Notas iniciais
Oi, gente :3 Aqui começa a história atual, e conhecemos os nossos quatro personagens principais, além de alguns outros personagens-chave (acabei de inventar o termo mesmo :v). Espero que gostem s2

Vila Velha, 25 de novembro de 2010

O casarão construído próximo às rochas, que eram constantemente atingidas pelas ondas do mar, estava invadido pelo som de vozes e de uma música instrumental. Os convidados entravam pelos portões, e atravessavam o jardim iluminado através de um caminho de pedras que dava para as grandes portas de vidro.

Alguns preferiam sentar-se à varanda ou recostar-se às pilastras peroladas, conversando enquanto sentiam a brisa refrescante da noite e ouviam o barulho constante do mar. Outros adentravam as portas, para permanecer apreciando a exposição de arte.

O local onde as pinturas estavam expostas era dividido em três espaços à preferência dos convidados. A primeira área tratava-se de uma sala de visitas, com grandes sofás de couro branco e almofadas vermelhas, contornada por uma parede de vidro, um painel de madeira e, por fim, a grande escada que levava ao segundo andar. A segunda, a exposição propriamente dita, com cavaletes e suportes espalhados para que todos pudessem transitar e apreciar. E, por último, um balcão de granito, onde bebidas eram servidas, atrás do qual se podia ver a porta que dava para a adega de vinhos da casa.

Os convidados eram da mais alta sociedade, e sorriam e andavam por ali, sendo sempre recepcionados pelos Sr. e Sra. Morelli, os anfitriões da exposição. Bianca Morelli era a responsável pelas pinturas abstratas que inundavam o local, e recebia a todos com seu habitual sorriso encantadoramente falso, mantendo seus cabelos loiros presos no alto da cabeça para que os cachos pendessem sobre seus ombros, e os olhos castanhos atenciosos a todos. Ao seu lado, Vinícius Morelli apoiava a esposa quando não se misturava aos outros homens próximos ao balcão; bem diferente da esposa, mantinha um largo sorriso, e seus olhos azuis estavam brilhantes.

Mas ainda havia mais um membro na família.

Tiago Morelli virou a taça de vinho lentamente, sentindo o líquido contra sua boca e apreciando o perfume. Percorria os olhos pelos convidados sem realmente ter interesse por nenhum, e agradecia por conseguir paz encostado contra uma das paredes de vidro. Ele achava que tudo aquilo era um grande baile de máscaras, com a diferença que ele era o único a admitir isso.

Deixou a taça de cristal sobre uma mesa qualquer e encaminhou-se pelo salão, pretendendo chegar à parte de trás da casa, seu refúgio. Mas já sabia o que aconteceria antes que o homem o alcançasse.

Abriu um sorriso amigável e estendeu a mão para Jorge, observando o senhor balançar o copo de whisky sem nem ao menos perceber.

– Como vai, rapaz?

– Ótimo, Jorge – disse, da forma como a Sra. Morelli esperava que ele respondesse. – E o senhor?

– Vou indo, mas poderia estar melhor, você sabe. E então, já teve aquela conversa de homem para homem com seu pai?

A mesma pergunta impertinente de sempre. Embora parecesse uma curiosidade qualquer de um velho querendo saber sobre a relação entre pai e filho, Jorge queria saber sobre o trabalho do Sr. Morelli. Tiago não fazia a menor ideia da área na qual o pai trabalhava – ninguém fazia. O fato era que Vinícius sustentava a família e o luxo da mesma através de seu trabalho, e isso atraía a curiosidade de muitos. Sim, de muitos, mas não a de Tiago.

– Nós conversamos sempre, eu lhe disse. E parece que você está interferindo em nossas regras de hospitalidade, seu copo está vazio – respondeu, evasivamente, observando o copo preenchido apenas por gelo parcialmente derretido.

Jorge o fitou por um instante, ponderando o que o mais novo dizia. Tiago ergueu as sobrancelhas e virou a cabeça levemente, como se perguntasse qual era o problema.

– Mas é claro, espero ter a chance de conversarmos novamente. – E distanciou-se, desviando pelos cavaletes até o balcão de bebidas.

O mais novo Morelli saiu pela porta dos fundos, indo até o deck da piscina. Era o melhor lugar da casa além de seu quarto, porque ele amava nadar, e porque os convidados não iam até aquela parte da casa.

