O Diário Póstumo de Afrodite

5 Capítulo 4 - O dia que decidi mudar


Notas iniciais
Esse capítulo demorou um pouquinho mais pra sair. Culpa do meu notebook, que está uma porcaria! Agradeço a todos que estão acompanhando, em especial à Firefox, pelo comentário no capítulo anterior. Beijos amores! ♥

Depois de tomar um café reforçado, Saga abriu mais uma vez o diário e continuou sua leitura.

[...]

07 de Fevereiro de 2010.

Milo faria uma festa surpresa em comemoração ao aniversário de Camus e nos convidou. O ruivo não sabia de nada e era para todos os amigos dele estarem lá com pelo menos 15 minutos de antecedência do horário marcado. Camus chegaria do trabalho às 20h em ponto e – sem dúvidas – cairia para trás quando visse o que o esperava.

Te liguei durante o dia te lembrando da festa. Você foi frio comigo, dizendo algo sobre estar no trabalho, tratando de assuntos importantes e que não poderia ficar de papinho no celular. Veio-me a mente que se realmente tivesse algo tão importante assim, o seu celular estaria desligado. Mas calei-me, achando melhor não iniciar uma confusão. Aquele com certeza não era o momento.

Quando o sol começou a se por no céu, eu segui para o banheiro me arrumar. Você chegou quando eu estava no banho.

Saí do banheiro e quando cheguei ao quarto entreouvi uma conversa sua ao celular, uma conversa com o teu amante.

— O tempo que ele pediu já está acabando, eu te falei. (...) Espere-me por mais um tempo só, por favor, eu não vivo sem ti amor. (...) Eu sei, eu sei, mas ele está péssimo, não posso deixá-lo assim. (...) Ok. Conversarei com ele e até o fim dessa semana estaremos definitivamente juntos, amor.

Amor.

Você agora o chamava assim. Se não tivesse aquela parede ali ao lado, eu, sem dúvidas, teria ido ao chão. Amparei-me ali por um tempo, respirei fundo, buscando forças dentro de mim para entrar no cômodo, e quando as encontrei, abri a porta dando de cara com um Saga assustado.

Pela cara que você fez, presumi que percebeu que – talvez – eu tivesse ouvido sua conversa. Ficou vermelho, abaixou a cabeça e fingiu que não tinha acontecido nada, como se estivesse “jogando verde” comigo.

Tentei entrar no seu jogo de fingir não ter acontecido nada, não ter ouvido nada, mas não aguentei.

Senti lágrimas quentes descendo por minhas bochechas, marcando a minha face, e expondo o sentimento aterrador que pouco a pouco se apossava da minha alma.

Você saiu de onde estava e se aproximou calmamente, pedindo-me desculpas. Desculpas por não poder mentir mais, por não poder ficar mais ao meu lado. Abraçou-me.

— Ele está te esperando? – perguntei sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo — Está esperando você me largar? É isso mesmo?

Eu lutei contra isso, lutei contra a sensação que tomou conta de mim. Não consegui; era visível que o que eu sentia naquele instante era a dor da humilhação.

Depois do tempo que te pedi algumas semanas atrás, parecia que tudo estava se acertando finalmente, entrando nos eixos. Só parecia.

Não tive dúvidas que você estava tendo êxito em enganar-me facilmente nos últimos tempos e que não sentia nem um pouco de remorso com isso. Talvez um pouco mal, mas nada além disso.

Enxuguei minhas lágrimas e terminei de me arrumar. Decidi que aquilo não me abalaria, ou não demonstraria aquilo.

Coloquei uma calça jeans apertada, uma camisa rosada, sandálias de couro marrom, e deixei meus cabelos louros soltos. Olhei-me no espelho e senti-me lindo. Como sempre deslumbrante, foi o que pensei.

Você só deu uma olhadela rápida e chamou-me para irmos.

Fingi não me importar com a sua opinião.

...

O Milo abriu a porta com euforia. Novidade, não?!?

