— Sieger! Venha cá, vamos jogar comigo!

Iluminando o céu com suas cartas, Luiz as apontou em direção a Sieger. O dragão feroz, mal podia enxergar com a quantidade de luz.

— Isto é um insulto? Vou destruir todos vocês.

— Luiz, o que for fazer, faça depressa.

— Eu sei, Drum. Mas não sei como usar essas cartas. Além disso, elas estão em branco!

— Irei tentar atrasá-lo. Mas se apresse.

— Não! Você não pode cometer o mesmo erro de Halberd. Não posso permitir.

Antes que Luiz pudesse impedi-lo, Drum bateu suas asas, e voou.

— Nós somos os heróis desta história. Vai ficar tudo bem!

— Exibido!

— Vermes insolentes! Vou esmagá-los! — Sieger estava furioso.

— Você se diz tão bom. Quero ver tentar me pegar

Irritado com a provocação, Sieger tentou cortá-lo com suas garras. Mas Drum foi rápido, o suficiente, para se desviar.

— Tome cuidado! Eu não quero um dragão morto!

— Engula essa! DRILL RAM BREAKER!

Utilizando sua técnica especial; Drum tentou perfurá-lo, com a potência máxima de sua broca. O impacto do ataque gerou muita fumaça.

— Isso não faz nem cócegas!

— Droga! Não fiz nenhum arranhão nele!

— É claro que não né? A gente só vai conseguir fazer algo, depois que eu descobrir o segredo dessas cartas. É nossa única chance!

— Como se eu fosse deixar!

— Drum!

De uma só vez, Duel Sieger deu um tapa em Drum. O mesmo, foi jogado com violência, no chão.

— Não se preocupe. Estou bem!

— Fica quieto, que eu tô me concentrando!

— Ah, valeu a preocupação!

Luiz olhou, embaralhou, jogou para o alto, catou todas elas, e nada. Era inútil. Ele não conseguia decifrar o segredo.

— Isso é muito difícil! Eu não consigo pensar em nada! Me ajudem vocês dois!

— Nós já fizemos o nosso papel! — Bianca sentava-se, observando calmamente, o cenário ao seu redor.

— Vai querer o quê, agora? Um omnitrix? — Kevin era sarcástico.

— Ei, pare com isso!

Pegando Drum pela cauda, Sieger o sacudiu de um lado para o outro.

— Isso aí, Drum! Continua distraindo ele!

— Não era isso, que eu tinha em mente!

— Droga! Eu preciso me concentrar! — Luiz estava sob pressão — O que heróis, fariam nesse momento?

— Falariam uma frase de herói?

— Uma frase? Kevin, é isso!

— Isso o quê?! — Perguntou Bianca.

— Vocês vão ver!

Andando calmamente até Sieger, Luiz parou e o encarou.

— SIEGER!!!

— Hum?

— É hora do duelo!

Cri, cri, cri.

— Que merda você está fazendo, cara? — Drum estava de ponta cabeça, segurado pela cauda.

— Não funcionou? Espera, deixa eu tentar outra!

— Hahaha, hilário. Foi nesse garoto, que Halberd depositou suas últimas esperanças? Tão patética!

Sieger jogou Drum para o alto, e enquanto ele caía, lhe deu mais um soco.

— Drum! Não, eu preciso me concentrar! Digi-mudança! Baku batalha! Carta Clow! Não dá!

Enquanto Luiz se lamentava, Duel Siger espancava Drum cada vez mais. O dragão já estava irreconhecível, de tão surrado.

— Ainda estou de pé!

— Pare com isso, Drum! É uma ordem do seu criador!

— Me desculpe, mas eu sou ateu.

— Idiota! — Luiz deu um sorriso — Não morra!

— Enquanto eu estiver aqui, ninguém machuca o meu humano! Vá procurar o seu!

— Não preciso de humanos! Qualquer um que se opuser a mim, provará do meu poder!

Sieger deu um poderoso chute, e Drum foi jogado com força, numa montanha. Ao ver a cena, Luiz desabou.

— O que eu faço? Eu não sei como devo ajudá-lo! Me ajudem! Eu não quero perder o meu amigo!

— Não desista ainda. Você e o seu dragão, são a luz da esperança.

— Vamos lá, Luiz. Está tão easy.

— Agora não, pirralhos! Nada de charadas! Espera... Charadas?

Luiz refletiu, acerca das palavras de Bianca, e Kevin. Poderia ser a resposta, para decifrar o segredo das cartas.

— ‘’Luz da esperança’’ ‘’ Está tão easy’’ Lueasy, Luíse, Luze, Lumize, Luminize.... É isso! Eu descobri!

— Quais suas últimas palavras, Drum Bunker Dragon?

— Dá uma olhada ali...

— O quê?!

Antes de dar o golpe final, em Drum, Sieger olhou para trás. Foi atingido, por uma potente carga de luz, em seus olhos. Muito mais fortes, do que antes.

— Contemplem o poder das cartas! LUMINIZE!

Ao som das palavras, as cartas brancas reagiram, e se revelaram.

— Veja, Sieger! O meu time está completo! Meu deck de dragões, está aqui!

Era um deck inteiro de dragões. Dragões de todos os tipos, representados naqueles pequenos cartões.

— Eu achei que fosse morrer, mesmo. Que demora!

— Já tava na hora! Esse é o meu momento!

— Seu momento? Hahahaha! Idiotas! Não importa como vejam, são apenas cartas! É tolice acreditar, que poderá usá-las contra mim!

— Aqui é um mundo de fantasia, Sieger. Tudo é possível!

Luiz ergueu uma das cartas, e a mesma brilhou.

