O Elixir
21 Sobre o beijo em lábios vermelhos
Notas iniciais
Maura
Depois de uma semana finalmente deixei o hospital.
Aos poucos estou voltando para meus velhos hábitos ao mesmo tempo em que adquirir outros novos. Como por exemplo, ouvir o som do tráfego da cidade ou sentir o vento atingir meu rosto através da janela do carro. Era exatamente isto que eu fazia enquanto estava sentada no banco do passageiro. Jane dirigia e eu continuava observando cada detalhe daquele dia. O sol, as nuvens, as pessoas na rua... Algo simples presente no cotidiano de qualquer pessoa, mas que dificilmente paramos para ver a real beleza naquilo. Depois de dois dias em uma caixa de madeira, qualquer cor, som ou cheiro que o mundo te apresenta se torna algo maravilhoso. E realmente não me lembro quando foi a última vez que me senti tão maravilhada após deixar um hospital.
Claro que o fato de estar voltando para a casa me deixava ainda mais feliz. Eu sentia falta do Bass, da minha cama, dos meus livros, de poder vestir e calçar o que eu quisesse...
E quando chegamos, Jane me ajudou a sair do carro me conduzindo pacientemente até a porta. Não havia necessidades para toda aquela atenção que ela me dava, eu conseguia me locomover sem ela me auxiliando; mas preferi não lhe dizer nada afinal, eu realmente estava adorando os seus modos e cuidados. Às vezes aqueles mimos exagerados me faziam sorrir levemente fazendo com que ela corasse totalmente tímida, e imediatamente me lembrava dos nossos beijos imperfeitos, o impulso de nossos corpos unidos e de nossas palavras carregadas de desejos reprimidos e aquilo me fazia pensar se, depois de tudo que passamos, estaríamos prontas para continuar ou se voltaríamos para o início.
E eu já não conseguia mais esperar para ficar sozinha em casa com ela novamente para dizer o que não foi dito e fazer o que ainda não fiz.
Giro a maçaneta da porta rapidamente tentando ignorar a ansiedade de estar de volta. Porém, na medida em que coloco os pés dentro de casa ouço palmas por toda a minha sala de estar; então percebo que meus planos com a Jane teriam que esperar.
Estavam todas lá, Angela, Frankie, Korsak, Susie... Estavam juntos de pé me aplaudindo em uma saudação alegre e totalmente inesperada, olho rapidamente para Jane que sussurra um ‘sinto muito’ em meio ao seu sorriso largo e acabo sorrindo da mesma forma pega pela surpresa de ver todos a minha volta.
Até mesmo uma das minhas mães estava ali, Hope havia me visitado no hospital uma vez, sempre da maneira distante, o velho estranhamento que ainda existia entre nós. No entanto, ali no meio da minha sala ela me abraçou sem hesitar nem um segundo. Aprendi a não gostar de abraços, a me desviar deles, mas aquele abraço inesperado era realmente... confortante, era esse o tipo de afeto que se espera sentir de uma mãe. Foi então que compreendi que eu não estava mais sozinha no interior escuro e quente de uma caixa de madeira, que havia uma família que se importava comigo, que zelava, que se preocupava.
Naquele momento eu não era mais a rainha dos mortos, eu era apenas a Maura rodeada por pessoas que realmente me amavam.
E naquele fim de tarde, todos estavam reunidos em volta da mesa comendo, bebendo, rindo, e eu sentia a alegria que emanava de cada um. Mas por alguma razão eu também sentia o incomodo das paredes da minha casa como se elas se aproximassem me encurralando, senti o descontrole dentro do meu peito, tento ignora-lo, mas aquilo se torna terrivelmente insuportável. Eu precisava sair dali, precisava do ar de fora.
Logo, me afastei sem ser notada fui até a varanda encostei-me ao parapeito e respirei fundo, encho meus pulmões com todo o ar que lhes cabia, inalei totalmente o cheiro daquele da rua e depois liberei novamente no ar, e ao fazer isso repetidas vezes fui acalmando meu coração aos poucos.
