O Diário
20 Capitulo 20
Notas iniciais
20.
Eu estava em frente ao espelho, analisando o estrago que estava em meu rosto. Esse leve corte abaixo do olho esquerdo que amanha estará tão roxo quanto os outros ferimentos espalhados pelo meu corpo dolorido.
De certa forma me sinto orgulhosa de mim mesma, pois cada um deles representava um passo a mais para a liberdade. Amanhã poderei dizer que nunca mais serei obrigada a nada.
Suspirei aliviada... Melhor eu sair desse banheiro antes que o deixe preocupado de mais, sei que logo estará batendo na porta para saber se estou bem. Da forma com que cheguei aqui, dei muitos motivos para seu alarde.
Amarrei meu cabelo em um coque e vesti aquela blusa que ele me ofereceu, ficava bem grande em mim, mas enquanto as minhas roupas estivessem molhadas pela chuva, acho que não tinha outra alternativa.
Abri a porta, sai um pouco sem jeito e caminhei pelo quarto, estava menos bagunçado do que quando cheguei, ele provavelmente aproveitou que estava no banho para organizar as coisas, ou esconder a bagunça, como essas peças de roupa que foram jogadas embaixo da cama...
Apenas o Naruto-kun sendo o Naruto-kun... Sorri.
– Hinata, trouxe um pouco de gelo e... – Ele entrou no quarto falando alto, provavelmente pensando que eu ainda estivesse no banheiro, porem quando me viu parou instantaneamente, me analisando de cima a baixo. – Você ficou muito bem com a minha camisa.
Suas palavras fizeram minhas bochechas arderem de vergonha então me virei de costas para que ele não percebesse.
– Não deveria entrar assim sem avisar!
– Desculpa, não to acostumado a bater na porta do meu próprio quarto! – Ele foi sarcástico, mas depois o ouvi rindo. – Relaxa, já coloquei sua roupa na secadora, logo vai poder se vestir como sempre.
– Obrigada pela hospitalidade... – Me virei para ele novamente, ainda tímida.
– Agora, deixa eu dar uma olhada nesse corte. – Naruto-kun disse casualmente, pegando minha mão e me guiando ate a cama.
Me sentei com ele ao meu lado, levando um pano gelado ate o ferimento do meu rosto. Assim que o tocou deixei sair uma pequena reclamação entre os dentes. Para que ele não percebesse, resolvi puxar conversa.
– Irei embora assim que minhas roupas estiverem secas.
– Pra que a pressa?! Já está tarde e ainda esta chovendo! Você pode passar a noite aqui, meu quarto é todo seu! – Ele contestou e senti minhas bochechas vermelhas ao ouvi as palavras dele, então sorriu zombeteiro. – O que foi?! Eu fico na sala, claro!
– Se eu sou a visita, eu deveria ficar na sala...
– Nem pensar! Não com o Ero-Sanin andando por ai de noite, fingindo que é sonambulo! – Naruto cruzou os braços, estava com uma expressão bem séria enquanto falava, mas depois gargalhou, como sempre.
Não era o tipo de piada que eu gostaria de ter ouvido, sorri apenas por educação e, percebendo que eu estava séria, ele deixou de rir e voltou a dar atenção ao meu rosto, colocando cuidadosamente um curativo sobre o ferimento.
– Isso vai ficar bem feio amanha... Não vai ter como seu pai não notar.
– Ele não vai nem ver.
– Por que acha que não?
– Porque eu... Eu... – Suspirei, precisava dividir isso com alguém e ninguém melhor do que ele. – Eu não pretendo voltar mais para casa...
Ele me olhou espantado, baixou as mãos do meu rosto e então respirou fundo e, um pouco triste, perguntou:
– E para onde vai?
– Ainda não sei, mas para bem longe do meu pai e de toda essa loucura...
– Mas não vai manter contato com ninguém? Não vai dizer onde estará?
– Não vou poder...
– Então a gente não vai se vê mais?
– Claro que vamos! – Sorri sincera. – Eu vou voltar para assumir a empresa, um dia.
– Eu não acho que você precise fugir... – Ele disse emburrado.
– Não vou fugir, é só uma retirada estratégica ate tudo se acalmar.
Ele me encarou com uma expressão que eu conhecia bem e quando nossos olhos se encontraram, eu soube que ele tentaria me convencer a ficar;
– Tudo o que? Não quer me contar o que esta acontecendo?!
– Naruto-kun eu já contei tudo que podia...
– Eu me preocupo com você, Hinata!
– Isso é uma coisa que só diz respeito aos Hyuuga! Não te quero envolvido nisso...
– E por que não?! Eu quero saber! – Suas mãos, que ainda estavam frias pelas compressas de gelo que segurava, se agarraram nos meus ombros, uma forma dele fortificar suas palavras e evitar que eu desviasse o olhar.
– Por favor, não insiste... – Eu pedi. – Eu não posso falar, ainda não.
Nossos olhos se encontraram e percebi pela primeira vez que estávamos muito mais próximos do que quando nossa conversa começou. Vi sua expressão mudar quando, assim como eu, percebeu essa tão tentadora proximidade.
Naruto-kun tomou meus lábios de forma tranquila e suave, tão repentino que eu não soube o que fazer no primeiro segundo do beijo, mas depois prontamente correspondi. Senti aquela mistura de sentimentos que pouco entendia. A confusão do toque dele que já eu causou um medo besta e irracional e que, ao mesmo tempo, eu tanto desejava.
