O Décimo Primeiro Portão

1 Quase viro jantar de ciclopes


Notas iniciais
Olá meu amores, bem eu sou a Lari amiga do Léo e a Bia autores da fic, vim postar essa maravilhosa fic na minha humilde opinião, espero que gostem e comentem o que achar :3

Cinco Anos Atrás...
A Aula havia terminado fazia um tempo. Todos já haviam saído da sala, sobrando apenas eu e mais alguns alunos na sala.
– Ei, Uhira! – Outro aluno da sala chamou. – Anda logo, seu idiota! O Intervalo começou!
Guardei meus livros na mochila e corri até o pátio, porém antes que chegasse ao corredor, acabei indo ao chão. Todos em volta começaram a rir, enquanto Duncan, o aluno que havia me chamado anteriormente, puxou uma corda e acabei escorregando... Meus Óculos caíram e sou totalmente cego sem eles, fiquei os procurando com as mãos enquanto todos riam de mim.
– Olha, o quatro olhos não consegue achar os próprios óculos! – Duncan provocou e todos voltaram a rir. – Deixa eu te ajudar! – Quando ia pegando os óculos, ele o pisoteou. – Ops...
Todos riram ainda mais alto, enquanto eu me levantei com dificuldade e comecei a andar em direção a sala mais uma vez, me apoiando nas paredes, sem enxergar nada. Já estava mais do que acostumado com isso, acontecia praticamente todos os dias.
Sou Ikaro Uhira, tenho treze anos e moro em Denver desde que nasci. Todos sempre me zoaram, pois eu sou muito desastrado, e por isso me fazem de piada. Não tenho amigos, pois todos tem vergonha de andar comigo... Desde Sempre todos sempre se afastam de mim.
Minha mãe desapareceu assim que eu nasci me deixando sozinho com meu pai. A Família do meu pai pertence a uma linhagem japonesa de antigos costumes... Quando souberam que meu pai havia tido um filho, quando estava noivo de outra pessoa, ele foi expulso da família e renegado pelos meus avós, sem direito a nada... Por minha culpa.
Atualmente ele trabalha como secretário em um jornal local... O que nunca deu muito dinheiro, mas mesmo assim da pra viver. Ás vezes sinto que tudo poderia ter sido diferente... a minha existência é um problema.
O único lugar em que me sinto realmente livre de todo o preconceito e culpa... É quando ajudo o jardineiro Rupert a cuidar das plantas na estufa do colégio. A Estufa é um lugar legal pra quando quero estar sozinho. Me ajuda a relaxar... É como se as plantas falassem comigo... Como se elas me confortassem de algum modo.
Resolvi não assistir as próximas aulas e corri para a Estufa. Sempre trazia um par de óculos reserva, pois sempre faziam isso... Não resistia pois caso o fizesse seria pior.
– Ikaro, não deveria estar na aula? – Rupert, o jardineiro, podava alguns arbusto quando entrei.
– Deveria sim, mas... Acho que já basta por hoje... – Pendurei meu casaco por ali e me aproximei dele. – Posso ajudar em alguma coisa? – Sorri, adorava mexer com plantas.
– Bom... Pode plantar essas mudas ali naqueles vasos?- Perguntou e eu assenti me entregando algumas sementes.
Fui até os vasos e a enterrei cuidadosamente na terra.
– Prontinho. – Sorri e pus um pouco de água, umedecendo o solo. – Você vai se tornar uma linda flor. – Sorri, fechando os olhos. – Cresce, plantinha!
Quase caí no chão quando abri os olhos e vi o que aconteceu. Um ramo começou a crescer e a flor se abriu quase que imediatamente em minhas mãos.
Ainda não havia me acostumado com isso. De uns dias pra cá, desde que fiz treze anos, na verdade, isso começou a acontecer... As Plantas cresciam apenas com meu toque... Não só sementes, mas plantas murchas, galhos secos... Tudo se tornava uma linda planta com apenas um toque meu.
Ajudei Rupert durante toda a tarde e antes que percebesse, já era hora de ir pra casa. Despedi-me do jardineiro e entrei no ônibus escolar, indo em direção a minha casa.
