Notas iniciais
A fic termina aqui...

— Ele acordou, ele acordou!

A mãe de Luiz ficou eufórica, com o despertar do filho.

— Hum? Mãe? — Luiz estava sonolento

— Graças à Deus, você acordou!

Ela o abraçou, como se não houvesse amanhã. Luiz ainda estava tentando entender, o que se passava.

—Ei, o que aconteceu? Onde estou? Ai, minha cabeça...

— Você não se lembra? Você foi atropelado por um carro, e passou dias desacordado.

— Do que você está...

Foi aí que se deu conta. Tudo havia sido um sonho. Suas aventuras no vale dos dragões, não passavam de um fruto da sua imaginação. E também...

— Drum!

— Você tá bem, filho?

A mente de Luiz começou a ficar confusa. Todos os seus momentos com Drum, vieram à sua mente. Mas teriam sido reais? Não...

— Como ele está? — Perguntou o doutor, que acabara de chegar.

— Ele está bem, mas acho que ainda sente dores...

— Entendo. E aí, rapaz? Como se sente?

Luiz não respondeu. Naquele estado, ele ignoraria tudo ao seu redor, até poder pensar com clareza.

— Vamos deixá-lo descansar. Tenho certeza, que em breve, se sentirá melhor.

— Está bem, doutor. Filho, a mamãe volta logo.

Silêncio. O garoto permanecia quieto. Ao perceber a saída dos dois, deixou suas lágrimas caírem.

— Ele nunca existiu...

Luiz lembrava-se de tudo. Quando caiu no vale, o momento em que conheceu Drum, o treinamento, a luta contra Sieger, e sobretudo, a despedida. Por que aquele dragão de tantos anos atrás, reapareceu para ele, num sonho? Ele exercitou sua criatividade, como nunca havia feito antes. E porque afinal de contas, estava tão triste? Ele não era nenhum garotinho. Talvez estivesse um pouco atordoado, e cansado, mas não... Luiz só sentia tristeza.

— O papel que estou desempenhando é ridículo — Luiz riu de si mesmo — Bem, foi interessante. Passei dias afastado da sociedade hipócrita, e vivi altas aventuras, com um dragão falante, que eu mesmo criei. Era um sonho, que eu jamais desejaria acordar.... Agora, já posso voltar à realidade.

Dando um longo suspiro, o garoto foi capaz de sorrir. A mente estava concentrada no dragão.

— Tem alguma coisa no meu bolso...

Metendo a mão, no bolso da calça, Luiz encontrou um papel amassado. Ao desembrulhá-lo, teve uma grande surpresa.

‘’Eu tenho o original, lá em casa, sabia’’?

Era ele. Drum Bunker Dragon. O primeiro e único. O desenho que Luiz criou, quando era apenas uma criança.

— Esse aqui você não queimou, né?

Ilusão ou realidade? Coincidência ou destino? Como diabos, o desenho original foi parar no seu bolso? De qualquer modo, Drum não estava ali para sanar suas dúvidas. Já era hora, de viver sua própria vida.

— Filho! Me dá um abraço!

Dias depois, Luiz teve alta e voltou para a casa. Sua família estava muito feliz com seu retorno. Seu pai esqueceu as formalidades, e desabou nos braços do filho.

— Você não sabe o quanto eu rezei por você.

— Querido, não fale alto, ele ainda está se recuperando...

Luiz olhou para os pais, e em seguida para os irmãos. E sentiu, o quanto todos haviam ficado preocupados. Sua existência, era essencial na vida de todos eles. E mesmo assim, Luiz fazia desdém de tudo isso. Ele rejeitava os laços de família, e se isolava em seu quarto. Sem interagir, ou se importar com ninguém. E finalmente percebeu, o quanto estava errado.

— Me desculpem. Eu sei que os preocupei. E eu agradeço, de coração.

— O que foi que ele disse?

— Sei lá, também não escutei direito.

Seus dois irmãos mais velhos, começaram a implicar. Poxa. Ele estava sendo legal! Mas naquele momento, Luiz focou sua atenção no irmão mais novo.

— Eu senti sua falta, mano.

— Eu também, de você.

Os dois se abraçaram. Era verdade, que Luiz sempre teve um carinho especial pelo menor. Família é o grupo mais importante de nossas vidas. Devemos aproveitá-la ao máximo, e desfrutar de cada momento, sempre juntos. Sabe aquela família feliz, do comercial de margarina? Tipo isso, só que melhor.

