O Diário

12 Capitulo 12


Notas iniciais
Ola gente! Voltei e trago o cap 12 Quando entrei aqui me deparei com uma recomendação linda de Lily Hyuga Ela sempre comenta e se diz minha leitora fiel =) Fiquei muito feliz em saber o quanto minha historia esta agradando e quero agradecer por sempre acompanhar (e puxar minha orelha com meus erros de ortografia) Tanto que, para mostrar como estou de bom humor, o próximo capitulo sai ainda hoje... Aguardem ^^

12.

– Hinata? O que diabos aconteceu? Você tá toda machucada...

– Me desculpe...

– Quem fez isso com você, Hinata?

...



– Desde quando, Naruto-kun?!!

– Sempre... – Ele me segurou pelos pulsos. – Desde sempre...



...



– Não vai ter como seu pai não notar.

– Ele não vai nem ver, porque eu... Eu não pretendo voltar mais para casa.

– Então a gente não vai se ver mais?

– Claro que vamos! – Sorri sincera. – Eu vou voltar para assumir a empresa, um dia.



...



– Eu não te pedi nada!

– Não, não pediu! Você nunca pede nada! Orgulhosa desse jeito, resolve tudo sozinha, não é?!



...



– Você me deixa louco, sabia?! – Ele disse com um sorriso.

– Acho que já me disse isso alguma vez... – Respondi também sorrindo.



...



– E você se importa... – Disse irônica.

– Você só tem a mim agora, lembra?



...



– Vou cuidar de você, Hinata, sempre...



...



– Eu te odeio!

***

Hinata tirou o sorriso do rosto, escorou-se na mesa levando a mão a testa, sua mente foi invadida por uma onda de lembranças confusas que causaram uma boa dose de dor de cabeça. Eram flashs rápidos que não lhe permitia entender bem o que estava acontecendo, mas sabia que eram todos momentos com Naruto naquela noite...

Ela se feriu de novo e por algum motivo foi para a casa dele, procura-lo... Ela o via como um porto seguro, um lugar de paz, o refugio para quando tudo parecia dar errado;

Mas... não era só isso...

Lá estava o centro de tudo que lhe aconteceu de ruim. Um momento horrível que, por algum motivo, veio a odiá-lo, mesmo que por um instante.

Por que? O que aconteceu aquela noite? Por que brigaram daquele jeito?

Ele a encarou e perguntou quem a machucou... Será que ela mentiu ou contou a verdade?! Naruto poderia já saber alguma coisa sobre esse assunto? E se a briga foi por esse motivo?

O sentimento de quando seu sorriso a atraiu pela primeira vez e a forma como ele sempre segurava sua mão para buscar ou oferecer apoio, se dividia com algo nela que a fazia temer, dizendo que NÃO poderia gostar do Naruto.

– Hinata? – Sakura pergutou já percebendo o desequilíbrio da garota.

– Não! – Hinata disse firme. – Não, Sakura, não gosto! Claro que não gosto.

– Calma. Só foi uma pergunta, não precisa enlouquecer.

– Eu não gosto dele dessa forma!

– Nossa, se eu soubesse que ia ficar assim, não contaria minhas “suspeitas”.

– Suspeitas infundadas! Eu... Eu só vi o Naruto três vezes...

– Hinata, você conhece o Naruto a quase dois anos.

– Mas eu não me lembro! – Hinata disse ríspida, mas sua dor de cabeça a fazia se sentir fraca. – Eu não lembro...

– Tá, entendi. Finja que eu não disse nada!

Hinata finalmente respirou fundo, tentando por algum sentindo nos pensamentos ou controlando seus sentimentos que já estavam ficando misturados e confusos novamente.

– Eu, alguma vez ,dei a entender que “gostava” dele? – Perguntou sem graça.

– Não. – Sakura disse simples. – Você não “deu a entender”, Hinata, você me disse.

– Não disse não!

