O Dragão De Gelo
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Notas iniciais
Eu estava trabalhando em minha forja e tudo parecia bastante calmo, parecia que seria um dia sem nada de extraordinário...
As notícias do fim da guerra chegavam ao Solar das Bolotas um pouco incertas, mas eu já não passava os meus dias fazendo espadas e consertando armaduras para a Irmandade. Fazia ferraduras, talheres e ferramentas apenas para que pudéssemos vender na vila que se restabelecia. Mas eu realmente estava fazendo aquilo só para não ficar parado... Começava a pensar em voltar para Porto Real, onde um ferreiro realmente teria alguma utilidade, ou em oferecer meus serviços em algum castelo...
Nan estava deitadinha como sempre ao meu lado, me ouvindo trabalhar. Eu conseguia senti-la inquieta também para ir embora dali e eu temia que, se continuasse a demorar para me decidir, ela iria sozinha e me deixaria para trás.
Escutei uma agitação do lado de fora e a loba também ergueu a cabeça para ouvir. As crianças pareciam agitadas e o barulho parecia se aproximar cada vez mais. Segurei bem firme a tenaz com o aço incandescente na mão, pronto para me defender, se fosse necessário.
— Fica Fantasma! – escutei uma voz desconhecida ordenar e a risada estridente de Willow. – Eu não sei o que há com esse lobo hoje! Ele não costuma ser tão desobediente...
— Não tem problema! Ele também tem uma loba aí dentro, não acho que vá se assustar... – Willow disse, entre risinhos.
— Uma loba? – a outra voz perguntou, intrigada e a porta da forja foi aberta antes de receber qualquer resposta.
— Gendry, o Senhor Comandante da Patrulha da Noite está aqui para falar com você – Willow anunciou e eu retesei.
Larguei a tenaz e me virei a tempo de ver o tal Comandante. Eu tinha ouvido dizer que ele era jovem, mas nunca tinha imaginado que ele teria a minha idade... Logo atrás dele, entrou um lobo tão grande quanto Nan, mas muito branco e com os olhos vermelhos cor de sangue. Ele e Nan correram na direção um do outro e tanto eu, quanto ele pensamos que iriam se atacar.
— Fantasma! – ele gritou.
— Nan! – eu disse, ao mesmo tempo, mas os dois lobos não estavam avançando um para o outro numa briga, nem mesmo rosnavam. Estavam brincando, como se eles se conhecessem...
Nós dois olhamos intrigados para a cena, ele ainda mais do que eu, com uma ruga profunda entre seus olhos. Nós podíamos até ter a mesma idade, mas alguma coisa em sua expressão o fazia parecer mais velho...
— Muito prazer, Sor Gendry – ele se virou para mim, com a mão estendida e eu a apertei. – Sou Jon Snow, Comandante da Patrulha da Noite.
— O Dragão de Gelo – eu disse, sem conseguir esconder meu assombro e ele deu uma risada sem graça. – Muito prazer!
Por todos os lados dos Sete Reinos se ouvia falar sobre o Senhor Comandante da Patrulha da Noite, que fora criado pela família Stark como se fosse filho ilegítimo de Lorde Eddard, senhor de Winterfell, mas que era na verdade Jon Targaryen, filho do Príncipe Rhaegar e de Lady Lyanna Stark, o terceiro dragão que ajudara a vencer a Guerra contra os Andarilhos Brancos, montado em Rhaegal, ao lado da Rainha Dragão, Daenerys Targaryen, e do Príncipe Ressurgido, Aegon Targaryen.
— Pensei que passaria a usar o sobrenome Targaryen, senhor – Willow disse, cheia de admiração.
— Quando fazemos nossos votos para a Patrulha da Noite, abrimos mão de nossos nomes – ele explicou, pacientemente. – Então, Targaryen ou Stark, Sand ou Snow... Não importa – ele deu de ombros e não me pareceu uma falsa modéstia. – Mas eu cresci sendo Jon Snow e é assim que meus irmãos me chamam...
