O Diário Do Garoto Popular
6 19/08
Notas iniciais
Boa leitura (:
E aí, caderno que eu escrevo o que estou sentindo com a esperança de que ninguém mais além de mim veja. Hoje o dia foi meio tenso. Deixa eu escrever o que aconteceu enquanto ainda está fresquinho na cabeça.
Hoje fomos todos para um tal de restaurante chamado Le Gourmet. Confesso que fiquei um pouco assustado. Não tinham dito que era parecido com o Ash’s Stone? Mas... Esse local é chique demais para ser parecido com o Ash’s Stone. Nós conversamos, rimos e comemos macarrão ao molho Alfredo. Não é todo dia que se vê um desses em plena Seoul City. Sandara me deu o meu presente de aniversário, e quando eu abri vi que era uma linda camisa listrada de preto e roxo escuro, com tachinhas na gola. Eu sinceramente amei, achei super fashion. Nunca vi uma dessas para vender. Mas enfim, depois de sairmos do restaurante, nós fomos para o parque, e Sandara e suas amigas foram junto. Deixei Gaho solto no Playground para brincar com Charlie e Boss e fui andar um pouco sozinho. Fiquei pensando em uma maneira de perguntar à Sandara o que ela pensa de mim. De repente, ouço passos atrás de mim, e quando eu viro para trás, é o TOP correndo em minha direção gritando “O Gaho fugiu”. Nessa hora entrei em pânico. Comecei a gritar com ele, dando leves chutes na canela dele, perguntando por que ele tinha deixado Gaho fugir. Eu realmente estava bastante assustado. Aí então TOP deu um passo para trás e explicou que era só uma brincadeira, e que Gaho estava no Playground arranhando uma árvore. Poxa vida, que brincadeira de mau gosto.
— Me seguiu só pra me assustar ou você tem mais alguma coisa para falar? – Eu perguntei a ele.
- Eu só queria saber por que você está aí andando sozinho. Lá perto dos bancos de piquenique tem karaokê. Tá todo mundo se divertindo, menos você.
- Sabe hyung, eu estou meio preocupado com uma coisa: O que será que Sandara pensa de mim?
- Que é isso, Jiyong. Resolveu sofrer por mulher? Você nunca foi de fazer essas coisas.
- Tá duvidando da minha masculinidade?
- Só disse que você nunca ficou tão ligado a uma garota quanto agora.
- E isso é ruim?
- Um pouco.
- Mas... Por quê, hyung?
- Porque eu te amo, Jiyong.
Nessa hora, fui surpreendido com um beijo. Por que não consegui não gostar? É melhor TOP parar com essa brincadeira tosca de desafiar minha masculinidade. Mas eu ainda gosto da Sandara... Será que eu sou bi? Mas enfim. Depois do beijo (que foi bem demorado, por sinal) eu disse:
— Hyung... Por que você fez isso?
- E-Eu não s-sei...
- Ei hyung...
- Que foi, Jiyong? Vai me julgar agora? E se eu for gay? E daí, isso vai mudar alguma coisa? E se eu realmente te amar? Isso vai impedir que a nossa amizade que durou por tantos anos acabe agora?
- TOP hyung, espera...
- Espera? Espera o quê? É pra eu esperar você esfregar na minha cara que você ama a Sandara? Se for assim, não, muito obrigado. Vocês dois formam um casal lindo, Jiyong. Muito fofo mesmo. Por que você não vai lá atrás dela pra pedir a mão dela em casamento? Eu vou ficar bem me atolando nos Donuts de chocolate, recuperando todo o peso que eu perdi e ouvindo Adele no fundo do poço...
- PORRA HYUNG, DEIXA EU FALAR?
- ...
- Obrigado. Olha hyung, eu realmente gosto da Sandara, mas também não é para tanto. Casamento? Você ficou doido? Eu tenho 16 anos, não vou me casar agora. E a nossa amizade não vai acabar por uma coisa boba como essa. Não vejo problema nenhum em ter um amigo gay.
- Mas a questão não é essa. Não é de você ser ou não preconceituoso ao ponto de não querer aceitar um amigo gay. É que eu tenho medo que, com o tempo, nós podemos ir nos afastando pelo fato de eu realmente gostar de você.
- Hyung, de modo algum isso vai acontecer. Nós vamos continuar sendo amigos. E eu tenho certeza que um dia você vai achar o homem da sua vida, alguém muito melhor que eu.
- Acontece que eu já achei o homem da minha vida, Jiyong, e esse homem é você – ele falou com os olhos cheios de lágrimas – Me desculpa, mas eu realmente não consigo te tirar da cabeça. E eu vou entender se a partir de hoje você não quiser mais falar comigo. Deve ser difícil escutar o melhor amigo de infância se declarar desse jeito.
- Hyung, deixa de ser besta, eu não vou parar de falar com você por causa disso. É claro que nós vamos continuar sendo grandes amigos.
- Mas para mim grandes amigos é pouco. – TOP falou chorando, virando as costas para mim. – Bom, deixa para lá, você não iria me entender.
Ele saiu em direção à barraquinha de Donuts, chorando até que bastante. Tentei acalmá-lo, mas acho que vai ser bom ele ter um tempo sozinho agora.
No fim, voltei para o Playground e só estava a Bom e o Gaho em seu colo. Perguntei aonde havia ido todo mundo, e ela disse que todos foram embora para casa. Também me perguntou se eu tinha notícias do TOP, porque ele parecia bastante abatido quando foi buscar Charlie. A respondi perguntando se ele estava comendo Donuts, e ela me disse que ele tinha duas caixas grandes de Donuts embaixo do braço, e sua boca estava suja de açúcar e doce de leite. Pelo jeito ele realmente estava muito mal. Agradeci a informação, peguei Gaho e vim correndo para casa. Hoje realmente não foi um dia bom. Fiquei sem saber o que a Sandara pensa de mim, e em troca recebi a opinião de TOP sobre mim. Amanhã vou ficar o dia todo em casa. Vou tentar absorver melhor a ideia de que meu melhor amigo me ama.
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