O Dragão
3 Capítulo 2
A espada desceu rapidamente em direção ao pescoço do garoto. Ele fechou os olhos como uma forma de sentir menos sofrimento. Mas passou um tempo e ele não sentiu nada. Abriu os olhos. Estava intacto. Na sua frente estava um homem com um capuz branco. Ele havia desviado de alguma forma o golpe da espada de mulher.
Thalles só conseguiu ver a mulher se transformar novamente em pássaro e fugir voando. O estranho homem o olhou como se já o conhecesse faz muito tempo.
– Precisamos ir. Não sei até quando vão te atacar de novo. – Disse ele, agarrando o braço do jovem, querendo levá-lo a algum lugar.
Quando Thalles percebeu já estava voando. Aquele homem havia se transformado em dragão, o agarrou pela cauda e abriu vôo. O jovem não acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo. Só naquele momento percebera o porquê dos pais o proibirem de fazer qualquer coisa em seu aniversário. Agora estava sentindo na pele o preço da desobediência.
O dragão pousou em frente a um enorme monumento no meio do nada. Era uma gigantesca construção em estilo grego. No topo da construção estava o desenho de um enorme dragão, construído na própria parede do monumento. O enorme portão era protegido por duas estátuas de dragões, cada uma segurando um tridente. Thalles olhou para aquelas construções surpreso. Ele não sabia por que estava ali. O dragão se transformou novamente no desconhecido homem, que lhe deu as boas-vindas.
– Seja bem-vindo de volta a sua casa. Meu nome é Yonnin.
– Como assim “minha casa”? Minha casa fica na cidade! Junto com os meus pais!
Mas o homem, Yonnin, não lhe deu ouvidos. Aparentemente ele ouvira aquela história dezenas de vezes. Ele arrastou Thalles até o portão. Assim que o jovem passou pelas estátuas que carregavam tridentes, ele sentiu seu braço direito mais quente. Quando olhou havia uma tatuagem de um dragão enrolado em seu braço. Não era uma tatuagem muito grande, mas ele nunca vira nada assim em seu corpo. Rapidamente tudo ficou claro em sua mente. Ele percebera que pertencia a aquele lugar. Mas não sabia como.
– Este é o símbolo da nossa ordem. A Casa dos Dragões. – Yonnin suspendeu um pouco a parte da túnica que cobria o seu braço direito. Uma tatuagem idêntica estava lá. – Pelo visto você não vai mais brigar por estar aqui. Fique sabendo que aqui é o único lugar em que você estará seguro de agora em diante.
Ele abriu o enorme portão. O lado interno era incrível. O teto do lado de dentro não existia, só havia o céu. Thalles achou impossível. Ele viu pelo lado externo que toda a construção era tapada por um teto. Na sua frente estava um grande pátio, com uma estranha fonte no centro, uma fonte que soltava chamas ao invés de água. Crianças brincavam no espaço aberto vestindo suas túnicas brancas. Alguns adultos os observavam sentados em bancos espalhados ao redor do pátio.
Yonnin levou Thalles até o fundo, onde havia um corredor coberto cheio de portas, e uma escada que levava até o andar superior. Ambos em estilo grego. O homem abriu a porta central. Lá dentro havia um grande saguão, com um grande pilar no centro, o topo sustentando uma grande chama azul. Quatro mulheres, aparentando ter a mesma idade do jovem estavam sentadas de frente para o pilar, como se estivessem protegendo a chama. Imagens de dragões flutuavam pelo saguão.
– Incrível, não? Este é o salão principal. É aqui que as mais puras de nossa ordem cuidam da chama do primeiro dragão eternamente. – Yonnin levou o jovem até o final do saguão, abrindo uma porta no final da construção, levando-o a um pequeno escritório.
O homem acenou para que o jovem Thalles se sentasse em um grande sofá de couro localizado no canto da parede. Ele pegou uma cadeira e se sentou na frente dele.
– Então... Quer que eu comece por onde?
– Seria bom me explicar porque aquela mulher queria me matar e o que é tudo isso!
Ele se recostou na cadeira, se preparando para começar a explicação.
– Aquela mulher é uma das caçadoras da Ordem da Fênix. Ela queria justamente evitar que eu tivesse esse contato com você. Não queria deixar que você chegasse aqui.
– Mas por quê? – Thalles gritou.
– Entenda, este mundo em que nós vivemos é controlado por três grandes ordens. São as Casas das Fênix, dos Dragões e dos Alquimistas. Atualmente a Casa da Fênix quer controlar as outras duas casas, mas eles são especializados em lutas corporais, não possuem energia para realizar o que os humanos chamam de magia. Por isso elas querem matar os jovens das outras ordens antes que eles controlem seus poderes. Aquela mulher é uma das caçadoras mais antigas de sua ordem. Provavelmente já passou dos duzentos anos.
– Mas como? – Ele conseguiu se acalmar – Ela parecia tão jovem...
– Não se engane com as Fênix. Deixe-me explicar sobre as três ordens para você... – Yonnin fez uma pequena pausa. – Das três grandes casas, as fênix são exímias lutadoras. Sua falta de magia é compensada pela longevidade. Quando uma fênix percebe que já está muito velha e debilitada, ela se incinera, voltando para a forma jovem que tinha. Já nós, Dragões – ele apontou para a tatuagem no braço de Thalles – somos especializados em controlar os elementais, principalmente o fogo. A nossa casa luta contra as fênix há séculos, desde o nosso surgimento. Somos inimigos mortais. Já a terceira casa, os Alquimistas, é a mais calma. Não gostam de se envolver diretamente nas guerras. Preferem apoiar um dos dois lados em vez de agir por conta própria. Eles são os que têm o maior dom para a magia. Suas habilidades variam a cada membro.
– E o que isso tem haver comigo?
– Atualmente a nossa casa está debilitada por falta de novos jovens que possuem o dom completo. A maioria das crianças que chegam a nós tem os poderes mais fracos devido à miscigenação com os humanos. Mas você é um dos únicos jovens com os poderes completos. Nós deixamos você sendo cuidado por humanos normais para que não fosse atacado. Estávamos esperando chegar este dia para que você soubesse tudo sobre a sua origem.
Yonnin se levantou e abriu a porta, em direção ao salão principal.
– Venha comigo, irei te treinar.
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