UM ANO ATRÁS


- Você acha mesmo que isso vai ajudá-lo? — disse Dorethe de olhos baixos. O que estava prestes a fazer, seria algo que mudaria não só a vida de Mattew, seu melhor amigo, mas também a sua.
- Dorethe, quer mesmo que seu amigo continue matando, se tornando cada vez mais uma pessoa fria ou quer que ele se recupere, tenha um futuro? — disse o homem engravatado. Eles estavam em um café. 20h55, faltavam apenas 5 minutos para fecharem.
O rosto de Dorethe estava enxado, suas mãos tremiam de baixo do envelope que segurava, o que tinha ali dentro, iria mudar tudo.
- Me entregue o envelope e tudo terminará bem, Dorethe. — disse o homem levando suas mãos até o envelope.
- Não. — disse decidia. Pegou o envelope, colocou em sua bolsa e se levantou.
- Você está cometendo um grande erro!
- Não me diga o que devo fazer. — disse fria.
- Sim, Dorethe, eu direi o que você deve fazer — disse levantando, caminhando atrás de Dorethe até a saída. — Você deve entregar o seu amigo ás autoridades antes que ele morra nas mãos de traficantes e segundo contatos, a próxima parada do seu amigo, será em Seattle. O entregue e irá evitar mais uma vida inocente.
- Vida inocente?
- Sim, Dorethe... A pessoa que Mattew irá matar dessa vez é esta garota, formada em psicologia, assim como você. — disse ele a mostrando uma foto — Não se identifica? Uma garota comum que estudou anos pra chegar um maluco e a matar sem dó e, sabe por quê? Porque o falecido pai tem dívidas. Um pai que não foi presente na vida dela, um pai que não merece a filha que tem. E eu te pergunto, Dorethe... Você irá permitir isso?
Lágrimas. A cabeça de Dore começa a latejar tanto que a faz de apoio. Entregar Mattew ás autoridades poderia salvar a vida daquela garota mas poderia também acabar com a de seu melhor amigo.
- Por favor... Prometa que ele não irá se ferir. — ela disse entre soluços, tremia bastante.
Ele suspirou fundo e não disse nem uma palavra.
Dorethe entrega o envelope e se vira sem dizer mais uma palavra.
- Você é uma boa amiga, Dorethe.
Em um momento de fúria, ela se vira e berra:
- Não me dirija a palavra nunca mais!
E ao se virar pra frente, cai de joelhos e fica por ali durante muito tempo.
Aos prantos.
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O enterro da avó de Mattew estava acontecendo em um sábado chuvoso, havia muitas pessoas no local, pessoas tristes e inconformadas com o que houve ali.
Dorethe estava sentada, não tirava os olhos do caixão. Aquilo aconteceu por sua causa.
Mattew descobriu que as autoridades o perseguiam e conseguiu fugir... Provavelmente para Seattle como disse o detetive.
E ali estava ele, perto da saída do cemitério. Dore o secou com olhos cerrados e foi até ele. Ambos estavam de luto, a chuva era fina e ventava bastante. O chapéu de Dore foi levado pelo vento mas parece que passou por despercebido pela mesma.
- Eu vou atrás dele.
- Não espere meu apoio, Dorethe.
- Eu causei essa confusão, te entreguei as gravações que o incrimina, agora tudo isso está sob minha responsabilidade. Eu vou até Seattle, vou ficar na cola da garota e vou entregar Mattew.
Ela parecia fria, parecia estar decida do que fazer. Mesmo que teu coração doía dizendo aquilo, sabia que começou agora teria que terminar. Além do mais, ele havia fugido sem dizer uma palavra pra ela, o que a magoou muito.
- Saiba que você não está mexendo com seu amigo mais, Dorethe. Você está mexendo simplesmente com o sexto maior assassino já registrado na história dos EUA.
- Só vim até aqui para continuar o sigilo e te darei 30% da recompensa.
- Be...
- Só isso mesmo, senhor detetive. — disse o interrompendo.