— Dite! Lindo como sempre. – ele disse me analisando dos pés a cabeça. Você não sabe como me senti bem com aquilo. Por isso eu gostava tanto do Milo, pois ele sempre, querendo ou não, me animava com seu jeito espalhafatoso e exagerado.

— Mi, você não fica atrás não. Fazer o quê né, beleza de loiros!

Ele estava lindo, sensual, vestido numa calça ainda mais justa que a minha, e numa camisa azul-clara. Descobri, mais tarde, que ele estava pretendendo seduzir o Camus. Só o Milo mesmo!

— Saga. – ele o cumprimentou com um aperto de mão e um aceno com a cabeça. Você fez o mesmo.

Todos os outros já estavam lá: O Aiolos, o Deba com a sua nova namorada – Esmeralda, uma loura linda e simpática -, o meu irmão e o Shion, o Aiolia e o Mu (o sobrinho do Shion, lembra?, pois é, eles estavam “se conhecendo”), o Kanon (que havia feito amizade com o Milo naquele jantar em nossa casa), o Hioga e o Shun, e até o Ikki e o Shaka estavam lá. Se não estou enganado, nós fomos os últimos a chegar, antes do Camus é lógico.

Cumprimentamos a todos. O Milo serviu-nos com alguns petiscos e bebidas.

Minutos depois o ruivo chegava.

“SURPRESA!” todos gritaram em uníssono.

A expressão dele – para quem não o conhecia – foi impassível. Quem o conhecia sabia que ele estava emocionado. Olhou para todos os lados, surpreendendo-se por estarem todos ali.

Quando o Milo o abraçou apertado, dando-lhe as felicitações, ele corou, qual foi a nossa surpresa. O Milo sempre causando reações adversas no “Mago do Gelo”, como ele o chamava inicialmente, devido ao rosto sempre sem expressões do ruivo.

Nos minutos que sucederam, um a um ia cumprimentar a Camus, aproveitando também, para entregar-lhe os presentes.

A festa estava indo muito bem. O bufê que o Milo contratou era ótimo. As músicas de acordo com o gosto do ruivo. As pessoas que ele mais amava estavam ali, comemorando mais um ano de vida com ele.

Em certo momento, quando o clima inicial de comemoração e felicitação já havia passado, o Camus e o Shaka me chamaram a um canto, perguntando se estava tudo bem. Disseram que mesmo que eu tentasse disfarçar, a eles eu não conseguiria enganar.

Esses dois, sempre assim, analíticos demais.

Eu estava prestes a negar toda a análise que eles haviam feito da minha pessoa naqueles pequenos instantes, quando vi você ao celular.

Percebi que falava com o tal do Radamanthys.

Logo você vinha até onde estávamos e dizia que iria embora, alegando ter surgido um problema de última hora no trabalho, o qual teria que resolver pessoalmente.

Era realmente um problema, mas o meu problema. Radamanthys havia se tornado em pouquíssimo tempo a maior pedra no sapato que eu já tive, e conseguiu como ninguém conquistar o meu ódio e a minha inimizade. Em outras circunstâncias eu acabaria com a raça dele. Mas não naquele momento.

Eu extrapolei minha raiva de uma maneira diferente. Chorei nos braços dos meus amigos. Roubei a atenção e levei preocupação ao aniversariante. O Shaka, com suas palavras sábias, era quem mais me acalmava. Os melhores conselhos vieram dele.

Um deles eu decidi seguir a partir daquele momento: tocar a minha vida sem você, afinal de contas, sempre teria alguém que me amava muito ao meu lado, fosse meus amigos ou meu irmão.

Enquanto você provavelmente transava com outro alguém, eu fui até o nosso apartamento, peguei todas as minhas coisas e sai dali. Mudei-me temporariamente para a casa do Albáfica.

E você teria uma grande surpresa quando chegasse em casa, ah, se teria!

Você sabe como eu era vingativo quando queria.

Notas finais
Esta aí, espero que estejam curtindo e gostando da fic. Aos fantasminhas de plantão: não tenham medo de comentar, eu não mordo. Hehe, Até o próximo capítulo, que eu espero, postar semana que vem.