O Elixir

7 Sobre insonia e uma droga


Notas iniciais
Hello gente =) Maura voltou pegando o gancho do capitulo anterior hehe. PS: Os capítulos vão ficar um pouco mais "dinâmicos" mas é importante para o rumo da história. Espero que gostem. Boa leitura =P

Maura

Naquela noite eu sentia o chão frio da minha cozinha sob meus pés enquanto eu caminhava de um lado para o outro evitando olhar o vidro azul reluzindo com a luz. A garrafa com o elixir estava sobre a pia e era possível ouvi-la chamar meu nome, me atraindo para mais perto. Como poderia, garrafas não falam!

Aquele elixir idiota havia funcionado, mas de forma totalmente absurda como um tiro disparado contra meu próprio pé.

Não havia a menor possibilidade de eu e o Doug sermos um par, aquilo não iria funcionar simplesmente porque não o vejo da mesma forma que vejo a Jane.

“Jane...”

Murmuro encostando meu corpo no balcão da cozinha sinto o peso daquele nome me marcar como tinta, como um chicote e assim estremeço revivendo aquele momento no necrotério. O que foi aquilo em seus olhos? Jane parecia realmente incomodada com o Doug aponto de fazê-lo um suspeito quando claramente não havia motivo. Além disto, seu comportamento, suas feições, até mesmo o tom de sua pele mudaram drasticamente quando a provoquei e de repente ela se tornou mais cautelosa, mais atenta, mais inquieta.

E se na verdade a inquietação de Jane seja um dos efeitos do elixir? O vendedor deixou claro que todos os amores possíveis surgirão, sendo assim, talvez ela sinta o efeito em algum momento...

Ergo meus dedos tocando as têmporas e fecho os olhos, fico ouvindo a minha própria respiração enquanto tento me concentrar. Só havia um jeito de sair daquele impasse e é testando o elixir novamente, se o efeito não for o desejado, irei descarta-lo em minha pia e esquecer esta tolice de lenda.

Apanho a garrafa mais uma vez observando o meu próprio reflexo no vidro. Retirei a rolha e deitei o liquido sobre o copo e sem demorar muito eu bebi, bebi de forma rápida ignorando o gosto e a ardência, bebi sentindo o calor se apossar de meu corpo, bebi mais uma vez depositando minha fé naquele líquido.

Ergui o olhar e vi o relógio da cozinha, já se passava das 2h nem um fio de sono tinha me abatido até então.

“Jane...” Murmurei novamente me sentindo amolecer pelas ondas quentes em minhas veias. “Consegue sentir este calor?”

XXX

Eu tentava me focar no computador, ler cada gráfico observar cada pico, cada linha e número, porém naquela manhã só era possível me concentrar na minha enorme dor de cabeça.

Parecia que alguém martelava o meu crânio perfurando-o e se infiltrando nas minhas meninges; se isto não fosse terrível o bastante, qualquer luz ou som era o gatilho para aprofundar ainda mais a dor.

Esforço-me para encarar mais uma vez a tela do computador contando novamente todos aqueles picos no resultado do exame toxicológico, apenas confirmando o que eu mais temia.

“Maura?” A voz de Jane me despertou. “Ouviu o que eu disse?” Ela questionou cruzando os braços contra o peito.

“Han, desculpe-me.” Movimentei levemente a minha cabeça.

“Falei sobre o Delawy, você não ouviu nada?” Jane insistiu.

Inclinei a cabeça para o canto e a observei melhor. Estava tão concentrada nos gráficos, e na dor insistente, que não a vi chegar. Jane estava sobre a luz encostada em minha bancada com seus cachos desalinhados e um sorriso curioso de canto. Não importa por quanto tempo se tenha passado, sempre que eu a via a euforia dentro de mim explodia sem aviso algum, e naquela altura, até uma dor de cabeça parecia ser depressível quando ela estava por perto.

“Desculpe Jane, minha cabeça está me matando... Não me matando de verdade... bom, você entendeu.”

“Claro, você está de ressaca qualquer um pode ver isto.” Ela sorriu abertamente. “Pior que nem me convidou para cair na bebedeira.”

“Não Jane, eu não bebi álcool ontem à noite.” Respondi prontamente me defendendo. Foi quando a observei puxar um dos bancos de madeira e sentar-se próxima a mim.

“Ok, então o que foi que você bebeu?” Ela se aproximou me encarando de tal maneira que me senti vacilar.

“Não era bebida alcoólica...” Eu não queria contar sobre o elixir, pelo menos não até ter certezas dos efeitos verdadeiros.“Jane...” Minha voz estava firme totalmente o oposto que acontecia dentro de mim. “Você sentiu algo diferente ontem à noite, algo que não soube explicar?”

Jane desviou o olhar rapidamente e os fixou em seus próprios sapatos; ela hesitava permanecendo em silêncio como se, de certo modo, procurasse palavras que se recusavam a aparecer me deixando cada vez mais ansiosa.