Estar ali com ele, permitindo-me sentir isso depois de tudo, me fez perceber o quanto afasta-lo era estupido e doloroso.
Nos separamos do beijo, mas ele manteve o rosto próximo, ainda sentia sua respiração contra meu rosto e percebi o esforço que ele fazia para não nos juntar de novo, respeitando o limite que eu sempre o impus.
– Sinto muito. – Naruto-kun disse, mas era um sussurro rouco, sua voz não queria proferir aquelas palavras – Eu sei que nós...
Mesmo com seu pedido de desculpas, seus olhos mostravam que queriam mais, porem ele ainda não parecia querer ultrapassar a linha da nossa amizade.
Sabia o efeito que eu tinha nele, mas ele sabia o que fazia comigo?
Com ele tudo sempre era tão simples que ate poderia esquecer o quanto as circunstancias são complexas. E por que?! Por que não poderia ser assim?!
Me esforcei tanto para enterrar meus sentimentos, esconde-los para que nunca deixar que nem ao menos desconfiasse... E agora... Nesse pequeno instante...
Algo em mim me fez sentir que não deveria ignorar suas demonstrações de afeto, não dessa vez, e, sem pensar nas consequências, como sempre quando estava em sua presença, apenas juntei nossos lábios novamente.
Ele correspondeu de imediato, de forma forte e desejosa, me segurando pela cintura, querendo que nossos corpos se aproximassem ainda mais.
Estava diferente das poucas vezes em que nos beijamos, nunca havia sentido aquilo, não dessa forma. Era bom, mas um “bom” estranho, que me aquecia e tirava minha consciência do que estava fazendo, me fazia delirar.
Enlacei seu pescoço com um dos braços, acariciando sua nuca com as minhas mãos e acabei arranhando-o sem querer.
Então ele nos separou, fora um movimento leve, mas para mim, em decorrência do que estava sentindo, pareceu muito abrupto.
– Você me deixa louco, sabia?! – Ele disse com um sorriso.
– Acho que já me disse isso alguma vez... – Respondi também sorrindo.
Ele acariciou meu rosto com o polegar, pôs uma mecha solta do meu cabelo para trás da orelha e me puxou para mais um beijo. Eu não podia imaginar como consegui me manter afastada por tanto tempo. Era insano pensar em recusa-lo agora.
– Tinha que ser você... – Suspirei quando separamos nossos lábios. Ele me olhou confuso por um segundo e eu apenas sorri do quão lindo ele era com aquela expressão. – Você é o único que me faz sentir assim...
– Assim como?
Ele riu zombeteiro e não pude deixar de sorrir também, acho que estava devendo essas palavras para ele, depois de tanto tempo estando ao meu lado. Respirei fundo e escolhi o que dizer, já sentindo meu coração acelerar.
– Eu não sei direito como explicar, mas apenas me sinto mais leve, segura e feliz quando estou com você... – Segurei a sua mão. – E quando tudo ia mal, pensar em você era uma das poucas coisas que me faziam erguer a cabeça. Porque eu sabia que, não importava o quão distantes estávamos, ainda sim você pensava em mim também. É uma conexão tão forte que nem sei explicar, eu nunca senti isso antes e quero proteger esses meus sentimentos, porque só tenho você agora e o que eu sinto é tudo que importa... – Respirei fundo e olhei-o nos olhos. – Eu realmente... Amo você...
– Hinata...
Parou um instante para interpretar o que eu acabara de dizer, então fortificou seu abraço e me beijou calmo novamente. Com seus sentimentos que pareciam me consumir, deixe-o me guiar, e fui me levando por todo paz que sua presença me provocava.
O vi me puxando para mais perto quando senti seu toque tranquilo e acolhedor ser substituído pela euforia e desejo quando suas mãos passaram a acariciar minhas pernas e elevando minha blusa...
Foi quando me dei conta de que era a blusa dele e eu não usava nada por baixo. Absolutamente nada!
Meu medo me dominou de uma forma imprevisível e eu percebi que tinha que para-lo, aquilo estava indo rápido de mais para eu conseguir lidar.
– Naruto-kun, assim não... – Separei do nosso beijo e segurei suas mãos impedindo que o toque avançasse. – Calma, por favor...
Ele soltou um suspiro de reprovação e, por um segundo, tive receio sobre como ele reagiria a seguir, mas então, com um sorriso bobo nos lábios, colocou ambas as mãos gentilmente em meu rosto e tocou nossas testas, tranquilo e... Alegre...
– Desculpa, desculpa, acho que me empolguei! – Ele riu sem jeito. – É que eu nunca imaginei que seria tão bom estar aqui com você, te ouvir falar que me ama... Sei que fui apressado, desculpa.
Parecia que ele continuaria se desculpando o resto da noite e isso me impressionava, ele não sabia nada sobre mim e mesmo assim era tão fofo, tão preocupado e atencioso...
Percebi que precisava me controlar para não magoa-lo como em tantas outras vezes, quando falava coisas para machuca-lo e afasta-lo. Bem, eu não queria que se afastasse agora.
O toque dele era diferente para mim. Ao contrario a repulsa que geralmente sentia com algumas pessoas, Naruto-kun me causava uma sensação de segurança que, mesmo nessa atual proximidade, nunca imaginei sentir. O desejo dele não me ofendia e, saber que ele me queria “assim”, não me deixava nervosa. Eu gostava da forma apaixonada que ele me olhava, do sorriso que direcionava a mim e das suas declarações mais simples que, às vezes, saiam sem que ele nem percebesse ,de tão sincero que era seu coração.
