O Diário de Nyssa Kyle
1 Prólogo + Apresentação
Notas iniciais
Não existem modos de descrever Nyssa Kyle a não ser relatos dela mesma. Então… Eis o relato:
O diário de Nyssa Kyle (o meu — dããããã!)
Pois bem, a minha história não começa tão emocionante quanto vocês imaginam. Mas espero que em meados dela seu coração palpite, e quero que o meu faça a mesma coisa. Espero que vocês estejam achando minha letra bonita (sou aventureira, mas bastante vaidosa, então digam que gostaram da minha letra, senão vocês vão morrer do pior modo e pelas minhas mãos, acreditem.). Agora, vou começar a contar a minha história. Meu nome é Nyssa, como já falei no início. Eu sou uma pirata, e fui treinada por piratas. Meu pai é o capitão do navio. Em uma das buscas dele, ele… Bem, é embaraçoso dizer isso, mas ele engravidou uma linda índia de uma tribo na ilha de Cárcaras, que talvez vocês não conheçam, porque nós, piratas, a descobrimos e a denominamos.
Voltando agora ao assunto, o nome da minha mãe era Clarisse, e meu pai a chamava de Clary, e ela insistiu que meu nome tinha de ter a mesma quantidade de letras que o seu, e que tinha que ter a letra Y. E daí… Bem, meu nome é Nyssa.
A minha mãe, que não tinha família no tribo, se transformou em pirata, deixando seu povo e religião. Sempre achei que ela teve muita coragem em fazer isso, já que ela vivia ali. Mas minha mãe continua tendo contato com o tribo. Meu pai queria escravizá-los, e fazê-los trabalhar, além de querer créditos por tudo que tivesse nascido naquela terra. Mas minha mãe o fez mudar de ideia. Aquele era o povo dela, e mesmo que ela o tivesse deixado, não deixaria que seu marido fizesse algo de tal crueldade com o lugar que ela nascera, por mais que ela o amasse.
Pois bem, às vezes, eu, minha mãe e meu pai passamos no tribo para ver se está tudo bem. Minha mãe normalmente visita uma amiga que ela tinha no tribo, a Laila. Eu gosto muito dela. Ela faz colares, coroas de flores e de carvalho pra mim, me ensinou a cozinhar, me contava histórias… Nós sempre ficávamos na casa dela. Ela ainda não tinha casado, morava ainda com os pais, Lorenna e Fitzwilliam, que já estavam idosos (daria a eles 67 a 72 anos). Ela tinha irmãos também, que já haviam casado e tido filhos. Os sobrinhos dela estavam sempre lá, e eles eram muito bonitinhos! Haviam três meninos chamados Max, Clyde e Edward (chamamos ele de Ed). E também tem quatro meninas, Marie, Lucy, Bonnie e Christina.
Os que tem a idade mais próxima da minha são Bonnie e Clyde. Eu tenho dezesseis anos, e eles tem catorze. Eu normalmente brinco com eles de polícia e ladrão, que eles adoram brincar disso e às vezes eu peço ao meu pai para deixá-los (comigo, claro) brincar de piratas dentro do navio, e ele sempre deixa. Meu pai é legal. Vou falar sobre ele, agora.
Meu pai se chama Larry. Ele tem cinquenta e sete anos, e se casou com a minha mãe com quarenta anos. Ela tinha trinta e quatro, na época. Meu pai é bem durão, quando é preciso, mas é mole como uma manteiga derretida com o seu círculo de família e amigos. Você precisa ver como os inimigos que ele prendem ficam gelados quando meu pai os ameaça ou alguma outra coisa. Alguns até desmaiam ou morrem só de susto! Imagine só! Eu já torturei um cara com joguinhos mentais. Meu pai diz que eu serei a próxima chefe pirata, que eu o irei substituir, e que eu sei dar medo quando quero. Fico super feliz, pois adoro ser pirata.
Às vezes rola um preconceito, porque eu sou filha do chefe, e tal, mas eu ignoro quem fala isso. Eu só me importo com quem gosta de mim. Senão, imagina se eu me importasse com todo mundo, gostando de mim, ou não? Às vezes a pessoa nem me conhece ou repara em mim! Mas eu tenho uma vida boa. Ignorando as pessoas que não gostam de mim, me ignoram ou não me conhecem, a minha vida é ótima e invejável.
