O Diário
5 Capitulo 5
Notas iniciais
5.
Como escapar do mundo das sombras?!
Parecia que meu coração iria explodir!
Monstros não existem, mas parecia tão real!
Será que era uma metáfora da minha cabeça?
Aquele “poder” me prendia e queimava minha pele...
***
Hinata rabiscava já o quinto começo de frase, não gostando de como colocara suas palavras. Parecia que não havia maneira certa para descrever um pesadelo que parecia ser em outro mundo. Aquele “monstro” de olhos vermelhos ou aquele homem (cujo rosto não lembrava) que o controlava, era tão aterrorizante. Não poder fugir também era.
Bufou percebendo que nunca colocaria seus sentimentos no papel. Seja lá como ela expressava suas frustrações antes da amnesia, sabia que, definitivamente, não era com um diário.
Ouviu alguém bater e quando fitou a porta se abrir, vestiu seu sorriso mais simpático, reconhecendo seu visitante.
***
Ele poderia estar em qualquer lugar: almoçando com a Sakura e os outros colegas na lanchonete; adiantando os relatórios do estagio; estudando para uma das três provas que teria na semana que vem; poderia estar com Hinata no hospital; em fim, havia infinitas opções, mas estava aqui, na sala de espera dessa enorme empresa de Publicidade aguardando seu encontro com Hyuuga, não a garota que ele queria ver, mas o pai dela, o poderoso, prepotente e sempre furioso, Hiashi Hyuuga.
Naruto suspirou, já estava esperando a mais de quarenta minutos, logo seu horário de almoço terminaria, e não teria nem comido e nem feito o que veio fazer, parecia que aquele velho de olhos brancos fazia de proposito só para testa-lo. Só esperava não perder seu estagio por chegar atrasado...
– Finalmente! – O rapaz se levantou apressado ao ver o Hyuuga abrir a porta de vidro.
– Bem, falta pouco para você ter que voltar ao trabalho, não vou tomar muito do seu tempo. Vamos para minha sala.
O loiro não disse nada, apenas seguiu Hiashi, chegando ao destino, permaneceu de pé enquanto o mais velho se sentou a mesa ampla de seu escritório.
– Não falamos sobre a Hinata a bastante tempo, não é?
– Desde o acidente. – Naruto respondeu. – Achei que tudo já tinha se resolvido entre a gente, nessa questão da Hinata.
– Foi engano meu achar isso também...
– O senhor ainda não disse porque me chamou aqui...
– Não quer se sentar? – Hiashi perguntou, mas Naruto continuou de pé, demostrando toda a ansiedade que a situação lhe provocava. Então o Hyuuga prosseguiu calmamente. – Pois bem, serei direto. Você estava com minha filha no acidente, certo, Naruto?!
O Uzumaki bufou, parecia que, por algum motivo, o velho Hyuuga queria repetir o mesmo interrogatório que fez no hospital naquela lamentável ocasião.
– Sim, fui com ela pro hospital. Eu que avisei todo mundo.
– Quando discuti com ela e percebi que saiu de casa escondida, mandei Neji ligar a todos os amigos para procura-la. Mas quando eu te liguei, vocês já estavam juntos, certo?!
– É, estávamos.
– Você não a encontrou, Hinata foi te procurar.
– É...
– Por que?
Naruto travou com essa pergunta, de tudo que ele imaginou dessa conversa, isso era algo que ele não esperava.
– Sei que fui um cego, mas não idiota. Só estou tentando entende-la, ao menos um pouco! – Hiashi disse com um tom grave, porem baixo.
– Já faz muito tempo. Acho que é um pouco tarde pra pensar nisso...
– Por favor, Naruto. Sei que ela estava fugindo de casa, só quero saber se você estava indo com ela!
Fugindo com Hinata? É isso que ele achava? Por um momento Naruto sorriu pelas suposições do Hyuuga e imaginou como seria viajar pelo mundo com a garota, mas depois lembrou o que realmente aconteceu e qual era a verdadeira situação antes do acidente.
– Não, eu estava... – Naruto parou, respirou fundo. – Estava tentando impedi-la.
– Impedi-la?!
– Eu não entendo porque isso é relevante agora! Ela não fugiu! Foi atropelada e perdeu a memoria. Acabou!
– Você sabe de tudo, não é?
– Tudo? Tudo o que?
– Tsunade-sama disse que Hinata estava... Que ela era... – Hiashi não encontrava as palavras certas, nem sabia como expressar aquele sentimento horrível de impotência que estava sentindo. — Alguém a machucava...