Naruto-kun despertava em mim uma Hinata que pensei estar morta e enterrada em meu subconsciente. Um lado sentimental, dramático e um pouco medroso também, mas que emanava esperança e tranquilidade para tomar certas decisões, pois sabia exatamente o que queria. Eu só precisava me adequar a essas novas sensações que afloravam em mim.
– Eu quero... – Disse em sussurro, não foi minha intenção, mas saiu quase como se falasse em confidencia de um segredo. – Quero ficar com você, desta forma.
– Você quer... Quer?!
Eu sorri minimamente, meio de nervosismo ou de timidez, e o beijei, era apenas um juntar de lábios, sem luxuria ou pudor. Toquei seu rosto com uma das mãos e desenhei a as marquinhas das bochechas com o indicador. Então o encarei um pouco mais segura de minha decisão.
– Eu tenho medo, mas, com você, eu quero...
Nosso olhar se fixou um no outro de uma forma quase hipnótica e ele se moveu sem desfazer esse contato. Levou a mão ao meu rosto e a principio pensei que era para uma simples acaricia, mas, percebi que estava, na verdade, secando uma lagrima solitária que me escapou sem que me desse conta. Depois escorregou os dedos entre os meus cabelos desfazendo facilmente o coque que usava.
Então me beijou e voltei a enlaçar meus braços ao redor do seu pescoço, deixando-o com as mãos livres para que me tocasse como quisesse. Dessa vez, eu sabia que não precisaria para-lo...
***
Ouvia-se batidas forte na porta, fazendo-a estremecer quase como se fosse pô-la a baixo e Tsunami, uma mulher jovem de cabelos negros, abriu-a lentamente e de maneira desconfiada, encarando aquele homem pálido, cheio de tatuagens e olhar estranho. Não era bem uma surpresa que alguém aparecesse, em decorrência do tiroteio e barulho de perseguição, sabia que essa noite parecia estar agitada.
– Kisame-sama, que honra rece...
– Estou procurando umas pessoas. Um cara loiro e uma morena, a garota tem olhos perolados, é impossível não reparar.
Ele interrompeu-a sem cerimonia já entrando na pequena casa e só agora Tsunami percebeu que haviam outros dois homens da Akatsuki com ele, um de cabelo branco e outro alto e gordo, porem estes continuaram do lado de fora.
– Desculpe, já é meio tarde, não vi ninguém nas redondezas. – Ela o respondeu.
– Mesmo?
Ele olhou em volta, o lugar era bem menor por fora, havia a sala e a cozinha em um cômodo só, ao lado, uma porta que deveria ser o banheiro e, a frente, um quarto sem porta nem acabamento nas paredes, onde era possível ver um amontoado de cobertas sobre a cama e um colchonete no chão com um rapazinho dormindo tranquilamente. Havia baldes e vasilhas para conter uma ou outra goteira da infiltração do telhado.
Olhando mais atentamente percebeu as pegadas lamacentas por todo o chão, era apenas um par e, pelo tamanho, parecia ser de um homem.
– Parece que você recebeu uma visita. – Ele andou a abriu a porta do banheiro olhando para o interior, era pequeno demais para esconder alguém.
– Ah, meu pai chegou tarde do trabalho hoje. – Ela se escorou do batente da entrada do quarto e apontou para a pessoa enrolada nas cobertas da cama. – Viu? Chegou e caiu de cansaço.
– Eu sei como a vida de um pedreiro é difícil. – Kisame riu um pouco.
– Sim, ele sempre chega sujando tudo de cal e cimento. E hoje então, você sabe como é difícil manter a casa limpa quando chove.
– Entendo... – Kisame disse simples já indo para a saída. – Bom, eu tenho que verificar as outras casas. De lembranças minhas ao Tazuna e, se vir esses dois que estou procurando, me avise. Sua “colaboração” é importante para nós da Akatsuki.
Ele saiu lento e observador e Tsunami trancou a porta, só agora conseguindo respirar novamente, seu suspiro aliviado se propagou pela pequena casa.
– Quem vai colabora com essa milícia do inferno?! – O rapazinho, que antes dormia, abriu os olhos e sorriu.
– Inari, fale baixo. Eles ainda estão por perto.
– O que seria de vocês sem a gente, hein, Naruto?! – Tazuna, um velho barbudo, saiu de trás de um pequeno espaço entre o guarda-roupa e a parede do quarto.
– Vocês salvaram a gente! – Naruto disse, então, tirando as cobertas de cima de si e de Hinata, se sentando ao lado.
Hinata abriu os olhos, percebendo que ainda estava nos braços de Naruto, seu coração tamborilava fora do ritmo e sua respiração estava presa na garganta, não conseguia desviar o olhar daquele sorriso dele.
Enquanto estiveram deitados e ouvindo a invasão de Kisame podia sentir o abraço forte de Naruto ao seu lado, deixando a tensão da situação de perigo amostra nas mãos tremulas que apertavam seu ombro e a respiração cerrada que era ouvida a beira de seu ouvido...
Essa circunstancia, por algum motivo, a levou de volta aquela noite de tal forma que quase podia ver as imagens intercalando com a expressão dele enquanto ocultos da Akatsuki...
Por muito pouco não sentia o gosto de seu beijo nos lábios... Sentia o toque de seu abraço em seu corpo e o amor movendo as batidas de seu coração... Era estranho, mas tudo se uniu, se esclareceu e se confundiu naquele mesmo momento.
