O Elmo Roubado

16 Passamos pelos três primeiros andares


Notas iniciais
Desculpem-me minha ausência, mas estou em período de provas (o que acontece quase todo mês). Vou tentar postar regularmente, me desculpem se ficar muito tempo sem postar. Espero que gostem!

JULLY

A escada terminava em uma porta. Entramos e nos deparamos com uma mesa com um banquete completo. Frango assado, tortas, frutas, sorvetes, bolos, pizzas e hambúrgueres foram os que eu vi primeiro. Meu estômago roncou e eu pude perceber que Nico também estava com fome.

- Uma armadilha? – sugeri. Mas tudo parecia tão suculento. Tinha um cheiro tão bom.

- Sem dúvidas. – Nico olhava para as comidas – devem estar envenenadas, ou algo do tipo.

Cometi o erro de tocar em uma coxa de um frango. Minha mão ficou presa. Algo me prendia.

- Nico!

Ele me puxou, mas o frango estava me prendendo. Ele agarrou minha cintura e tentou puxar. Uma voz ecoou do fundo da sala.

- Olá, companheiros! Estão com fome, suponho. Não deviam tocar na minha comida.

Um cara magro e alto com o rosto tão pálido que apareciam as veias pela pele surgiu no meio da sala.

- Sou Limos, prazer! – Ele estendeu a mão para mim – Oh, está um pouco incapacitada de me cumprimentar agora. Tudo bem.

Ele estalou os dedos e o frango me soltou. Fazendo com que eu e Nico caíssemos no chão.

Deus da fome Nico pensou. Eu estava dominando a telepatia.

- Creio que queriam chegar até mamãe. O que vocês querem com ela?

- O Elmo de meu pai!

- Ah, é mesmo! Está com ela! – Limos riu – Mamãe, sempre travessa. E eu como sempre sou o primeiro desafio. O mais fácil. O mais insignificante. – Limos bufou e eu consegui ler suas emoções.

- Isso não é verdade! Milhões de pessoas morrem por fome todo ano.

- É, é mesmo. – seus olhos brilharam – Eu sou poderoso. E vou matar vocês!

- Ah... eu creio que não gostaria que isso acontecesse. Você sabe... Se nos matar agora teria que usar força física. E isso não seria muito bravo de sua parte. Deveria nos matar pela fome que é de seu domínio. Mas isso demoraria muito, considerando que somos jovens e saudáveis. É na verdade... Pensando bem, mate-nos na força bruta. Seus poderes seriam inúteis mesmo.

- Meus poderes não são inúteis, menina tola!

- Ah é? – A mente de Limou gritava várias coisas ao mesmo tempo “apenas dez minutos com cada um deles” “próximo andar” “não posso matá-los!” “tortura-los!” – Você não conseguirá nos matar de fome em dez minutos. – Eu temi sua resposta. Ele era o deus da fome, com certeza poderia nos matar em segundos. Mas eu só precisava ganhar tempo.

- Ah! – Limos bufou – Eu odeio vocês! Odeio mamãe! Odeio meus irmãos que são mais poderosos do que eu! Odeio a todos!

- Não nos odeie Limos. Você é poderoso. Só precisa aprender a manusear seus poderes.

Um relógio apitou e a porta atrás de nós abriu. Subimos a escada ignorando o que Limos lamuriava.

Meu estômago doía de fome. Seria, com certeza, difícil continuar.

A segunda porta estava aberta. Entramos e logo eu queria sair.

NICO

O segundo andar era uma bagunça sem fim. Havia travesseiros, restos de comida, roupas sujas, armas letais e ossos humanos por toda parte. O lugar fedia e com certeza precisava de uma faxineira com urgência. No meio de uma pilha de ursinhos de pelúcia rasgados – o que me lembrou vagamente Octavian (o cara que via profecias rasgando bichos de pelúcia indefesos) – saiu uma mulher com cabelos roxos e roupa esfarrapada.

- Ah, visitantes. Oi, sou Disnomia. Acho que devem ter percebido que sou a deusa da desordem. Bem, a desordem política, social e econômica são obras minhas. E os quartos das crianças bagunçados também!

Ela tirou uma pena de travesseiro de seu cabelo.