– Como assim? – Naruto estava confuso agora. – Do que está falando?
– É impossível você não saber! Vocês eram melhores amigos ou ate mais que isso, certo?!
Naruto ficava desconcertado ao ouvi-lo falando assim do relacionamento deles. Não gostava de deixar Hiashi tirar uma conclusão tão rasa sobre o que tinha com Hinata, mas não queria explicar, era complicado, inútil e constrangedor de mais. O Uzumaki não se deu ao luxo de vacilar seu olhar ou ficar corado pelas insinuações, tratou de manter-se serio enquanto o encarava.
Ainda pensando no que acabara de ouvir sobre “alguém que a machucou”. Será que ele se referia aquela briga no bar?! Ou era algo sobre a escola? Não, ele já sabia de tudo isso, não tinha como ser relevante agora. O que era então?!
– Mas não sei do que o senhor esta falando! Como assim alguém...
– Tudo bem, então! – Hiashi o interrompeu, percebendo como a voz do loiro já começava a se alterar. – Eu realmente suspeitei que você já teria falado, se soubesse de algo.
– Não entendo! O que eu deveria saber?! – Naruto perguntou serio.
– Nada, é um assunto de família. – Hiashi disse simples. – Achei que, devido as circunstancias, você poderia ajudar, mas já que não pode... Melhor voltar ao trabalho, Naruto.
Naruto assimilava as palavras dele. De novo aquela coisa de “assunto de família”. Hinata, assim como Hiashi e Neji, sempre usava essa desculpa quando queria escapar de alguma pergunta pessoal.
Parecia ser um mal de personalidade da família: quererem sofrer calados e sozinhos. Os Hyuuga eram tão reservados...
– Sabe, Hinata e eu sempre nos demos bem, as vezes ate parecia que eu conseguia ler seus pensamentos... – Naruto sorriu por um momento, mas depois baixou a cabeça novamente. – Mas não era assim simples, Hinata é mestre em esconder seus sentimentos e não gostava de dividir seus problemas com as pessoas.
– Você...
– Eu sou um grande idiota as vezes, mas não sou cego. – Naruto disse simples. – Eu via que ela estava sofrendo, mas sempre que eu tentava descobrir porque, ela se afastava. Era irritante! Sempre que eu estava prestes a alcança-la, algo nela me impedia. Como se a Hinata transparente de sempre fosse trocada por uma bem mais enigmática que me dava medo. No fim, ela me convenceu que só precisava da minha companhia para ficar bem.
– Entendo...
Ficaram em silencio alguns segundos e ambos perceberam que não havia mais nada a ser dito. Bem, o Sr. Hyuuga já tinha dispensado Naruto de sua sala, então o rapaz apenas suspirou e se encaminhou para a porta. Porem parou assim que a abriu, quando a sua mente lhe veio algo que talvez compensasse o tempo que perderam inutilmente com essa conversa.
– A proposito, ela não estava fugindo naquela noite. – Disse sem se virar.
– Como?
– A Hinata não estava fugindo. – Naruto o encarou. – Ela é do tipo que encara os problemas de frente, sem medo, sem desistir. Não importa o quão grande é o obstáculo, Hinata sempre tinha disposição para tentar se virar. Logo, ela não estava fugindo.
– Então o que ela estava fazendo?! Por que acha que decidiu se afastar?
– Eu já disse que ela não dividia seus problemas, então acho que ninguém sabe ao certo o que ela tinha em mente, mas o pouco que eu sei... – Naruto sorriu breve. – Vai te deixar bem zangado.
***
– Você viu?! A cadeira de rodas não é tão ruim. – Kakashi disse.
– Eu não disse que era ruim, disse que era desnecessário. – Hinata respondeu simples. – Eu já posso andar.
Kakashi a empurrava pelo corredor, com os olhos vidrados em seu livro e sem olhar o caminho que tomava. Eventualmente alguns enfermeiros tinham que dar passagem, os mais distraídos pulavam assustados na ultima hora.
Hinata já estava ficando preocupada. E se um paciente não conseguisse sair da frente a tempo?
– Não queremos que force seu joelho agora que esta se recuperando. – O socorrista disse sem desviar da leitura – Seu acidente foi feio, você teve sorte por poder andar de novo, então não abuse e aprecie o passeio.
– Eu apreciaria mais se você olhasse por onde anda...
– Relaxa, temos preferencia, os outros é que deve se esquivar da gente.
Ficaram em silencio e Hinata apenas o encarou por um segunto para constatar que ainda estava com aquele livro sobre a face. Deveria ser um ótimo livro para entretê-lo tanto.