As lembranças que teve nesses poucos minutos que estivera escondida com o loiro naquela humilde cama, por baixo daquelas cobertas, eram... O que se lembrou era...
Loucura!!
Ela sabia que era apaixonada por ele, sabia do quanto significava, mas nunca imaginou algo diferente da amizade que tinham, nunca achou que algo além tivesse acontecido. E agora descobre que possivelmente passaram a noite juntos?!
Tentava buscar em suas lembranças cortadas algo que dissesse contra ou a favor, mas a única coisa que tomava seus pensamentos eram esses recentes devaneios malucos.
Não... Pensar nisso era de mais para ela, sua cabeça parecia estar girando agora. Não conseguia, e nem queria, acreditar que algo assim realmente aconteceu entre ela e Naruto.
Não... Era ilusão ou talvez um sonho... Não podia ser real...
Deveria se convencer de que interpretou errado e NADA aconteceu aquela noite.
Ele continuava sorrindo enquanto falava com aquelas pessoas, parecia tão calmo e alegre que nem dava para reparar que corriam risco de vida a poucos minutos. Na verdade, ela também deveria estar focada nisso em vez de pensar em coisas absurdas.
Seja racional e se controle... Haviam bandidos atrás deles e ela não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a noite que ‘passara’ com Naruto?!
– Acho que o perigo já passou. – Ele sorriu para ela.
Tentou por seus pensamentos no lugar e prestar atenção no que ocorreu e ocorria a sua volta.
Claro que estavam seguros agora, essa pessoas os salvaram... Antes, quando ainda estirados no meio da lama que caíram e sem conseguir se mover e com Naruto desesperado sem saber como tira-los dali, viu aquele senhor abrir a porta e acenar, chamando-os. O rapaz a pegou nos braços e foi, sem duvidar nem um segundo, aceitando a ajuda deles.
Era uma jogada perigosa, mas, aparentemente, o loiro os conhecia.
– Olha ai. Encharcaram minha cama de lama! – Tazuna reclamou.
– Foi mau... – O loiro sorriu.
– Vocês dois sempre arrumando confusão. – Inari disse.
– Cala boca, tampinha!
Naruto respondeu ao menino, sorrindo e bagunçando o cabelo dele. Estava feliz por ter recebido ajuda para se esconder e mais ainda por estarem fora de perigo. Era o que deveria ter feito quando Hinata pediu, não simplesmente tentar fugir como baratas a luz. Não haveria outra maneira de escapar e seu nervosismo fez tomar um monte de decisões idiotas que poderiam custar muito caro.
A situação fora tensa demais e teve medo, por ele, mas principalmente por Hinata.
Então quando olhou para a garota, voltou a se preocupar. A forma fixa com que ela o olhava era um indicio claro de que algo estava errado.
– Tá tudo bem?!
– Idiota! Vocês acabaram de escapar da morte! Acha mesmo que ela “tá bem”? – Inari disse em um tom zombeteiro.
– Pode me arrumar um pouco de agua. – Naruto pediu, ignorando o que o garoto disse.
Segurou Hinata pelos ombros, puxando-a para ajudar a se sentar ao seu lado, pegou o copo que Tsunami tinha trazido e ofereceu a garota que tremia as mãos enquanto segurava o copo e bebia devagar, sem conseguir tirar os olhos de Naruto que estava ali ao seu lado afagando seu cabelo, preocupado.
– Melhor?! – Ele perguntou e ela não conseguia falar de tanto nervosismo, tudo que pode fazer para responder foi dar um aceno positivo da cabeça.
– Olha só como estão sujos e molhados. – Tsunami chegou ate eles com algumas mudas de roupa colocando-as sobre a cama ao lado de Hinata. – Melhor irem se limpar e vestirem isso.
– Ah, valeu. – Naruto agradeceu já retirando seu casaco, antes laranja, agora encardido de barro.
Ele jogou a peça suja em cima de uma cadeira próxima e tirou a blusa que usava por baixo que também estava molhada e um pouco manchada.
Hinata encarava a pele nua das suas costas de forma atônica. Com pensamentos primitivos que nunca lhe vieram antes, sabendo que já o tinha visto assim... Não, não só isso. Percebeu que já tinha visto muito mais do que apenas suas costas. Ela conhecia Naruto e cada centímetro do seu corpo.
– Hinata... – A mulher a chamou, despertando-a. – Nós temos agua quente, se quiser tomar um banho antes de se vestir.
– Eu... – Ela olhava sem saber o que dizer, estava tímida e desconfortável de mais para uma resposta coerente. – Sinto muito, eu não me lembro de vocês... Eu queria agradecer, mas não sei...
A própria Hinata se interrompeu, pois tentou se mover na cama e sentiu uma pontada no joelho. Com um gemido de dor, levou a mão ao ferimento que tinha feito na queda que ela e Naruto sofreram, não tinha visto a gravidade ainda, mas percebia que não podia se mover com liberdade.
– Você ainda esta com dor?! – O loiro se aproximou apressado pondo a mão sobre a dela, preocupado.
– Não... – Ela se separou dele ficando em pé sozinha, mas quando firmou o peso sobre a perna, seu joelho falhou e ela perdeu o equilíbrio, Naruto a pegou impedindo que caísse.
– Vou te ajudar a chegar ate o banheiro.
