O Elixir

10 Sobre um tiro e o escuro


Notas iniciais
Voltei! Pra quem estava pedindo mais igual a Maura, ta ai, mais um cap. Espero que gostem han. Boa leitura!

Jane

Dizem que toda a sua vida passa diante de seus olhos antes de morrer.

Eu não ia morrer, nem estava perto disto, mas naquele momento eu realmente pensei que era o fim. Então esperei para ver o filme da minha vida, já estava com a pipoca na mão e a cerveja na outra esperando as imagens da Rizzoli criança, Rizzoli adolescente e tudo que tenho direito; mas não, não vi nada disto, só vi a Maura, como se não houvesse vida antes dela aparecer, ai sim, a vida começa para mim.

Não morri, nem mesmo fui atingida de fato pela bala, graças a Athanasiadis, mas aquele tiro rasgou parte da carne do meu abdômen me deixando com 35 pontos e uma baita dor, além é claro, de uma mente bastante confusa e fragilizada.

Eu queria saber exatamente em que momento a Maura virou a estrela principal do meu FlashBack, e se aquilo não fosse o suficiente, ainda havia toda uma consequência daquele tiroteio sobre meus ombros.

O garoto morreu, mas parecia que voltava dos mortos para me deixar paralisada novamente; eu ainda conseguia ver aquele último olhar que ele me lançou antes de abrir fogo contra mim, um garoto bastante franzino de 14 anos que não conseguiu me matar, mas me fragilizou de tal modo que me sinto como uma taça de cristal em meio a um terremoto. Era ridículo, sei disto, mas aquele medo que me abraçava era bastante real.

Por isso não consigo ficar muito tempo a sós com meus pensamentos sem reviver todo aquele desespero, sem sentir que falhei miseravelmente. Às vezes a dor da bala cortando minha carne voltava me alfinetando tanto física ou psicológica me fazendo buscar algum abrigo; e eram nestes momentos que Maura surgia mais atenciosa do que eu esperava, sempre ao meu lado, cuidando dos ferimentos, dosando meus remédios, me fazendo rir...

E todo aquele medo sumia quando eu sentia o seu toque caloroso sobre mim e o seu olhar gentil dizendo que tudo ficaria bem. Sei que enrubesço sempre que ela faz isso, sei que ela percebe e me envergonho por isto, mas não há a mínima possibilidade de eu fingir que nada acontece quando estou próximo a ela, e acho que talvez eu acabe me rendendo aquilo, me rendendo a ela.

E durante aquela noite, mais uma vez, eu não conseguia dormir.

Comecei dormindo, depois despertei após uma série de sonhos indecifráveis. Abro os olhos e não vejo nada, apenas o escuro daquele quarto, mas sei que ela está ao meu lado, adormecida, na aquela cama enorme que separava nós duas. Eu queria sentir o seu toque, eu queria muito toca-la também, mas não o faço, então me viro de costas...

“Volte a dormir.” Digo a mim mesma, mas era impossível fechar os olhos e não se sentir confusa pelo desejo. Viro-me novamente, me aproximo, sinto a sua respiração tranquila tocar a pele do meu rosto, sinto minhas pernas nuas dentro do meu moletom, sinto onde elas se encontram e então me encolho e me afundo ainda mais na cama.

“O que foi?” Ela acorda e ouço sua voz embargada pelo sono.

“Parabens Rizzoli você a acordou!” Esfrego meus olhos o quarto ainda está completamente escuro.

“Estou sem sono.” Digo.

Então ela vem e me abraça, seus membros me envolve e seu calor me atinge, me aconchegando como se eu fosse uma criança. De repente tomo consciência que não há mais escuridão apenas eu e ela naquele quarto e sua pele me chama, assim me aproximo mais e respiro profundamente o aroma que ela libera.

Caramba, como a Maura cheirava bem!

