O Diário De Um Morto
6 Um novo começo.
Notas iniciais
Acordei com um pulo, o pesadelo tinha sido muito pior do que o primeiro, eu estava encharcado de suor e uma respiração ofegante. No meio de todo aquele sangue eu vi imagens, vultos... que se pareciam com meus familiares há muito tempo mortos. Eles sorriam pra mim até que flechas, adagas e espadas perfuravam cada um consecutivamente. Meus cabelos molhados pelo suor caiam desgrenhados na frente de meus olhos formando uma estranha espécie de franja. Ray ainda dormia no quarto. Um feixe de luz adentrava a sala por uma pequena fresta aberta na janela e me incomodava os olhos. Apoiei meus braços forçando as mãos de encontro ao sofá pra me levantar cambaleando como um bêbado.,minhas feridas já estavam melhores graças as bênçãos que Ray tinha feito na manhã passada. Caminhei até o balcão e puxei meu cinto e a bainha com minhas esposas de guerra, dando as costas ao balcão e caminhando para a porta ao mesmo tempo em que atava o cinto e as bainhas na cintura. Eu precisava comer, então caminhei pelo corredor longo com um chão de tábua que fazia um ruído infernalmente chato quando eu pisava em uma tábua mal colocada. Aos poucos fui tomando nota de quais eram as tábuas que faziam ou não barulho, a minha esquerda uma longa escada de madeira reforçada com barras de ferro enferrujado e corroído pelos vários anos de uso, apurei os ouvidos e notei que o lugar estava vazio de mais. O primeiro andar na verdade não possuía balcões, mesas e muito menos taverneiro, mas sim uma sala bem mobiliada e com uma divisória entre a sala e a cozinha. Caminhei até lá e procurei nos armários algo pra comer. Três pães bolorentos, um jarro de mel quase nas suas últimas gotas e água que tinha um cheiro estranho, larguei tudo de lado e sai pela porta de trás da casa. Convenientemente ao lado da casa uma pousada se erguia com o nome´´Taverna Rickerson``. Chutei a porta bruscamente e gritando pra qualquer um que quisesse ouvir. _ PÃO, MANTEIGA, MEL E UM JARRO DE VINHO FORTE, AGORA! O taverneiro, um homem robusto e com uma boa aparência pôs se a correr pra dentro das cozinhas a fim de cumprir minhas exigências. Me joguei em uma cadeira no canto direito da taverna e fiquei observando as pessoas que bebiam ali. Três jovens bebiam e riam as graças que uma odalisca qualquer lhes cochichava aos ouvidos. Um outro homem de cabelos escuros e bem vestido bebia solitariamente pequenos goles de seu hidromel enquanto mantinha seu olhar fixo no nada. E por fim meus olhos se arrastaram para o mais interessante. Uma pessoa encapuzada. Sempre ouvi nas ruas ´´Alguém que não quer ser procurado se encapuza`` Parece algo idiota esse pequeno ditado, mas tem um sentido mais amplo do que muitos pensam. Um homem qualquer que soubesse desse ditado pensaria a coisa mais simples. Matou, Roubou, se tornou um Renegado. Qualquer uma dessas opções se encaixaria facilmente. Mas todos temos nossa razão, talvez ele tenha vergonha de seu próprio rosto, não por ser feio, mas porquê depois de realizar tantos assassinatos e dia após dia se encarar no espelho é algo difícil. Uns enlouquecem, outros se tornam sádicos. Mas o pior de todos é aquele que se encapuza... Por que ele não concede a visão da vítima de ver seu assassino. Então apesar de ter que aceitar ser um homem desonrado ao realizar nosso serviço, matar alguém sem ver o brilho dos seus olhos se apagarem nos reduz a um mero pedaço de lixo. Se você quer matar um homem então tenha a coragem de olha-lo nos olhos, pois assim não se arrependerá. Fui acordado dos meus devaneios quando o taverneiro pôs a bandeja de madeira e começou a por os meus pedidos sobre a mesa. Joguei-lhe alguns zenys na mão e comecei a devorar a comida ferozmente, mas