Quando cheguei em casa, tudo estava quieto... Diferente. Geralmente naquela altura, meu pai já estaria fazendo alguns de seus sanduíches para o jantar, e o cheiro de queimado já teria invadido tudo.
– Otou-san?- “Otou” significa pai em japonês, e “-san” era um sufixo que demonstrava respeito. Desde pequeno meu pai me ensinou que respeito era essencial. – Pai? – Entrei na sala de estar e novamente aquele silêncio. – Olhei na cozinha e ela estava ainda como a deixamos pela manhã... organizada... Definitivamente, algo estava acontecendo. Me aproximei das escadas. – Pai? O senhor está aí em cima? – Ninguém respondeu. Comecei a subir lentamente. – Otou-san?! – Comecei a ficar preocupado, meu pai teria me ligado, ou deixado um bilhete caso tivesse saído.
Fui até seu quarto no final do corredor e não pude conter o grito. Meu Pai estava na cama, inconsciente... E duas criaturas enormes em volta dele... De um olho só. Caí no chão com o susto que levei e logo os dois feiosos me encararam.
– Olha aí, o garoto chegou... – Um falou sorrindo e o outro riu. – Mitsuo já estava se sentindo sozinho sem o filhinho...
– Quem... O que são vocês?! – Comecei a me arrastar de costas para longe deles.
– Somos Ciclopes, não está vendo? – Perguntou, sorrindo.
– Ciclopes não existem! – Gritei me distanciando mais, porém o outro me agarrou enquanto tentava inutilmente me soltar.
– Claro que existimos, semideus! – Respondeu. – E estamos com uma fome louca... – O que me segurava acabou babando em mim.
– Do que me chamou?!- Perguntei confuso e a cara cheia de baba de ciclope. Não era uma sensação legal.
– Semideus. Raça deliciosa essa sua, por sinal. – Respondeu o outro. – E ainda ganhamos um humano como aperitivo, esplêndido.
Olhei ao meu redor, tentando encontrar alguma maneira de fugir daquelas coisas... Não queria virar comida de ciclope. VI que na janela ainda tinha o cactos que meu pai criava, ele assim como eu, ama plantas de todos os tipos.
– Bom, garoto, nós adoramos conversar com você, mas está na hora do jantar. – Comecei a olhar para o cactos com toda a força, não entendia o por quê. Quando achava que os ciclopes iriam me devorar, o que me segurava me soltou.
– AAAAAAAAAAAAAAAH! – Os Espinhos dos cactos sumiram e quando olhei o ciclope caiu desmaiado, as costas estavam cravadas com os espinhos. Chutei o outro nas partes íntimas e pulei a janela.
Comecei a correr pelo quintal, peguei uma das enxadas da nossa horta e corri pela rua.
Os Dois Ciclopes corriam atrás de mim, lançando raios pelos olhos, sabia que se corresse, eles deixariam meu pai em paz, pelo menos, enquanto me perseguiam.
– Não irá escapar semideus! – Gritou o que tinha espinhos nas costas. – irá pagar por isso!
– Não se você não me pegar. – Dei língua e olhei para as casas próximas com lindos jardins. – Cuidado onde pisa! – Fiz exatamente o que havia feito antes e várias raízes nasciam do asfalto, amarraram-se nos pés dos ciclopes e os derrubou.
– Pirralho Maldito! – Levantaram-se com dificuldade e as raízes os derrubaram de novo.
Não sabia o porquê ou como fazia aquilo, mas pelo menos consegui escapar vivo, mas ainda sujo de baba de ciclope.
Corri até um beco sem saída. Estava encurralado, não havia plantas por perto, não havia como escapar.
– Cansamos de seus truques, garoto. – Disse o Ciclope erguendo o machado que carregava.
Quando achava que ia morrer, Rupert surgiu como um raio golpeando o ciclope no rosto dando um... Coice?
Só eu que nunca percebi que ele tinha... Pernas de bode?! E dois chifres no alto da cabeça?
Antes que o outro pudesse agir, Rupert repetiu o feito nele e os dois caíram desmaiados.
– Vamos Ikaro, não temos tempo. – Pensei em perguntar sobre as pernas dele, mas achei melhor me afastar daqueles zarolhos grandalhões primeiro.