– Então... O que a doutora quer comigo? – Ela perguntou.
– Não me pergunte, estou apenas cumprindo meu trabalho.
– Pensei que seu trabalho fosse socorrer as pessoas na ambulância.
– E é... Mas tenho chegado atrasado nas ultimas semanas e Tsunade-sama acha que eu tenho que compensar com horas extras.
Hinata riu baixo e Kakashi pela primeira vez tirou os olhos do livro e a olhou. Infelizmente, pelo ângulo que estava ele só conseguia vê-la de costas.
– Hinata, posso te perguntar uma coisa?
– Claro, sobre o que? – Ela se virou na cadeira para olha-lo novamente, ainda sorria.
– Não... Esqueça... – Ele voltou a encarar seu livro. – Descobrirei sozinho, será mais interessante...
– Como assim?
– Chegamos! – Ele disse parando a cadeira em frente a porta. – Agora, independente do que aconteça aqui, apenas, não desista da sua historia, ok?!
Kakashi não deixou-a dizer ou perguntar nada, abriu a porta e entrou com Hinata na vasta sala.
A garota sentiu-se tímida por nunca ter estado naquele lugar, além disso, se deparou com a uma mulher de cabelos longos escuros e olhos tão castanhos que quase pareciam vermelhos.
Sua médica, Tsunade, que fora sempre tão simpática e paciente, estava lá também e isso a deixava mais tranquila.
– Você demorou, Kakashi! – Tsunade disse de cara feia, sentada atrás da mesa como se esperasse já a algum tempo.
– Sinto muito, mas Hinata queria vir andando. Levou tempo para convencer Hinata a vir de cadeira de rodas.
– Verdade, Hinata? – A medica a encarou.
– Eu já me sinto bem, então.
– Hinata... – Tsunade falava em tom repreensivo, mas kakashi tratou de interrompe-la em tom casual.
– Bem, ela esta entregue. Já vou indo.
Quando o médico mascarado saiu, a outra mulher se apresentou como uma psiquiatra, Kurenai Yuhi. Hinata não entendeu porque fora chamada nem porque tinha uma “especialista em malucos” a esperando. Sabia que algo estava errado.
– Chamei Kurenai aqui para testar algo, talvez ela consiga trazer sua memoria de volta! – Tsunade disse.
– Serio? Como? – Hinata perguntou a diretora.
– Eu chamo de meditação monitorada. – Kurenai disse.
– E o que é isso exatamente?!
– Bem, é o que o nome diz: uma meditação. será simples, eu vou fazer algumas perguntas e você vai responde-las, mesmo que não saiba das respostas. Assim posso monitorar o quanto se esforça para se lembrar de algo ou não...
– Vamos começar logo, assim ela entendera conforme as coisas forem acontecendo. – Tsunade disse impaciente.
Com um gesto, Kurenai ofereceu a poltrona ao lado da mesa de Tsunade para que Hinata se sentasse. A garota prontamente se levantou da cadeira de rodas, mas lamentavelmente, depois de seu nada convincente discurso de que estava bem, mancou aqueles poucos metros e ainda precisou da ajuda da doutora para conseguir se sentar (seu joelho se mostrou novamente um problema).
Tsunade riu por um breve momento, sabia que essa pequena decepção seria bom para acalmar sua teimosia.
Kurenai tirou um objeto de sua bolsa e o pôs em cima da mesa. Era como uma pirâmide cheia de marcações e números (como uma régua) numa de suas laterais, com um pequeno ponteiro de metal que, ao comando da doutora, fazia um lento som de tique constante e compassado.
Hinata o encarou curiosa, reconhecendo o formato e o som que fazia, muitos poderiam achar irritante, mas estranhamente ela se sentia calma. Não entendia direito como, mas sabia exatamente o que era e para que servia.
– Um Metrônomo?!
– Ah, então você sabe o que é? Por acaso toca algum instrumento musical? – Kurenai perguntou curiosa.
Hinata pensou um pouco e percebeu que não sabia o que responder, acabou dando os ombros indiferente, sabia que a doutora a entenderia.
– Soube que quebrou algumas costelas no acidente. Sua respiração consegue acompanhar o ritmo do metrônomo? – A doutora perguntou.
– Eu não tenho problema para respirar. Minhas costelas nem doem.
– Claro, enquanto você continuar com a medicação. – Tsunade riu baixo.
– Muito bem, feche os olhos e controle sua respiração ate alcançar o ritmo certo.