ainda sim de olho no cara encapuzado. Ele acabava de se levantar e eu descia minha mão vagarosamente para o cabo da minha main gauche direita como forma de precaução,enquanto ainda comia com a esquerda. Ele virou as costas e se pôs a caminhar para porta chutando ela de leve e se foi. Terminei de comer os últimos pedaços do meu pão com mel e bebi o ultimo trago do meu vinho. -Vamos praticar um pouquinho-. Me levantei e corri para a porta saindo de supetão para a rua já quente e abafada. O homem não estava mais lá, olhei ao meu redor e vi pequenas fendas na parede da taverna, corri e me agarrei nas fendas me puxando para o alto. Já no telhado um vulto de negro ao longe pulava velozmente de telhado em telhado em direção à muralha norte. — E que comece nosso joguinho– Pulei para o telhado a minha direita e corri pulando pra todos os telhados que via ao me alcance, o cara era realmente bom, mantinha uma boa distância de mim e olhou três vezes pra trás, sinal que já tinha me detectado e reconheceu nosso jogo de morte. A muralha norte já crescia na minha frente e eu resolvi impor uma vantagem pegando um atalho pela direita onde possuía uma maior variedade de prédios onde eu poderia pular e escalar. Ele já tinha pulado e agora escalava a encosta da muralha enquanto eu ainda pulava para uma pequena casa. O prédio seguinte não tinha fendas por onde escalar e tive que usar toda a minha velocidade para conseguir dar sete passos na parede e me agarrar no telhado me içando para cima. O meu inimigo se encontrava em uma posição melhor já em cima da muralha ele corria para a esquerda. -Ele planeja seguir para a guilda, está indo pra fenda noroeste. – já em cima do telhado pulei para o próximo prédio simultaneamente até que consegui alcança-lo, porém ele estava lá no alto, na muralha no passo em que eu estava em baixo ainda pulando de prédio em prédio. Ele tinha uma clara vantagem. Um grande espigão se fincava na encosta da muralha, reuni as forças e corri em direção ao grande paredão de areia apoiando os pés e dando quatros passos rápidos em seguida saltando para uma fenda e por fim esticando o máximo meus braços e agarrando o espigão, me icei pra cima dele e pulei para o próximo espigão e de assim em diante até alcançar a beirada. Pulei pra cima e recomecei a correr para alcançar meu alvo, puxei uma adaga de arremesso e lancei na panturrilha da vítima aproveitando o momento em que ele ainda cambaleava pelo ataque repentino pulei sobre ele e o joguei contra o chão desembainhando a main gauche esquerda e a encostando em sua garganta.
_Você deveria usar uma placa de metal nas panturrilhas. –Falei enquanto batia na minha panturrilha pra ele ouvir o barulho do aço.
_Porque está me perseguindo?
_Um joguinho meu, mas neste joguinho você não sai vivo.
_Vai matar um de seus irmãos?
_Talvez... A nossa irmandade não precisa de covardes como você que se esconde atrás de um capuz.
_Então por que não remove o capuz Devan? Não é você que diz que deve ver o brilho nos olhos da vítima se apagarem? Então olhe nos meus e veja-os apagar.
_Como sabe meu nome?
O homem fez força de baixo de mim e conseguiu soltar um braço, velozmente uma mão revestida de cota de malha voa em direção ao meu rosto, cai para o lado fazendo meu alvo se soltar, ele se levantou mais rápido que eu retirando o capuz e me imobilizando.
_Agora me reconhece seu grande patife?
_Morpheu? Mas que merda você está fazendo?
_Não vê? Estou te imobilizando!
_Não isso... Que merdas está fazendo nessa droga de cidade?
_Um trabalho, só isso posso dizer. – Morpheu sorri pra mim-
_Maldito! Desde quando nós trabalhamos encapuzados?
_Desde quando é um serviço secreto seu babaca! Não me confunda com um medroso qualquer! Não tenho medo de matar!