Começamos a correr pelas ruas de Denver, tentando fugir dos ciclopes que não muito tempo depois, começaram a nos perseguir mais uma vez.
– O que está acontecendo? – Perguntei ofegante, estávamos correndo há vários minutos.
– Sobreviver primeiro, explicações depois. – Respondeu. – Estamos quase chegando... Lá está!- Gritou apontando para a estufa.
– Estamos salvos! – Respondi sarcasticamente. – Nada melhor para afugentar gigantes de um olho só do que uma casa de vidro.
– Você vai ter que controlar as plantas e deixa-los fora de combate até chegarmos ao acampamento, acha que consegue? – Arregalei os olhos.
– Como você sabe?
Rupert sorriu.
– Eu sei tudo sobre você, Ikaro. E finalmente, chegou o motivo para você também saber. De onde veio e o que você é... Você não pertence a esse mundo.
– Como assim? – Estava bem difícil ignorar aquelas pernas de bode.
– Eles estão nos alcançando, vamos! – Entramos na estufa e barramos a porta com mesas e jarros pesados para impedir sua passagem. Rupert me pôs no centro da Estufa, de frente para a porta.
– Rupert, eu não sei se eu...
–Você é o filho de Demeter, a Deusa das plantas... Você consegue! – Gritou transparecendo confiança em mim.
– Filho de quem?
Ele não teve tempo de responder. Os Ciclopes derrubaram a porta e corriam em minha direção.
– Você consegue, Ikaro. – Uma voz feminina ecoou em minha cabeça. –“ Eu confio em você, confie em si próprio, e superará seus desafios”
Fechei os olhos, ainda nervoso, pelo que estava para acontecer...
– Desistiu de fugir foi neném? – Os dois riram.
Ergui as mãos para o céu e coloquei toda a minha força de vontade naquele gesto. De repente, a terra começou a tremer. O que eram plantinhas pequenas em vasos de barro, viraram cipós enormes... Plantas espinhosas começaram a nascer no chão, junto com enormes pés de trigo.
– Você não pode comigo. – Respondi sorrindo ao ver que tudo aquilo estava sobre o meu comando.
Os Cipós amarraram os ciclopes e deles nasceram flores... Que liberaram um pó sonífero, apagando os dois grandalhões.
Os Dois caíram derrotados no chão. Caí de joelhos não acreditando no que havia feito. Aquele cara confiante de um minuto atrás... Era mesmo ele?
Rupert saiu de onde estava escondido, com um sorriso satisfeito.
– Muito bem, garoto. – Sorriu novamente. – Queria ter ajudado mais, mas você acabou se virando, em?
Caí cansado no chão. Havia usado muito da minha energia, correndo e fazendo plantas nascerem do nada, e ainda havia destruído toda a Estufa, perfeito, pensei.
– E agora, o que fazemos com esses dois? – Perguntei sem saber o que fazer.
– Eles acordarão em breve. – Respondeu Rupert, chutando o rosto de um.
– Tá de brincadeira?! Essas coisas nunca morrem?!
– Não é tão simples como pensa Ikaro. Agora Vamos, temos de achar seu pai e Belatriz, e sairmos logo daqui.
– Quem é Belatriz? – O Nome me era familiar, mas não conseguia me lembrar. – Pera... Não é aquela garota que anda com as líderes de torcida é?
– Ela mesma. – Respondeu sorrindo.
Belatriz Black era um ano acima que eu na escola. Trabalhava para as líderes de torcida do time, carregando os pompons e qualquer outra coisa que pedissem tudo pra fazer parte da equipe. Mesmo ainda não sendo parte, agia como se já fosse uma.
– O que ela tem demais?
– Seria burrice minha levar um semideus de cada vez, não acha?
– Semideus? Eu ficaria surpreso, se você me contasse o que é um semideus.
– Acho melhor seu pai explicar, garoto. – Pegou algumas coisas em seu quartinho na estufa e começou a puxar meu braço.
Ele me arrastou até a quadra da escola, onde uma garota de cabelo e olhos pretos com uma cara nada feliz, sentada na arquibancada, como se estivesse sendo obrigada a estar ali.