E no meio de todo aquele processo de respiração senti que alguém me observava, discretamente olho para trás encontrando o rosto sério da Jane por detrás do vidro da porta.
Não sei se ela sabe o que estou fazendo, o porquê estou ali. Talvez ela soubesse já que sou uma péssima mentirosa e ainda mais péssima em disfarçar alguma situação e o seu olhar preocupado sobre mim apenas me diz isso.
Contudo, ela não diz uma única palavra e eu também não, assim ficamos em total silêncio nos encarando até ela desviar o olhar negro e voltar para junto das pessoas na sala de jantar.
E eu permaneço ali, apenas respirando...
Depois de duas horas, todos já foram embora. Era noite e resolvi tomar um banho para retirar aquele último vestígio da minha estádia no hospital. Quando sai me encarei no espelho, vi meu rosto corado por causa do calor do chuveiro, me pareço mais magra, com certeza perdi alguns quilos com tudo o que aconteceu, mas fisicamente eu estava me recuperando muito bem.
Vesti um robe de seda cinza enquanto dava mais uma olhada pelo meu quarto, a porta e a janela estavam abertas, o ar que vinha de fora estava circulando livremente movimentando as cortinas até me atingir e aquilo era realmente muito bom. Sentei-me na cama e abracei as minhas pernas dobradas foi quando ouvi batidas na porta e a Jane entrar com cuidado pelo quarto.
“Vim saber se precisa de alguma coisa...” Ela diz colocando as mãos no bolso de sua calça jeans. “O seu réptil gigantesco já terminou de comer.”
“Estou bem Jane e obrigada por cuidar do Bass quando estive fora.” Respondo e ela acena com um breve sorriso de canto antes de afastar-se e ir até a janela . Jane para, olha através da cortina como se procurasse algum suspeito escondido no meu jardim.
“Acho que não era aquele tipo de recepção que você esperava. Mas a dona Angela me obrigou a não te dizer nada sobre a festinha. Lamento por isso.” Ela voltou-se para mim após chegar se que tudo estava bem no meu jardim.
“Oh! Não me importo, alias foi muito bom ver todos reunidos. Até mesmo a detetive Athanasiadis veio.”
“Ma a convidou. Pensei que ela não viria, já que esta trabalhando em outro caso com a Homicídios. E o Frankie é seu novo parceiro, eles passam a maior parte do tempo juntinhos. Você viu como ele fica perto dela?”
“Vi sim!” Falei sorrindo ao me lembrar do ocorrido. “Contrações do orbicular do olho direito e esquerdo, zigomático inferior e superior, pupilas dilatadas, sem contar a postura ereta quando a Ana esta por perto... Eu diria que ele está muito interessado.”
“Mas ela não.” Jane suspirou pensativa. “Tem algo de errado naquela mulher Maura, quando eu lhe contei sobre a paixonite do Frankie, fiz a maior propagando do meu irmãozinho e ela só me disse: ‘Transar com um Rizzoli não faz parte do meu plano de vida’.”
Jane tentou imitar a voz séria e os gestos da outra detetive e aquilo me fez rir abertamente.
“Ana é uma detetive em acessão Jane, é completamente normal não querer nenhum envolvimento amoroso quando o foco está na carreira.”
“Mesmo assim ela é estranha às palavras apenas pulam de sua boca. E ainda não sei se devo me sentir ofendida com o que ela disse sobre os Rizzoli.” Falou.
“Por que você se ofenderia?” Questionei refletindo sobre o assunto. “Você por acaso planejava transar com ela?”
“Claro que não, Ana não faz o meu tipo de mulher.” Jane me encarou antes de sorrir.
“Ah! Então você tem um tipo de mulher, Jane Rizzoli?” Falei por entre os dentes ao mesmo tempo em que apanho um travesseiro e o jogo com toda a força contra ela. Jane se defende com os braços antes de liberar uma gargalhada rouca.
“Tenho sim!” Ela diz. “As loiras sabichonas e ciumentas são o meu tipo.” Jane me encara intensamente e sinto meu rosto arder. Rapidamente desvio o olhar do seu, apanho outro travesseiro e volto a arremessar contra ela que por reflexo se defende mais uma vez.