Eu não fazia ideia que ela tinha um cheiro tão bom, aquilo me despertou ainda mais me fazendo perder completamente o controle. Beijei sua pele e percebi o quão macia era, e depois beijei de novo e de novo, ouvi um leve gemido e temi que ela me afastasse, mas seus braços continuavam em volta de mim me puxando ainda mais para aquele contato.

Movimentei-me outra vez, fiquei por cima dela, mas não conseguia vê-la, porém sei que ela esta me observando com seus olhos redondos e dourados, talvez esperando o próximo passo ou apenas esperando mesmo sem saber exatamente o que. Assim, toquei sua face encontrei seus lábios e os beijei sem demora, de início eles estavam frios e secos, mas depois eles se movimentaram contra os meus me dando total acesso, e agora estão úmidos, cálidos, saborosos, me fazendo gemer levemente.

Sinto que sua respiração se descontrola, sinto que ela se excita, sinto que se arrepia, sinto que ela também me deseja.

Foi então que suas mãos, antes estáticas, começam a se mover em minhas costas; ela me acaricia por cima da minha regata branca desenhando o caminho da minha coluna até desviar para meu abdômen, suas mãos tremulas descem e sobem e agora as sinto dentro de minha regata, em minha pele, me arranhando, me enlouquecendo, suspiro contra seus lábios e ela continua com ainda mais empenho, de repente ela aperta justamente no local do curativo. Sinto uma pressão incomoda acompanhada de uma dor latente e a lembrança do tiroteio apareceu estampada em meus olhos como se fosse uma tatuagem.

“Ai que merda!” Exclamei me afastando rapidamente de seu toque me sentando na cama esperando que aquilo terminasse de uma vez.

“Jane...” Ela se ergueu e acendeu o pequeno abajur sobre o criado mudo. “Oh! Desculpe-me, eu não... não quis machuca-la, céus... Está doendo muito? Quer algum analgésico?”

Aquilo me fez rir, mesmo sabendo que o riso me provocava ainda mais dor, agora ela parecia mais a Maura que eu via todos os dias, e não a Maura impaciente de agora a pouco.

Abro os olhos e finalmente vejo o seu rosto, fios de seus cabelos loiros desciam sobre os olhos claramente preocupados, seus lábios estava inchados e vermelhos molhados da minha boca. A alça de sua camisola de seda estava caída de seus ombros deixando parte do seu seio a mostrar, vejo o rastro vermelho que meus beijos deixaram em sua pele perfeita.

Céus! Como aquela mulher era linda, e ali ela estava mais irresistível do que antes.

“Não foi nada.” Digo desta vez me focando nos seus olhos. “Desculpe-me se eu... bem, eu... quero dizer...” Mas que porra! As palavras não saiam. Suspiro tentando acalmar os batimentos em meu peito. “É que eu não conseguia dormir... ai eu... ai você... enfim, foi...”

Desisto!

“Boa noite, Maur...” Digo rapidamente entrelaçando os dedos no meu próprio cabelo os puxando para trás antes de deixar meu corpo cair sobre a cama. Ela permanece sentada no mesmo lugar, sinto seus olhos sobre mim, e enrubesço mais do que nunca. No escuro foi fácil... Agora não consigo nem formular uma frase sem gaguejar.

“Não foi uma boa ideia, você está se recuperando não devia fazer esforço.” Ela virou-se se posicionando por cima de mim e meus olhos se abriram rapidamente. “Você está sobre os meus cuidados hoje e se você não consegue dormir, eu vou fazê-la dormir.”

Sua voz cresceu em tamanha volúpia me desorientando novamente.

“Oh! como exatamente você vai me fazer dormir?” Questiono em um murmuro sofrido.

“Você vai ver.” Ela ergue totalmente sua coluna e estica os braços retirando a camisola de seda preta antes de arremessa-la para longe. Foi ai que eu percebi que Maura não usava nada por baixo, agora ela estava completamente nua diante de mim. Senti mais uma vez o calor entre minhas pernas e a certeza de que aquela mulher era realmente deslumbrante.

