O Diário De Uma Semideusa
9 Missão - Parte 2
Notas iniciais
Caminhamos até um depósito de carros usados. Já havíamos saído da floresta quando eu percebi por quanto tempo fiquei imersa nos pensamentos. Aquela sensação de proteger Kim me assombrava. Caso contrário, sua morte seria minha responsabilidade. Kim era a mais nova de lá, tinha quatorze anos, mas sua determinação me admirava. Ela queria seguir pela irmã, pois sabia que se morresse, Alicia talvez não suportasse.
Durante o nosso trajeto, eu a via fungando solitária, talvez preocupada nos pensamentos, assim como eu. Fiquei surpresa quando ela disse meu nome.
–Helen. -Sua voz estava ainda mais rouca com a falta de uso.
–O que foi? Está tudo bem?
–Se e-eu não voltar, v-você cuida da Ally?
Reprimi um soluço.
–Não pense nisso Kim, você vai voltar, estamos todos aqui para nos proteger.
–Mas você cuida dela não é? Promete?
–Claro, prometo.
–Obrigada. -Ele fungou de novo.
Percebi que uma lágrima desceu pelo meu rosto, então limpei-a antes que alguém -principalmente Kim- pudesse ver; eu precisava ser forte por ela. E ainda mais, estava subestimando minha equipe, nós poderíamos muito bem sair dessa em by Savings Sidekick\">vantagem, agora que eu aprendi a usar a maioria dos meus poderes.
–Shhh ! -Levei um susto quando Lucy nos parou com um braço, para nos silenciar. -Ouviram alguma coisa? -Ela sussurrou.
Fui para o lado de Kim sob alerta, e Nico apertou minha mão mais forte. Eu não tinha ouvido nada, mas distraída como eu estava era bem difícil.
–O que você ouviu? -Nico perguntou.
–Pareciam...Urros...
Quando ela disse isso eu ouvi, um urro grave e alto, que poderia ser ouvido uns três quarteirões adiante. Nos afastamos e escondemos atrás de um Mustang velho. Lucy sacou seu arco e flecha e fizemos o mesmo. Pietro com sua espada, Nico com sua adaga, Kim com seu punhal, e eu com minha varinha.
–Está sentindo esse cheiro, Ralf? -Uma voz grave soou do fundo do depósito.
–Ralf sentir cheiro de semideuses, Ralf ter fome.
Espiei pelo vidro do carro. Meus deuses, Ciclopes. Havia dois conversando, o tal Ralf, que devia ter uns três metros de altura, e o outro que era ainda maior. Ambos tinham um olho vermelho e grande no meio da testa, e pele cor de caramelo. Os braços de cada um deveriam ser do tamanho de Alicia, e os bíceps eram enormes.
–Isaac -Ralf rosnou para o outro — Ralf sentir o medo deles.
Eles riram, e percebi que Kim estava tremendo ao meu lado. Percebi também que eu mesma estava tremendo.
–Fica calma, t-tá? A gente vai sair daqui... –Eu sussurrei.
Ela choramingou.
–Ralf, olhe atrás dos carros- Isaac disse- querem brincar semideuses? Vamos brincar um pouco com a comida Ralf!
Agora todos os outros estavam nos procurando, “farejando” pelos cantos e atrás dos carros. Um dos ciclopes chegou ao nosso Mustang, e arregalou o olho de satisfação.
–Doug achou a comida; Doug vai querer a loira! –Ele lambeu os beiços.
Os ciclopes fizeram coro de berros de alegria. Pietro saltou na frente de Lucy e gritou.
–Doug não toca nela, ou Doug vai se dar mal. – Ele deu o que eu percebi ser um sorriso travesso.
Os ciclopes riram.
–Hhhm, o valentinho tem cheiro de uvas... Doug preferir uvas.
–Então vem Doug, vem! –Pietro gritou, ainda protegendo Lucy.
