O Décimo andar
12 Loucuras a noite
O som das ondas batendo contra a estrutura da casa parecia pulsar no mesmo ritmo do sangue de Eloah. Ela estava deitada na cama do quarto de hóspedes, a porta apenas encostada, sentindo o calor da declaração de Arthur na areia ainda queimando em sua pele.
O clique suave da porta se fechando foi quase imperceptível. A silhueta de Arthur surgiu contra a luz fraca que vinha do corredor. Ele não disse nada. Caminhou até a cama com a determinação de um homem que já tinha cruzado a linha do não retorno.
— Arthur… — o nome dela saiu como um suspiro quando ele se sentou na borda do colchão.
— Eu disse que estava louco, não disse? — a voz dele era um sussurro rouco, denso.
Ele inclinou-se sobre ela, as mãos grandes encontrando o rosto de Eloah, puxando-a para um beijo que não tinha nada de polidez. Era um beijo que exigia, que explorava, carregado de uma fome contida por meses. Eloah sentiu o peso do corpo dele sobre o seu, o contraste do linho da camisa dele contra a seda do seu pijama de alcinha.
As mãos de Arthur desceram com urgência, mapeando cada curva que ele antes apenas imaginava. Ele trilhou um caminho de beijos ardentes pelo pescoço dela, parando exatamente onde o colar de ouro descansava. Eloah arqueou as costas, os dedos perdidos nos cabelos grisalhos da nuca dele, soltando um gemido baixo que foi abafado pela boca de Arthur novamente.
O clima no quarto tornou-se sufocante. A mão dele deslizou para a coxa de Eloah, subindo lentamente, enquanto a outra mão buscava o fecho da alça do pijama dela. Cada toque era carregado de uma eletricidade que fazia o corpo de Eloah tremer. Ela sentia a dureza do corpo dele contra o seu, a prova física da loucura que ele confessara na areia.
Quando a pele se encontrou sem barreiras, o mundo lá fora desapareceu. Arthur desceu os beijos pelo seu abdômen, a respiração dele quente contra a pele sensível, fazendo Eloah perder o sentido de onde estava. Ela estava pronta. Ela queria que ele fosse o primeiro, que ele fosse o único, que aquela tensão finalmente explodisse.
Mas, no ápice do momento, quando a entrega parecia inevitável, Arthur parou.
Ele encostou a testa no peito dela, a respiração tão pesada que parecia um rosnado. Seus músculos estavam tensos como cordas de aço. Por longos segundos, o único som no quarto era o arfar dos dois.
— Arthur? — ela chamou, a voz trêmula, as mãos ainda buscando por ele.
Ele se afastou abruptamente, sentando-se na cama e passando as mãos pelo rosto, tentando recuperar o controle que sempre fora seu orgulho.
— Eu não posso — ele disse, a voz saindo cortada, quase irreconhecível. — Não assim. Não com seus pais no quarto ao lado. Não quando eu sei que, se eu continuar, nunca mais vou conseguir te deixar sair desta casa.
Ele se levantou, ajeitando a roupa com movimentos bruscos, sem olhar para ela.
— Durma, Eloah. Amanhã voltamos para São Paulo.
Ele saiu do quarto tão rápido quanto entrou, deixando apenas o rastro do seu perfume amadeirado e o calor de suas mãos gravado na pele dela. Eloah ficou ali, estática sob os lençóis bagunçados, sentindo o frio da ausência dele e uma confusão que doía mais do que o desejo não realizado.
Ele a queria, mas as regras — as malditas regras que ele mesmo criara — ainda pareciam ser o muro que ela não sabia como derrubar.
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