O deck estendia-se até onde começavam as pedras que circundavam os fundos do terreno. Havia tantas mesas, espreguiçadeiras e guarda-sóis que qualquer um diria haver mais de três pessoas morando ali.

Ele caminhou até a beira da piscina e livrou-se rapidamente das peças da roupa social, permanecendo apenas com a calça, e então saltou.

Estava irritado, era egoísmo de sua parte, mas estava. Alexia quase sempre vinha a essas festas para fazer-lhe companhia, mas daquela vez fora com Leo a um show qualquer. Não os culpava realmente – se pudesse ir a um show em vez de presenciar isso, também iria –, mas era mais fácil jogar sua irritação sobre os dois.

A água ondulou ao seu redor enquanto deixava-se apenas afundar, relaxando. Depois subiu, contraindo os músculos do abdômen e girando o corpo acompanhado das braçadas. Manteve a respiração calma, aproveitando a sensação do corpo deslizando através da água.

Sentia-se refrescado e agradecido por se livrar das roupas sociais quentes e, não pela primeira vez, perguntou-se de que forma, num país incrivelmente quente como o Brasil, as pessoas conseguiam preferir futebol à natação.

Depois de vários minutos, nadou até a borda da piscina, pela qual subiu, emergindo o corpo e sentando-se. Balançou os cabelos negros molhados e tirou-os dos olhos.

Apoiou os braços no chão atrás do corpo, jogando a cabeça para trás e fitando o céu estrelado. Bufou, pensando o que faria até a festa acabar.

Tiago não sabia quantos minutos haviam se passado até ouvir passos se aproximando. Baixou os olhos e observou o jardim, vendo vislumbres de um brilho rosado que não provinha das flores.

Uma silhueta surgiu em seu campo de visão, e então a garota emergiu sob a luz e aproximou-se da beira da piscina. Fitou o Morelli e depois jogou-se em uma das espreguiçadeiras.

Ela usava jeans rasgados e uma blusa regata por cima de outra de mangas compridas, e calçava botas de cano alto. O cabelo rosa era cortado de forma irregular, e uma grande franja roxa caía por sobre seu rosto. A estranha soprou a franja para cima, parecendo ignorar a presença de Tiago.

– Essa parte da festa não é destinada aos convidados – disse, com a voz ríspida.

A jovem abriu um sorriso hostil – um irresistível sorriso hostil – sem desviar os olhos verdes dele. Tamborilou com as unhas compridas na lateral da espreguiçadeira por um instante.

Ele tinha certeza de que era uma penetra na festa, isso às vezes ocorria. A diferença é que nunca apareciam sem usar os devidos trajes, e em hipótese alguma alcançavam a área da piscina. Percorreu-a com os olhos, percebendo que não era uma companhia ruim, de fato, e que ele poderia ignorar sua invasão: ela possuía belas curvas.

– Algum problema? – Ele não sabia se ela perguntava em resposta à sua pergunta ou pelo fato de encará-la.

– Nada – disse, voltando os olhos para seu rosto. – Quero dizer, não, nenhum. – Balançou a cabeça. – Aliás, sim, tem. Acredito que você tenha invadido a exposição e, aparentemente, não se informou corretamente sobre os trajes.

– Acho que teria sido mais educado perguntar meu nome. – Sorriu. – Sou Amanda Twennis e estou aqui... – Olhou para os lados de forma teatral, baixando a voz para que apenas ele pudesse ouvi-la. – Para investigar seu pai.

Tiago ponderou e acreditou naquilo por um pequeno instante, mas não resistiu a gargalhar enquanto fitava sua companheira. Ele já ouvira aquela desculpa outras vezes antes, não tinha a menor criatividade, mas com toda certeza ninguém nem consideraria acreditar naquela penetra em especial dizendo aquelas palavras.

Quando ele aquietou-se novamente, ela se levantou num salto, abrindo o sorriso irresistível-e-hostil outra vez.

– Encontro com você amanhã à noite, na Praça dos Namorados. Me leve mais a sério, Tiago, ou vai ver toda essa sua “vidinha” ir embora num piscar de olhos. – E virou-se, andando em direção ao jardim novamente.

Por mais simples que a frase tivesse sido, um estranho calafrio dominou o garoto. Ele permaneceu sem reação por um instante, logo em seguida relaxando os ombros e se apoiando para trás novamente.

– Ei, Amanda! Se queria sair comigo, existiam formas mais fáceis de conseguir isso – disse, alto o suficiente para que ela ainda ouvisse, murmurando em seguida: – sorte sua que prefiro as malvadas.

