Torre de Babel tinha pouquíssimos NPC’s, mas nem por isso era o mais fraco dos andares. Em meio à florestas de arvores sem folhas, fortalezas e construções cinzentas havia um grande exército de golens e cristais mágicos que lançavam feitiços e invocavam fortes criaturas na presença de inimigos. No meio desse grande andar, numa plataforma circular de pedra desenhada com runas azuis brilhantes, estavam seus guardiões. Quatro magos, um de túnica preta com detalhes em prata, carregando um cajado de madeira escura que parecia um longo e torto braço com treze dedos que segurava um crânio de cristal, outro de túnica branca com detalhes em ouro, carregando um cajado de metal com pérolas incrustadas, outro de túnica verde com detalhes em roxo, carregando um cajado de madeira clara com uma esmeralda na ponta e o último de túnica azul com detalhes em amarelo, carregando um cajado cilíndrico de metal com um grande cristal flutuando na ponta, como a lâmina de uma lança. Os quatro vestiam uma máscara de crânio de cervo, sendo impossível ver suas raças.
Cernnunos caminhava por uma das estradas que levavam até a plataforma, enquanto terminava de traçar seu plano pensando nas possibilidades. Enquanto isso ele admirava o trabalho de Archedon, Nula, Basill, Jut-Leon e Silfh. O que lhes faltava em criatividade para nomes, eles compensaram em criatividade arquitetônica. Aquele era o único andar em toda a Torre que não emanava sua própria luz, tendo sua única iluminação fracos pontos de luz azulada nas estradas. Todo o resto era envolto por uma densa escuridão. Quando ele chegou na plataforma, os quatro reverenciaram.
— Cervos, tenho um pedido a lhes fazer. Eu quero que vocês desenvolvam novas magias, habilidades e artefatos utilizando as informações que os Corvos coletaram e irão coletar.
Os quatro se mexeram empolgados. Segundo os Corvos, com recursos suficientes, isso era mais que possível. Aliás foi dessa forma que as bombas m Bife foram desenvolvidas. Por magos, com magia. Isso abria um infinito de possibilidades.
Cernnunos sorriu, quando estava prestes a testar suas próprias habilidades, ele já começava a desenvolver novas. “Bem, eu não irei desenvolver, mas aproveitarei da mesma forma... Novas magias. Novos itens. Novas aventuras.”
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