Agora, vou falar mais sobre mim. Amo fazer joguinhos mentais com prisioneiros. Fazê-los acreditar que traíram seu povo, que contaram segredos valiosos e que ficaram ali muito mais tempo do que realmente ficou. Também gosto de fazer meus pais ficarem orgulhosos. Meus joguinhos mentais fazem meu pai chorar de emoção. A minha mãe dá uma bronca no meu pai por ele ficar orgulhoso de mim por causa de uma coisa dessas, mas eu fico feliz. Tenho algumas amigas no navio pirata. Gosto muito da Philomena, da Bella e da Sarah. A Philomena é filha de um dos “oficiais” preferidos do meu pai, o Carl. Ela era corajosa como o pai. Quando comecei a torturar com joguinhos mentais, Philomena me deu umas dicas para fazer confusão em qualquer um.
A Bella é filha de um dos piratas que limpam o convés com uma índia. O nome da índia era Kriss e o do pirata que limpava o convés é Julius. Ela é muito forte. Quando eu quero dar uma baita de uma organização no meu quarto eu chamo a Bella para me ajudar a arrastar algumas coisas, como a cama ou a cabeceira. Ela também apoia bastante. Quando estou triste, ou quando um garoto me quebra por completo (eu paquero, sim. Não pensem que só porque eu sou pirata, eu não sou do sexo feminino.), ela me ajuda. E não, ela não bota músicas, filmes ou livros depressivos pra eu chorar ainda mais. Quem cai nesse gênero é a Sarah. Quando eu estou depressiva, ela tem uma grande seleção de coisas mais depressivas. Morte, câncer, AIDS, outras doenças, um garoto que quebra o coração de uma garota, ou vice-versa… Nunca subestime a capacidade de Sarah de te deixar mais pra baixo do que você já está.
Vou falar agora um pouco da sociedade dos piratas. É uma sociedade bem machista. Minha mãe me disse que quando os piratas tinham descoberto a ilha que ela vivia, todos tinham dormido com e engravidado mulheres de lá, até mesmo as casadas, ou em um relacionamento. Eles meio que as obrigaram a fazer aquilo. Muitos dos piratas só se casaram com algumas das mulheres da ilha porque meu pai tinha feito uma lei para os piratas que se engravidasse alguma das mulheres da ilha tinha que casar com ela. As que estavam tendo relacionamento sério com algum índio… Bem, meu pai iria lá falar para o índio sobre o assunto. Normalmente, o namorado entendia que a namorada tinha corrido o risco de ser morta ou torturada se não fizesse aquilo, e entendiam. Alguns, queriam queimar e pular em cima do cadáver da namorada por ter “traído” ele, e outros juravam que iam perseguir o pirata que tinha dormido com a sua namorada, torturá-lo e matá-lo. Os piratas não ligavam, mas era uma ameaça de psicopata, por mais que o pirata merecesse. O machismo ainda continua, mas menor. Meu pai exige respeito às mulheres, e diz que a próxima líder dos piratas será uma mulher — eu -, e eles, em nenhuma hipótese, poderiam abusar de mim, tanto quanto nenhuma mulher pirata poderia abusar dele.
Alguns homens da sociedade pirata acha que as mulheres só servem para costurar, ter filhos e cozinhar. Ah, e eu já ia me esquecer: Cuidar dos filhos. Mas nós também servimos para lutar, limpar o convés, fazer ordens, fazer alianças com outras sociedades, e até iniciar guerras. Para isso, temos a mesma capacidade que os homens, e até mais. Algumas mulheres, realmente, não tem talento para isso, porque os homens a esconderam tanto do mundo que elas não tem ideia do que fazer em certas situações, nem se defender, elas sabem! E eles também esquecem que os homens (eles mesmos, inclusive) nasceram de dentro da barriga de uma mulher. Então vai tirar a mulher da humanidade, pra ver como os homens vão sobreviver sozinhos e quanto tempo!
Eu estou adorando escrever e desabafar aqui nesse diário! Mas eu tenho que escrever escondido, e no quarto, senão meu pai vai criar algum castigo cruel. Ele sabe fazer isso tanto para prisioneiros quanto para filhos. Eu também tenho que esconder o diário muito bem, porque se algum inimigo achar… Aqui eu também anotarei planos e táticas de guerra, posições dos piratas, e a importância de cada um no navio e na sociedade. Se alguém que quer derrubar a sociedade encontrar esse diário… A era dos piratas terá sido extinta.
Espere… O Gilbert está batendo na porta! Deve ter alguma carta pra mim!! Deixa eu ver qual é… Quando eu pegar a carta, eu vou colar no diário, se for interessante, ok? Já volto!
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