- Eu não tenho que matar vocês, não é? Ah, sentem-se aqui, comigo! Tem dois bancos embaixo dessa pilha de roupas. Vamos conversar.

Ela falou algumas coisas, mas nada entrava em minha cabeça. O fato de ela não tentar nos matar nem nos torturar nenhuma vez foi positivo. Eu estava faminto e cansado, não aguentaria lutar. Mas sabia que teria que lutar em pouco tempo para recuperar o Elmo. Precisava poupar energia. Disnomia não falava coisas com sentido, mas Jully parecia entender e fazia perguntas. Parecia que estava tranquila. Alguns minutos depois a porta se abriu e Jully se despediu de Disnomia, que pediu para que a visitássemos mais vezes — coisa que eu prometi pra mim mesmo que nunca faria.

- Está fácil de mais. – Jully disse se aproximando da terceira porta.

- Concordo.

A porta se abriu e Jully reprimiu um grito.

Quando entrei, dei de cara com minha mãe e Bianca. Corri até elas para abraçá-las, mas elas viraram fumaça e sumiram. Jully ainda estava próxima à porta, olhando para baixo com cara de horror. Meu coração doeu. Minha mãe e Bianca estavam ali.

Uma mão pousou em meu ombro e quando me virei, Minha mãe sorria para mim. Ela estendeu os braços e eu a abracei. Seu cabelo tinha cheiro de óleo de argan. Afundei em seus braços e me permiti chorar. Tudo o que eu tinha na vida era Hazel. Eu sentia falta da minha mãe. Sentia falta de Bianca. Minha mãe começou a ficar quente. Ergui os olhos e ela estava entrando em combustão.

- Não! – gritei em desespero.

Ela sorria para mim.

- Mãe, por favor, fique comigo! – eu disse entre soluços.

Seu sorriso se transformou em uma careta. Ela estava sentindo dor. De repente seu corpo virou cinzas. Ajoelhei-me no chão e chorei mais.

Senti Jully se ajoelhar e me abraçar por trás. Pedi silenciosamente para que ela não entrasse em combustão também.

- Me desculpe. Eu fiquei desesperada. Deveria ter lhe ajudado. – Ela apertava minha cabeça contra seu peito. Eu só conseguia soluçar.

- Ela estava aqui. Ela se foi, de novo. – Eu comecei a tremer.

- Me desculpe!

Ouvi palmas. Me virei e vi um cara alto e moreno de terno e gravata.

- Que belo show! Jully, meu bem, você é forte! Conseguiu sair de sua ilusão! Pena que não conseguiu ajudar seu amigo. Ahh. – o cara fez um biquinho.

- Quem é você? – Jully disse com raiva na voz.

- Ah, esqueci de me apresentar. Sou Ponos. O temido deus da fadiga! – ele gargalhou – isso não foi de mais?! Daria um belo de um filme! Aliás, sou roteirista nas horas vagas. Acho que vou fazer um filme sobre vocês!

- Por que não nos mata logo? – disse bem baixo enquanto enxugava as lágrimas.

- Mamãe quer vocês vivos. Por favor, guardem os detalhes da missão. Sem dúvidas vai dar um ótimo filme. Principalmente se um dos dois morrer. Aquele clichê estilo Romeu e Julieta. Adorável! – ele bateu palminhas.

- Por que não nos deixa chegar até Éris logo? – Ponos deu de ombros.

- Ela quer que torturemos seu psicológico. Que vocês fiquem abalados. Sabe como é... Mata-los aos poucos.

Jully ainda me apertava contra seu corpo. Eu tremia e soluçava.

“Venha jogar mitomagia comigo, Nico!” A voz de Bianca ecoou do outro canto da sala escura.

- Não! Está voltando! – Apertei Jully contra mim.

- Nico, olhe para mim! – Eu olhei. Seus olhos estavam marejados. De repente eu estava no acampamento Júpiter. O ar estava quente. Eu estava dentro das fronteiras de Término, em segurança. Olhei para o lado e vi Jully. Ela parecia mais velha uns cinco anos. Ela veio até mim e me beijou. “Vamos para casa, meu bem” e me puxou para dentro do que devia ser a nossa casa.

Notas finais
Plágio é crime. Não deixem de comentar!