— Venham, abraço coletivo!

Empolgado com o momento, o pai, e todos juntos compartilharam o mesmo abraço. Um sentimento caloroso, e agradável, nascia no coração de Luiz. E uma sensação de bem-estar tomava o seu ser. Então, isso é ser amado? É tão bom... Luiz não queria sair nunca mais daquele laço apertado.

— Ei, não é aquele cara, que foi atropelado?

— É ele mesmo, o esquisitão voltou!

E logo depois, Luiz retornou aos dias escolares. Diferente da família, seria difícil para ele, encontrar pessoas que se importassem. Mesmo que os alunos soubessem do que havia acontecido, ninguém gostava de falar com ele. Afinal, ninguém poderia apagar o passado, assim do nada.

— Sentem-se, pessoal! A aula já vai começar.

— Sim, querida professora! — Disseram os alunos

— Ah, Luiz! Fiquei sabendo que sofreu um acidente. Já está tudo bem com você?

Sentado na última cadeira, ninguém olhou para Luiz. Os outros não queriam saber dele, mas o garoto estava disposto a mudar sua fama.

— Sim, eu tô legal. Mas eu fiquei com medo. Quase morri! Hahahaha!

— Gente, ele deu uma risada?

— O esquisitão sorriu?

— Ele, definitivamente, ainda não está bem!

A risada de Luiz gerou cochichos e sussurros por toda a sala. Ele estava rindo, era isso? O Luiz que nós conhecemos, daria uma resposta curta e grossa. Mas, ele estava diferente...

— Que bom! Ainda bem que foi só um susto, né?

— Pois é! Sobrevivi pra contar a história.

Luiz continuou a esbanjar sorrisos, e simpatia. As garotas começaram a notá-lo. Algumas foram se aproximando.

— Você tá mesmo bem? Não está ferido?

— E no hospital, você chorou muito?

— Eu estou aliviada, que tenha escapado!

— Garotas, deixem o Luiz em paz! Vamos começar a aula!

As aulas prosseguiram, e a popularidade de Luiz foi se modificando. As pessoas foram se aproximando dele. As primeiras conversas, e as primeiras boas impressões. Vários se amontoaram ao seu redor. E a partir daquele momento, sua vida deu um passo importante: A formação dos primeiros amigos!

— E aí, Luiz!

— Oi, cara!

— Olha o Luiz, ali!

— Te vejo depois da aula!

Algumas semanas se passaram. Sua fama foi completamente renovada. Ele não podia andar pelos corredores, sem que as pessoas o notassem, ou dissessem, um simples ‘’oi’’. Se pensa que foi fácil, está certo. Desde os tempos de solidão, Luiz tinha admiradores, que sempre quiseram saber mais sobre ele. Só que Luiz, não dava bola. No momento, em que estendeu a mão, para as pessoas, elas vieram. O receio que tinha, de se relacionar com os outros, desapareceu. Nem ele mesmo tinha ideia, de que era alguém tão legal. E por isso, que ele virou um ímã de gente boa. E lá estavam eles, para saber da vida dele, o que ele andava fazendo, seus gostos e interesses, e sobretudo, ele mesmo. Amigos que queriam saber se ele se sentia bem, se estava precisando de ajuda, e que gostariam de fazer favores. E se eles fossem embora, e daí? As boas lembranças ficariam. Os bons momentos seriam recordados. E não haveriam mágoas. Porque tudo, teria valido a pena. Não havia necessidade de sofrer no presente, pensando no futuro.

— Ainda não é o bastante!

Com olhar determinado, Luiz abriu seu notebook, e criou uma conta no facebook. Poucos minutos depois, veio uma enxurrada de solicitações.

— Nossa! — Deu um riso sem graça — Acho que vou adicionar, só os que eu conheço...

Enquanto isso, nas casas de três conhecidos de Luiz...

— Ele criou uma conta! — Exclamou James

— Ele me mandou uma solicitação! — Surpreendeu-se, Ikki

— Ué... — Marcos também ficou surpreso.

Esses três moravam em colégios diferentes. E foram três, dos poucos amigos, que Luiz teve antigamente. Naturalmente, Luiz lembrou-se deles.

— Olá!

— Oi.

— Tudo bem?

As mensagens dos três foram rápidas. Luiz ficou contente em respondê-las.

— E aí, Luiz? Lembra da gente!