— Eu chamo Iron-Chain Dragon ao centro!

De dentro da carta, o dragão foi libertado.

— Roooaaarr! Cheguei!

Iro-Chain Dragon era um dragão azul, de tamanho médio-baixo. Portava correntes, consigo.

— Impossível! Ele saiu da carta!

— Então, Sieger. Vamos jogar. Eu começo.

— Não ouse brincar comigo!

— Ué, mas essa é a ideia!

Os olhos de Luiz mudaram.

— Iron-Chain Dragon, capture o Sieger!

— Sim, senhor!

Jogando suas correntes em Sieger, Iron-Chain Dragon, o prendeu completamente.

— O que é isso? Não estou conseguindo me mexer!

— Essa é uma excelente observação. Não pode se mexer, graças às correntes do meu dragão. Como pode ver, você caiu na minha armadilha. E foi bem fácil, pra ser sincero.

— Não! Isso é humilhante! Eu não posso ficar desse jeito!

— Isso mesmo! Se enfureça! Ruja! Enquanto você faz o seu papel de vilão, eu faço o meu de herói.

— Esse garoto é o máximo...

— Eu sei que você me ama, Drum! Bom trabalho, Iron-Chain.

— É uma honra, servi-lo.

Erguendo mais uma carta, Luiz deu vida a mais um dragão.

— Não pode ser! É aquele cara!

— Calma, Drum! Ele é só uma carta.

— Thousand Rapier Dragon, se apresentando!

Thousand Rapier Dragon. O mesmo dragão espadachim, que atacou Luiz. Mas era só um card semelhante.

— Thousand, pode atacar junto comigo?

— Junto com você? – Drum estava surpreso — Pretende lutar?

— Mas é claro, né? Olhe só pra você. Acha mesmo que pode continuar lutando? Humanos podem ser tão fortes, quanto dragões. E eu me recuso, a ficar só assistindo!

— Por que insiste em ser maneiro?

— Veja, isso! Com essa carta, eu me equipo!

A nova carta de Luiz, se transformou em um item. Era um punho de aço, que vestiu sua mão. Steel Fist.

— Impossível! Humanos não têm esse poder!

— Humanofóbico! Xô preconceito!

— Vai lá, e me vinga. Conto contigo.

— Hum?

Drum estava muito exausto. Ele falava, como se estivesse morrendo.

— Ai, ai, Drum. Eu vou lutar, mas não sem você.

— O quê?!

— CAST! DRAGON ENERGY!!!

Era uma carta de suporte. Drum começou a emitir uma aura de fogo, e suas feridas foram saradas. Seu poder foi elevado ao máximo.

— Não! Não! Não cheguem mais perto!

— Esse é o poder dos humanos, e dos dragões! Ah! Iron-Chain, continua segurando ele, tá?

— Pode deixar comigo!

— Ataque triplo!

Luiz ordenou, e juntos, os três atacaram Duel Sieger.

—THOUSAND PHANTOM! — Thousand Rapier, desferiu cem golpes, com sua espada

— DRILL RAM BREAKER! — A técnica clássica de Drum.

— STEEL PUNCH! – O punho poderoso de Luiz.

— AAAAAAAHHHHHHH!

Com os movimentos limitados, Duel Sieger recebeu o impacto dos três ataques, e desapareceu.

— Eles conseguiram!

— Halberd vai ficar orgulhosa.

Bianca, e Kevin admiravam os esforços dos dois. Fascinados pelo seu poder.

— Obrigado, Halberd. Não teria conseguido sem você.

— Falando sozinho, maluco?

— Não me enche! Não era você que estava todo quebrado, a uns minutos?

Os dragões que ajudaram Luiz em batalha, voltaram para suas cartas. Com a ajuda de todos, o garoto foi capaz de vencer a batalha. Pela primeira vez, ele foi um herói. Mas Luiz não tinha interesse em ser um. Apenas queria levar uma vida normal, e sozinho. Seja recluso em seu quarto, ou isolado na sala de aula. Mas desde que chegou ao vale, ele conheceu gente nova. Fez interação, conversou, riu, se preocupou, e chorou. Halberd, os garotos, e principalmente, Drum Bunker. Seu dragão de estimação. O garoto, que antes estava determinado a ir embora, questionou a sua partida. Mas o mesmo, ainda relutava em aceitar aqueles sentimentos. Os mesmos que o pediam para ficar, para construir uma relação amigável, e tentar abrir o seu coração.

— Não mesmo. Eu ainda sou o Luiz de sempre.

— No que está pensando?

— Chegou a hora. Drum, eu preciso te contar que...

— Está muito honrado por ter lutado com você!

Bianca interrompeu a conversa dos dois.

— Ei, garota! Estou tentando conversar com o meu dragão! Me dá licença?

— Ele quer te agradecer bastante, pela oportunidade — Kevin se intrometeu

— Nos deem um minuto! Eu tenho que falar algo importante para o Drum!

— Uma coisa pra mim? E o que é?

Luiz engoliu a seco. Ele iria contar, mas não daquele jeito. Era a primeira vez, que Luiz estava tão hesitante para falar algo. Também queria falar de um jeito, que Drum o entendesse.

— Drum, eu vou deixar o vale!

De olhos fechados, Luiz contou de uma vez. E esperou a reação deles.

— Finalmente você contou!

— Anda logo! O portal vai se fechar!

— Até mais!

As respostas de Bianca, Kevin, e Drum, foram rápidas e claras.

— Vocês entenderam o que eu disse? Que história é essa de portal? E Drum...

Drum Bunker estava virado de costas, com os braços cruzados. Luiz entristeceu-se. A despedida dos dois ocorreria dessa maneira?