Aquele era um movimento simples, ele apenas cercou sua cintura com uma das mãos, oferecendo seu ombro para que se segurasse, mas a garota percebeu como seus rostos ficaram perigosamente próximos e quando ele abriu um sorriso, se desesperou com esse contato eminente com o loiro, pois sabia da forma intima com que ele já havia a tocado e isso, de certa forma, a assustava.
Como iria agir com ele agora com essa “informação” aparecendo toda hora em seus pensamentos?! Como encara-lo se perdia as palavras sempre que o via sorrir ou apenas a olhar?! Como lidar com isso?!
– Eu posso ir sozinha. – Disse desfazendo da sua ajuda.
– Mas o seu joelho...
– Eu estou bem.
Não, não estava... Hinata sabia que não estava nada bem, seu joelho doía desgraçadamente, e ela sentia fortes pontadas a cada passo. Mesmo assim, ainda queria distancia dele, distancia das lembranças que trazia consigo.
Ela precisava de tempo para pensar e redefinir em sua cabeça tudo que ela sabia sobre seu relacionamento com o loiro. O que ela e Naruto eram de verdade?! Obviamente não eram só amigos, mas seriam um casal?!
E o principal... Se eram mesmo tão íntimos, por que ele nunca falou nada?
***
Kakashi observava os homens que patrulhavam e procuravam por ele, estava deitado no piso da laje que escalara para escapar, de modo que não poderia ser visto no escuro. Percebia como os Bandidos sob o comando de Kakuzu já começavam a ficar ansiosos, brutamontes sem cérebro que gostavam de uma matança, isso abriria brecha para erros e assim esperava conseguir escapar logo.
Pensava se Naruto e Hinata estavam bem... Eles sumiram no tumulto depois que a luz do bar caiu e a única noticia que teve foi a que ouviu de um dos homens enquanto esteve escondido, dizia que os tinha visto e poderiam cerca-lo.
Foi assim que teve certeza de que estavam juntos, embora já estivesse alguma ideia, pois, do jeito que são, seria impensável acreditar que um sairia dali sem o outro, abandonando sem saber se estaria bem. Isso não era do estilo de nenhum dos dois...
Porem, mesmo juntos, o que ouviu era preocupante. Como eles estavam?
Essa duvida preocupava Kakashi intensamente... Esperava que o rapaz tenha aprendido a ser sorrateiro com seu “treinamento” de enganar a segurança do hospital quando visitava a garota fora de hora, afinal o conceito era o mesmo: manter-se oculto e próximo de Hinata.
Mas fazer Guy e os outros guardas de Tsunade de idiota era infinitamente mais divertido, fácil, e, com toda certeza, muito menos perigoso.
Claro que o nível de dificuldade dessa situação era incomparável. Se fosse pego não receberia uma bronca boba, mas ganharia, de fato, a morte certa... Esses caras da Akatsuki não desperdiçariam uma chance de atirar para matar se os vissem e isso obrigaria Naruto e Hinata a serem muito mais escuso.
Ouviu tiros ao longe, mas não soube reconhecer o local exato de origem, mesmo assim teve certeza de que não poderia ficar ali parado para sempre. Se não estavam atirando nele, então em quem mais estariam?! Se aqueles dois precisavam de ajuda, tinha que encontra-los rápido.
Desceu do telhado cuidadosamente para não fazer maiores ruídos, usando a mesma pilha de tijolos ao lado da casa que usou para subir, agora como uma escada de descida. Caminhou lentamente pelos becos escuros, com a espingarda nas mãos, pronto para qualquer coisa.
Andou em silencio a maior parte do tempo e já ficava frustrado por não poder simplesmente correr para onde queria, haviam vários olheiros espalhados em cada esquina, tornando sua caminhada muito lenta.
Quando finalmente pareceu ter chegado próximo de onde ouviram os tiros, eles simplesmente cessaram. Tenso por essa calma súbita que tomou o ambiente, decidiu cortar caminho por uma viela e, para o seu azar, deu de cara com um dos lacaios de Kakuzu.
Ergueu sua arma rapidamente afim de ameaça-lo para evitar que chamasse alguém, mas algo saiu errado, talvez por mais nervosismo do que por qualquer outra coisa, seu dedo puxou o Gatilho por conta própria. Não houve real tempo para pensar ou questionar suas ações, não se arrepender ou xingar, o tique mínimo que ouviu sair de sua arma paralisou todo seu corpo. A espingarda estava descarregada...
O homem a sua frente que antes estava surpreso e amedrontado pela ameaça, passou a sorrir enquanto apontava sua própria arma. Kakashi estava indefeso contra alguém que tinha sede de sangue e não tinha como escapar.
Então viu algo surgir por trás do bandido. No escuro não conseguiu ver direito, mas podia distinguir uma figura humana, que tão logo apareceu agarrou-o, prendendo-o pelo pescoço com um dos braços enquanto o outro pegava a arma. Em poucos segundos o vagabundo foi ao chão inconsciente.
– Ele nem viu o que o atingiu... – Kisame disse simples, encarando o socorrista. – Relaxe, eu não matei ele. Você não é testemunha de nenhum crime.
– Por que você...
– Naruto e Hinata estão escondidos com um cara chamado Tazuna. – Kisame parou a frente de Kakashi apontando para uma direção. – É a ultima casa no final daquela rua.
– O que você quer?
– Eu?! Vim pegar minha espingarda de volta, você não precisa mais, certo?!
– Não foi isso que eu perguntei... Você deixou que eu tirasse a arma de você naquela hora, também desligou a energia do bar para fugirmos e agora isso?! Sabe onde aqueles dois estão e está contando para mim ao invés dos seus amigos... Por que?!
