O Décimo Anjo - A Morte

1 Primeiro Conto - O Despertar.


Notas iniciais
É um grande prazer ter cada um de vocês aqui, estou muito feliz de estar postando. Obrigada por dar essa chance de ler minha história, fiquem a vontade! Bem vindos, e boa leitura!

No início nada existia, era tudo escuridão e então:

Que se faça a luz!



Perdoe a memória, espero que entenda.

Não lembro como começou, não sei como nasci. Quando me dei por conta estava perdido no escuro e parecia flutuar, de repente vi algo em minha frente, como num simples tropeço caí. Quando abri os olhos pude então ver, estava em um lugar cheio de cores e coisas que nem poderia sonhar, era lindo a vegetação crescia por toda a parte, árvores majestosas, rios e lagos em abundância, queria tocar em tudo, queria sentir, cheirar, correr estava maravilhado. Momentos brincando pelos campos, ouvi uma voz se referindo a mim, me senti tão bem, não sabia o que era, mas me fazia bem. Me perguntou o que estava fazendo ali perdido no que ele chamou de paraíso, ainda assustado demorei algumas frações de segundos para lhe responder, mas quando fui abrir a boca, ele exclamou que era lógico, que quando criou a vida, era certo que a morte apareceria também.

Nesse momento descobri o que minha existência significava, servia como oposto. E fiquei muito feliz em ter um propósito, ele me disse que um dia teria uma função muito importante e que seria de grande ajuda. Minha felicidade estava completa.

A voz me deu atenção, me contou o que fizera e me pediu ideias do que mais poderia fazer, naquele dia me senti importante, mas o ser não, ele tinha feito muitas coisas mas algo ainda faltava.

Foi no sexto dia que seu vazio fora preenchido, criou o homem, o tom era outro me senti feliz demais por ele e logo fui me apresentar, mas algo de estranho aconteceu. O Adão, como assim fora nomeado, não me via, e ficava arrepiado quando me aproximava. A voz percebendo o que estava acontecendo explicou para ambos, novamente fiquei feliz, mas a reação do outro fora choro, pela primeira vez me senti mau, como se minha existência fosse algo ruim, então me afastei. De longe vi a primeira mulher sendo criada, para evitar problemas maiores não apareci.

Corri para longe, e uma dor se fez em meu peito, algo suportável, porém anormal. Os dias foram passando e a felicidade ainda era plena. Brincava animado com as plantas e animais que pareciam me amar de volta. Quando chegava a hora eles vinham até mim pulando e eu os acalmava e tranquilizava e os via entrando em sono profundo, enquanto fechavam lentamente seus pequenos olhos, tudo o que fizeram em vida aparecia para mim, e seus últimos sentimentos ficavam de presente. Esse era meu trabalho, fazer os animais dormirem e as plantas murcharem, para que a vida nascesse e brotasse.

Dia após dia tudo era perfeito, a vida dos sonhos, tempo glorioso de muito amor e paz. Por mim aquilo duraria para toda a eternidade.

Tolo fui ao pensar que poderia.

Em um certo dia fatídico um evento mudou meu mundo, do nada ouvi gritos, eram da voz que parecia estar enfurecido, pelo que entendi ele estava muito decepcionado. Assim expulsando a mulher, que parecia insistir em afrontar, desobedecer, a ela um castigo fora dado, mas preferi não ouvir, não era da minha conta.

Logo depois da costela de sua criação, originou-se a segunda mulher, o nome dado fora Eva. Infelizmente após algum tempo, pela segunda vez vi ele expulsar sua amada criação do reino, e com eles foram-se os animais. Me senti tão sozinho, pensei que ele também estaria, então fui ver se podia ajudar. No primeiro dia, fui ignorado e assim dias de longas chuvas passaram, sem respostas, cada vez mais solitário.

Sem fazer nada, já não sabia exatamente quanto tempo havia passado. Na manhã de um dia terrivelmente tempestuoso ele respondeu que era chegada a hora, deveria descer e cumprir minha missão, fiquei com medo, pois nunca havia deixado meu lar, perguntei então se ele me deixaria voltar, assim que o fizesse. Não queria que ele ficasse sozinho novamente. Respondeu que poderia voltar quando quisesse, bastava apenas pedir.

E na velocidade do pensamento, estava na terra que o Adão habitava, ao longe vi sua morada.

Vaguei por ali, lugar estranho, coisas diferentes, os animais estavam presos e os outros escondidos na floresta e mesmo quando me viam não demonstravam grande reação, estavam diferentes. Os mais velhos vinham a mim em desespero, e os mais novos fugiam. Eram muitos.

Uma pontada foi o bastante para me fazer derramar lágrimas, sentimentos ruins, vidas absurdamente longas, com perdas e acontecimentos horríveis, coisas que não aconteciam no jardim.

A cada amigo reencontrado, mais sofrimento, estava angustiado, do sonho ao pesadelo, queria voltar, queria sumir, fechei os olhos e desejei. Quando abri, me deparei com as crias do homem e vi a cena, com um golpe, a traição. Só pude me aproximar depois que o outro saiu para cumprir seu castigo de caminhar sozinho por toda a eternidade.



A primeira vez que toquei em um humano.



Era diferente, não como antes, vi seus feitos, ganhei os sentimentos. E então mais dor. Dei a ele o sono eterno e em troca um acumulado de emoções ruins..

Para onde caminhava, via o mundo se dividir os que precisavam de mim me davam amor e os que não me queriam por perto apenas ódio e rancor.

Anos passaram, décadas, milênios após milênios e a figura amada que representava, logo se tornou algo odiável. Fugiam de mim, me rebaixaram, me desprezavam, e me batizaram: Anjo da Morte. O meu trabalho foi dito como o próprio mal. Eu não entendia, aquilo era demais pra mim, e a voz não me respondia, de tempos em tempos ele conversava com os homens mas a mim nada.

Ele me abandonou, todos me abandonaram, e os sentimentos ruins se acumularam e tudo ficou escuro de novo.

Via felicidade, amor, paixões, nascimentos, casamentos, mas também haviam traições, revolta, ódio, e mortes. Guerras por comida, território, linhas imaginárias, vi avanço na tecnologia, bombas nucleares, mais inocentes partindo fora do tempo determinado. Muito sofrimento.

Tratado como lixo, com apelidos: Ceifador, a única certeza, o maldito fim. Tantas coisas se referindo a mim.

O amor já não mais habitava, ninguém sorria ao me ver, desenhos e imagens me descreviam como horrendo, de linda luz, para um terrível esqueleto vazio.

Apenas dor.

Depois do incidente, uma pergunta dominava minha cabeça, afinal o que eu era.

Ingênuo e sem controle. Assim como uma criança, mas aprendi a lição me refiz melhor e maior, naquele tempo, me deixei levar pelas emoções humanas, que transbordavam e como uma fogueira me queimavam, aprendi que aquilo só me afetaria se permitisse e assim fiz.

Só depois de aprender a controlar e pensar por mim mesmo, tomei as rédeas, um processo longo de momentos difíceis.

Desculpe a linha do tempo toda embaralhada, é que para mim em um piscar os milênios passam. Se tiver paciência, posso te contar.

Por hoje chega, tenho trabalho a fazer. Nos vemos mais tarde.

Notas finais
Novamente, tenho só a agradecer. Estou muito animada, fui tão incentivada a escrever, que creio que os planos de uma pequena One, serão mudados. Obrigada! Conselhos, criticas, fiquem a vontade! Muitos beijos se cuidem, até mais! ♥