– Tudo bem, se você fica feliz. Você NÃO disse que gostava dele. – Sakura falou rindo irônica. – Não importa o quanto negue, nós duas sabemos da verdade.

A morena desviou o olhar, pensativa. O sentimento que sentia...

Era o prazer de estar na presença dele, sentir seu abraço... Saber que era com ele que queria passar o resto de sua vida. Mas tinha algo mais, algo ruim...

– Hinata, o Naruto é um idiota, todo mundo sabe, mas ele se preocupa com você de verdade. – Sakura disse, e suas palavras fizeram a garota encara-la novamente. – Ele só não esta conseguindo lidar com essa situação. Afinal, nem todo mundo é como os Hyuuga, não é?

– Como assim?

–Neji, por exemplo, é uma rocha emocional, nada parece abala-lo. Mas o Naruto?! Explode com qualquer coisa, é muito espontâneo, não pensa antes de fazer ou falar, por isso faz tanta besteira.

– Mas nós...

– Olha, eu não sei o que tá fazendo vocês ficarem com raiva um do outro, mas talvez vocês devessem deixar isso de lado e tentar recomeçar. Neji vai enfiar um pouco de juízo na cabeça oca do Naruto e daqui a pouco ele vai vir se desculpar, então...

– Eu não quero as desculpas dele.

– Ah, mas você também não facilita, Hinata. Parece ate que quer continuar brigando.

– Não quero brigar com ninguém.

– Ótimo, então espera o Naruto vir e tente conversar de verdade. Sem indiretas, sem insultos e, principalmente, sem gritos.

– Sakura! – Uma mulher mais velha gritou do outro lado do balcão. – Eu não pago você para ficar batendo papo com suas amigas. Vá limpar alguma mesa ou atender alguém!

– Aquela velha...

– Pode ir, eu preciso mesmo de um tempo sozinha para pensar.

– Chame se precisar, ok...

A Hyuuga permaneceu calada, mas assentiu com a cabeça e, quando já estava só, teve outro flash de memoria:

– Obrigada pela hospitalidade...

– Agora, deixa eu dar uma olhada nesse corte. – Naruto-kun disse casualmente, pegando minha mão e me guiando.

Me sentei com ele ao meu lado, levando um pano gelado ate o ferimento do meu rosto.

Voltou seus olhos para a janela buscando o lugar onde Neji ainda conversava com Naruto.

Se questionando sobre o que poderia ter ocorrido para ficar com tanta raiva?!

– Neji, a Hinata e eu sempre fomos bons amigos – Naruto disse firme.

– Não foi isso que eu perguntei, mas já que você entendeu errado, talvez precise repetir: – Neji disse simples. – Você esta Apaix...

– Não!

– Você “não” esta apaixonado?! – Neji perguntou enfatizando suas palavras.

Naruto ficou calado, se escorou no poste ao lado, olhando para cima, para a escuridão do céu da noite e respondeu imitando a ênfase:

– Você “não” precisa repetir a pergunta...

– Então isso é um sim?

– É...

– Desde quando?

– Eu não sei, desde sempre, talvez.

– Você deveria ter se declarado enquanto podia...

Naruto o encarou feroz por um momento. Pensando em todas as vezes que Neji não sabia que ele tentou conquistar Hinata, todas as investidas, as palavras ensaiadas e espontâneas, as piadas e brincadeiras, e todos os “nãos” que recebeu em troca.

– O que importa isso agora?! Eu não posso alcança-la e ela não quer que eu a alcance...

– Agora que admitiu, podemos voltar ao que conversamos ontem, mas sem rodeios dessa vez. Vou falar claramente para você entender. – Neji estava calmo. – Naruto, a Hinata-sama não esta pronta para um relacionamento amoroso, é egoísmo da sua parte cobrar isso dela nesse momento.

– Eu não estou cobrando nada dela.

– Esta sim, só não percebe isso. – Neji sorriu minimamente. – Sabia que, ontem, ela estava com medo de decepcionar os outros e me perguntou se ela estava diferente do que era?!

