O Domínio Dos Nove
2 Capítulo 2 - The Truth
Notas iniciais
POV Jennifer
O homem se encaminha até a portaria e enquanto caminho pela calçada, eu o vigio. Sinto-me intimidada, talvez com um pouco de medo, pois nunca que um ser tão bem vestido circularia por estes bairros. Não sei nem se existem homens assim nesta cidade.
Atravesso a rua e subo as escadas cautelosamente. Tento passar despercebida por trás dele, mas meu porteiro insiste em falar comigo imediatamente.
– Senhorita Lewis, este homem diz que procura por você e seu irmão. Assunto urgente.
Óbvio que sou forçada a parar, virar para o homem e prestar atenção no que ele tem a dizer.
– Sim, senhor...? – eu pergunto, estendendo minha mão direita. O homem retira os óculos escuros, revelando os olhos castanhos. O cabelo escuro, desajeitado e que aparenta não ver uma ducha há alguns dias, mostra mechas loiras nas pontas.
– Smith. John Smith. – ele responde ao aperto de mão, um aperto firme e seguro.
Eu o convido para tomar um café e logo nós entramos no elevador.
– Desculpe-me senhor Smith...
– Pode me chamar de John – ele me interrompe. Assinto com a cabeça e continuo.
– Bom, desculpe-me John, mas com meu irmão mais novo em casa, imagino que tudo esteja uma grande bagunça.
– Que isso, não se preocupe... Quantos anos ele tem?
Assim que a porta do elevador se abre e já estamos no que era para ser a minha sala de estar, eu respondo.
– 19.
POV John
– Quando disse mais novo, achei que era abaixo de 12 anos... – eu brinco, surpreso pela quantidade de latinhas de refrigerante e embalagens de salgadinho espalhados pelo chão.
– E esta é só a sala... Não quero nem chegar à cozinha. – Jennifer conclui a brincadeira.
Ela passa recolhendo o que pode, e eu faço o mesmo. Em menos de 10 minutos a sala está arrumada, mas assim que chegamos à cozinha, eu desanimo. Pratos e mais pratos sujos na pia há mais de dois dias, há tantos copos usados que parece que uma festa está rolando aqui há meses.
– Logan! – Jennifer chama, e pelo seu tom, ela não está muito feliz.
– Que é? – ele grita de volta.
– Vem aqui, AGORA!
Ouço-o bufar em algum cômodo e depois o cair de algum controle, seguido de passos.
– Que foi, cara?
– Impressionante o que fez aqui, Logan. Mas não acha que está na hora de arrumar? – eu tomo a liberdade de dizer o que estava pensando. Jennifer e ele me olham abismados, se perguntando como um intruso pode botar moral no cara que mora ali. – olha, eu tenho muito a dizer, deixei meu cachorro lá embaixo, e se chover ele vai ficar todo molhado, então por que não arrumamos tudo isso, eu peço pra ele subir, e conversamos?
– Como assim “peço pra ele subir” ? – Logan indaga.
– Esquece o que eu disse, vamos arrumar esse apartamento, o.k. ? – Jennifer concorda e força Logan a ir tomar banho, usando o argumento de que “nenhum ser humano em plena consciência deixaria de tomar banho por mais de dois dias”.
Eu começo a lavar a louça e ela varre todos os cômodos. Com cuidado, uso minhas telecinese para colocar os pratos no escorredor enquanto ensaboou os copos. Jennifer coloca o lixo para fora, eu tiro poeira dos móveis e assim que Logan sai do banho, tudo está tinindo e brilhando, de tão limpo.
– Wow... – Logan diz, e levo isso como um elogio.
– Pronto para nossa conversa agora que está limpinho? – solto um riso que contagia ele e a irmã.
Sentamo-nos na sala de estar, eles no sofá e eu na poltrona, e começo a falar.
– Jennifer e Logan Lewis, filhos do comandante Luke Lewis, casado com Linda Watson. O pai de vocês serviu na marinha, não foi? Pelo o que pesquisei, ele serviu por nove anos, até que precisou parar devido a uma parada cardíaca que teve em 2010, certo? – os dois assentem; e eu continuo. – E após isso, foram quase quatro meses internado, até que finalmente pôde descansar. Eu sinto muito pelo o que aconteceu, ele era novo e definitivamente tinha um caminho a seguir. Não sei se vocês sabem, mas ele foi designado, não oficialmente e nem pela marinha, para uma missão muito especial. Para uma missão um tanto quanto diferente, que apenas nove pessoas participaram.
Jennifer e Logan, o que estou prestes a contar é algo confidencial, e vocês tem que me prometer que não irão revelar esta conversa a ninguém. Devo avisá-los que ao entrar nessa jornada, não tem mais volta.
Há 15 anos, eu e mais 17 pessoas do meu povo chegamos a terra. Nós fugimos de Lorien, meu planeta natal, que foi destruído pelos Mogadorianos: uma raça maligna que segue de planeta em planeta, consumindo tudo e destruindo tudo. Eles fizeram isso com Lorien, e agora vão fazer isso com a Terra.
Éramos nove crianças e nove Cêpans, que foram designados a serem nossos guardiões, eles deveriam nos ensinar a sobreviver aqui na terra, a dominarmos nossos legados. Porém, quando fugimos, os mogadorianos vieram também, e agora estão aqui, caçando-nos e matando-nos.
Três de nós foram mortos, e não nos restou nenhum Cêpan. Estamos tentando proteger a Terra, mas precisamos de ajuda. Precisamos de reforços. E estou aqui procurando por pessoas como vocês. –
– Ajudar vocês? Como? – Jennifer indaga, confusa. Sinto que ela está lidando com isso melhor do que Logan, já que ele está boquiaberto desde quando comecei a falar.
– Porque em vocês, corre sangue lorieno.
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