“Não tive uma das minhas melhores noites, despertei várias vezes com o calor...” Ela se voltou para mim novamente. “Por que você sempre pergunta se estou bem? O que esta escondendo Dra. Isles?”

“Você não acreditaria se eu dissesse.” Minha voz outrora firme se tornou um fio fraco escapando por entre meus lábios.

“Ok, quer que eu descubra sozinha? Porque você sabe que irei...” Ela se aproximou ainda mais me encarando profundamente como se quisesse ver a minha alma. Vi seus olhos negros saltarem dos meus olhos e cair sobre meus lábios e subir lentamente para os meus olhos mais uma vez. Jane me estudava em silêncio, um silêncio intenso e sufocante que me fazia ofegar.

Sinto o seu toque acidental em uma das minhas mãos, suave e tímido desencadeando uma corrente elétrica por todos os meus nervos. Quando dei por mim o rosto de Jane estava levemente corado a deixando ainda mais linda se é possível algo assim acontecer. Ficamos assim neste desafio silencioso e dolorosamente atrativo. De repente, ouço o telefone tocar ao meu lado levando tanto a mim quanto Jane a quebrar aquele contato visual.

Como odiei imensamente a pessoa que ligava naquele momento!

Jane levantou-se e afastou-se começou a caminhar em círculos esfregando as mãos uma na outra enquanto eu falava ao telefone.

“Era o Cavanaugh.” Falei por fim desligando o aparelho.

“O que ele queria?”

“Talvez você não goste disso...” Ajeitei minha postura enquanto via uma mulher se aproximando.

“Detetive Rizzoli.” A mulher sorriu cordialmente se dirigindo a Jane. “Sou a detetive da narcóticos Ana Athanasiadis.”

“Athana... o que?” Imediatamente Jane assumiu sua postura ofensiva diante da outra detetive que aparentemente não se intimidou com aquilo.

“Athanasiadis. Derivado de Athanasios que significa imortal; é um nome grego.” Falei rapidamente fazendo com que a detetive da narcóticos sorrisse abertamente e Jane revirar os olhos negros impaciente.

“Sim, é grego, mas garanto que sou totalmente daqui. Pelo visto você deve ser a famosa Dra Isles, ouço tanto ao seu respeito, mas confesso que jamais imaginaria uma mulher igual a você.”

Neste momento foi possível ouvir a respiração incomodada de Jane.

“O que uma detetive da narcóticos faz no laboratório da homicídios?” Jane se posicionou ao meu lado totalmente séria e ameaçadora.

“Eu a chamei.” Falei rapidamente chamando a atenção de Jane para mim. Ela me encarou com o cenho franzido claramente desconfiada e aborrecida, como se eu a tivesse traído. Essa era a Jane profissional voltado para o seu território. “Este caso é mais complicado do que parece então pedi ao Cavanaugh alguém da narcóticos para nos auxiliar; por isto a detetive Athanasiadis está aqui.” Falei enquanto apanhava os resultados dos exames os espalhando sobre bancada.

“Jason demonstrou um comportamento muito agressivo o que levou aos homicídios seguido pelo suicídio. Como não havia nada patológico em seu relatório psicológico que justificasse a agressividade, a suspeita era de que algum tumor no cérebro tivesse desencadeando a agressividade, porém os exames que fizemos foram negativos. Colhi amostras de sangue periférico e de licor procurando encefalites ou meningite que também pode mudar o comportamento, mas não houve sucesso. Minha última saída era o exame toxicológico, testei para as drogas básicas, maconha, heroína, cocaína, LSD...”

“E também deu negativo.” Jane falou foleando os papéis do exame.

“Exato! Então ampliei a janela de pesquisa; ao invés de usar um teste toxicológico comum utilizei um espectrômetro de massa que abrange uma grande quantidade de substâncias químicas.”

“Algum resultado?” Athanasiadis se aproximou mais olhando com interesse para a tela do computador à frente.

“Sim, mas não se sabe exatamente o que. Veja, estes picos no gráfico não sabemos o que são.” Tanto Jane quanto a detetive Athanasiadis olharam fixamente para o monitor.

“Está fora do espetro, o peso molecular é muito maior do que o reconhecido pelo equipamento.” A detetive ressaltou com o tom de preocupação.

“Quer dizer que tem uma nova droga circulando por ai?” Jane indagou visivelmente confusa.

“Sim.” A detetive Athanasiadis confirmou olhando fixamente para as fotos dos corpos despostas na bancada. “É uma nova substância totalmente desconhecida que tanto eu quanto você e a Dra. Isles podemos ver o potencial destrutivo que ela causa.”

Notas finais
E então? Acha que a Jane ta saindo do armário? Por falar nela, ela volta no próximo cap. Até lá =)