Suas mãos desceram tocando o tecido da minha calça a retirando completamente sem dar margens para eu protestar. E então ela sorri levemente antes de desligar a fraca luz do abajur. Tudo se tornou escuro novamente e ao mesmo tempo muito claro.

“Por favor, tente não se mexer muito.” Sussurrou rente ao meu ouvido esquerdo me fazendo estremecer.

Agora era Maura quem estava por cima, e sem dizer mais nada, sinto os seus lábios em minha testa, depois em minhas bochechas, e logo em seguida em meus lábios de forma suave e ritmada. Suas mãos surgem de maneira suave e toca os meus ombros escorregando até meus seios, um gemido rouco escapa de mim e a atinge, motivando a continuar, sinto meus mamilos rígidos contra a suas mãos e mais uma vez os apertos leves e atrevidos, aquilo me faz ofegar, abro ainda mais os lábios para respirar, ou talvez para beijá-la de modo mais profundo, mas acabo gemendo ainda mais alto e ela faz o mesmo.

Uma de suas mãos desce cuidadosamente e a sinto entre minhas pernas, de início fica parada depois torna a se mover lentamente e seus dedos ficam molhados, tão molhados que deslizam e ao deslizarem me faz perder a respiração. Ergo levemente minhas costas e mais um gemido me escapa dos lábios totalmente excitada, embriagada, dolorida pelo desejo.

Achei que a desejava, agora começo a sentir um desejo tão grande e desesperado que não sei se será saciado, aquilo apenas aumenta e aumenta me levando a loucura. E mesmo assim, Maura continuava com aquela tortura bem devagar.

“Oh! Minha querida, como você é macia! Como está excitada...” Sinto a sua mordida em meu lábio inferior como se quisesse me trazer para dentro de si. Seus dedos abandonam o meu clitóris e me pressionam mais a baixo, cada vez com mais força e a sinto dentro de mim em um vai e vem inebriante de tamanha destreza que eu jamais imaginei que Maura possuía. E neste momento me controlo para não gritar aos setes cantos.

Maura se aproxima mais, sinto o calor de sua pele me cobrir e o roçar de seus seios nos meus, sinto o beijo lascivo e dolorido no lóbulo da minha orelha e posteriormente em meu pescoço. Ela me beija, me lambe, me suga preenchendo aquele quarto escuro com nossos sussurros, gemidos, gritos antes de encaixar o interior de suas pernas em minha coxa. Ela continua me penetrando, cada vez mais fundo de forma impetuosa, inclina-se, empurra, mexe o quadril em um ritmo, um tempo e um compasso acelerado. Parece que não estou em lugar algum, a não ser onde nossas peles se encontram e eu acho que minha carne começa a se entregar.

“Maur! Oh, agora...” Puta que pariu! Eu ia explodir. “Assim não vou aguen...”

Ela me beija novamente me silenciando enquanto aumentava mais ainda o ritmo me rompendo, estilhaçando, me abrindo violentamente contra a sua mão.

E como esperado, o ápice me tomou de forma violenta e eu estremeço sobre o seu corpo. A ouço gritar e a se desfazer sobre a minha coxa e então a puxo para mais perto e volto a beijar os seus lábios, totalmente faminta como outrora.

Ela então se afunda ao meu lado, retira os seus dedos lentamente e acho que sorri antes de afundar seu rosto nos meus cabelos desalinhados. Sinto minha coxa molhada onde ela se mexeu sobre mim, sinto sua respiração quente e tão descompassada quanto a minha, sinto seus braços novamente envoltos de mim, e nossos corações baterem ainda mais rápidos preenchendo o resto da cama, o quarto, a casa inteira! De repente o escuro não é tão escuro assim e o vazio se espalha em minha mente me fazendo sorrir aliviada.

“Agora, durma meu anjo.” Ela murmurou e meus olhos se fecharam lentamente.

Notas finais
Esse elixir deve funcionar, por que oh... Ps: Acho que vai ter gente querendo ser cuidada pela Maura, hihi Até a próxima ^^