“Mas o que eu fiz agora?”
“Gosto do som quando o travesseiro bate em você.”
Vejo quando ela revira os olhos de forma teatral antes de apanhar os travesseiros do chão. Jane se aproxima da cama de forma lenta, deixa os travesseiros perto da ponta, analisa com cuidado os lençóis, o colchão e o espaço em que está e agora percebo a sua velha postura de preocupação tomar conta do seu rosto.
“Por que esta sentada igual um gato?” Ela diz totalmente séria. Só depois entendo que ela se referia a um dos meus novos hábitos; eu ainda estava sentada em uma posição completamente desconfortável para a maioria das pessoas. Depois de um tempo presa em um local com um pouco mais de dois metros, é fácil se acostumar a sentar encolhida desta forma.
“Não sei, é involuntário.” Digo esticando minhas pernas sobre a cama.
Jane coça as cicatrizes em suas mãos enquanto contorce os lábios pensativa, ouço quando ela suspira antes de sentar-se ao meu lado na cama.
“Maur...” Ela diz repousando a sua mão carinhosamente sobre a minha coxa fazendo meu coração dar um salto. “Eu tentei imaginar como foi tudo aquilo, mas por mais que eu tente não consigo, simplesmente porque não era eu quem estava dentro daquela caixa. Então não sei o que você passou nem o que esta passando agora... Eu só queria voltar no tempo e mudar tudo isso, impedir que o Doug te fizesse algum mal. Eu devia tê-lo matado quando tive a chance porque era exatamente isso o que aquele desgraçado merecia...”
Ela se calou por alguns instantes como se procurasse as palavras que se perderam.
“Mas por mais que eu queria, não posso mudar o que aconteceu com você...” Ela continuou.
“Jane...” A interrompi bruscamente. “Aquilo foi uma droga, se eu tivesse te dado ouvidos, com certeza eu entraria menos em problemas.”
“A culpa não foi sua, afinal como ia saber que seu colega de turma era um lunático? Sem contar que você estava bêbada de tequila para perceber algo anormal.” Ela sorri e mesmo sem querer acabo fazendo o mesmo.
“Desculpe-me.” Digo. “Desculpe-me.”
“Está se desculpando pelo o que? Por ter feito algo extraordinário e ter provado para mim mais uma vez a mulher incrível que você é? Maur... Eu não posso mudar o que aconteceu, mas eu juro que nunca mais você vai estar sozinha no escuro, que você não vai mais se encolher por medo ou insegurança, que não importa o tempo que leve as suas feridas vão se curar, eu vou fazer o impossível para te curar, nem que eu tenha que mudar as estrelas de posição...”
Senti minha garganta fechar, um sintoma de um choro descontrolado. Odeio quando isso acontece. Movimento a cabeça levemente e abro um sorriso tentando evitar o choro indesejado.
“É muito bom ouvir isso... ainda mais quando vem de você.” Digo. “A verdade Jane é que eu não teria conseguido sem sua ajuda. Você diz que não estava na caixa, não fisicamente, mas você estava muito próximo a mim.” Apanho sua mão e a coloco no centro do meu esterno. “Bem aqui.”
Jane arregala os olhos muito provavelmente por sentir as batidas descompassadas no meu peito contra a palma de sua mão.
“Minha força veio de você Jane, do que eu sinto por você.” Continuei. “Mesmo quando pensei em desistir, pensar em você me dava forças para continuar, para voltar para você... Eu não podia simplesmente desistir, te amo demais para desistir.”
Jane enrubesceu, desviou o olhar, encarou o chão depois voltou os olhos para mim, olhos esses agora claros com um brilho acolhedor dentro deles. Sua mão esquerda deixa o meu esterno e sobe até meu rosto, seu toque aquece minha mandíbula, em volta dos meus olhos, onde termina a minha testa. Ela coloca uma mecha do meu cabelo por detrás da minha orelha e sorri gentilmente.
“Também não desisti de você Maur e não vou desistir de amar você.” Ela disse me fazendo estremecer, vejo quando ela morde o lábio inferior afastando-se levemente para trás.
