O Diário De Bella
2 Parabéns Monstra
Notas iniciais
Espero sinceramente que gostem :)
Nunca fui uma pessoa muito materialista, até porque na verdade nunca tivemos dinheiro para grandes gastos. O facto de Renée ser mãe solteira também não ajudava muito. Mas nunca nada me havia faltado…
Eu amava minha mãe mais do que qualquer outra coisa no mundo, e estava grata por tudo o que Renée sofreu para me dar uma vida digna.
Porque deveria ficar perturbando minha mãe com meus problema? Sou uma garota perfeitamente normal… Tirando o facto de todos me odiarem. Nunca entendi porque as meninas não gostavam de brincar comigo. Quando tinha 8 anos, Stacy minha colega de classe disse que eu me vestia como um garoto e que meus óculos eram feios… Me senti tão envergonhada que simplesmente me afastei e deixei de brincar com ela nos intervalos.
–Parabéns amor! – Renée entrou toda feliz em meu quarto me cantando os parabéns. Pois é, hoje era meu 17º aniversário.
–Obrigada mãe. – abracei minha mãe, que beijou o topo de minha cabeça. Aquele simples gesto estava enchendo meu peito de felicidade. É tão triste ficar tanto tempo ansiando por contacto físico. Quere sentir amor e carinho em relação a mim e não unicamente ódio e repulsa.
–Tenho aqui um presente para você. – Minha mãe me estendeu uma sacola colorida. Sabem aquele momento de felicidade que sentimos antes de abrir um presente? Aquele sentimento gostos de poder rasgar o papel colorido e descobrir o presente escondido? Abri a sacola e tirei o que pareceu um livro pelo formato. Olhei para minha mãe com meus olhos brilhantes. Há quanto tempo eu não sentia tamanha felicidade, por algo? Me joguei novamente nos braços de minha mãe inalando o cheiro gostos e tão maternal de seus cabelos.
–Muito obrigada mãe. – me soltei do abraço e logo abri meu presente. Era um livro com uma capa vermelha de couro com um pequeno cadeado e umas chaves de lado. Tinha a palavra “Diário” escrito com tinta dourada. Era simplesmente perfeito.
–Um diário! Muito obrigada mãe. – Me joguei nos braços de minha mãe feliz com meu presente.
–Agora você tem de ir para a escola mocinha sabe perfeitamente que não pode chegar atrasada. – revirei os olhos. Arrumei meu presente e peguei meus livros. Dei um tchau para Renée e fui para a escola.
Hoje era meu aniversário, hoje mais que tudo queria apenas passar despercebida por todos. Será que pelo menos hoje conseguiria me esconder de Tanya e seu bando?
Puxei o capuz de meu casaco para cima e caminhei pelos corredores da escola de cabeça baixa fixando meus olhos no chão. Recebi vários empurrões e um garoto fez todos meus livros caírem no chão. Me baixei rapidamente juntando todos os meus pertences antes que mais alguém tivesse a brilhante ideia de jogar minhas coisas no chão ou de me chutar.
A sala de aula ainda estava vazia e me sentei em meu lugar. Tirei meus livros e resolvi fazer alguns problemas de álgebra. Muito estranho uma garota de 17 anos amar matemática? Assim que a campainha da escola tocou tentei esconder meu rosto com meus cabelos enquanto todos entravam na sala gargalhando e gritando uns para os outros. Assim que ouvi a voz de Tanya me encolhi mais em meu canto.
–Hey Monstra! – senti Tanya se aproximando. Meu coração estava batendo tão forte que estava ficando com medo que ele explodisse em meu peito.
–EU FALEI COM VOCÊ MONSTRA! – Tanya puxou meus cabelos me obrigando a olhar para ela. Meu couro cabeludo estava doendo com a força que Tanya estava fazendo.
–Me passe os deveres de casa Dawyer. – abri meu caderno ainda meio trémula e lhe passei a folha com os cálculos.
–Está vendo, não foi nada difícil pois não? – Tanya gargalhava e levou meu dever com ela para os copiar. Estava sentindo minha garganta ardendo e a vontade de chorar estava me dominando. Que belo aniversário… Funguei discretamente não querendo atrair mais as atenções.
