O Diário De Júpiter
2 Jorge
Notas iniciais
Há um tempo atrás eu estava com dificuldades, a Treva só se aumentava em minha mente, estava ficando cada vez mais difícil enxergar a solução para as coisas. Nessa época eu caminhava muito vagando, tentando resolver meus problemas, até reencontrar Jorge, um amigo que há muito eu não via. Foi num dia de chuva. Ele me reconheceu e começamos a conversar, era impressionante que a conversa fluía mais que a chuva que caía, foi bom revê-lo.
Ele veio até minha casa comigo. Estava uma forte discussão na cozinha, então preferimos ficar na varanda mesmo, observando a chuva.
Sabe, melhor que ter alguém pra compartilhar tudo, é ter alguém pra compartilhar o silêncio. Se você tem alguém tão próximo assim, experimente um dia compartilhar o silêncio com essa pessoa, é uma das sensações mais gratificantes. Vi isso num quadrinnho de jornal uma vez, e descobrir ser verdade nesse dia. Jorge é meu irmão, meu melhor amigo, compartilho tudo com ele e ele compartilha tudo comigo.
Jorge é muito tranquilo, é como um rio de águas claras tranquilas, onde você pode se espelhar. Quanto à sua aparência, tem cerca de 1,70m de altura, não é magro, mas também não é gordo, tem olhos pretos e cabelos castanhos ondulados (meio sem forma até) a altura dos ombros. Está sempre de jeans e camiseta básica (na maioria das vezes vermelha ou verde) e um calçado confortável. Mas nesses tempos de inverno temos que usar pesadas botas e casacos de pele, por que é a única coisa que encontramos por aqui.
Num daqueles dias de escuridão em que seu estava, cheguei muito atordoada em casa e a Treva me cegou de um jeito que eu não sabia nem o que fazer no próximo segundo. Foi quando Jorge me sugeriu que eu fosse para Eterna com ele. E eu aceitei o convite.
Ouvi falar que o nome Jorge significa agricultor? Eu acho que tem tudo a ver por que ele é muito ligado à terra, é ele quem planta as coisas que a gente usa por aqui, e mês passado ele fez uma coisa linda, que depois eu conto por que é uma história que não se encaixa nesse capítulo.
Quando a gente veio pra Eterna, a primavera estava no fim. Passamos muito tempo explorando esse lugar e construindo nossa casa.
Nossa casa é de madeira, fica ao pé da Colina do Vento (assim chamamos) e é aqui que passamos a maior parte do tempo. Quando você abre a porta já está na sala. Tem um banco comprido abaixo da janela, uma lareira (a única coisa de pedra aqui) várias almofadas e mantas sobre um tapete, do lado oposto tem uma pequena mesa retangular com três cadeiras. Ao lado há uma escadinha que leva a um elevado que fizemos para guardar nossas “tralhas” (roupas, alimentos secos, ferramentas, armas, instrumentos musicais).
Por falar nisso, Jorge toca alaúde. Você já ouviu o som de um alaúde? Bem, ele arranjou por que foi a coisa mais parecida com um violão que ele pode encontrar por aqui.
Eu toco flauta. Temos também um acordeão que ganhamos numa festa de verão, mas nenhum de nós sabe como tocar. Nem Zaihi, que sabe de muitas coisas, mas ele disse que vai aprender para nos ensinar.
A vida por aqui é alegre. Em dias de verão a gente dorme sob o Sol por que à noite sempre tem alguém festejando, então a gente só consegue dormir pela manhã. Todos se reúnem em animadas festas onde para participar você só tem que trazer comida, bebida, ou alguma diversão.
Porém, ultimamente as pessoas aqui estão interagindo menos, há um receio em seus corações. Por isso suspeitamos que Pedra esteja voltando. Desde nossa última reunião com os homeninos, Zaihi ficou muito preocupado naquele dia, por que o Inverno se antecipou. As árvores nem tinham terminado de desfolhar e começou a nevar. Lhuina caçou tatu porque não encontrou nenhum coelho. Dentre tantas outras coisas estranhas.
Mas a vida é assim mesmo, se não existissem problemas, não teria a mínima graça.
Notas finais
=)
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