Ela parecia interessada em continuar a conversar, mas Jeyne a chamou antes que eu fosse rude com tanta tolice de sua parte.
— Desculpe minha intromissão, Sor Gendry – ele disse quando ficamos sozinhos – mas como foi que chamou sua loba mesmo?
— Nan – eu respondi, voltando a olhar para os lobos que pareciam ter sossegado.
— E faz tempo que elas está com você? – ele parecia intrigado.
— Não muito... Ela me encontrou um pouco antes do Inverno ser anunciado – respondi, pensativo.
— Desculpe fazer tantas perguntas – ele deu uma risada descontraída. – É que deve saber que o emblema da Família Stark é um lobo gigante como ela... E eu e meus irmãos... Bom, na verdade, eles são meus primos, não são? Bom, nós encontramos seis filhotes de lobo gigantes na Mata dos Lobos antes da guerra e do Inverno... Antes mesmo da Patrulha da Noite pra mim... E cada um ficou com um desses filhotes. Fantasma é o meu, porque era o diferente, que estava longe dos outros... Robb chamou o seu de Vento Cinzento – ele fez uma pausa pesarosa. – Bran, de Verão, Rickon, de Cão Felpudo... Sansa, de Lady e Arya chamou a sua de... Nymeria...
— Nymeria! – eu repeti, olhando para a loba, que desviou seus olhos quase humanos para nós. – Eu vinha tentando me lembrar desse nome desde que a encontrei... Como não teve jeito, chamei-a de Nan...
— Conhecia essa história? – ele perguntou, desconfiado.
— Conheci Arya – eu lhe respondi, sentindo a dor da saudade ao pronunciar o nome dela.
— Como? Onde? Sabe onde minha irmã está? Ela está viva? – o Senhor Comandante desapareceu, dando lugar ao irmão mais velho de Arya.
— Nós dois nos perdemos um do outro – eu lhe relatei, infeliz. – Foi um pouco antes de encontrar Nan... Quer dizer, Nymeria...
— É uma pena ouvir isso... – ele se lamentou, retomando a postura séria anterior. – Mas como conheceu Arya?
— Foi depois da morte do seu pai... Quer dizer, de Lorde Stark... Eu estava com um grupo que seguiria para a Muralha com Yoren...
— Nunca soubemos o que aconteceu com ele...
— Foi morto nos protegendo dos capas douradas que queriam nos levar de volta para Porto Real – eu lhe expliquei. – Arya estava disfarçada dentro desse grupo... Disse que Yoren prometeu deixá-la em Winterfell quando passássemos por lá rumo à Patrulha da Noite. Mas quando fomos atacados, o grupo se dispersou e foi quando eu descobri que ela era uma garota...
Dei uma pausa em minha narrativa para pensar. Talvez não fosse uma boa ideia contar ao irmão dela os tormentos que passamos, ele não precisava saber que sua irmãzinha tivera de trabalhar em Harrenhal... Ele tinha apenas me perguntado como eu a tinha conhecido...
— Nós seguimos juntos por muito tempo até toparmos com a Irmandade de Lorde Beric – prossegui. – Eles aprisionaram o Cão de Caça, mas ele venceu em seu julgamento por combate e foi solto. Ficou nos seguindo e sequestrou Arya numa noite de tempestade – numa noite terrível de tempestade... – Chegaram a encontrá-lo, mas nunca encontramos nenhum vestígio de Arya... – eu terminei, pesaroso.
— Você parece ter muito carinho por ela – ele observou e eu senti minhas orelhas em chamas. – Espero poder contar com sua ajuda para encontrá-la!
— Claro, Milorde – ele deu uma risada.
— Não, por favor. Meus homens me chamam de Lorde Snow só por zombaria! Eu não sou lorde de nada! Pode me chamar de Jon, Sor Gendry – eu fiz uma careta àquela formalidade grudada ao meu nome. Eu, um órfão, ferreiro e bastardo, não precisava de cordialidades para falar com ele, mas o Senhor Comandante da Patrulha da Noite me chamava por “Sor”.