– Decepcionar?! É ridículo ela pensar algo assim...Hinata é perfeita!

– Foi o que eu respondi a ela. Mas e você?! Não está decepcionado?!

– Claro que não! Não, eu só...

Naruto não concluiu. Ele só não gostava de como era olhado ou tratado pela garota, sentia com uma estranha e não queria tanta indiferença da parte dela. Isso não era decepção, ou era?!

– Escuta, tem muita coisa acontecendo, Hinata-sama ficou praticamente “morta” naquele hospital e agora ela esta aprendendo a viver de novo. Ela esta tentando se redescobrir e, o tempo que ela perde preocupada com você, é um tempo a mais na demora da sua recuperação.

– Ela esta bem o suficiente para brigar...

– Ela já esta cheia de problemas e você esta se tornando mais um.

– Se eu sou um problema então por que você armou essa porcaria de encontro?!

– Porque ela precisa de amigos para conseguir superar isso e você era uma parte importante da vida dela antes, Naruto. Talvez ela precise mais de você do que de qualquer um.

– Neji, eu não consigo ficar perto dela e não poder...

Naruto se calou, detendo suas palavras, com certeza não era uma boa ideia dividir os desejos que sentia pela garota ao primo super protetor. Respirou fundo e prosseguiu mais calmo.

– Eu não posso ficar sendo só um amigo.

– Pode sim. Você ficou antes e pode continuar agora, pelo menos ate ela se recuperar.

Naruto se virou para a Lanchonete querendo ver Hinata pela janela e se surpreendeu ao percebe que ela já o observava. Seus olhos se encontraram e mesmo a distancia ele reconheceu uma diferença. Ele sentia, de alguma forma, que dessa vez poderia tentar de novo.

***

Asuma estava em sua sala verificando digitais e fichas de criminosos em seu computador. Era o trabalho demorado e cansativo de esperar o programa encontrar compatibilidades.

– Então era isso que ela queria? – Perguntou ao telefone.

– Por algum motivo, Tsunade-sama esta desconfiada de que Hiashi Hyuuga esta escondendo algo sobre Hinata. – Kurenai respondeu. – Isso, somado a recente acusação do motorista contra Neji, fez ela tomar essa decisão.

A doutora acabara de chegar em casa, jogou sua bolsa e as sacolas de compras no sofá e foi para cozinha pegar algo para beliscar, antes de criar coragem de fazer o jantar.

– Não é muito ético da sua parte, não é?! Enganar sua paciente.

– Tsunade-sama quer que eu invente uma “sessão familiar” apenas para verificar a relação da menina com os outros. Mas eu não vou estar enganando ninguém, esse tipo de terapia pode ser útil. Talvez útil ate para a gente.

– E com o Kakashi? Onde ele entra nesse plano da sua “chefe”?!

– Kakashi é o homem de confiança da Tsunade-sama, ela quer que ele desvende o que Hiashi esta escondendo e descubra se Neji fez mesmo aquelas coisas.

– Claro, porque chamar a policia provavelmente não passou pela cabeça dela né?! – Asuma foi irônico.

– Sabe, eu a entendo, de certa forma...

– Nossa, obrigado pelo apoio, meu amor.

– Ah, Asuma, convenhamos, os Hyuuga são muito conhecidos, muito ricos, imagine o que poderia acontecer se a imprensa souber que a Herdeira da família foi abusada e torturada pelo primo. Não é algo que possa ser dividido com qualquer um.

– Isso, se for mesmo verdade.

– Que motivo o motorista teria para mentir?

– Esse tal de Kou chegou fazendo esse tipo de acusação tão grave e depois simplesmente diz que “quer preservar o emprego e não vai assumir uma denuncia formal”. Para mim ele é daquele tipo que quer jogar lenha na fogueira e ver as chamas se propagarem.

– Ou ele é mesmo um empregado humilde que tem uma família para alimentar e não pode ir contra o patrão.