Morpheu puxa uma poção do bolso.
_Adivinha? Ganhei nossa aposta. –Ele ri- Me tornei Algoz antes de você e aqui está um presentinho meu.
Morpheu saca uma agulha e uma seringa puxando o liquido de dentro vidro e enfia na minha veia.
–Boa noite pequeno Devan.
Minhas pálpebras pesaram e eu adormeci...
Acordei ainda em cima da muralha, minha cabeça latejava. -Merda, Morpheu e seus trocadilhos.– Me levantei e percebi que já era noite... -RAIOS! Ray deve estar louca!
Corri para a beirada da muralha e saltei pro prédio seguinte e assim em diante até chegar na casa. Entrei pela janela do segundo andar em silêncio e ouvi resmungos vindos do quarto.
_Maldito eu tinha acreditado nele, aquele desgraçado! – Eu também ouvia barulhos de uma mochila sendo fechada e arrastada da cama pro chão. Continuei a me aproximar mais do quarto e lá estava ela de costas pra porta ela tirava a blusa, meu rosto enrubesceu e eu falei um pouco alto de mais.
_Quem está chamando de maldito?
Ray pareceu congelar durante três segundos ela ficou imóvel, e foi virando devagarzinho pra me olhar, a blusa ainda não chegava a mostrar seus seios, mas mesmo assim ela estava vermelha.
_AAAAAHH, saia daqui seu tarado! – Ray soltava a blusa e ia em minha direção com os punhos levantados me socando no peito. – Eu achei que você tinha me abandonado- Ela falava quase sussurrando enquanto parava de me socar e caia devagar no chão ajoelhada. Eu me ajoelhei também.
_Claro que não! Eu... Só tive uns probleminhas... Mas estou de volta! – Sorri pra ela enquanto ela levantava o rosto que antes fixava o chão
_Você me deixou preocupada, seu idiota! Quando for se meter em ´´Seus probleminhas`` — Ela indicava as aspas com os dedos – me avise seu idiota!
_Ei calma, desculpa, não vai acontecer de novo, ok?
_Espero que não... – Ray tentou esconder mas uma pequena lágrima caiu em seu colo.
_Não precisa chorar... Bem... Eu... Não ia te abandonar. Posso não ter honra, mas cumpro minhas promessas. Não irá acontecer de novo.
Ray enxugava as lágrimas com a manga da camisa.
_Ta... Mas agora saia, quero me trocar.
_Tem certeza? Você pode estar muito aflita... e... – Eu falava com uma voz maliciosa.
_Saia daqui seu tarado! – Ray se levantava usando meu ombro como apoio ao mesmo tempo em que apontava para a porta.
_Ta, Ta já entendi! –Dei as costas pra ela e caminhei para a sala — _Te espero aqui na sala!
_Ok! – Ray bate a porta nas minhas costas.
Enquanto Ray se trocava eu me sentava de frente pra janela observando o céu iluminado de estrelas, saquei meu diário da cintura e retirei o lápis de seu meio.
´´Como na primeira noite, estou aqui contemplando as estrelas, por que elas me chamam tanto atenção? Meus parentes estão lá a me olhar? De que isso importa? Eu entrei pra irmandade e troquei minha família por outra composta somente por irmãos. Isso me lembra de que tive um encontro com um antigo amigo meu. Morpheu, aquele maldito! Ele estudou comigo na irmandade dos mercenários. E quando éramos pequenos sonhávamos em nos tornar algozes. Apesar de sermos amigos sempre disputávamos em quem seria melhor. Mas parece que eu perdi a nossa última aposta. Ele se tornou um algoz e eu ainda estou longe... Morpheu apesar de ser um bom lutador ele sempre cai nas graças de algum trocadilho com seu próprio nome e costuma usar venenos que causam sono. E isso resulta em algumas implicações. O ponto mais importante aqui é o que um algoz está fazendo em Morroc? Aqui não temos políticos ou pessoas ricas. Que tal serviço secreto ele vem realizando? Não importa isso não é da conta de um mercenário medíocre como eu. Quero mais é que aquele desgraçado caia em seu próprio veneno e nunca mais acorde. ``
Fechei o diário e voltei com ele para a cintura quando Ray se aproximava com uma túnica longa, mais reservada de linho branco e adornos dourados nas mangas e cintura, um colar delicado com um pingente de cruz prateada envolvia seu pescoço.