“Certo!” Ela fala com um leve inclinar de cabeça. “Quer que eu cuide de você agora ou depois?”
“Cuidar?” Questiono confusa.
“É cuidar...” Ela diz deslizando uma de suas mãos por sobre a minha coxa. Sinto que aquele toque ganha outras proporções alternando entre um gesto carinhoso a leves aranhões. “Apenas... cuidar.” Sua mão desliza para o interior das minhas coxas deixando um leve aperto naquela área. “Mas você diz quando eu devo ou não cuidar de você.” Seus dedos se movimentavam em forma circular por sobre a pele, ora subia, ora descia e meu corpo respondia a altura a toda aquela provocação gratuita. “Então... diga-me como vai ser.”
“Oh!” Engoli seco ao sentir o seu toque provocativo em uma área sensível demais. “A epiderme dos seus dedos é tão macia, nem parece que você passa horas em um estande de tiro.”
“Sério Maur? Ok, acho que agora não é hora para cuidados.” Jane retira sua mão por debaixo do meu robe e as ergue no ar se rendendo.
“O que? Não, por favor não pare agora.” Ao ouvir o meu pedido desesperado, Ela abriu um sorriso vitorioso e completamente lascivo.
“Até que enfim! Fiquei uma semana sem te tocar, estava enlouquecendo.” Foi o que ela disse antes de beijar os meus lábios e deslizar até a base do meu pescoço. Eu adorava aquilo, aquela trilha de beijos desajeitados que ela costumava deixar por minha pele como se estivesse me marcando, me reivindicando para ser sua, eu apenas adorava aquilo.
Abro os lábios e um pequeno gemido sofrido é liberado, Jane se afasta e me encara preocupada.
“Está tudo bem?” Ela questiona. “Podemos deixar isto para depois se quiser.”
“Não. Depois está muito longe. Eu quero você agora!”
A puxo de volta para mim, deixando que meus lábios acariciem os seus. Aquilo estava longe de ser um beijo calmo, aliás, depois de tanto tempo e de tudo o que se passou ‘o calmo’ parecia não existir em meu vocabulário.
Minhas mãos abandonam o seu rosto e rastejam até os botões de sua camisa e em um movimento sedento acabo arrebentando alguns.
“Alguém está realmente impaciente aqui.” Ela diz contra os meus lábios e depois se afasta aos poucos totalmente contra aminha vontade.
“Não vamos ter pressa Dra...Ainda temos muito tempo.” Jane ergueu o olhar para mim e rapidamente sinto um leve tremor ao perceber o significado pecaminoso daquilo. Suas mãos surgem novamente desatando o laço do meu robe de forma maestral. Ela o abre, encara o meu corpo nu em silencio por alguns instantes me fazendo enrubescer.
“Você é linda.” Ouço a sua voz falha em um murmúrio. “É incrivelmente linda.”
“Espero que você não fique apenas olhando.” Digo.
“Isso seria um crime.” Ela sorri enquanto sinto o aperto atrevido em um dos meus mamilos. “E eu não cometo crimes.”
Fechei os olhos e suspirei, quando sinto suas mãos se movimentarem pelos meus seios, me aquecendo, me arrepiando. E mais uma vez o beijo, não em meus lábios, na minha pele, trilhando um caminho provocativo e enlouquecedor concentrando os meus sentidos apenas nela e no que fazia.
Seus beijos contornam minha cintura e descem em cascatas até minhas coxas. Gentilmente afasto as pernas dando a permissão e o total acesso a ela. E então ela parou com os beijos e deslizou os dedos sobre o meu sexo lubrificado, úmido pelo estado de excitação que ela me deixou. Aquilo me fez arfar ao mesmo tempo em que Jane sorria de forma totalmente lasciva.
De repente seus dedos são substituídos pelos seus lábios vermelhos me fazendo liberar um gemido rouco e dolorido e aquilo apenas a incentiva ainda mais a continuar.
Sinto o toque sedento de sua língua, o leve movimento ritmado de baixo para cima por toda a extensão do meu sexo, Jane me saboreava enquanto eu enlouquecia apertando os lençóis da cama com cada vez mais força entre gritos e gemidos dolorosos e desconexos.