— Prefiro só Gendry, também – dei um sorriso amarelo.
— Como preferir. Bom, deve estar pensando o que eu estou fazendo aqui... Podemos conversar?
— Contanto que não seja sobre minha entrada para a Patrulha da Noite que ficou pendente, pode falar o quanto quiser – ele deu uma gargalhada e parecia que fazia muito tempo desde sua última vez...
— É uma pena ouvir isso, Gendry! A Patrulha sempre está precisando de bons homens e um ferreiro seria muito bem vindo! Mas não, eu não vim convidá-lo para vir comigo para a Muralha. Só lamento dizer que vai gostar do assunto tanto quanto se fosse esse... Pode apostar...
Eu franzi o cenho, preocupado. Nós dois nos sentamos à mesa que eu tinha colocado ali para fazer minhas refeições, busquei outra cadeira e Jeyne também nos providenciou pães fritos, queijo e um pouco de cerveja, o que era raro de encontrar por ali.
— Você talvez saiba que a Rainha Daenerys não vai assumir o trono para retornar a Essos – ele começou, levando sua cerveja à boca e eu assenti. – Bom, a pessoa óbvia para sucedê-la seria meu irmão, Aegon, mas eu conversei com ele e me parece que ele também não seja a melhor opção para governar os Sete Reinos...
Os Targaryen podiam não ser mais chamados de loucos por terem salvado a todos dos Andarilhos Brancos e do Inverno Eterno com seus dragões, mas desistir do trono desse jeito depois de ter lutado tanto para conquistá-lo não me parecia normal...
— Claro que eu não deveria interferir na escolha de quem vai sentar no trono de ferro – ele continuou. – Afinal a Patrulha não toma partidos... Mas meu último Senhor Comandante afastou muito nossos interesses dos do reino e todos nós quase pagamos um alto preço por isso... Não me importo com quem se sentar no trono, mas eu pretendo manter contato direto com esse novo rei!
— Acho que está certo – eu disse, pensativo. – Mas... Por que está me contando tudo isso?
Jon fez uma pausa pensativa, me encarando pesaroso.
— Eu vim te convencer a ser esse novo rei, Gendry – eu arregalei os olhos, surpreso e fiquei por vários segundos sem ter reação, tentando assimilar o que ele dissera.
— Como assim?
— Nunca conheceu seu pai, não é mesmo? – ele disse, de repente e eu fiz que “não” com a cabeça. – O Rei Robert teve muitos filhos ilegítimos, você deve saber. Dezesseis, para ser mais preciso. Mas você é o único desses com idade e direito ao trono.
— Eu... Sou filho... Do Rei Robert? – perguntei, ainda mais perplexo e ele assentiu. – Isso não pode ser verdade... Eu não posso ser rei, Jon! Eu não... Não faço ideia do que devo fazer...
— Ninguém faz – ele explicou, calmamente. – Acha que eu sabia o que fazer quando fui nomeado Comandante da Patrulha da Noite? Essas coisas você aprende fazendo... Vendo os erros e acertos do passado e fazendo o melhor que pode... E você terá o Pequeno Conselho para ajudá-lo.
— Mas eu sou um bastardo! – argumentei.
— Tommem e Myrcella não são filhos de Robert. Um filho bastardo dele tem mais direitos ao trono do que eles... – Jon explicou. – E eu, melhor do que ninguém, posso te dizer que, quando precisam de você pra alguma coisa, legitimar um bastardo não é uma coisa tão difícil...
— Não podem estar falando sério! Eu sou só um ferreiro! Nem seu irmão, que foi criado pra ser rei, quis ficar com aquele trono! Eu não sou burro! Olha o que aconteceu com os últimos que sentaram naquele trono!
— Pensei que você não seria supersticioso – ele deu risada.