Hinata, então, fechou os olhos, deixando sua respiração seguir os tique-taques do pequeno pendulo que a doutora dispunha na mesa. Apesar de achar que logo de inicio já estava fazendo direito, levou alguns minutos para a doutora se convencer que a garota seguia sua recomendação a risca.
A garota precisou de paciência quando ouvia repreensão de que respirou muito profundamente ou rápido de mais em certos momentos. Aquilo parecia ser o que Kurenai disse que seria: uma meditação.
– Agora o importante é manter esse ritmo cardíaco e respiratório mesmo quando for falar algo. Entendeu? – Disse kurenai
– Sim... – A garota disse simples e calma.
– Certo, vamos começar. – Kurenai sorriu. – Hinata, nós estamos na sala da diretora deste hospital, você já veio aqui antes?
– Não...
– Então você nunca viu nada daqui antes de hoje, certo?! Pode descrever essa sala para mim?
A Hyuuga pensou minimamente antes de responder.
– É uma sala ampla... Tem uma mesa de madeira a frente da porta... A parede de trás da mesa tem janela que é tão grande que parece uma vidraça de uma loja... Tem um quadro de uma paisagem em outra parede...
– Em que parede esta esse quadro?
– Na oposta a janela perto da porta.
– E que tipo de paisagem esta pintado no quadro?
– Uma cidade, vista de cima...
Tsunade observava quieta, claro haviam muitas coisas que a Hyuuga deixou passar, mesmo assim a achou muito observadora, pois só ficou pouco minutos lá antes de fechar os olhos e já conseguia descrever tanto. Bem, nunca achou que a menina tinha problema relacionado a guardar ou processar memorias, o que ela tinha mesmo era um bloqueio emocional.
– Certo, Hinata, agora... Como você chegou ate aqui?
– Passei pelos corredores do hospital.
– Descreva. Como são esses corredores?
– São largos e tem muitas pessoas passando para todos os lados... Macas e portas para outras salas... Médicos e enfermeiras, pacientes...
– E com tantos corredores e pessoas, você não confundiu o caminho?
– Tive medo de me perder, mas Kakashi-sensei me guiou... Ele anda enquanto lê, quase esbarramos em um monte de pessoas...
Kurenai sorriu em resposta ao que a menina disse, realmente Kakashi sempre teve o costume de andar enquanto lia seus livros.
– Hinata, se precisasse vir aqui sozinha de novo, conseguiria?
– Não sei... Acho que sim.
Kurenai escreveu algo em sua prancheta, depois voltou a encara-la.
– Onde você estava antes de vir aqui?
– No meu quarto...
– E como é o seu quarto?
– Tem um leito, com um colchão duro... Um armário e a porta do banheiro... Uma janela com uma vista linda.
– E o que você faz quando esta lá?
– Leio e escrevo, ouço musica...
– Você gosta do seu quarto?
– Sim é tão tranquilo... Me sinto segura lá.
A Dra. Yuhi voltou a escrever algo e prosseguiu.
– E antes de estar no seu quarto, onde você estava?
Hinata demorou um pouco para responder, ainda mantinha a respiração no ritmo.
– Na ambulância...
– Ambulância? A mesma do acidente?
– Sim...
– E do que você lembra dela? Consegue me descrever?
A garota novamente ficou calada, respirando. Kurenai anotou isso.
– Uma luz no teto muito forte... – Ela finalmente disse. – Me deixa com dor de cabeça...
– Então tem uma luz no teto, nada mais?
– Não posso olhar, meu pescoço esta preso a alguma coisa...
– Entendo, nenhum outro detalhe?
– Estou cansada e com Medo...
– E ouvir? Pode Ouvir alguma coisa?
Outra demora na resposta.
– Bips... Ouço vários bips; sirene; ronco de motor; pessoas falando...
– Pessoas? Quem são?
– São dois... Naruto-kun e outra pessoa... Não sei quem é...
Tsunade a encarou curiosa de repente: O outro homem era o Kakashi, Hinata definitivamente o conhecia, ele que a trouxe ate esta sala; Mas se agora não sabia quem era, foi justamente porque no momento do acidente ela não o conhecia.
Foi nesse ponto que Tsunade percebeu que Hinata não estava mais apenas respondendo as perguntas, ela estava, de alguma forma, vivenciando a tragédia que acontecera antes. Estava dentro de suas lembranças.
– Do que eles falavam?
– Não consigo ouvir direito, minha cabeça doi muito...
Kurenai escreveu novamente e fez uma pausa, observando se Hinata continuava mantendo o ritmo da respiração.
– Hinata, e antes da ambulância? Onde você estava?