— Como você está?

Eram Ravel, e Carvalho. Os mesmos que traíram sua confiança, anos atrás.

— Claro que me lembro! E então, o que vocês mandam?

— A gente queria saber se você topa fazer trabalho com a gente. — Carvalho estava envergonhado

— Quebra essa, vai! Se não fizermos, seremos reprovados! — Ravel baixou a cabeça

Luiz pensou um pouco, e respondeu

— Tá, claro! Deixem comigo! Farei tudo pelos meus amigos!

— Pô cara, valeu!

— A gente conta contigo, até mais!

Eles foram embora, Luiz deu um sorriso maléfico.

— Como assim você não fez?

— E agora, o que faremos?

No dia da entrega, Luiz inventou a desculpa que havia esquecido. Mas era mentira. Ele nunca se interessou em fazer.

— Estamos empatados, não é mesmo?

E saiu, com ar de superioridade. Isso lhe remetia velhas lembranças. As lições de confiança, fizeram efeito.

— Oi. Você se lembra de mim?

— Me lembro! — Luiz engoliu a seco — Como vai?

Era a mesma garota que Luiz havia dispensado dias atrás.

— Então, eu percebi que você mudou. Está bem melhor do que antes!

— V-Você acha?! — Luiz gaguejou, corado de vergonha

— Sim! E eu queria saber se você tem planos para o sábado.

— Não tenho! Isto é, não.

— Bem, se você quiser, gostaria de sair comigo?

— Sim, eu adoraria! — Gritou — Digo, será um prazer!

A garota sorriu, e Luiz desviou o olhar.

— Ótimo! Então até lá!

— Estarei esperando!

Luiz estava nervoso, e eufórico. Teria coisa melhor naquele momento?

— Eles nem imaginam. Não sabem quem realmente, sou. Nem como me sinto. Não sabem de nada.

Em seu quarto, Luiz pensava consigo mesmo.

— Eu estou brincando com eles. Não quero fortalecer laços. Não quero construir amizades. Ficar sozinho, é o melhor para mim. Todas aquelas pessoas, toda aquela multidão é sufocante! Não. Definitivamente, não é isso que eu quero para mim.

Era tudo verdade. Luiz não havia conseguido se adaptar a amigos. Nenhum deles, o satisfazia. Todos eram iguais, monótonos.... Realmente, preferia ficar sozinho. Só estava fazendo aquele esforço, pensando em alguém que estimava muito.

— Adoro a minha família. Todos eles são a minha vida. Mas, amigos.... Nenhum deles me agrada. Não me fazem sentir bem. Não me dão prazer. Não consigo sentir nada. Estranhamente, ficar sozinho é a melhor das opções. Mas admito, que foi divertido. Dei a chance que eles queriam. Mas se pensam que podem me prender, estão muito enganados!

Arrumando sua mochila, Luiz pegou todas as coisas e preparou-se para fazer uma viagem. Mas para onde ele iria?

Abrindo a gaveta da cômoda, Luiz retirou seu desenho de Drum. Tentou lembrar-se daquelas palavras.

‘’O portal para este mundo, estará sempre aberto. E se não houver nenhum por perto, crie-o. Não há distância, que nos impeça’’!

— Não foi só um sonho!

Luiz estava determinado a voltar para o vale dos dragões. E estava convicto de que o mesmo, era real. Mas antes de sair, Luiz precisava fazer algo, quanto aos seus conhecidos.

— Eles vão ficar um pouco frustrados, mas preciso ser feliz.

Para a família, Luiz escreveu um bilhete de despedida. Para esta, o garoto depositou seus sentimentos reais, e afirmou estar sentido. Já para os amigos...

— Configurações, desativar conta, pronto!

E saiu de casa. Ninguém prestou atenção que ele estava indo embora.

— Vai, Drum! Me mostre o caminho!

Andando pela rua, Luiz tentava abrir um portal, com o desenho de Drum. As pessoas o tachavam de louco.

— Falem na cara, seus hipócritas! — Pensou — Em breve, estarei longe daqui!

Continuando a procurar o portal, Luiz esbarrou em alguém.

— Olha por onde anda, seu...

— Me desculpa! Ei, espera aí...

— Não brinca!

Quanta coincidência! Ou melhor, é muita coincidência. Sim, João Victor. O primeiro amigo. O melhor da infância. Aparecendo no lugar certo, na hora certa.

— Pô cara, a quanto tempo!

