O Elmo Roubado

10 Partimos para Vegas


Notas iniciais
Espero que gostem. Boa leitura!

JULLY

Acordei com uma dor de cabeça monstruosa.

- Ai! – disse me levantando no banco do carro e olhando em volta.

- Se lembra do que aconteceu? – Hazel me ajudou a levantar

- Sim. Eu estava em um quarto escuro com o homem-fúria e eu vi que ele tinha medo de esquilos, então esquilos começaram a atacá-lo. Daí ele falou algumas coisas e virou pó.

- Uau. Fúrias assassinas de gente com medo de esquilos fofinhos. Eu poderia ter pensado nisso. Você foi incrível! E me desculpe! – Frank comia um saco de salgadinhos de queijo.

- Hã, obrigada. Desculpar pelo quê?

- Quando eu te carreguei até o carro, bem, eu acidentalmente bati sua cabeça na porta. E isso fez um corte na sua testa. Eu sinto muito mesmo! – Havia farelos dos salgadinhos de queijo em seu queixo, quase falei para ele, mas pensei ser desnecessário.

- Tudo bem. – eu toquei o corte na testa e reprimi um grito de dor – Nem está doendo tanto assim! – tentei sorrir.

Nico olhou pelo retrovisor do carro e sorriu

- Mais um dom de ícelus! Parabéns, Jully. Está evoluindo! Você foi realmente incrível! – Ele sorriu tanto que seus olhos quase se fecharam.

- Você fez caveiras ressuscitaram, Hazel atacou o cara com diamantes e esmeraldas, Frank se transformou em um tigre e eu fiz o cara ver esquilos. Incrível.

- Não se coloque para baixo, Ju. Você é incrível sim. O que fez foi tão incrível quando o que fizemos. – Hazel disse me olhando solidário.

Frank e Hazel se abraçaram e eu preferi não ficar ali de vela. Pulei para o banco da frente, ao lado de Nico que se assustou.

- E aí? – disse enquanto abria uma lata de Coca-cola. – Aceita?

- Não obrigado, minha boca ainda dói.

Olhei para seus lábios e o lado esquerdo ainda tinha sangue

- Pelos deuses! Ninguém cuidou disso?

- Hazel queria me ajudar, mas precisávamos partir. As coisas com meu pai estão cada vez piores. E, eu estava preocupado com você. – Ele tirou os olhos da estrada por um segundo e me olhou, voltando sua visão para a estrada rapidamente.

- Posso cuidar disso? – entreguei minha latinha de refrigerante para Hazel e antes que Nico pudesse protestar peguei a caixa de primeiros socorros que estava em baixo do meu banco. Comecei a passar algodão com água para limpar o ferimento. Foi um corte pequeno, mas sem dúvidas deveria estar ardendo pra caramba! Ele fazia caretas às vezes e eu tentava não rir das mesmas. Quando terminei, ele agradeceu e continuou fitando a estrada.

- Você não quer dormir mais? Gastou muita energia hoje com aquela fúria.

- Não – olhei pela janela as plantações que passavam rápido por nós. Senti falta da minha mãe, da minha estúpida escola. Senti falta da minha vida normal. O que minha mãe estaria fazendo uma hora dessas? Será que estava segura? Por que nunca me contara que meu pai é um deus?

- Ontem tive alguns sonhos estranhos... – Nico interrompia meus pensamentos.

- Ah, eu achei que fosse necessário fazer aquilo, me desculpe.

- Fazer o que?

- Bem, eu acordei e você estava se contorcendo na cama, com certeza estava tendo um pesadelo. Então, eu tentei mudar para um sonho tranquilo. Eu pensei em flores, mas não sei se deu certo.

- Tá brincando? Eu nunca dormi tão bem quando nessa noite. Obrigado mesmo, Jully! – Ele sorriu novamente. Voltei meu olhar para a janela, deixando minha mente navegar em perguntas.