– Amigos...
Kisame cruzou os braços parecendo pensar seriamente sobre o que ouvira, não parecia tenso de nenhuma maneira. Era um homem certo de suas convicções.
– Eu não tenho amizade com ninguém da Akatsuki. Vejo todos eles apenas como pessoas que tenho o desprazer de trabalhar. – Respondeu. – Eu sou um peixe pequeno e esse mar é perigoso e cheio de predadores, se você bobear acaba sendo devorado... Ao menos que você devore primeiro. – Cutucou o bandido caído com um pé para exemplificar de alguma forma.
– Isso não explica a sua “ajuda”.
– E o que há para se explicar?! Eu ajudei e assim esta bom. – Kisame deu os ombros e foi andando ate Kakashi, arrancou brutamente a espingarda das mãos dele e seguiu em frente para ir embora, porem parou de costas. – Aliais, eu não posso ser “bonzinho” na frente das pessoas erradas, mas já tinha um plano para retirar Hinata dali a salvo. Mesmo que você não tivesse interferido, nada de ruim teria acontecido.
– Que interesse você tem nela? Ou melhor, que envolvimento ela tem com a Akatsuki?
– Ora... E que interesse você tem?! Por que se envolveu nisso?! — Kisame se virou para encara-lo. – Com todas essas perguntas eu confundiria você com um detetive da policia, ou um dos seguranças que o pai mandava pra vigiar ela. O que você tem com isso?
Os dois se encararam novamente, mas por apenas um segundo. Então Kakashi tomou a palavra novamente.
– Não. Ela é apenas minha paciente, não esperava encontra-la aqui, mas não podia deixar de ajuda-la.
– Sei que médicos devem cuidar de seus pacientes, mas isso não significa servir de escudo humano contra uma arma carregada. É exagero, não?!
– Não para mim...
– Sabe, meu irmãozinho foi preso a um tempo atrás e eu não tinha como solta-lo, o advogado do estado era um imbecil que não servia pra nada. E se ele fosse sentenciado acabaria indo para uma penitenciaria que uma gangue rival controlava. Ele morreria, com certeza. – Kisame cruzou os braços. – Eu cheguei a pensar na ideia de me deixar ser preso para poder parar lá e protege-lo, afinal, irmãos mais velhos servem para isso, não é?! Então Hinata apareceu e me propôs um trato.
– Um trato de que tipo?!
– Ela queria negociar uma divida com Kakuzu e me ajudaria com meu irmão se eu servisse de ponte entre ela e ele. Não era muito difícil, ela só queria alguma segurança caso algo desse errado e viu uma boa chance comigo. Acabei criando empatia por ela e viramos amigos, afinal, assim como eu, ela estava apenas tentando salvar um irmão.
– Irmão?!
– Hinata é uma idiota muito inconsequente. Parece que tem um senso de dever e não sabe ficar quieta quando alguém precisa de ajuda. No começo eu não sabia se era altruísmo ou estupidez. Afinal, quem além dela moveria um dedo para ajudar aquele traficantezinho drogado de merda?
– Você quer dizer o...
– Neji Hyuuga, o cara que ela chama de irmão... A divida que Hinata assumiu era dele.
***
Tomou um rápido banho, apenas para tirar o excesso de lama do cabelo e do corpo. Agradecia para a tal agua quente que aquela senhora disse era, na verdade, morna quase fria. De fato, a garota precisava mesmo esfriar a cabeça e pensar, só assim para conseguir encarar Naruto novamente depois do que se lembrou.
Ficou encarando seu reflexo no pequeno e embaçado espelho tentando reconhecer a imagem refletida. Lembrando-se que a pouco tempo quando despertou sem memoria, nem se quer sabia a forma de seu rosto.
Quem era ela?! Quem era Hinata Hyuuga?!
Era a garota rica e popular do colégio que queria sempre agradar a todos com festas em sua “mansão” e fazia de tudo para provar seu valor ao seu pai, trabalhando duro para se superar sempre?!
Era a pessoa manipuladora e golpista que mantinha um “trato” com Sasuke para surrupiar a empresa do pai enquanto negociava com bandidos como a Akatsuki?!
Era apenas um brinquedo para um maníaco sujo que não sentia nada além de ódio de si e que queria humilha-la e faze-la sofrer?!
Ou era a mulher que se entregou de corpo, alma e coração, para a pessoa que realmente amava, passando por cima de seus medos e traumas para provar da felicidade que poderia ter um dia, se fizesse as escolhas certas?!
Quem estava ali, naquele espelho não era uma só... Não poderia simplesmente escolher ser uma e seguir com sua vida, pois seu ser era formado pela junção de todas essas e muitas outras facetas que compunham a sua personalidade.
De repente sentia-se próxima da Hinata que era antes de tudo sair do controle.
– Hinata? – Ouviu alguém bater a porta, era Naruto. – Já esta ai a algum tempo. Você esta bem?!
– Eu estou bem, Naruto-kun.
– Você não caiu nem nada do tipo, né?! – O ouvi perguntar preocupado.
– Não... Já estou saindo.
Vestiu o simples e humilde vestido que lhe foi dado assim como um casaco que ficara um pouco pequeno demais e saiu do minúsculo banheiro. Ao abrir a porta, encontrou Naruto, já com roupas limpas, escorado numa parede próxima esperando-a.
Ela esteve pensando sobre isso também: Naruto e Hinata juntos por uma noite...
