O Dragão que não rugia
7 O poder dos dragões
— Sieger! Venha cá, vamos jogar comigo!
Iluminando o céu com suas cartas, Luiz as apontou em direção a Sieger. O dragão feroz, mal podia enxergar com a quantidade de luz.
— Isto é um insulto? Vou destruir todos vocês.
— Luiz, o que for fazer, faça depressa.
— Eu sei, Drum. Mas não sei como usar essas cartas. Além disso, elas estão em branco!
— Irei tentar atrasá-lo. Mas se apresse.
— Não! Você não pode cometer o mesmo erro de Halberd. Não posso permitir.
Antes que Luiz pudesse impedi-lo, Drum bateu suas asas, e voou.
— Nós somos os heróis desta história. Vai ficar tudo bem!
— Exibido!
— Vermes insolentes! Vou esmagá-los! — Sieger estava furioso.
— Você se diz tão bom. Quero ver tentar me pegar
Irritado com a provocação, Sieger tentou cortá-lo com suas garras. Mas Drum foi rápido, o suficiente, para se desviar.
— Tome cuidado! Eu não quero um dragão morto!
— Engula essa! DRILL RAM BREAKER!
Utilizando sua técnica especial; Drum tentou perfurá-lo, com a potência máxima de sua broca. O impacto do ataque gerou muita fumaça.
— Isso não faz nem cócegas!
— Droga! Não fiz nenhum arranhão nele!
— É claro que não né? A gente só vai conseguir fazer algo, depois que eu descobrir o segredo dessas cartas. É nossa única chance!
— Como se eu fosse deixar!
— Drum!
De uma só vez, Duel Sieger deu um tapa em Drum. O mesmo, foi jogado com violência, no chão.
— Não se preocupe. Estou bem!
— Fica quieto, que eu tô me concentrando!
— Ah, valeu a preocupação!
Luiz olhou, embaralhou, jogou para o alto, catou todas elas, e nada. Era inútil. Ele não conseguia decifrar o segredo.
— Isso é muito difícil! Eu não consigo pensar em nada! Me ajudem vocês dois!
— Nós já fizemos o nosso papel! — Bianca sentava-se, observando calmamente, o cenário ao seu redor.
— Vai querer o quê, agora? Um omnitrix? — Kevin era sarcástico.
— Ei, pare com isso!
Pegando Drum pela cauda, Sieger o sacudiu de um lado para o outro.
— Isso aí, Drum! Continua distraindo ele!
— Não era isso, que eu tinha em mente!
— Droga! Eu preciso me concentrar! — Luiz estava sob pressão — O que heróis, fariam nesse momento?
— Falariam uma frase de herói?
— Uma frase? Kevin, é isso!
— Isso o quê?! — Perguntou Bianca.
— Vocês vão ver!
Andando calmamente até Sieger, Luiz parou e o encarou.
— SIEGER!!!
— Hum?
— É hora do duelo!
Cri, cri, cri.
— Que merda você está fazendo, cara? — Drum estava de ponta cabeça, segurado pela cauda.
— Não funcionou? Espera, deixa eu tentar outra!
— Hahaha, hilário. Foi nesse garoto, que Halberd depositou suas últimas esperanças? Tão patética!
Sieger jogou Drum para o alto, e enquanto ele caía, lhe deu mais um soco.
— Drum! Não, eu preciso me concentrar! Digi-mudança! Baku batalha! Carta Clow! Não dá!
Enquanto Luiz se lamentava, Duel Siger espancava Drum cada vez mais. O dragão já estava irreconhecível, de tão surrado.
— Ainda estou de pé!
— Pare com isso, Drum! É uma ordem do seu criador!
— Me desculpe, mas eu sou ateu.
— Idiota! — Luiz deu um sorriso — Não morra!
— Enquanto eu estiver aqui, ninguém machuca o meu humano! Vá procurar o seu!
— Não preciso de humanos! Qualquer um que se opuser a mim, provará do meu poder!
Sieger deu um poderoso chute, e Drum foi jogado com força, numa montanha. Ao ver a cena, Luiz desabou.
— O que eu faço? Eu não sei como devo ajudá-lo! Me ajudem! Eu não quero perder o meu amigo!
— Não desista ainda. Você e o seu dragão, são a luz da esperança.
— Vamos lá, Luiz. Está tão easy.
— Agora não, pirralhos! Nada de charadas! Espera... Charadas?
Luiz refletiu, acerca das palavras de Bianca, e Kevin. Poderia ser a resposta, para decifrar o segredo das cartas.
— ‘’Luz da esperança’’ ‘’ Está tão easy’’ Lueasy, Luíse, Luze, Lumize, Luminize.... É isso! Eu descobri!
— Quais suas últimas palavras, Drum Bunker Dragon?
— Dá uma olhada ali...
— O quê?!
Antes de dar o golpe final, em Drum, Sieger olhou para trás. Foi atingido, por uma potente carga de luz, em seus olhos. Muito mais fortes, do que antes.
— Contemplem o poder das cartas! LUMINIZE!
Ao som das palavras, as cartas brancas reagiram, e se revelaram.
— Veja, Sieger! O meu time está completo! Meu deck de dragões, está aqui!
Era um deck inteiro de dragões. Dragões de todos os tipos, representados naqueles pequenos cartões.
— Eu achei que fosse morrer, mesmo. Que demora!
— Já tava na hora! Esse é o meu momento!
— Seu momento? Hahahaha! Idiotas! Não importa como vejam, são apenas cartas! É tolice acreditar, que poderá usá-las contra mim!
— Aqui é um mundo de fantasia, Sieger. Tudo é possível!
Luiz ergueu uma das cartas, e a mesma brilhou.