– Finalmente! – Belatriz levantou-se furiosa indo em direção a Rupert. – As Líderes me convidaram para festejar a vitória do time na lanchonete e tive que ficar por sua causa!
– Seu Pai quer vê-la, Belatriz. – Ela pareceu surpresa por um momento.
– Meu pai?! Eu... – Ficou de cabeça baixa. – Meu pai morreu... Minha mãe sempre disse que ele...
Eu parecia invisível ali. Sério, ninguém percebeu que eu também estava lá?
– Ele não morreu garota, ele é imortal.
– Imortal? – Pareceu não entender e balançou a cabeça nervosa. – Eu não estou entendendo nada!
Ouvimos um barulho da estufa, parecia que nossos amiguinhos tinham acordado do seu soninho de beleza.
– Não temos tempo, vamos! – Saiu nos puxando pela rua, pelo caminho que corri anteriormente.
Bella, apelido que a Belatriz gostava que fosse chamada, estranhou umas raízes grossas saindo do chão e o asfalto esburacado, mas resolveu não falar nada. Rupert também parecia ter notado, mas estava mais ocupado tentando correr com aquelas pernas de bode, que ele até agora não tinha me explicado.
Corremos até a minha casa e Rupert subiu as escadas... Como se já tivesse andado na minha casa antes. Andamos até o quarto do meu pai e ele estava sozinho encarando a janela.
– Otou-san! – O Abracei e ele retribuiu.
– Misuku! – Misuku significa “filho” em japonês.
– Pai, eu estou confuso... O que está acontecendo...
Meu Pai sorriu triste.
– Sua mãe me disse que isso aconteceria algum dia... Mas gostaria que fosse mentira... – Ajoelhou-se e segurou em meus ombros. – Aconteça o que acontecer Ikaro, lembre-se que seu Otou-san ama você.
– Mitsuo, eu acho que devia contar a Ikaro a verdade. – Pediu Rupert, tirando do bolso de seu macacão um saquinho plástico com um pó verde. – Isso vai conseguir esconder o cheiro de semideus, pelo menos por enquanto. – Virou-se e encarou Belatriz, que parecia mais confusa que eu. – Vamos descer e espalhar o pó pela casa. – Ela concordou e os dois deixaram o quarto.
– Sente-se Ikaro. – Sentei na ponta da cama o encarando com o olhar cheio de confusão e medo. – Misuku, você não é uma pessoa comum. – Ajoelhou-se novamente e sorriu. – Você é um semideus... Ou seja, filho de um mortal com um Deus...
– Os ciclopes, eles me chamavam assim... Mas eu não entendia o porquê...
– Sua mãe Ikaro, não é humana. – Comecei a chorar aquela altura. – Sei que parece confuso, você ainda é uma criança pra mim. – Me abraçou novamente. – Sua mãe... Era Deméter. A Deusa Grega das Plantas e Agricultura. Ela nos abandonou, pois não nos queria por em risco. Eu descobri isso quando você nasceu... Rupert é um sátiro, mandado para proteger você e Bela. – Enxugou suas lágrimas. – Agora que seus poderes começaram a aparecer, sabia que logo mais, monstros iriam surgir... Por isso, você deve ir ao acampamento meio-sangue, lá encontrará a proteção necessária e pessoas como você.
– Mas... E o senhor? Otou-san! – Abracei meu pai chorando.
– Eu vou ficar bem. – Sorriu triste. – Sua mãe o irá proteger. – Enxugou as lágrimas. – Agora vá, Rupert está te esperando.
Abracei meu pai novamente, e desci as escadas onde Rupert e Bela estavam sentados no sofá. Parecia que o Jardineiro com pés de bode, também contou a verdade a ela.
– Não temos muito tempo, vamos. – Na entrada da casa, Rupert lançou uma espécie de joia que se tornou um portal. – Por aqui meninos, o acampamento meio sangue, espera vocês.
Olhei pra cima e vi meu pai dando um tchau. Só pude sorrir, antes de seguir Rupert e Bela para dentro do vórtice...
Continua.

Notas finais
E aí? Gostaram? Amaram? Odiaram ? Por favor comentem e deixem os autores dessa fic felizes