“Oh! Não... e-eu... Jane...” Se continuasse daquela maneia, eu não iria aguentar por muito tempo, e ela sabia disto, já que não era mais a amante de primeira viagem de outrora.
“Deixa vir babe.” Sua voz rouca ecoou brevemente em uma permissão certeira. Sua língua voltou a dançar em meu sexo ao mesmo tempo em que sinto os seus dedos dentro de mim em um vai e vem preciso e delicioso. E de fato começo a sentir os sinais do ápice.
Meu corpo pulsou enquanto eu me desfazia contra a sua boca, gritei como jamais havia feito até então, livre e totalmente sem medo daquilo. A carga de endorfina e oxitocina foram tamanhas que o vazio toma conta do meu cérebro me levando a flutuar. Se aquilo não foi o melhor orgasmo da minha vida, com certeza era um dos melhores.
Quando abro os olhos novamente me deparo com cabelos negros tocando o meu rosto ao mesmo tempo em que sua testa está colada na minha. Ela me beija mais uma vez, só que agora de forma calorosa e tranquila antes de acariciar meus cabelos.
“Como você é inebriante Maur... o seu gosto, o seu cheiro...”
“Hmm... Por que ainda está vestida?” Questiono com a respiração ainda descompassada.
“Porque você é a deusa que quero entregar minha devoção.” Ela sussurra.
“Se é assim... A deusa aqui ordena retirar as suas roupas.”
“Começou a ser mandona Dra Isles?” Ela se ergue da cama e termina de desabotoar sua camisa.
“Eu não sou man...” Não consigo terminar a fala porque sinto a camisa que ela usava atingir o meu rosto em cheio.
“Isso foi pelo travesseiro.” Jane falou vitoriosa e eu estava prestes a protestar contra aquilo, no entanto, qualquer argumento que eu pudesse formular ficou ofuscado pela visão da mulher a minha frente. Ela já havia retirado à calça, estava apenas com a lingerie preta e novamente sinto o meu corpo acender com aquela visão.
“Ia dizer alguma coisa?” Ela questiona retirando o pouco de tecido que ainda usava ficando completamente nua. Meneio a cabeça procurando respostas, mas eu estava desnorteada demais com a visão daquela mulher para formular alguma frase.
Ela vem engatinhando sobre mim como um felino prestes a dar o seu ataque, me encarou nos olhos como se estivesse tentando ler meus pensamentos.
“Bom...” Ela murmura rente a minha boca. “Já que não vai dizer mais nada me permita...” Ela estica o braço até o criado mudo e apaga a luz do abajur deixando apenas a luz da lua entrar pela janela do quarto.
Passamos horas deitadas, naquela dança carnal que consumiu nossas energias em colisão, e aquela vazão de sexo e desejo se misturava com todo o sentimento abafado durante muito tempo e que agora é liberado sem medo ou pudor. Há anos imaginei aquela dança, uma dança que começou exatamente na mesma cama, no mesmo quarto escuro, durante um caso conturbado que colocou nossas vidas em risco. Do início de um beijo seco e tímido ao delírio do prazer de corpos unidos ao mesmo sentimento. Agora sei que Jane me ama do mesmo modo que a amo, que me deseja na mesma intensidade que a desejo, que lutaria por mim do mesmo modo que eu lutaria por ela, e tudo isso foi muito além do que imaginei.
Sei que as paredes da minha casa vão se tornar apenas as paredes que sempre foram e não algo que me assombra me fazendo buscar alívio no ar vindo de fora. Sei que as feridas vão cicatrizar e não será mais nada do que uma lembrança perdida em um dos lóbulos do meu cérebro. Porque agora, nada disso me aflige já que estou com ela, rodeada pelos seus braços e seu carinho e não há mais nada que eu pudesse querer além de passar a vida junto com ela.
Talvez aquele elixir, que nada mais era do que uma tequila comum, tivesse realmente algum efeito positivo... Veja... Se não fosse por ele, talvez nada disso tivesse acontecido
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