– Rua... – Era um sussurro de resposta, que outra vez demorou.
– Que rua é essa? Como ela é?
– A rua do parque... É grande com varias faixas... Um cruzamento... Pessoas assustadas...
– Pessoas assustadas? Por que?
– Não sei.
– E o que esta fazendo na rua?
Aquelas sensações percorreram seu corpo vividamente, o frio e a dor de suas memorias desconjuntadas pareciam reais agora. Sua respiração forçada e a tontura de sua cabeça se misturando ao desejo desesperado de dormir.
– Morrendo...
Kurenai trocou olhares com Tsunade, a garota ainda mantinha a respiração no compasso ditado pela doutora, mas já não estava mais tão calma como antes.
– E antes disso?
E, para a intriga de ambas, Hinata não respondeu a pergunta, continuou quieta.
– Hinata? Sabe onde estava antes de ir para rua?
– Em uma casa...
– Sua casa?
– Não...
– De quem é a casa?
– Não sei...
– Como ela é?
– Tranquila... Um sobrado pequeno e aconchegante... Posso ver o parque da janela da sala, mas esta chovendo e tão escuro...
– Você esta sozinha?
– Não...
– Quem esta com você?
Então Hinata cravou as unhas no braço da poltrona, perdendo totalmente a postura e o compasso.
Podia ver claramente a pessoa a sua frente, estava gritando furioso, andando de um lado para o outro, exaltado. Ela também se sentia assim, raivosa e enérgica, uma magoa que queimava sua garganta pela vontade de gritar de volta, sem conseguir por causa das lagrimas.
Ele tentava segura-la pelos ombros ou a abraçar, mas Hinata se afastava sem encara-lo, as vezes esbarrando em algo.
Eles falavam, ao gritos agora, mas a garota não conseguia entender uma palavra se quer.
– Hinata? – Kurenai insistiu, percebendo o silencio de sua paciente.
– Não quero isso... Não mais... – Ela disse deixando as lagrimas escaparem de seus olhos – Por que nós dois... As mentiras... Sempre e sempre, sempre...
Hinata parou, notando que suas palavras escapavam de sua boca sem permissão. Respirando desregular cobriu o rosto com as mãos para evitar que as médicas presenciasse essa cena tão patética. Mesmo tentando muito, não conseguia parar de chorar.
– O que aconteceu? – Tsunade se levantou se aproximando lentamente.
– Tocamos em um ponto chave... – Kurenai respondeu.
– Isso nunca acaba... – A garota sussurrou para si mesma.
– Hinata, de quem era a casa? Você lembra? – Tsunade perguntou.
– Eu quero ir para meu quarto. – A garota disse quase desesperada, engolindo forçadamente o choro.
– Acalme-se... – Kurenai disse e encarou Tsunade desgostando do tom que ela usara em sua pergunta, mas depois sorriu levemente para a menina. – Estamos apenas conversando, não precisa contar nada se não quiser.
Hinata ficou quieta e de cabeça baixa, ainda com aquela vontade de chorar assolando seu coração de forma sufocante.
– Se lembrou de algo? – Tsunade perguntou impaciente e recebeu outro olhar repressivo de Kurenai.
– Eu... – Hinata pensou no que dizer. – Estava discutindo com alguém... – Antes que perguntassem, ela logo se adiantou em responder. – Não sei quem era, mas eu estava muito irritada.
– É só disso que se lembra? – Tsunade perguntava desanimada, recebendo o aceno positivo da Hyuuga.
– Não é tão ruim, isso foi apenas uma sessão teste. – Kurenai disse.
– Posso ir para o quarto? Estou cansada. – Hinata pediu.
Tanto Kurenai quanto Tsunade perceberam que ela queria apenas se afastar, fugir do interrogatório. Não queria responder sobre o que quer que a tenha deixado tão sensibilizada.
– Certo, claro... – A Diretora disse. – Vou chamar uma enfermeira para leva-la.
Hinata assentiu e voltou a cadeira de rodas sem dizer mais nenhuma palavra.
Não queira repetir essa experiência, se era para se sentir assim tão mal, acuada e desolada, ela preferiria não se lembrar mais do passado.
Sim, sabia que, de fato, o dia do acidente fora o pior de sua vida, mesmo não lembrando de tudo. O pouco que sabia e esses sentimentos que resgatou foi o suficiente para tirar essa conclusão.
Toda aquela dor e magoa que sentia e cortava seu coração era causada por uma pessoa. Alguém que embora, por algum motivo, não quisesse revelar as médicas, tinha, sim, um nome: Naruto Uzumaki...
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