O Elmo Roubado

8 Mudança nos companheiros de quarto


Notas iniciais
Espero que gostem!

NICO

Macária nos deu um carro antigo, acho que era de 1994, nos deu uma mapa fajuto e as coordenadas para seguir até Las Vegas, onde teríamos que encontrar Eros.

Eu já estava ficando aborrecido. Havíamos andando quase dez horas de avião, para ter um encontro com minha meia irmã e ser mandado para Vegas, um dos meus lugares menos preferidos do mundo. Encontrar um elmo parecia ser mais fácil. Mesmo sem carteira, eu fui dirigindo, a viajem demoraria cerca de duas horas, mas estávamos exaustos de mais para seguir. O carro fora recheado de muffins de chocolate e outros suprimentos. Paramos no primeiro hotel de beira de estrada que vimos. Abasteci e aluguei dois quartos (economia de dinheiro...) para descansar-mos. Um para Hazel e Jully, outro para Frank e eu.

- Ah, eu vou dormir com você? – Frank parecia incomodado.

- É por quê? Algum problema?

Só me faltava o grandão dizer que tinha medo de dormir com o “cara da morte”

- É que... bem, eu e Hazel não passamos um tempo juntos há um bom tempo, seria bacana se de repente... eu não sei... talvez uma noite juntos, sozinhos, se é que me entende...

- Cara, você não vai tocar na minha irmã!

- Não, de jeito nenhum, essa não é minha intenção. É só... eu só queria passar um tempo a sós com ela.

Estreitei os olhos e tentei ler sua expressão, sem sucesso.

- Hum, tudo bem. Temos que ver com as garotas. Se Jully vai concordar dormir comigo e se Hazel vai querer dormir com você. – Eu queria ler mentes agora, para pensar o que Frank queria com minha irmã. Ele de fato não aparentava querer nada além de dormir com Hazel, mas nunca se sabe. Fomos até o quarto das garotas, que era do outro lado do corredor.

- Eu, hã, queria saber se vocês se importariam se fizéssemos algumas mudanças, sobre quem dorme com quem. – Eu disse tentando não parecer constrangido. Eu iria ter que dormir com Jully num quarto. Tudo bem que éramos amigos há um bom tempo e que dormir não tem nada de mais. Mas pedir pra Jully dormir no quarto comigo, não soou como eu esperava.

- Por mim tudo bem! – Hazel disse sorrindo largamente e eu a reprimi com o olhar. Às vezes parecia que eu era o irmão mais velho, o que certamente não era verdade já que Hazel estava em sua “segunda vida” aqui. É, Hazel deu sua vida para salvar o mundo das mãos de Gaia em 1942 e cerca de setenta anos depois, eu a ressuscitei. Ou seja lá o que eu fiz. O que importa é que, eu sou mais velho que ela alguns anos, mas tecnicamente ela é mais velha que eu algumas décadas. É confuso, eu sei. Mas não dá pra explicar melhor.

- Hum, tudo bem pra você, Jully? – Perguntei.

- Hã, sim. Não tem problemas.

E a acompanhei até o quarto, onde ela jogou sua mochila num canto, deixou um livro em cima da cama e foi para o banho. Depois que ela saiu eu fui tomar um banho. Quando saí do banheiro, ela estava lendo o livro que havia colocado em cima da cama. “Billy and Me” estava escrito em letras cursivas com um fundo rosa e laranja com uma montanha branca na capa.

- Giovanna Fletcher? – Questionei ao ver o nome da autora

- É, o livro é bom. Ela escreve bem. Um pouco romântico de mais. – Ela disse fechando livro e o colocando em um criado-mudo que havia ao lado das camas. Me sentei do seu lado na cama.

- E você não gosta de romances?

- Não muito. Alguns são muito mela-mela, sabe? Preciso aventura, ou ação. Ficção cientifica também é legal.

- É. – Eu olhei ao redor do quarto. Tudo estava calmo de mais pra ser verdade. Provavelmente algum monstro entraria no quarto enquanto estivéssemos dormindo. – Já consegue controlar melhor seus poderes?

- Sim, eu consegui ler a mente do recepcionista.

