O Diário De Uma Semideusa
11 Missão - Parte 4
Notas iniciais
Narrado por Helen
Acordei de súbito na madrugada quando os passos de Lucy ecoaram pela cabana de madeira. Chequei o relógio rachado na parede; eram três da manhã.
–Não conseguiu dormir? -Eu franzi o cenho.
Ela se assustou com minha pergunta, provavelmente por não saber que me acordara.
–É, mais ou menos isso... Desculpe ter te acordado.
–Não tem problema, vou voltar a dorm...
–Ei ! -Ela me interrompeu.- O que é isso no seu pescoço?
Olhei para a parte inferior do meu pescoço e vi o medalhão pendurado nele. Nem tinha dado atenção para ele, nem descoberto seu significado, mas sempre deixei-o guardado comigo.
–Nada, só um by Savings Sidekick\">presente de minha mãe. -Eu arqueei uma sobrancelha.- Por quê?
–A cor me chamou a atenção. -Ela disse.- Sabe como eu gosto de dourado.
–Hm...
Virei-me no saco de dormir e voltei ao meu sono profundo. Quase me arrependi, pois tive um pesadelo familiar.
Era um local infinitamente grande e familiar, a penumbra tomava conta da área, a não ser por pequenos archotes de mogno pendurados na parede, projetando claridades escassas em um fogo negro. Não havia janelas, o chão era duro e íngreme; meus membros estavam rígidos e cansados. Eu corria desesperada passando por ossos e esqueletos deixados à esmo no solo.
Finalmente cheguei ao meu destino, onde um portão grande feito de ferro bloqueava a passagem direta. Empurrei com esforço as portas e observei seu interior, onde inúmeras figuras encapuzadas e sombrias vagavam pela escuridão, que agora era pouco iluminada por uma luz que encontrava-se longe de mim. Corri para a fonte luminosa, desesperada para fugir do breu que dominava. O suor escorria pela minha face suja e arranhada. Minhas roupas estavam rasgadas e sujas como o rosto, e o cabelo estava solto e desgrenhado.
Apressei a corrida, quando a luz ficava cada vez mais fraca. Meus pés não suportavam mais o esforço, mas eu permanecia lutando contra a dor que o cansaço causava; estava chegando perto. Foi então que lembrei-me do que me aguardava na fonte de luz, e vi novamente a figura familiar, ajoelhada e desesperada no chão. Estava morrendo.
Senti que já havia acordado, mas permaneci com as pálpebras cerradas. Não queria abrir os olhos. Fosse o que fosse, aquele pesadelo era mais do que uma imaginação fértil; ele possuía um significado maior do que isso. Pus meu cérebro para pensar, mas não consegui nada... Não entendia por que a figura era tão familiar, mas ao mesmo tempo era tão oculta em minha memória. Eu sei que a conhecia, mas é como se minha mente não quisesse by Savings Sidekick\">registrar a imagem que eu tive daquela figura no sonho.
Olhei em volta do lugar com os olhos agora semicerrados, suspirei e vi bater 8 horas nos ponteiros. Levantei do saco de dormir e me arrumei de qualquer jeito rapidamente. Lucy e Kim ainda dormiam, mas logo teriam que acordar para by Savings Sidekick\">seguir na missão.
Toc, toc, eu ouvi bater.
–Vocês estão prontas? -Ouvi a voz de Dylan vindo da porta. -Temos que ir, o by Savings Sidekick\">pessoal logo vai abrir o clube, e não queremos uma visita à delegacia, não é?
–Já estamos indo.-Eu disse.
Acordei as meninas e elas saíram comigo para encontrar os meninos. Eles estavam na mesma falha da cerca que nos pôs para dentro do local. Pietro ajudou todos a passarem e nos encontramos lá fora.
–Para onde vamos agora, Nico? -Ouvi Kim perguntar.
–Vamos seguindo ao norte. Pietro, ainda tem aquela bússola?
–Está aqui, cara. Vou olhar.
Ele abriu a bússola e todos seguimos para a direção que apontava para o norte.
Narrado por Dylan
Continuei seguindo o garoto pálido com a bússola. Os mais velhos reuniram-se em grupos na frente, enquanto eu preferi ficar um pouco atrás com Kimberly. Ela parecia uma fada com aqueles cabelos ruivos e olhos verdes e aquela pele perolada. E eu parecia um idiota babando daquele jeito.