–Hey Isafeia! – Olhei para Tanya que estava umas mesas à frente e me jogou uma bola de papel que embateu em meu rosto.
–Afinal você não é uma completa inútil Dawyer. – Tanya gargalhou, mas felizmente mais ninguém estava olhando para mim.
–Meninos todos sentados. – o professor Boomer entrou na sala pedindo silêncio e para minha grande felicidade todos se sentaram. A aula como sempre estava passando rápido demais enquanto eu ficava fascinada passando todos os cálculos que o professor escrevia na lousa. Era isto que me fazia feliz, ficar resolvendo problemas de matemática. Assim que deu sinal de saída todos saíram apresados da sala de aula, mas como sempre me demorei para arrumar meu material não querendo me cruzar com ninguém e fui rapidamente até à próxima aula. Felizmente Tanya não tinha geografia, mas para minha infelicidade Jacob tinha… Novamente me sentei em meu canto rezando para não ser notada e felizmente Jacob hoje parecia não estar a fim de ficar me zonado e simplesmente me ignorou.
(…)
Assim que cheguei a casa corri até ao banheiro e entrei na dusche ainda vestida. Liguei a água a deixando correr por todo meu corpo levando consigo os pedaços de farinha e ovo que estavam cobrindo todo o meu corpo. E como já estava se tornando habitual chorei até meus olhos arderem e as lágrimas simplesmente secarem. Me despi e deixei a água quente queimar minha pele. Assim que terminei o banho escondi as roupas para Renée não as ver. Vesti meu pijama e fui para meu quarto. Me deitei na cama fitando o tecto quando me lembrei de meu novo diário. Aquele foi o único momento em que realmente havia sentido um pouco de felicidade em todo o dia. Me sentei em minha mesinha de estudo, e passei minha mão sobre a capa de couro de meu novo diário. A chave do diário era linda e tinha um pequeno relógio, e uma corrente que dava para servir de colar. Abri o cadeado do diário e não sei ao certo o que estava sentindo naquele momento. Era quase que uma necessidade que eu senti de simplesmente começar a tingir aquelas folhas brancas perfeitas com tinta. Peguei uma caneta preta e alisei a primeira página de meu diário a encarando durante pelo menos meia hora até finalmente começara a escrever
Forks, 13 de Setembro de 2003
Querido Diário
Estou há pelo menos meia hora tentando decidir o que escrever. Primeiro pensei em dar um nome para você, sabe do género de Kitty como em “O Diário de Anne Frank”, mas me senti ridícula pois não quero ficar criando amigos imaginários. Acho que estou escrevendo porque simplesmente estou precisando de desabafar, e o que melhor do que uma folha de papel em branco? Pelo menos aqui não irei correr o risco de ser julgada né?
Antes de mais vou me apresentar para você. Meu nome é Isabella Marie Dawyer e sou filha de Renée Dawyer e de pai desconhecido. Pois é, não sei quem é meu pai, que trágico… Enfim…
Sou míope, e preciso de óculos para conseguir enxergar alguma coisa e não ficar tropeçando de 2 em 2 minutos. Acho que devo contar as vezes que Jacob já quebrou meus óculos? Acho melhor não… Talvez em outro dia.
Bom, sou relativamente baixa, tenho 1,57m. Meus olhos e cabelos são castanhos completamente sem graça e segundo Tanya sou gorda. Minha mãe sempre me diz que eu estou muito magra, mas é minha mãe acho que tenho de duvidar mesmo…
OK. Agora falando do que relamente importa, desde meus 8 anos venho sofrendo de Bullying na escola. A razão? Bom, vou deixar você descobrir isso da próxima vez porque neste momento estou a precisar de desabafar.
Hoje você, querido diário foi a única coisa feliz que aconteceu em meu aniversário.
Acho que é melhor eu contar o que aconteceu, para eu estar manchando você com minhas lágrimas logo na primeira página…
Era hora de almoço e como sempre fiquei sentada na mesa mais afastada de todas em meu canto. Comprei um pacote de leite achocolatado e uma sanduiche de atum.