— Eu chamo Iron-Chain Dragon ao centro!
De dentro da carta, o dragão foi libertado.
— Roooaaarr! Cheguei!
Iro-Chain Dragon era um dragão azul, de tamanho médio-baixo. Portava correntes, consigo.
— Impossível! Ele saiu da carta!
— Então, Sieger. Vamos jogar. Eu começo.
— Não ouse brincar comigo!
— Ué, mas essa é a ideia!
Os olhos de Luiz mudaram.
— Iron-Chain Dragon, capture o Sieger!
— Sim, senhor!
Jogando suas correntes em Sieger, Iron-Chain Dragon, o prendeu completamente.
— O que é isso? Não estou conseguindo me mexer!
— Essa é uma excelente observação. Não pode se mexer, graças às correntes do meu dragão. Como pode ver, você caiu na minha armadilha. E foi bem fácil, pra ser sincero.
— Não! Isso é humilhante! Eu não posso ficar desse jeito!
— Isso mesmo! Se enfureça! Ruja! Enquanto você faz o seu papel de vilão, eu faço o meu de herói.
— Esse garoto é o máximo...
— Eu sei que você me ama, Drum! Bom trabalho, Iron-Chain.
— É uma honra, servi-lo.
Erguendo mais uma carta, Luiz deu vida a mais um dragão.
— Não pode ser! É aquele cara!
— Calma, Drum! Ele é só uma carta.
— Thousand Rapier Dragon, se apresentando!
Thousand Rapier Dragon. O mesmo dragão espadachim, que atacou Luiz. Mas era só um card semelhante.
— Thousand, pode atacar junto comigo?
— Junto com você? – Drum estava surpreso — Pretende lutar?
— Mas é claro, né? Olhe só pra você. Acha mesmo que pode continuar lutando? Humanos podem ser tão fortes, quanto dragões. E eu me recuso, a ficar só assistindo!
— Por que insiste em ser maneiro?
— Veja, isso! Com essa carta, eu me equipo!
A nova carta de Luiz, se transformou em um item. Era um punho de aço, que vestiu sua mão. Steel Fist.
— Impossível! Humanos não têm esse poder!
— Humanofóbico! Xô preconceito!
— Vai lá, e me vinga. Conto contigo.
— Hum?
Drum estava muito exausto. Ele falava, como se estivesse morrendo.
— Ai, ai, Drum. Eu vou lutar, mas não sem você.
— O quê?!
— CAST! DRAGON ENERGY!!!
Era uma carta de suporte. Drum começou a emitir uma aura de fogo, e suas feridas foram saradas. Seu poder foi elevado ao máximo.
— Não! Não! Não cheguem mais perto!
— Esse é o poder dos humanos, e dos dragões! Ah! Iron-Chain, continua segurando ele, tá?
— Pode deixar comigo!
— Ataque triplo!
Luiz ordenou, e juntos, os três atacaram Duel Sieger.
—THOUSAND PHANTOM! — Thousand Rapier, desferiu cem golpes, com sua espada
— DRILL RAM BREAKER! — A técnica clássica de Drum.
— STEEL PUNCH! – O punho poderoso de Luiz.
— AAAAAAAHHHHHHH!
Com os movimentos limitados, Duel Sieger recebeu o impacto dos três ataques, e desapareceu.
— Eles conseguiram!
— Halberd vai ficar orgulhosa.
Bianca, e Kevin admiravam os esforços dos dois. Fascinados pelo seu poder.
— Obrigado, Halberd. Não teria conseguido sem você.
— Falando sozinho, maluco?
— Não me enche! Não era você que estava todo quebrado, a uns minutos?
Os dragões que ajudaram Luiz em batalha, voltaram para suas cartas. Com a ajuda de todos, o garoto foi capaz de vencer a batalha. Pela primeira vez, ele foi um herói. Mas Luiz não tinha interesse em ser um. Apenas queria levar uma vida normal, e sozinho. Seja recluso em seu quarto, ou isolado na sala de aula. Mas desde que chegou ao vale, ele conheceu gente nova. Fez interação, conversou, riu, se preocupou, e chorou. Halberd, os garotos, e principalmente, Drum Bunker. Seu dragão de estimação. O garoto, que antes estava determinado a ir embora, questionou a sua partida. Mas o mesmo, ainda relutava em aceitar aqueles sentimentos. Os mesmos que o pediam para ficar, para construir uma relação amigável, e tentar abrir o seu coração.
— Não mesmo. Eu ainda sou o Luiz de sempre.
— No que está pensando?
— Chegou a hora. Drum, eu preciso te contar que...
— Está muito honrado por ter lutado com você!
Bianca interrompeu a conversa dos dois.
— Ei, garota! Estou tentando conversar com o meu dragão! Me dá licença?
— Ele quer te agradecer bastante, pela oportunidade — Kevin se intrometeu
— Nos deem um minuto! Eu tenho que falar algo importante para o Drum!
— Uma coisa pra mim? E o que é?
Luiz engoliu a seco. Ele iria contar, mas não daquele jeito. Era a primeira vez, que Luiz estava tão hesitante para falar algo. Também queria falar de um jeito, que Drum o entendesse.
— Drum, eu vou deixar o vale!
De olhos fechados, Luiz contou de uma vez. E esperou a reação deles.
— Finalmente você contou!
— Anda logo! O portal vai se fechar!
— Até mais!
As respostas de Bianca, Kevin, e Drum, foram rápidas e claras.
— Vocês entenderam o que eu disse? Que história é essa de portal? E Drum...
Drum Bunker estava virado de costas, com os braços cruzados. Luiz entristeceu-se. A despedida dos dois ocorreria dessa maneira?
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