O Elmo Roubado
21 De volta para o aconchego do chalé 31
Notas iniciais
JULLY
Nico segurava uma rosa na mão quando entrou no quarto. As pontas de seu cabelo estavam molhadas – e foi quase inevitável o imaginar no banho.
Entregou-me a flor e se sentou do meu lado na cama.
– Conseguiu descansar? – disse olhando para rosa vermelha e a colocando próxima ao nariz. Ele balançou a cabeça afirmando, mas sua cara ainda transpirava cansaço.
– Hazel disse que amanhã estou liberada. Queria poder sair daqui hoje. – ele sorriu e acariciou minha face o dedão.
– Trouxe comida para nós. — ele puxou uma sacola que estava no chão e tirou de lá dois cheesebúrgueres. – Não é muito saudável, mas eu sei que gosta. Então, acho que tudo bem se comermos isto escondido.
Comemos o cheesebúrger – que estava delicioso. Algumas horas depois, Nico se deitou ao meu lado na cama ficando por cima do lençol que me cobria. Passou o braço pelo meu pescoço e eu me deitei em seu peito sentindo seus batimentos cardíacos. Passe minha perna boa por cima da dele e ficamos ali assim, com o silêncio e a paz daquele quarto.
Eu poderia ficar ali para sempre.
Nico acariciou meus cabelos até eu dormir.
Acordei e vi Nico dormindo no sofá todo torto. A enfermeira do chalé de Apolo, Anna abriu a porta acordando Nico.
– Já pode sair Jully! Vá se trocando que eu vou buscar suas muletas. – ela colocou minha calça jeans e um uniforme do acampamento em cima do criado-mudo que havia do lado da cama e saiu do quarto.
– Por que não dormiu comigo? Esse sofá deve ser horrível!
– Hã, na verdade ele não é tão ruim assim. – ele disse dando tapinhas no sofá. – E eu não queria correr o risco de te machucar enquanto dormia. — ele se espreguiçou. – Vou sair para se trocar. Quer que eu chame alguma enfermeira para te ajudar?
– Não, tudo bem.
Ele saiu e, depois de bater minha canela no criado-mudo, quase derrubar uma base para soro e tropeçar umas quatro vezes, eu vesti minha roupa. Peguei a rosa – agora quase totalmente murcha – que Nico me dera na noite anterior e esperei sentada na cama Anna chegar com as muletas. Ao invés disso, Percy apareceu andando (brincando) com as muletas. Annabeth veio atrás com a mão no rosto como se seu namorado a envergonhasse.
– Hey, Ju. Curti suas muletas! – Percy me entregou elas. Annabeth lhe deu um peteleco na cabeça e sorriu para mim.
– Sucesso na missão! Parabéns, Jully! Vem, vamos te levar até seu chalé.
No caminho muitas pessoas pararam e me cumprimentaram. Elas não pareciam ter medo de mim, como quando cheguei aqui. Elas me parabenizavam e diziam coisas como “você foi incrível!” “consegue ler minha mente?” “Me faça sonhar com o Robert Pattinson?”.
Pela primeira vez eu me senti em casa. Havia pessoas que gostavam de mim ali. Pessoas que queriam o meu bem e não sentiam medo de mim.
– Entramos em contato com sua mãe, mais tarde você liga e conversa com ela. Tente omitir alguns fatos. Sobre sua perna quebrada, por exemplo... – Quiron me advertia enquanto eu entrava em meu chalé.
– Ok. Eu posso vê-la? – ele acariciou a barba.
– Talvez, em breve. Você é muito poderosa, Jully Alvim. Embora os monstros temam sua aura, nunca é bom arriscar. – e saiu.
Entrei em meu chalé e tudo estava igual a como eu deixei. O pequeno som no canto da sala, a barra... Fiquei feliz por estar de volta. Senti-me em casa pela primeira vez. Coloquei a mochila que havia levado para a missão em cima da cama, tomei banho e me joguei na cama. Estava quase dormindo quando alguém bateu na porta.
NICO
Quando Jully abriu a porta, ela estava com os cabelos desalinhados, usava um pijama com estampas de porquinhos e apertava os olhos pela claridade.
– Oi. – ela disse sorrindo. – Entra!
Entrei e observei tudo ali: a sala de ballet improvisada e a escada que provavelmente levava até seu quarto.
– Eu, hum, ia te chamar para dar um passei pelo acampamento. Mas creio que não esteja apta a isso. – disse apontado para as muletas.
– Podemos deixar isso para amanhã? – ela sorriu sem graça.
– Eu ia propor isso.
Ela me guiou até seu quarto. Nos deitamos na cama e ficamos conversando e rindo durante a tarde toda. Às vezes nos beijávamos e trocávamos carícias.
A presença dela era boa. Me fazia esquecer tudo o que eu havia visto no Vale Tudo de Éris. Jully não era um monstro, como as pessoas comentavam as vezes.
Ela me contou sobre sua vida. Sobra a escola, sobre sua mãe e avó. E eu contei à ela tudo o que precisava saber sobre mim. Nem tudo em minha vida era agradável para se contar naquele momento. Eu não queria estragar o bom clima que estávamos tendo.
Durante o jantar, me sentei junto com ela na mesa do chalé 31. Apenas para ela não ficar sozinha. Hazel entendeu e disse um “Juízo os dois” enquanto me dirigia até a mesa de Jully. Sorri quando me lembrei de quando disse isso a Hazel e Frank.
No jantar, depois de jogarmos comida aos deuses, ficamos brincando com a mesma fazendo rostinhos com catchup e usando macarrão como cabelo. Quiron nos chamou para parabenizar-nos pela missão bem sucedida.
Depois levei Jully até a porta de seu chalé. Ficamos um tempo na varanda trocando beijos.
Ela disse boa noite, agradeceu por tudo o que eu tinha feito por ela e entrou em seu chalé, me dando um beijo de boa noite antes.
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