— Pois é, né! Me dá licença, que eu tô com um pouco de pressa...

— Ei, o que foi cara? — João o segurou pelo braço — Pra onde você tá indo?

— É difícil de explicar

— Que papel é esse?

— Não, não veja!

Tarde demais. João pegou o desenho, das mãos de Luiz. E sentiu-se nostálgico, com o que viu.

— Não é isso que você tá pensando! — Luiz tentou explicar

— Então é assim, né?

— É o quê?!

— Você vai voltar para o vale, e nem vai me mostrar seu dragão, né?

— Não, eu não ia! Hein?! Como você sabe...

—Se liga, eu já estive lá...

Luiz tentou não pensar muito. Analisou as situações, e manteve a calma. Por fim, sorriu para o amigo.

— Chegou na hora certa!

O desenho brilhou. O portal se abriu. E juntos, os dois entraram, rumo ao vale dos dragões.

— É aqui!

— Caramba, já faz muito tempo! — João respirou o ar puro do lugar — E então cadê ele?

— O Drum? Eu não sei. Só o que eu sei, é que a caverna dele é por aqui!

— Ei, espera!

— O que foi, João?

— Pra quê, irmos à pé, se podemos ir de carona?

— De carona? Você ficou ma-ma-ma.

Assim como Luiz, João também tinha uma mascote. Um lobo grande e feroz. Seu nome era Cerberus

— Sabia que você era furry.

— Cale-se, menino dragão!

Juntos, os dois cruzaram o vale, rumo a caverna do dragão. Até que...

— Chegamos.

— Eu vou dar uma volta, aproveite!

João e Cerberus, deram um tempo aos dois. Ansioso, Luiz foi entrando na caverna

— E aí, moleque?

— Puxa, você estragou a minha surpresa!

— Fazer o quê? Você e o seu amigo eram tão barulhentos!

— Estraga-Prazeres!

Os dois se encaram, e depois riram. Luiz foi o primeiro a se render.

— Sabia que você me amava!

Luiz o abraçou. Mal havia chegado, e já se aconchegava nos braços de um grande amigo.

— Por um minuto, pensei que tudo tinha sido um sonho.

— Sou irresistível demais para ser um sonho!

— Ih, olha lá. Tá pensando que tá com a bola toda?

— Eu acho. Afinal, tenho o melhor dos humanos.

— Dá um rugido pra mim! Me mostre o quão feroz, você é!

— Isso não vai rolar...

Amigos, amigos, dragões à parte. O maior dos vínculos de Luiz, se formava ali. Com um dragão. A raça superior ao dos humanos. A mais temível das criaturas. Um ser com poderes extraordinários, o melhor dos...

— Só um rugido!

— Já disse que não!

Nada é perfeito. Nem dragões, nem seres humanos. Ignorando pessoas, Luiz convivia com um dragão. E depositou nele, toda a confiança, sonhos e esperanças futuras. Tudo aquilo, que jamais teria coragem de entregar à humanos. Aqueles, dos quais era tão desconfiado. Era mesmo um caso curioso...

— Espero que eles não me odeiem. Apenas, entendam. Meu jeito de pensar, é só um pouco diferente.

— Tá, claro. Você some, sem mais nem menos, e quer que eles sejam compreensíveis.

— Cale-se! Réptil inútil!

Você pode ser um humano, um dragão, um lobo, o que for... Se você quiser, apenas seja. Se você desejar, acredite. Se você se entregar, poderá cair no chão. Mas para Luiz, não era um problema. Ele tinha seu próprio dragão!

— Faz o urro.

Notas finais
Eu gostaria de agradecer a todos que acompanharam a fanfic. Sobretudo, os amigos, que me incentivaram. Agradeço de coração. Inspirada em fatos reais, Luiz o amante dos dragões, ainda está desaparecido e se escondendo a todo custo. O que se passa em sua mente? Por que faz isso conosco? Cruel! Jamais serei capaz de compreendê-lo. Mas não consigo odiá-lo. Tão maneiro! Senpai, lê a fanfic! Tá, tá, eu parei. Esforço inútil, sim eu sei. Mas pelo menos esta fic, eu terminei. Nossa, até rimou. O que eu quero dizer, é que. Ah, sei lá. Vou ser ignorado por ele mesmo. Mas tem algo, que eu quero dizer. É super-clichê, mas lá vai. Foi divertido! Até a próxima, crianças!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!