O Elmo Roubado
6 Partimos em missão!
Notas iniciais
JULLY
Eu fiquei o tempo todo parada feito uma pateta observando o que eles falavam e tentando entender alguma coisa. Nico me tirou de lá, graças aos deuses!
- Me explica o que exatamente está acontecendo – Eu disse quando paramos no saguão onde eu descobri recentemente que ficava um cachorro gigante chamado Senhora O’Leary, mas por sorte minha, ela não estava no momento.
- Bem, alguém roubou o elmo de meu pai. Ninguém sabe quem, segundo o Oráculo a gente vai ter que derrotar seja lá o que for que esteja causando essa “discórdia” – Ele disse enquanto tirava o casaco.
Preferi não comentar sobre meu sonho. Não fazia ideia de quem era aquela mulher que estava com o capacete, nem onde ela estava.
- E quem são aqueles dois que chegaram hoje?
- A morena, Hazel é minha irmã. – Eu arregalei os olhos e ele riu – Não exatamente, somos apenas filhos de Hades. – Ele disse como se fosse uma coisa normal – O grandalhão é Frank, filho de Ares, mas é tão desastrado e carinhoso que mais parece um urso de pelúcia gigante. Você vai gostar deles.
Passamos a manhã e tarde treinando. Eu não conseguia ver nada em Nico, era como se ele fosse escuridão sem fim. Portanto, chamamos alguns semideuses que estavam a toa para serem minhas cobaias.
Consegui ver que Marta, do chalé de Hefesto tinha medo de se afogar. Consegui ler a memória de Eleanor, do chalé de Afrodite: uma criança bebendo nada em uma daquelas xícaras de brinquedos infantis. Ela estava rodeada por bonecas e pelúcias e a maquiagem estava tão bem feita que não parecia ter sido feita por uma criança de quatro anos. Eleanor se emocionou com a cena que descrevi e balançou a mão como se pedisse para eu parar. Depois consegui ler toda a frase que Alice, do chalé de Hermes pensava: “Gostei da sua calça, posso pegar ela emprestada por um tempo indeterminado?”.
Nico me deu um abraço animado por ter conseguido fazer tudo isso.
No fim da tarde, minha cabeça latejava e eu me sentia fraca. Nico me levou para uma caminhada pelo acampamento. Passamos perto dos campos de morango e eu me senti bem melhor – tanto pelos morangos, quando pela presença de Nico.
- Por que não consigo ler suas emoções?
- Talvez por falta de treinamento. Ou porque somos semelhantes. A aura escura e tal. – Ele caminhava com as mãos dentro no bolso da jaqueta preta, não usava o uniforme laranja, como todo mundo.
- Hum. Nico... Anteontem eu tive um... – Sua irmã, Hazel apareceu.
- Nico! Ah, me desculpem eu estou atrapalhando?
- Não, claro que não. Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada de mais. É só que eu não te vejo há, sei lá, seis meses? Queria botar o papo em dia contigo.
- Hã, na verdade, eu e Jully estávamos...
- Não, tudo bem. Eu tenho que ir descansar mesmo. O dia foi pesado para mim. – Sorri para os dois e fui para meu chalé. Meu escuro e solitário chalé.
Era óbvio que não iria conseguir dormir. Eu estava em uma missão, Annabeth me explicara algumas coisas sobre isso. Era filha do deus do pesadelo, nossa, que legal! Se tivesse sorte de pegar algum monstro dormindo, poderia fazê-lo ter um pesadelo e acordar chorando chamando sua mãe. Isso era realmente muito incrível. Tão incrível quanto dizer que dois mais dois é peixe. Vesti uma roupa confortável, calcei minhas sapatilhas, liguei o som e comecei a dançar. Dançando era o único momento em que não sentia falta da minha mãe, não sentia falta de casa e nem sentia vontade de explodir com tanta coisa nova e diferente acontecendo. Minha cabeça estava sobrecarregada e a única maneira de eu me sentir bem era dançando.
JULLY
- Jully?! – Nico batia na porta de meu chalé. Deveria ser umas quatro ou cinco horas da manhã.
O sereno estava baixo, meu nariz doía a cara inspiração. Apertei o casaco contra meu corpo enquanto nos dirigíamos até a saída do acampamento.
- Boa sorte na missão! – Quiron acenava com a mão enquanto seguíamos dentro de um carro dirigido por um cara que tinha olhos por todas as partes do corpo – todas mesmo. O cara era calado e misterioso, pensei em ler sua mente, mas preferi não fazer isso. Os pensamentos de um cara que tinha olhos por todo o corpo não deveriam ser lá tão felizes.
Em menos de uma hora e meia, estávamos em Manhattan. Desembarcamos. Quatro adolescentes, um cara pálido vestido de preto com uma jaqueta aviador, uma garota morena de cabelos e olhos dourados, um cara corpulento com cara de bebe e eu.
- Aonde vamos agora? – Essa não era exatamente a pergunta que eu queria fazer. Queria ir embora para minha casa. Queria me trancar em meu quarto e ficar lá até completar cinquenta anos. Nos dois dias em que fiquei no acampamento sendo renunciada por meu pai, Annabeth tentara me explicar o que eu deveria fazer – o que não havia adiantado muito, já que tudo ainda não fazia sentido.
- Bom, Argos nos deixou em Manhattan, Quiron me deu dinheiro mortal, vamos pegar um avião e ir até Nebraska. –Nico disse conferindo os dólares em sua mão.
- Nebraska? Isso não demoraria tipo, vinte e poucas horas?
- De carro sim, Hazel. Mas de avião, crio que não demore mais de dez horas
- E por que nós vamos para o Nebraska mesmo? – Frank disse se afastando de um poodle toy que cheirava seu sapato.
- Não sei exatamente.
Embarcamos no avião e passamos cerca nove horas comendo amendoins em saquinho até pousarmos no aeroporto de Nebraska. Nico parecia saber onde devia ir.
- Hum, Quiron disse que aqui encontraríamos um cara que talvez nos ajudasse. – Nico disse olhando um mapa pequeno.
A cidade tinha vegetação seca, em tons de marrom e verde escuro. O calor estava escaldante e eu me perguntei centenas de vezes como Nico conseguia caminhar no sol com a jaqueta de frio.
Paramos em frente a uma mansão. Era enorme. Não havia muros, apenas uma cerca viva de uns trinta centímetros de altura. A casa poderia muito bem pertencer a um administrador de empresas ou o prefeito da cidade.
- É aqui. – Nico olhava pro mapa e para a casa em seguida – Quiron me deu o mapa que leva até essa casa, a partir daqui, vamos precisar da ajuda desse cara.
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