Fiquei assustada e empurrei Kim para trás de Nico, soltando nossas mãos. Dois ciclopes foram atrás deles e eu fui para cima deles. Não olhei a briga de Pietro com Doug, só tive tempo de registrar Ralf juntando-se aos outros que vinham em minha direção.
–Metamorfus! –Eu gritei, e minha espada reluzente apareceu, perfurando um dos ciclopes que estava perto de mim e reduzindo-o a pó.
Agora dois ciclopes estavam na minha mira. Um dos ciclopes veio para cima de mim, mas outro foi para Nico e Kim, distraindo-me. Foi meu maior erro, me virei para voltar a eles quando o meu adversário me agarrou pelas costas. De lá vi Kim sair de trás de Nico enquanto seu cabelo fumegante se expandia em plantas espinhosas. Os dois lados do “cabelo” agarraram os membros do ciclope, fazendo-o urrar de dor. Impotente, o ciclope foi apunhalado por Nico, que enfiou a adaga em sua barriga. Outro ciclope reduzido a pó.
Olhei para o outro lado. Pietro estava na frente de dois ciclopes (incluindo Doug) que batiam a cabeça um no outro, parecendo bêbados.
O ciclope que me pegou me agarrou com mais força, e senti os ossos do meu braço esquerdo se partindo.
–Se os heróis chegarem perto, Dave mata a comida!
Nico olhou para mim, e recuou um pouco. Senti uma dor excruciante no braço quebrado; meu corpo queria gritar, desabafar o sofrimento. Mas o som não saía.
De repente fui largada no chão com tanta força que o impacto machucou ainda mais meu braço. O ciclope que me segurava foi destruído e explodiu em cinzas. Olhei para o que atingira, um garoto de mais ou menos 14 anos, cabelos loiros e sujos, estava de pé com a expressão assustada. Nas mãos ele segurava a espada que atingira o ciclope.
–Q-quem são vocês? -Ele perguntou. -Também querem me matar?
Não consegui responder, tamanha era minha dor, mas Pietro fez isso por mim.
–Calma, abaixe essa espada, não vamos te machucar.
Ele abaixou a espada.
–O que estão fazendo aqui? Como podiam vê-los? Eu vi vocês lutando com eles.
–Você é semideus? -Kim perguntou.
–C-como você sabe o que eu sou? — Ele recuou uns passos.
–Também somos semideuses, estamos em missão. -Lucy respondeu- Como se chama?
–D-Dylan...
–Como veio parar aqui? E como está vivo? -Nico perguntou, agora me pegando no colo com cautela.
–Ganhei essa espada da minha mãe, para me proteger. Sempre ando com ela. Estava pela rua e fui atraído pelos ciclopes; consegui destruir uns dois, mas depois eles me pegaram e me prenderam. Parece que gostam de brincar com a comida.
–Por isso ouvimos os urros... -Lucy disse.
–É melhor voltar pra casa Dylan. -Pietro disse.
–Pietro! Nem a casa dele é segura para ele agora!
–E-eu não tenho casa. -Dylan disse.
–O quê? -Pietro disse- Mas você falou que sua mãe te deu a espada...
–Minha mãe é uma deusa, e ela se comunicou comigo porque eu estava em perigo e me presenteou com a espada. Meu pai me abandonou quando soube que eu era filho de uma deusa, não sei por quê, isso seria como uma dádiva...
–Você pode se juntar a nós... -Kim disse, e percebi que corou ao dizer isso.
–Acho que posso. -Ele respondeu e sorriu.
–Vamos logo então, antes que outro monstro nos ache. -Lucy disse.
–A propósito- Pietro disse- quem é sua mãe Dylan?
–Afrodite.
Dylan se juntou a Kim e os dois começaram a conversar. Escondi o rosto no peito de Nico enquanto abafava os gritos de dor. Pegamos o Mustang e saímos em direção à cidade.
Notas finais
Espero que tenham gostado ! :D
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