Teve a impressão de vê-la sorrir antes de desaparecer, o que o fez abrir um sorriso de lado. Garotas eram garotas afinal, sendo estranhas ou não.

Mas, afinal, o que diabos foi isso? Sua mente começou a processar aquela visita enquanto ia até as pedras para sentar-se, observando as luzes brilhantes dos prédios da Praia da Costa ao longe. Ele gostava bastante daquela vista, e se sentara ali inúmeras vezes com Lexi e Leo, mas seus pensamentos agora estavam direcionados para Amanda Twennis.

Nem tanto pela ameaça, e, sim, mais pela garota, obviamente ele estaria na Praça dos Namorados no dia seguinte.

–X-X-X-

Amanda abriu os olhos lentamente, sentindo as pálpebras pesarem. Tinha consciência da fraqueza de seu corpo, da pele colada aos ossos, da profundidade de seus olhos, de seus cabelos ressecados sobre seus ombros, das correntes causando feridas em carne viva em seus pulsos para sugar sua vida, e da presença de uma mulher à sua frente.

O lugar era uma espécie de calabouço, as paredes de pedra mostravam que se tratava de uma escavação malfeita, e que o teto mantinha-se no lugar milagrosamente. Uma mulher altiva observava, do lado de fora das grades, a sua prisioneira do outro. Ela não sorria – nunca sorria – e os olhos eram duas esferas negras e frias.

A prisioneira teria sorrido se conseguisse, estava de mau humor, e pensava que, da forma como estava fraca, acabaria morrendo, e então todo o esforço de Thaís teria sido inútil. Mas não; queria muito viver, e, só não se deixava definhar sem oferecer qualquer ajuda à mulher, por seu desejo de continuar viva – se sentia bastante egoísta naquele dia. Tiago a havia irritado, e só havia passado alguns minutos ao lado do garoto.

– E então? O que achou?

– A família toda parece consumida pelo dinheiro, e o garoto não passa de um pirralho mimado – respondeu, com a voz num murmúrio fraco, sua garganta estava seca e a fala machucava. – Provavelmente não fará falta nenhuma.

– Ótimo. Menos um empecilho para sua motivação.

– Posso dormir agora? – perguntou, mesmo sabendo que uma noite de sono nunca iria repor suas forças.

– Como quiser – Thaís disse, já se virando. – Só esteja pronta para encontra-lo, não queremos que tudo isso demore muito mais, não é mesmo?

A mais nova teria trincado os dentes se conseguisse, a raiva lhe preenchendo. Parecia que quanto mais irritada estivesse, pior também era o humor de Thaís. Mas que ótimo.

Recostou a cabeça na parede de pedras atrás de si e respirou pesadamente o ar poeirento. Sentia que estava chorando, sem que lágrimas caíssem, porque todas suas forças estavam esgotadas, porque queria que tudo aquilo acabasse logo, porque queria desistir de viver, e porque sentia falta de sua mãe.

Percebeu que era impossível continuar daquela forma, tinha que conquistar Tiago.

– Custe o que custar – sussurrou, antes de entrar num mar de pesadelos.

Corria por um caminho estreito extremamente conhecido por ela, a passagem na floresta para chegar até a morada de Thaís. Seu corpo estava tão fraco que sabia estar liberta, realmente liberta. Mas não conseguia sentir-se feliz.

Assim que pensou irromper numa clareira, viu uma cidade em chamas à sua volta, enquanto um sorriso maligno se abria no meio da noite escura, e vislumbres de um par de olhos surgiam com o movimento das línguas de fogo.

Olhou à sua volta, estava em Vila Velha, e a construção diante de si só podia ser o Shopping Praia da Costa. Começou a tossir e correr na direção que acreditava estar a praia; corpos estavam por todos os lados, e as marcas sangrentas em seus pulsos latejavam no calor – o que lhe dava uma sensação ainda maior de estar livre das correntes. Tudo estava pegando fogo, tudo.

Correu através das ruas e quadras, vendo o que parecia uma quantidade infinita de prédios e mais prédios caindo em demolição e fogo.

E quando finalmente se viu pisando na areia, piscou os olhos rapidamente. Havia um corpo flutuando no mar, os cabelos negros e extremamente lisos não deixaram dúvida de que ele era um dos Morelli, embora ela não soubesse qual.