_Roupas de noviça hã?
_Sim – Disse ela com um sorriso no rosto. Em suas mãos ela abraçava contra o peito um grimório antigo.
_Sem problemas. _Cruzei os braços e olhei pra ela – Precisamos conversar... Partiremos amanhã e não temos suprimentos e nem muito dinheiro...
_Mas o que aconteceu com aquela bolsa cheia de zenys?
_Hum... Eu precisei... Pagar umas dívidas – Falava enquanto pensava em uma imagem de Morpheu enforcado e eu rindo olhando para sua carcaça inerte-
_Dívidas altas pelo que me parece. Mas podemos conseguir carne de Picky fora do portão Sul.
_Sem problemas... Partiremos agora então... Se nos apressarmos conseguiremos dormir em uma área de poucos monstros nos arredores de Prontera! E... Você pode me dizer onde estamos? Antes me parecia uma taverna, mas não vejo taverneiro e nem clientes...
_Na casa dos meus pais.
_Hum... Ok — Falei meio envergonhado. – Então... Vamos?
_Claro!
Eu me levantei junto com Ray e caminhamos juntos em direção à porta.
As ruas de Morroc a noite ficavam terrivelmente frias e a caminhada até a muralha sul foi lenta, Ray passou todo o trajeto me perguntando qual era o nosso destino, o trabalho que teríamos que fazer, se era muito perigoso e mais milhares e milhares de perguntas. Finalmente pro meu alívio o portão Sul estava ao meu alcance.
_Ray... Daqui em diante você terá que seguir o que eu digo cegamente e a risca, está me escutando? Fora destas muralhas, existem mais assassinos, monstros e coisas muito mais ruins do que você imagina. E aqui vai a primeira regra, não me ache grosso, mas não abra a boca pra falar nada além do que for necessário. Olhe por onde anda, e tente andar sem fazer barulho nenhum. Preste atenção em tudo ao seu redor, ouviu?
_Mas tem mais de uma regra ai...
Encarei seriamente Ray.
_Ta, Ta já entendi! – Ela levantava a mão em sinal de desistência
Abaixei a alavanca e o portão se abriu.
_Vamos! Caminhei Silenciosamente pisando nos montes mais fofos de areia.
O ar frio nos envolveu e eu puxei meu casaco de couro pra mais perto do corpo. Nessas horas é que eu invejo as vestes de minha companheira. Ray parecia muito bem aquecida naquelas vestes de noviça. O Deserto de Morroc é infernalmente quente de dia e extremamente frio à noite. A areia branca serve como um refletor da luz do sol o que deixa o lugar muito abafado. Rajadas de vento cortam de lá para cá em grandes quantidades formando as terríveis tempestades de areia.
O lugar por onde caminhávamos era uma velha trilha feita pelos primeiros viajantes, Mukas, e alguns pickys faziam parte do cenário escuro e desconhecido. A Lua já começava a aparecer no horizonte. Uma moita balançava de forma irregular...
_Espere! – Sussurrei para Ray colocando o braço em seu caminho para impedi-la de continuar a caminhada.
Puxei outra Adaga de Arremesso e joguei na moita. Um pequeno guincho e o deserto voltou ao seu silêncio absoluto.
_Temos comida hoje. –Caminhei até a moita e peguei o pequenino corpo do picky e lhe retirei a adaga. Ela o perfurara na barriga.
Ray parecia um pouco enjoada e se arrependia de ter dado a ideia de caçar pickys.
_Amém! –Ray se curvava.
_É só um Picky – Falei indignado
_Todas as almas merecem a paz eterna após a morte!