Qual noite?! Ela ainda tinha algumas duvidas quanto o que lembrara, mas no fundo sabia quando sua primeira vez com ele ocorreu. Logo se deu conta também do que lhe aconteceu depois e tudo parecia ainda mais irreal.
Em meio a sentimentos de Amor e ódio; sensações de alegria e tensão; momentos de declarações e discussões; uma troca de beijos e gritos; Tudo naquela maldita e confusa noite que voltava com força total para perturba-la.
Novamente a duvida sobre o que ocorreu lhe aparecia. Se estavam tão bem antes, como tudo acabou de jeito que acabou?! A briga horrível e um acidente quase fatal...
O rapaz, assim que a viu, deixou o copo de café que bebia na pequena mesa próxima e foi ate ela estendendo a mão para ajuda-la caso precisasse. Ela o olhou profundamente , repensando seus medos e suas certezas, antes de aceitar ser guiada ate a cadeira onde ele ajudou-a a se ajeitar, já que ainda tinha problemas em dar seus passos.
Enquanto o via se sentando ao seu lado, seus pensamentos foram guiados para o dia em que estava naquela lanchonete com Naruto e tentou lhe perguntar sobre o dia do acidente e ele se recusou a falar. O que ele respondeu na ocasião foi:
“Também quero conversar sobre isso, Hinata, mas não é justo que só eu me lembre”.
Não é justo...? O que não era justo?! Sentiu raiva por um momento, pois ele teve a chance de falar e ficou quieto. Quantas ocasiões tiveram para conversar sobre isso e...? Que droga! Ele agiu como se não houvesse nada! Como se nada nunca estivesse acontecido entre eles! Como se fossem só amigos?! Ele escolheu não contar a verdade.
– Como esta a perna?
– Foi só um arranhão, é o meu joelho que dói um pouquinho.
– Um pouquinho?! – Naruto riu irônico já que a garota nem conseguia andar direito, estava novamente agindo como orgulhosa, escondendo coisas.
– Nós nunca pensamos que veríamos vocês de novo por aqui. – Tazuna disse.
– Eu acho que não foi pensado... – O loiro respondeu trocando olhares entre o senhor e a garota.
Hinata passou a prestar atenção nos moradores daquela casa agora, mal os percebeu desde que saiu do banheiro. A mulher estava em frente ao fogão preparando algo, o senhor que acabara de falar estava escorado no batente da porta do quarto e o rapazinho aparentemente dormira enquanto sentado a mesa.
– Sinto muito por ser rude antes, vocês se arriscaram nos ajudando e eu nem agradeci direito. Tenho tido alguns problemas de memoria.
– Esta tudo bem, Naruto já explicou tudo. Não esperávamos que alguém como você se lembrasse de pobres coitados como nós de qualquer forma. – Tazuna disse.
– Nós ficamos felizes em ajudar já que você nos ajudou antes. – Tsunami disse.
– Ajudei?
– É difícil para pessoas de idade conseguirem trabalho descente, mas, graça a você, meu pai conseguiu um ótimo emprego na construtora Uchiha. E temos uma chance de viver um pouquinho melhor.
– Construtora Uchiha?! – Hinata disse apenas para si mesma, tão baixo que nem o loiro ao lado poderia ter ouvido.
Aliais... Percebeu como ele ficara quieto de repente e isso atraiu a sua atenção. Olhou ara o lado encontrando seu semblante com um olhar distante para o copo de café que tinha nas mãos. Buscando pelo o que o deixou cabisbaixo, a nome Uchiha estalou em seus pensamentos e um sorriso imperceptível lhe surgiu. Naruto, de alguma forma, estava com ciúmes?!
Ela os manteve distantes enquanto se relacionava com Sasuke, pois seus sentimentos atrapalhavam os planos que tinham com ele, seja lá qual fossem...
Esse afastamento machucava a ambos?! Foi penoso tanto para o loiro quando para ela?
Naruto também disse que a amava naquela noite?!
Estava ficando maluca em pensar nesse tipo de coisa numa hora dessas, mas nesse momento aquele fragmento de memoria não saia da sua cabeça.
... A confusão do toque dele que já eu causou um medo besta e irracional e que, ao mesmo tempo, eu tanto desejava...
...eu nunca senti isso antes e quero proteger esses meus sentimentos...
... Eu realmente amo você...
... Eu tenho medo, mas, com você, eu quero...
Desviou o olhar pensando. Tudo de que se lembrara sobre Naruto ate agora, por que a deixava mais nervosa do que feliz? Afinal, esteve com o homem que amava, rompeu o silencio, se declarou para ele e foi correspondida... Se amaram naquela noite...
Então por que estava tão insegura?
– Do que você se lembrou? – Naruto perguntou de repente.
– Nada... – Ela respondeu pega pela surpresa. – Quem disse que me lembrei de alguma coisa?!
– Hinata, você foi parar num puteiro cheio de bandidos e drogados. É claro que você se lembrou de algo. – Naruto falou serio. – O que deu em você para ir num lugar perigoso como aquele?
– Apenas não queria ficar em casa e sai andando por ai. Não me lembro direito de como cheguei lá. – Ela desviou o olhar do dele, não querendo revelar que queria a principio ir a casa dele, só de pensar nisso agora já ficava vermelha de vergonha.
– Não vá andando assim sem saber de nada, Hinata. É perigoso. – Ele disse simples. — Você deixou todos preocupados!
– Foi um equivoco meu vir parar nesse lugar.