Caiu de joelhos, sem aguentar, sentindo uma movimentação atrás de si. E, antes que pudesse fazer qualquer coisa, um antebraço fino apertou seu pescoço para sufoca-la, ao mesmo tempo em que uma mecha de cabelo lisa e loira pendeu em frente aos seus olhos. Assim que se sentia desmaiar, acordava.

Só para dormir e sonhar tudo de novo.

–X-X-X-

– Mas que droga, Leo! – Lexi gritou, exasperada.

Ela deu uma joelhada no queixo do homem que segurava e o observou desmaiar. Largou seu cabelo curto e o deixou cair na calçada, indo até Leo, que tinha o nariz sangrando.

– Com esse tamanho todo você não sabe nem se defender em uma briga? – implicou, já menos irritada, enquanto olhava o estrago.

– Eu não me meti, foi ele quem veio pra cima de mim – resmungou.

A garota revirou os olhos, abrindo um sorrisinho e o puxando para saírem dali.

– Tudo bem, acredito em você, mas os anos de academia não servem de nada?

Ele deu de ombros, ainda irritado com a situação, aparentemente.

– Parece que ele conhecia alguns golpes de algum tipo de luta, você só conseguiu pegá-lo porque estava de costas.

Ela ergueu as sobrancelhas, dando-lhe um soco no ombro e rindo.

– Sério? Porque eu acho que poderia ter dado um jeito nele mesmo se estivesse vendada.

Leo riu e balançou a cabeça, passando um braço por cima dos ombros de Lexi enquanto andavam, em seguida dobrando em uma rua escura e vazia, mal ouvindo o som da festa.

Ela observou o amigo grandalhão. Leonardo era bastante alto e tinha o corpo todo forte e bem formado, havia encontrado na academia uma forma de ocupar a mente comandando o corpo. Os cabelos castanhos ondulados eram cortados bem curtos e seus olhos eram castanhos e sempre brincalhões.

Seu humor era implacável e um sorriso sempre brincava no canto de seus lábios, mesmo quando tinha que enfrentar as situações mais difíceis. Era tão bondoso, que ela se irritava com o julgamento da maioria das pessoas: ele provavelmente teria derrubado o cara que partira para cima dele minutos antes, mas “deu um desconto” pelo desconhecido estar bêbado. Sempre arranjava motivos para não ter que sujar suas mãos com essas coisas.

Desviou o olhar para as luzes nas janelas dos apartamentos à frente por um instante.

– Estou preocupada com Tiago.

– Está preocupada com ele? Sou eu quem está sangrando aqui enquanto ele está numa festa cheia de ricaços e mordomia e bebida de graça.

– Aposto que ele preferiria estar com o nariz sangrando – afirmou, sorrindo.

– Porque ele é um babaca – rebateu Leo, embora também sorrisse.

Eles caminharam juntos calmamente pelas ruas, aproveitando a brisa da noite para refrescar o calor depois de pularem e dançarem no show. Lexi acabara de sair de lá e ainda assim não tinha a menor ideia de qual banda estava tocando, só sabia que era muito ruim, e a ocasião só fora divertida pela presença de Leo.

Encontraram a mãe de Lexi acordada e em casa. A mulher colocou o garoto para sentar-se numa das banquetas da cozinha – pois elas tinham ajuste de altura, de forma que ela conseguia alcançar a cabeça de Leo – e cuidou de seu nariz machucado.

– O que aconteceu? – perguntou, sem tirar os olhos do que estava fazendo.

– Um bêbado partiu para cima dele – a filha explicou. – Eu havia me distraído.

A médica riu, balançando a cabeça.

– Vocês não mudam nunca, me lembro de você defendendo Leo desde quando eram crianças, Ale.

A mais nova deu de ombros, pegando água na geladeira.

– Eu também não sei se Leo já foi algo além de um grande inútil.

– Ei! – ele tentou intervir, fazendo uma careta quando Melissa o prendeu com as mãos firmes.

– Não mexa a cabeça. – Sua voz firme fez soar como uma ordem, e ele permaneceu calado.

– É brincadeira, grandão. – Lexi acariciou o braço do amigo. – Sabe disso.

Depois de cuidado, Leo foi embora e a garota sentou-se no sofá com a mãe, embora já fosse madrugada. A mais velha contou sobre os pacientes e a mais nova ouviu atentamente.

Quando já caía de sono, depositou um beijo na bochecha da mãe e foi em direção à escada.