- E o que ele pensou? – Ela ficou num tom vermelho feito a capa do livro.

- Hum, ele, hã... Ele ia perguntar se iríamos querer preservativos.

- Oh.

NICO

De repente, encarar o chão se tornou um ótimo passatempo.

- É, você sabe o que Macária queria dizer sobre uma mecha no meu cabelo?

- Ah, sim. Li que quando você consegue dominar seus poderes por completo você vai ganhar uma mecha vermelha no cabelo. É tipo uma marca ou um troféu. Nem todos os filhos de Ícelus ganham isso. É bem raro.

- Como as tatuagens nos braços de Hazel e Frank.

- É, mais ou menos isso. – Fiquei feliz por ela ter mudado de assunto.

- Nico... eu tive um sonho. Eu, meio que sei quem está com o Elmo de seu pai. – Ela disse brincando com sua adaga.

- Sabe? E onde está? Poxa, por que não me disse antes? Poderíamos ter poupado a visita à casa de Macária! – Ela se encolheu, como se pedisse desculpas.

- Eu não tenho certeza, e talvez fosse só um sonho bobo, sem nexo. Mas uma mulher bonita estava segurando um capacete diferente. Ela era alta, usava batom vermelho, me lembrava a madrasta da Branca de neve – ela girou os olhos como se aquilo fosse ridículo – Não sei quem é. Mas ela mencionou um nome: Lete.

Lete. Lete. Lete. Não me vinha à cabeça quem era Lete. Eu havia me esquecido, droga. Espera. Esquecido!

- Lete é o Deus o esquecimento! Ele é irmão de outros deuses dos maus sentimentos como Algos, da dor, Neikea, do ódio, e afins.

- É, então, o deus do esquecimento trabalha para alguém?

- Não sei.

O silêncio tomou conta do quarto. Ambos tentando juntar as peças do quebra-cabeça.

- Me desculpe não ter contado antes, é só que... não parecia fazer sentindo na hora e...

- Tudo bem, a maioria de meus sonhos também não faz sentido.

- É, mas eu sou filha do deus dos pesadelos, deveria saber interpretar os sonhos.

- Nem todos os filhos de Ícelus interpretam sonhos. Não se preocupe!

- Eu não deveria estar nessa missão. Eu só atrapalho. Eu sou inútil pra vocês três. E Annabeth mencionou uma vez que uma missão deve ser composta por três campistas, para não atrair monstros de mais. Quatro campistas atrairiam monstros suficientes para prejudicar o andamento da missão.

- Não é verdade. Se o Oráculo nos colocou nessa missão, é porque vai ser preciso de quatro semideuses.

- Poderiam ter mandado Percy ou Annabeth, eles são mais experientes e...

- Hey, pare com isso. Você é ótima! Eu já vi metade do que você consegue fazer. Você é incrível Jully, só não sabe disso ainda. – Eu acariciava seu rosto em uma tentativa de acalmá-la. Bianca, minha falecida irmã, sempre fazia isso em mim quando eu estava triste ou coisa do tipo. Jully levantou os olhos e sorriu para mim. Foi bom ver o sorriso dela, ele era largo e sincero. Me fez ficar mais calmo também. Dei-lhe um beijo na testa e a porta se abriu com um Frank dançando e Hazel atrás, segurando algumas sacolas.

- Hambúrgueres! – Frank gritou, mais feliz que o normal. Acho que ele e Hazel já haviam aproveitado um ao outro um pouco. Uma pontinha de ciúmes me acertou no estômago.

Eles não fizeram nada de mais, Nico. Nada de mais.

- Nós, é, atrapalhamos alguma coisa? – Hazel colocava as caixas com os sanduíches em cima da cama que estava desocupada. Eu apenas neguei com a cabeça e só então percebi o quando eu e Jully estávamos próximos um do outro. Me distanciei dela num pulo. – Espero que não se importe Nico. Usamos parte do dinheiro para comprar os hambúrgueres.

- Não, tudo bem. Eu peguei dois quartos para sobrar para comermos alguma coisa. E aquele carro bebe gasolina demais!