- O que você estava fazendo na floresta? — perguntei quando já estávamos sentados no sofá da casa de James.

Ele estava sozinho, pelo menos era o que eu achava.

Ele riu com minha pergunta.

– Você está me olhando como se eu fosse um criminoso — ele disse — Quer beber alguma coisa?

Eu balancei a cabeça e agradeci.

– Responda a minha pergunta — exigi — O que você estava fazendo lá?

Ele se ajeitou no sofá e colocou as mãos atrás da cabeça. Eu estava ficando brava com sua falta de seriedade.

– Eu estava fazendo o mesmo que você.

Eu pisquei.

– Como assim? — questionei.

Ele me olhou com uma expressão de escárnio e reprovação.

– Não devia mexer com essas coisas, garota — ele disse — Afinal, qual é o seu nome?

Eu já estava perdendo a paciência.

– Cathy — rosnei — Cathy Hoffman.

Ele balançava a cabeça.

– Então, Cat — ele disse me fazendo revirar os olhos — Nós estamos procurando pela mesma coisa. E estou disposto a te ajudar, isso se você quiser.

Eu o olhava curiosa. Ele parecia mais velho que eu na aparência, mas estava demonstrando ser bastante infantil. Como ele iria me ajudar?

Respirei fundo sem acreditar no que iria dizer.

– Tudo bem — respondi.

Ele me olhava sério, agora.

– Você sabe que isso é perigoso e ainda quer continuar? — ele questionou.

Eu já estava começando a duvidar de que ele podia de fato saber alguma coisa. Mas apenas assenti.

– Sim.

Ele se inclinou para frente e entrelaçou os dedos.

– Preciso que me diga o que sabe até agora — ele disse.

Eu não confiava nele completamente, ele podia estar mentindo, e ainda estava na minha lista de suspeitos. Contei apenas que sabia que um homem havia morrido e que eu havia visto vultos pela floresta na noite anterior. Ocultei a parte que eu o havia visto três vezes e que ele podia estar dentro da minha casa.

Ele apenas escutava com atenção.

– E você? O que sabe? — perguntei.

Ele não pareceu surpreso com a pergunta.

– Bem, sei quem foi o homem que morreu — ele respondeu.

Aquilo foi inédito pra mim. Eu não tinha sequer pensado em procurar descobrir quem foi o homem que morreu.

– E qual era o nome dele? — perguntei lembrando das iniciais no anel.

– Robert Meyer — ele respondeu.

Basicamente, Robert era um guarda-florestal que foi morto asfixiado durante a madrugada. Ninguém viu nada, ninguém ouviu nada.

Só eu.

Depois de conversarmos — o que durou apenas uns vinte minutos — eu me despedi.

– Tenho que ir, minha tia está me esperando e eu disse que seria rápido — falei.

– Nos falamos amanhã, então? — ele perguntou e eu assenti.

Nos despedimos e eu saí da casa deixando-o sozinho.

Entrei no carro e voltamos para casa, tia Sue e eu.

Entrei vendo todos á mesa. Sue foi lavar as mãos e eu fiquei parada.

– Onde estava? — perguntou meu Pai um pouco mais duro do que o normal.

– Na casa do namorado dela — disse Jesse rindo.

Papai apenas ignorou, ele já estava acostumado com as brincadeiras de tio Jesse. Mas eu fiquei um pouco perturbada.

– James não é meu namorado. Apenas meu amigo.

Papai estreitou os olhos.

– James?

Eu desviei o olhar e me voltei para encará-lo novamente.

– Pai, se não se importa eu vou para o meu quarto. Estou cansada — eu disse.

Ele piscou e foi como se me visse pela primeira vez.

– Tudo bem.

Subi para o meu quarto sem jantar, estava sem fome. Deitei na cama e não demorou para que eu caísse no sono.

Meus sonhos eram todos turbulentos, confusos e assustadores. Em algum momento eu estava em uma casa sombria e de repente alguma coisa — um animal talvez — pulou em cima de mim.

Acordei sobressaltada e apavorada. Olhei no relógio ao lado da cama. Três e meia.

Fora a luz do abajur, estava completamente escuro.

Deitei a cabeça no travesseiro novamente e ouvi um barulho.

Era ele, eu tinha quase certeza.

Levantei hesitante e andei até a porta. Olhei para o corredor e fui andando até a escada. Olhei discretamente para o andar debaixo correndo os olhos pela entrada e a sala. Nada.

Desci devagar os degraus da escada. O que eu estava fazendo? O que ele queria comigo?

Desci os últimos degraus e andei lentamente em direção a porta. Eu respirava com dificuldade e minhas pernas ameaçavam vacilar.

Coloquei a mão sobre a maçaneta e girei.

Antes que eu percebesse o que estava acontecendo, senti uma pressão no abdômen e fui jogada no chão violentamente.

Notas finais
Comentem por favor. Se eu errei alguma coisa falem agora ou calem-se para sempre - minha editora estava ausente :c - Bjuus lindjus