– E quase custou bem caro, não é. – Ele disse segurando sua mão. – Não sei o que seria capaz de fazer com aqueles desgraçados se eles te machucassem.
Hinata soltou sua mão da dele, desviando o olhar e cruzando os braços para evitar outro contato desse tipo. Não queria magoa-lo nem nada do tipo, mas ainda estava “nervosa” de mais para lidar com seus toques.
Ficaram em um momento um tanto constrangedor, onde não falavam diretamente um com o outro, as vezes só quando Tsunami ou Tazuna falavam. Não que a “barreira” ficava explicita aos outros da casa, mas, entre os dois, de certa forma se entendia a tensão que formada e o silencio permaneceu.
Hinata escolheu por ficar quieta e evitar uma conversa direta, pelo menos ate ficar longe o suficiente para pensar direito, ou quando não precisasse lutar contra esse desejo que as vezes sentia de se aconchegar ao seu abraço. Segundos diferentes, traziam pensamentos diferentes que lhe rendiam sensações e reações diferentes.
Isso a deixava incerta sobre as coisas, e curiosa para saber o que se passava na cabeça de Naruto.
Em certo momento, Tazuna decidiu voltar a dormir porque teria que trabalhar e Tsunami dedicou toda a sua atenção aos bolos que fazia para vender pela comunidade. Isso deixava as coisas um pouco mais complicadas.
– Naruto... – Ela finalmente tomou coragem para iniciar um dialogo. – Vamos embora, estamos incomodando essas pessoas.
– Eu também estava pensando nisso, mas... – Ele se levantou e deu a volta na cadeira em que Hinata estava sentada e se ajoelhando a sua frente. – Acha que consegue chegar ate o ponto de ônibus?!
Naruto já punha a mão em sua perna dolorida verificando leigamente que estava inchada e com um corte razoavelmente ruim, aquilo deixava a garota nervosa, ele sempre teve tanta liberdade para toca-la e abraça-la, agora sabia bem porque, mas não estava pronta para lidar com isso ainda, não depois de tudo de bom e ruim que se lembrava. Ela precisava de tempo para se adequar aos seus sentimentos sobre o loiro.
– Eu estou bem! – Ela disse tirando sua mão de perto.
– Você esta zangada comigo?
– Não, por que esta perguntando isso?
– Porque você parece zangada... E eu gritei com você naquela hora, quando fugimos.
– Eu não estou... Só não... Não quero que você se preocupe tanto.
– Mas é inevitável, eu me preocupo. Principalmente com você entrando nesse tipo de confusão. – Ele segurou a mão dela. – Eu pensei que tinha levado um tiro, sabia?! Quase achei o pior, que você seria internada de novo ou algo assim. Me senti um inútil por não ser capaz de te proteger.
Hinata se viu encarando-o, fixamente e com o coração disparado. Foi impulsivo da parte dela, mas a cada palavra dita por ele ela sentia algo novo, então tocou seu rosto com uma das mãos fazendo um caminho pelas marquinhas de seu rosto, exatamente como se lembrara antes, fazendo com que o rapaz fechasse os olhos com essa leve caricia, e depois se aproximou vagarosamente tocando seus lábios.
Foi um mero selinho, mais leve do que o pouso de uma borboleta, e talvez fosse o máximo que ela poderia fazer por enquanto, mas, assim que o fez, Naruto a abraçou.
Seus braços eram fortes e a segurava com tanta destreza que, apesar do susto, suspirou percebendo o quão se sentia segura ali em seus braços, com ele tão perto, e se aconchegou. Não entendia porque ate agora se sentiu tão desconfortável, quando estava claro o quanto ele se importava.
– Sinto muito. – Ela disse ainda mantendo o abraço.
– Esta se desculpando pelo beijo de novo?! – Ele perguntou baixo, lembrando-se do quanto ela ficou arrependida do beijo que deram no auditório do colégio, a ponto de se desculpar varias vezes, agora ela fazia de novo e sem querer o rapaz deixou um leve toque de magoa em suas palavras.
– Não... – Ela falou simples, deixando-o, agora, confuso. – Sinto muito, por me esquecer... Por tornar tudo tão mais difícil para nós dois.
– Como assim? Eu não estou entendendo.
– Naruto-kun... – Hinata pensou bem no que falaria antes de prosseguir. – Precisamos conversar...
– Ora, quanto consideração, hein?! – Ouviram alguém da porta. – Eu lutando pela minha vida e vocês dois aqui, namorando...
Naruto se levantou as pressas quando reconheceu o homem, assim como Hinata também ergueu o olhar para ele, sorrindo por finalmente saber que estava bem.
– Ah, Quem é?! – Só agora Tsunami, que tinha sua atenção para a cozinha, o percebeu. – Como abriu a porta?!
– Uma tramela de madeira?! Não existe nada mais fácil de arrombar. – Kakashi disse sorrindo enquanto entrava na casa. – Vocês tem sorte que ninguém mais veio aqui, além de mim.
– Relaxa, ele é nosso amigo. – Naruto sorriu.
– Não é da Akatsuki?! – A mulher o observou receosa, afinal ele havia arrombado a tranca, igual um bandido faria.
– Estávamos preocupados, Kakashi-san. – Hinata disse.
– É, eu viu bem a “preocupação”... – Ele sorriu. – Bem, de qualquer forma, meu carro tá escondido aqui perto, Hinata e Naruto, vamos embora. Já passamos tempo de mais aqui brincando de “presa e predador”.
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