_Você quem sabe. –joguei de ombros. – Vamos, quero sair logo dos arredores de Morroc. Vamos descansar em um lugar secreto que conheci em minhas viagens.
Cruzamos a ravina e seguimos para o norte onde uma pequena clareira se erguia. Um pequeno pedaço de floresta no deserto. Era maravilhoso, mas tinha mais... Algo por trás, onde a montanha se erguia uma pequena fenda se abria na rocha...
_É aqui, dentro daquela fenda. – Apontei sussurrando.
Nos arrastamos e entramos em uma caverna, estava escuro como um breu e dava pra ouvir gotas de água pingando no chão rochoso.
_Sempre deixo uma tocha aqui... –tateei a parede em busca da minha tocha reserva. — _Aqui! – Agarrei o pedaço de madeira e o acendi com minha pederneira. Alguns segundos depois tínhamos luz. Peguei na mão de Ray e a puxei atrás de mim caminhando por um labirinto de rochas. Direita, Esquerda, Direita, Esquerda, Reto até a quinta entrada para a Esquerda e depois direita seguindo reto até o final. Eu ia cantando na mente isso para não me esquecer do caminho. 15 minutos depois nós já tínhamos uma luz no final do túnel. Acelerei o passo puxando Ray junto. Emergimos em uma clareira cercada pela montanha o que criava um clima mais confortável e nos protegia das temíveis Tempestades de Areia. A luz da lua era filtrada pelas folhas das arvores, um pequeno lago cercado por mais arvores ficava no centro da clareira.
_Caramba! Aqui é lindo! – Ray falava com um brilho nos olhos deslumbrada.
_É a única coisa útil em ser da irmandade... Você tem direito há um mapa com lugares seguros e secretos em todos os lugares, mas esse fui eu quem descobriu o certo era eu contatar a irmandade de mais um esconderijo, mas me apeguei ao lugar.
_Da pra entender por que. –Ray se soltava da minha mão e corria pra beira do lago para contemplar. – É cristalina! E tem peixinhos dourados!
_HAHAHA, é lindo não é?
_Sim, Sim!
_Tudo bom, vamos armar o acampamento e assar esse picky.
_Ok...
Ray se afastava do lago enquanto eu jogava a mochila no chão e retirava os utensílios e nossa barraca. Você assa o picky e eu armo a barraca.
_Ta, ta. Onde eu vou arrumar galho seco para acender a fogueira.
_Ahá, pra isso eu tenho um truque, não queria estragar o lugar então eu sempre reabasteço aqui. Dei cinco passos para a direita e perto de uma arvore enfiei minha mão em um buraco que a raiz se separava e puxei para trás uma tábua camuflada de grama. Debaixo dela panelas, alguns pratos e galhos secos estavam escondidos.
_Pegue tudo o que precisar. – Sorri voltando para perto da mochila.
A lua já estava bem alta no céu, Eu e Ray já tínhamos jantado, e a barraca já estava armada, nós estávamos deitados lado a lado olhando as estrelas.
_Ei Ray... Eu estava pensando... Você sabe que eu sou um assassino não sabe? Sabe que já matei muitos homens por dinheiro. Então porque você quer me acompanhar?
_Porquê? Eu não tenho mais nenhum caminho... E além do mais, você deve ter seus motivos. E você não é mal. – Ela vira o rosto e me encara sorrindo — _ Você me protegeu daqueles babacas na taverna, e não foi por dinheiro e nem... Você sabe... – Ray enrubecia.
_Sim, Obrigado. – retribuí o sorriso.
_Pelo o quê?
_Nada, Nada não.
Ray chegou a mão mais perto da minha e a pegou.
_Não vamos morrer, vamos? Você vai matar todos os caras maus não vai?
_Vou – Falei determinado — _Nós não vamos morrer. Mas por que a pergunta?
_Tenho medo de morrer.
_Não tenha, vou proteger você. –Apertei com mais força a mão de Ray para passar segurança.
Nós dormimos lá mesmo, à luz das estrelas.
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