Sua casa era bem simples, e provavelmente dez vezes menor que a de Tiago. A porta da frente dava em uma pequena copa com uma mesa de madeira e vidro para seis pessoas. Logo à direita encontrava-se a escada, e havia duas portas que levavam até a cozinha e a sala.

Lexi subiu as escadas correndo e jogou-se na cama em seu quarto, olhando para o teto e relaxando da adrenalina de minutos antes. Aquele era um dos lugares que mais amava ficar, pois guardava basicamente de tudo um pouco. Havia vários porta-retratos com fotos com seus pais, Tiago e Leo; nas estantes e cômoda estavam bichos de pelúcia, livros, CDs e vários cacarecos que gostava de guardar.

Ela suspirou, e criou coragem para levantar e tomar um banho. Assim que se encostou à cômoda para pegar roupas, viu ali em cima um cordão delicado de ouro. No centro, pendurado, havia um pingente que se parecia com o caule retorcido de uma planta, com ramificações que se afilavam, e espinhos. Com um pouco de observação notava-se que ele em si era uma discreta letra “T” entrelaçada. Puxou o colar para si, se lembrando de quando Tiago a presenteara em seu último aniversário.

– Nós vamos sair hoje, certo? Passo ai ás sete – ele disse, pelo celular.

– Sabe que minha mãe vai querer me prender aqui, ela sempre faz uma festa de noite, Tiago!

– Dessa vez não. – Ele riu. – Estou te reservando agora, então dê um jeito.

No final das contas, ele foi obrigado a ficar na casa dela e participar da festa para só então irem até a Praça dos Namorados. Tiago sorriu para Alexia.

– Vire-se de costas.

A loira arqueou uma sobrancelha.

– Sabe que se tentar qualquer gracinha, te nocauteio no mesmo instante, certo?

– Pensei que pelo menos em mim confiava, Alexia – disse, colocando uma das mãos no bolso.

Ela se virou, e estremeceu quando ele colocou a gargantilha fria em seu pescoço, a ponta dos dedos longos roçando em sua clavícula. Ele prendeu e a abraçou por trás, a boca em seu ouvido.

– Feliz aniversário. Esse é pra você sempre se lembrar de mim.

Ela lembrou-se de ter sentido uma raiva enorme, porque ele sempre fazia essas coisas em seus aniversários, sempre agia como se pudessem ter algo além da amizade, e, no fim das contas, era só um impulso estranho e idiota do garoto. O costume de cantar garotas, talvez. Então sorriu quando lembrou que o machucou, deixando alguns hematomas nos braços dele por ter agido daquela forma. Também sempre fazia isso com ele em aniversários

O sorriso se transformou em um suspiro. Ela sempre acreditara que alguma hora Tiago deixaria de ser um completo idiota, e entenderia que também gostava dela, mas o tempo continuava a passar e a idiotice não o largava. Chega!

Fez sua higiene e vestiu seu pijama de hipopótamo, deitando na cama e finalmente sentindo o cansaço do dia. O corpo foi relaxando até começar a pegar no sono...

Ela corria rapidamente, seus pulmões parecendo a ponto de estourar. Onde estava, não fazia a menor ideia, mas era um lugar importante. Havia árvores enormes, estava escuro, e desviava tanto quanto possível das raízes e troncos, mas ainda assim sentia os rasgos e cortes em sua pele exposta. Até que atingiu uma clareira.

A luz da lua era forte ali e iluminava o espaço. Era um grande campo gramado e vazio.

Estava prestes a continuar seu caminho, quando ouviu passos rápidos do outro lado, alguém que vinha correndo. E ele apareceu na clareira. Os olhos azuis brilhantes. Os ombros largos meio curvados, provavelmente pelo cansaço. A respiração rápida. Os lábios avermelhados entreabertos. Os cabelos negros revirados. Ele a olhou. Aquele olhar indagador, com as sobrancelhas grossas expressivas que ela tanto amava. Sentiu vontade de se jogar em seus braços.

– Alexia? – Sua voz indagou cheia de dúvida.

Mas nessa hora acordou. Outro sonho. O mesmo de sempre. Uma camada de suor cobria seu corpo.

Idiota. Tiago é um maldito garoto idiota.

Notas finais
E então, amores? O que acharam dos personagens? :3 Críticas, elogios, sugestões, opiniões aleatórias, fiquem à vontade >< Beijos, e até o próximo!