–Monstra monstrinha do meu coração. – Jacob se sentou na cadeira ao lado da minha, me encarando com aquele olhar de quem iria me ferrar e um sorriso irónico. O ignorei me concentrando em minha sanduiche, mastigando calmamente, tentando disfarçar o medo que estava percorrendo minhas veias. Mas sabe, talvez esse tenha sido meu erro. Eu deveria ter fugido dali assim que Jacob apareceu.
–Ouvi dizer que hoje é seu aniversário Dawyer. Acho que devo dar um presentinho para você não acha? – meu coração falhou uma batida, sustive a respiração e tentei engolir a comida que tinha na boca. Pousei a sanduiche, me preparando para o que viria. Jacob jogou meu tabuleiro para longe e subiu em cima da mesa chamando a atenção de todos os alunos.
–HEY GENTE! A MONSTRA HOJE FAZ ANOS! E COMO BONS AMIGOS VAMOS FAZER UM BOLO PARA CANTAR OS PARABÉNS! – assim que Jacob falou aquilo, fui agarrada pelos braços por Tyler e Mike que me arrastaram para fora do refeitório até ao pátio da escola. Eu estava tremendo dos pés à cabeça quando fui jogada no chão.
–Vamos fazer um bolo? – Jacob sorriu irónico e me jogou um saco de farinha na cabeça. Logo depois Tanya, Lauren e Jessica me lançaram alguns ovos. Eu já não estava enxergando nada, meus óculos estavam cobertos com gema de ovo e farinha.
–Feliz aniversário Monstra. – a escola toda começou a cantar os parabéns, enquanto eu ficava chorando no meio de todos. Antes de ir embora Tanya ainda chutou meu estômago me fazendo gemer.
–Que inútil Dawyer… Que inútil… .
Se esta foi o pior momento de minha vida? Sim, foi. Sabe querido diário hoje passei a odiar o dia de meu aniversário, e certamente nunca mais irei desejar um bolo de aniversário depois de ter sido transformada em um…
Eu não entendo… Porque eles não podem simplesmente parar de me atormentar? Porque eles gostam de ver minhas lágrimas? Porquê eu?
O que eu fiz de errado querido Diário?
Sabe, nem foi a farinha, nem os ovos ou o facto de ser espancada por Tanya que mais me machucou. O que mais me machucou foi que todos ficaram rindo de mim, me apontando o dedo como se eu tivesse cometido algum crime e estivesse merecendo aquele castigo.
Sou uma fraca por estar chorando? Talvez… Mas neste momento meu coração está completamente rasgado em dois, e juro que neste preciso momento consigo ouvir a voz de todos eles ecoar no fundo de minha mente.
Eu daria tudo… Tudo para poder desligar isto… Eu faria qualquer coisa querido Diário, para simplesmente esquecer…
Bom, acho que por hoje chega de lamentações. Tenho de adormecer antes de Renée chegar a casa pois acho que não irei conseguir simplesmente sorrir e fingir que estou bem. Minha mãe não merece a filha que tem…
Vou tentar dormir, só espero não sonhar com nenhum daqueles idiotas.
Um beijo da Bella
Respirei fundo, de alguma forma me sentindo aliviada por ter transposto para o papel tudo o que estava fechado a sete chaves em meu coração. Fechei o Diário com a chave e coloquei o colar. Se dependesse de mim, este colar nunca sairia daqui, pois neste momento era ele que estava guardando todos os meus segredos, e sentimentos.
Me deitei em minha cama, me remexendo várias vezes. Eu estava com medo dos pesadelos. Pois infelizmente por vezes meus pesadelos conseguiam ser piores que a própria realidade…
Chave do diário (
Notas finais
Espero que tenham gostado :)
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EU SEREI MUITO EXIGENTE COM AS LEITORAS NESTA FIC. NÃO QUERO FANTASMAS AQUI POIS ESTA FIC É DIFICIL DE ESCREVER E TOMA MUITO DO MEU TEMPO.
E eu acho que o minimo é me dizerem o que acharam de cada página do diário da Bella, se gostaram se odiaram...
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Eu estou falando muito sério isto é um tema delicado e não quero ficar postando para o vento. Me desculpem a sinceridade mas ando com pouco tempo por causa dos estudos e assim :s
bjs e até ao proximo :)
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