Me acostumei a ser o "pegador" na época em que ainda estudava. Todas as meninas eram apaixonadas por mim e eu quebrava o coração de todas. Já era uma tradição para mim, pegar e largar. Parece cruel, mas na verdade eu nunca achei uma garota de que gostasse realmente. Até agora.
Ela colocou uma mecha atrás da orelha e deu um sorriso tímido para mim, e foi aí que percebi que estava boquiaberto igual a um palhaço. Fechei a boca, baixei a cabeça e continuei em frente.
O clima começou a esquentar e o asfalto pelo qual seguíamos nosso trajeto esquentou consideravelmente. Meu estômago já estava roncando e eu não aguentava mais forçar a dornos meus pés. Para minha sorte, avistei um estacionamento de caminhões de mercadorias ali perto.
–Ei! -Eu disse.- Que tal se pegarmos carona em um daqueles?
Todos olharam para os caminhões e depois para mim, mas foi o garoto pálido que me respondeu.
–É uma boa ideia...
–Mas? -Eu disse.
–Mas não sabemos o curso deles, e ninguém aqui sabe dirigir um caminhão.
Nesse momento, o garoto da uva pigarreou como se quisesse chamar atenção. Funcionou, todos olharam para ele.
–Eu já distribuí alguns vinhos lá na Toscana para minha mãe... E eu usava caminhões para isso.
–Nem pensar, Pietro! — Uma garota loira e bonita disse.- Você não vai dirigir umacoisadessas!
Ele bufou.
–Talvez o garoto saiba usar o charme para convencer algum motorista a nos levar para Hollywood
...
–Dylan, você pode tentar?–Kim me perguntou.
Era minha chance de ficar bem para ela... Não que eu precisasse disso. Ah, droga, eu precisava sim. Ela poderia passar a me admirar depois disso, ou sei lá... Talvez gostar um pouco de mim...
–Com certeza.- Eu sorri.
Fui andando até um ponto onde caminhoneiros estavam em seu horário de almoço. Até agora não havia percebido o quanto meu estômago pedia por comida, mas resisti um pouco. Cheguei mais perto de um homem calvo e barrigudo que devorava uma marmita.
–Er...Bom dia!- Eu disse, impressionado com minha babaquice.
Ele olhou para mim como quem diz "Tô ocupado, moleque!" e "Vaza daqui antes que eu fure seus olhos!". Recuei lentamente um passo mas permaneci com o contato visual. Ele voltou a virar o rosto para a comida, me ignorando completamente. E lá se foi o meu contato visual!
–É o seguinte,- continuei, usando o máximo de persuasão que pude encontrar- eu e meus amigos estamos precisando de uma carona para Los Angeles, Hollywood. Será que o senhor poderia nos ajudar?
Ele olhou nos meus olhos ao registrar meu pedido. Foi então que eu percebi que não estava me esforçando direito... Ele ainda parecia querer me esfaquear.
–Acha que eu sou idiota? Você e seus pestinhas querem mais é me saquear!- Ele bradou, depois riu consigo mesmo.- Bom, precisarão de muita sorte nisso, já que não tenho bem material algum.
Pensei rápido naquelas palavras e lembrei de uma coisa.
–Não vamos roubar, mas podemos fazer um acordo...
Ele pareceu interessado.
–Que tipo de acordo?- Perguntou.
–Tenho aqui algum dinheiro que ganhei fazendo uns bicos... É mais ou menos uns duzentos e cinquenta... Por aí. -Menti. Na verdade eu roubara de uns jogadores de pôquer na semana anterior.
–Duzentos e cinquenta? Que tipo de bicos anda fazendo? Tráfico de drogas?- Ele riu.
–Venho economizando. -Menti novamente.- E aí, aceita ou não?
–Saio em meia hora e vou para Nevada, mas passo por Los Angeles e deixo vocês em Hollywood. -Ele tirou uma mão do garfo e limpou na blusa de flanelas, depois estendeu-a para mim.- Espero que esse dinheiro exista, moleque. Odiaria ter que cortar sua garganta tão jovem.
Notas finais
Mas tá aí, espero que gostem :D
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