— Não é questão de ser supersticioso, Jon! Não tem nada que vá me convencer...
— Eu disse que era pior do que a Patrulha da Noite – Jon gargalhou.
— Você vai ter de encontrar outro louco pra isso, Jon! Eu não vou ser rei!
— Acho que não está entendendo a gravidade da situação, Gendry! Você precisa ser rei!
— Por quê?
— Não podemos arriscar outra guerra por aquela coisa horrenda! Precisamos de um rei que não seja nem louco nem criança! E precisamos agora, antes que as Casas menores tenham a ideia de si mesmas como Primeira Casa de Westeros... Nós precisamos de um rei que ninguém conteste no trono para que tenhamos tempo para reconstruir os Reinos e restabelecer a paz!
— Já se deu ao trabalho de tentar obrigar seu irmão a sentar no trono antes de vir me procurar? – eu perguntei, desesperado.
— A verdade é que um Targaryen no trono de ferro... – ele fez uma pausa. – Mesmo que tenhamos salvado a vida de todos, Aegon sempre vai ser comparado com Aerys... E, mesmo que seus pais não fossem irmãos, a loucura é a sina da família... Ele passaria a vida toda sob vigia, o reino inteiro segurando a respiração, com medo de que ele virasse um novo rei louco!
— E por que vai ser melhor pra mim? Acha que quero que fiquem me comparando com Robert? Eu preferia nunca ter descoberto que ele era meu pai!
— Não! É claro que eu sei que não vai ser nada fácil para você...
— Senhores se tornam reis, Jon! O que um bastardo, ignorante, ferreiro, pobre e que nem saber ler ou escrever o próprio nome vai fazer sentado no trono? Governar Westeros? – perguntei, irônico. – Se os reinos fossem feitos de aço, eu saberia lidar com eles... Mas não pode esperar que eu seja rei!
— Não estamos esperando nada, Gendry! Mas eu quero que entenda que sua decisão vai afetar a todos de qualquer jeito! Claro que vai ser difícil ser rei e pode ser bastante ruim e desconfortável até que você se acostume... Mas eu quero que pense em quão ruim vai ser se houver uma nova guerra!
— Eu sei que está certo! Ninguém quer outra guerra! Mas...
— Você não precisa se preocupar com o fato de “ser rei”... Você terá o Conselho para ajudá-lo. Terá a Guarda Real. Precisará arranjar uma Mão e uma Rainha... Mas o mais importante é trabalharmos para reerguer o reino! Eu realmente pretendo manter contato direto e eu realmente preferiria que fosse com alguém em quem eu sei que posso confiar!
— Eu não sou nobre! Não sei nem me comportar diante de nobres!
— Esse tipo de coisa você aprende! Colocamos reis em nosso trono todo esse tempo, pensando que seu alto nascimento os faria mais dignos e sábios para governar, mas estávamos errados! Talvez o que procuramos esteja em alguém completamente diferente!
— Pode esquecer, Jon! – eu falei mais uma vez e ele deu risada.
— Você é tão teimoso quanto Arya!
— Você pode rir o quanto quiser, mas não vai me convencer a entrar nessa loucura!
— Nem mesmo a rainha lhe interessa? – ele pareceu brincar.
— Uma rainha como deram ao Robert? – eu rebati, irônico.
— Ou uma melhor... – ele deu de ombros, com um sorriso brincalhão que até assustava. Parecia ter uma carta na manga.
— Eu sei bem que essas damas da corte são todas iguais!
— Nós podemos lhe encontrar uma que lhe agrade – ele continuava rindo. – Claro que para se casar com o rei, ela precisa ter nascido em uma das Primeiras Famílias... Pode escolher Arianne Martell ou uma de suas primas... Dizem que as mulheres Martell sabem mesmo agradar um homem...
— Não ligo para o que as mulheres Martell sabem! Não vou ser rei!
