O Elmo Roubado
15 Chegamos ao \"Vale Tudo\" de Éris
Notas iniciais
JULLY
Caí, exausta nos braços de Nico que me levou até o meu assento e se sentou no lugar de Hazel.
- O que foi aquilo? – Ele parecia espantado.
- Presente do papai. – disse e me aconcheguei no banco. Tomei fôlego e comecei a contar para Nico o que eu tinha feito.
- Eu girei a pedra obsidiana no centro e fiquei invisível. Daí, hipnotizei aquela coisa e ela me disse tudo o que precisávamos saber. – Nico não disse nada, parecia tentar processar o que eu havia dito. – Ela trabalha para Éris, mas ela não foi mandada aqui para nos destruir. Acho que queria capturar alguém. Disse que o motivo disso tudo é “apenas a discórdia” e... humm, acho que só.
- Uau.
- Está tudo bem com Hazel?
Nico sacudiu a cabeça e se levantou para vê-la. Alguns minutos depois, desembarcamos em Detroit.
Nico parecia tenso.
- Bem, estamos quase lá, né? Vamos conseguir recuperar o capacete, quer dizer, Elmo de seu pai. – disse passando a mão em seu ombro. Ele retribuiu com um sorriso.
- Entããão, como vamos achar a dona da discórdia? – Frank pulou no meio da gente.
- Bem, Eros disse que seria fácil. Acho que temos que achar alguma briga ou coisa do tipo. — eu disse.
- Vamos nos separar, dar uma volta pela cidade. Daqui a duas horas nós nos encontramos aqui nessa praça, pode ser?
- Sim, Hazel. Você vai com Frank? – Nico disse.
- Se não se importarem...
- Tudo bem. Vemos vocês daqui duas horas. – Eu disse puxando Nico na direção contrária a que Hazel e Frank foram.
- Você tá desanimado, o que aconteceu? – Nico suspirou.
- Consegui entrar em contato com meu pai, poucos minutos antes de desembarcarmos. Ele me deu 24 horas para devolver o Elmo, do contrário vai desencadear uma batalha com Ares. Eu pensei em mandar Frank para tentar conversar com Ares, mas Hazel não iria gostar da ideia e...
- Ei, vamos conseguir! Ao que tudo indica o Elmo está com Éris, não é?! Vamos conseguir! Estamos perto! – Apertei sua mão e seguimos assim. Até pararmos na porta dos fundos de um galpão onde se lia “Vale Tudo” em uma placa.
- Bem, acho que tem briga aqui. Quer mesmo entrar aí? Pode ser perigoso para uma menina.
- Está me subestimando? Eu não vou deixar você entrar sozinho ai!
- Não estou te subestimando. Só não quero que se machuque.
Ele deu um sorriso de lado e eu o puxei para dentro do lugar. Olhando por fora, não parecia ser tão grande. No canto direito havia cerca de dez mesas para luta de braço. No esquerdo uma bancada que fedia cerveja e pinga. No centro um grande tatame azul estava sendo usado por um grupo de homens com roupas coladas e transpirando tanto que chegava a pingar. Alguns homens que estavam no bar olharam para nós dois e desviaram o olhar logo como se dissessem “esses ai não aguentam muita coisa”. Um cara grande sem camisa veio em nossa direção, mas quando passou pelo tatame escorregou em uma poça de suor e caiu.
O lugar fedia. E eu deve ter feito uma cara muito feia por causa disso. Um outro, gordo com camisa azul marinho, se aproximou.
- O que os dois querem aqui? – O bigode grisalho estava sujo com cinzas do cigarro. Ele tinha uma mancha na blusa, provavelmente de bebida – ou sangue.
- Estamos procurando uma mulher, Éris. – Nico disse alto, por causa dos urros emitidos pelos bebuns do bar.
- Éris é?
Dois caras maiores apareceram atrás dele. Um deles segurava uma faca pequena e o outro um pedaço de madeira. O que segurava a faca piscou para mim o que fez Nico apertar minha mão. O terceiro cara jogou uma faca maior para o cara de azul marinho.
- Éris não está recebendo visitas. – O cara com a tora de madeira batia ela na mão, como se só estivesse esperando a autorização do de azul marinho para nos fazer em pedacinho.
Você consegue distraí-los? A voz de Nico ecoou em minha mente. Olhei para ele assustada, mas ele continuava olhando os caras. Sua mão livre estava pousada em sua espada.
Olhei para os três e em segundos eu e o cara de azul marinho estávamos em um quarto escuro.
- O que? Cadê todo mundo? Ah, eu vou ter que matar você sozinho? É uma pena. Você é uma menina bonita.
Do nada, um cara de cerca de três metros apareceu e o gordo de azul gritou.
- Que porcaria é essa? Quem... Como... você! Nãããão!
Ele começou a tremer e se encolher. Os olhos estavam marejados. Ele sentou-se no chão e começou a cantar algo que parecia uma canção de ninar com os olhos fechados e as mãos tampando os ouvidos.
Quando tudo clareou de novo eu ainda segurava a mão de Nico. Ele sussurrou um “parabéns” e eu tentei retomar o fôlego. Minha cabeça latejava. Os outros dois caras que estavam atrás do azul marinho nos olharam.
- Para chegar à Éris, vão ter que passar por uma série de obstáculos. Se tiverem sorte, ela está no quinto andar. – O cara com a madeira disse e se virou, sendo seguido pelo com a faca.
- Quinto andar? – Olhei para Nico.
- É, acho que a névoa estava agindo. – Ele olhou para mim e seguimos para as escadas.
Todos abriram caminho para nós – o que foi bem estranho.
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