— Talvez prefira então uma Tyrell... Margaery Tyrell foi viúva duas vezes e está para sair a anulação de seu casamento com Tommem, mas ela tem uma vontade forte de ser rainha...
— Não vou ser rei, Jon! – respondi, irredutível.
— Myrcella é bastante diferente da mãe dela, sabe? – ele disse, quase gargalhando. – Ou você talvez possa desejar se casar com sua prima Shireen...
— Shireen é só uma criança! – eu rebati, zangado. – Eu não vou ser rei, Jon!
— A Casa Tully e os Greyjoy não têm ninguém a oferecer, que eu me lembre... – ele parecia estar se divertindo loucamente com aquela brincadeira. – Estou me esquecendo de alguém?
Somente da única que eu quero! A única que eu acho que não me ofereceria...
— Então, acho que acabamos – eu falei, me levantando e ele gargalhou.
— Vossa Graça está com muita pressa em se livrar de mim – ele brincou e eu fechei a cara.
— Não me chame assim!
— Precisa ter paciência... Eu não entendo muito de arranjos de casamento – ele deu risada. – Sansa seria muito melhor para isso... Mas talvez não quisesse nos ajudar! Uma pena que já esteja casada, minha irmã Sansa... Ela sempre sonhou em se casar com um rei...
— Não acho que eu faria o estilo de sua irmã Sansa, pelo que eu ouvi falar dela...
— É, isso é verdade. Mas Sansa faria de tudo para ser rainha, eu acho... Não, acho que ela deixou de ser aquela garotinha... Talvez Vossa Graça então se interesse mais em desposar minha outra irmã – ele deu risada e eu me senti zonzo.
— Arya...? – eu gaguejei.
— Não sei se conhece a história... Talvez sim, já que causou a guerra que acontecia quando nasceu, não é mesmo? – Jon brincou. – Mas Robert Baratheon era perdidamente apaixonado por uma Stark! Uma mulher sem igual, indomável, que gostava mais de cavalgar e brincar com espadas do que com... Agulhas – ele sorriu para a palavra. – Ela era uma mulher tão impressionante que virou até a cabeça centrada do Príncipe Dragão... Sempre disseram que Arya era parecida com Lyanna... Talvez por isso sejamos tão parecidos, eu e ela...
Eu estava completamente sem fala. Eu poderia me casar com Arya? Tudo o que eu mais quis em minha vida era a chance de tomá-la para mim! Mas que ambições um bastardo, órfão e pobre poderia ter? Eu nunca teria nada a oferecer a ela...
— Ou talvez você faça mais o estilo de seu tio Renly... – Jon continuou, zombeteiro.
— Cala essa boca! – ele gargalhou.
— Nunca se sabe... Eram dezesseis bastardos... A cada três Baratheon...
— Cala a boca, Jon! – nós dois acabamos caindo na risada.
Ele me analisou por um momento.
— Sendo rei, vai ter mais recursos de encontrá-la – ele voltou a argumentar, agora mais sério.
— Essa era sua proposta, desde o começo?
— Desde o momento em que vi Nymeria – ele confirmou. – Arya é indomável! E seria difícil convencê-la a se casar com algum lorde, você deve saber... Já vai ser difícil convencê-la a casar com o rei...
— Eu não disse que aceitava – tentei resistir, mas ele sorriu, triunfante.
— Você tem com certeza todos os bons motivos para não ser rei, mas tem o único bom motivo pelo qual seu pai teria sido um bom rei! Eu realmente tenho esperança de reescrever essa história bem, Gendry, o que você me diz?
Eu desviei o rosto, mordendo o lábio, procurando em minha cabeça onde eu tinha perdido minha razão. Lembrei que a tinha perdido no dia em que conheci Arya.
— Eu devo estar louco – suspirei derrotado e Jon se levantou, sorrindo.
— Isso é bom! Agora arrume suas coisas, Vossa Graça! – eu me contorci numa nova careta. – Hora de voltar para Porto Real!
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