– Ou um humilde que pode ter entendido as coisas errado... Ou ele mesmo é o desgraçado e esta tentando disfarçar. Quem sabe?! É só um palpite da minha experiência como detetive, nunca descarte qualquer possibilidade. Tome cuidado de qualquer forma.

– Claro que vou tomar o máximo de cuidado, é a segurança da minha paciente que esta em jogo.

– Isso, nossa protegida dos olhos perolados... – Asuma dizia irônico, mas então tirou as mãos do teclado, pensativo. – Espera ai...

– O que foi? – Kurenai perguntou, mas ele não respondeu. – Asuma?

– Acho que me lembrei de onde conheço a Hinata.

– De onde?

– Preciso confirmar algumas coisas, te ligo depois. Vou chegar tarde em casa....

Antes da mulher falar qualquer coisa a chamada já tinha sido encerrada. Deixando a duvida de o que ele descobrira. Kurenai odiava quando ele decidia bancar “detetive enigmático”.

***

Neji voltou a fazer companhia para Hinata e ficaram um bom tempo na lanchonete, comeram e conversaram bastante, ele contou algumas historias do passado para ela.

Sakura aparecia de vez em quando, mas ficava pouco já que estava trabalhando.

Naruto ficou o tempo todo sentado no balcão, na parte mais distante, mas de vez em quando Hinata o pegava a observando, isso a deixava nervosa, pois sabia que ele estava apenas esperando uma oportunidade para vir conversar.

A hora chegou quando Sakura veio avisar que o turno dela já havia acabado e Neji se ofereceu para acompanha-la. Eles não quiseram que Hinata fosse junto, disseram que iriam a pé, pois amiga não gostava de como ele dirigia, e que seria um problema acompanha-los já que estava com o joelho ruim.

Ficou claro que era apenas uma desculpa para deixa-la para trás, só não tinha certeza se foi o Naruto que pediu ou que era outro truque deles para tenta-los forçar a conversar como antes.

Sua duvida foi esclarecia quando, assim que o primo saiu com a amiga, viu o loiro se aproximar.

– Posso me sentar aqui?! – Ele pediu.

– Claro.

– Acho que precisamos conversar. – Ele se sentou de frente para ela.

– Eu também queria...

– Por favor, eu primeiro. – Naruto pediu de forma tranquila.

Ela concordou com a cabeça. Era hora... Seria mais fácil se ele introduzisse o assunto, ela só precisaria perguntar e então acrescentar algo que ele não mencionasse. Se tivesse brecha perguntaria sobre sua briga na noite do acidente, talvez conseguisse criar alguma coragem para tentar descobri o que contou para justificar seus ferimentos...

O viu respirar fundo para prosseguir:

– Existem Três Hinatas!

– Desculpa... O que? – Ela perguntou confusa.

– Sim! – Naruto disse sorrindo agora. – Antes do acidente você era duas: Era meiga, mas também sabia ser fria quando queria; Era inteligente e calculista; sincera, mas orgulhosa; você se preocupava com os outros, mas agia de forma egoísta quando era necessario;

Ela o via enumerar seus dois lados, cada “característica” postas nos dedo de sua mão. Ele falava de forma leve, com se fosse uma brincadeira. Aquilo era totalmente diferente do que ela esperava, Naruto não queria falar dos motivos que os levava a brigar.

– Você sabia separar e ser as duas coisas: Quando alguém passava por um momento difícil, você sabia ser a melhor companhia; se precisava conversar, conversavam, se queria apenas esquecer os problemas você ajudava. – Ele a encarou com mais afinco. – Mas quando alguém precisava de um puxão de orelha ou de ouvir algumas verdades, você também não perdoava... Sempre foi assim.

Pensou um pouco, talvez quisesse que Hinata falasse algo, mas a garota continuou encarando-o da mesma forma de quando ele começou seu discurso.

– Agora... – Naruto prosseguiu olhando nos olhos. – Você se tornou uma mistura meio bizarra das duas. Você não consegue escolher quando ser meiga ou fria, e as vezes muda de jeito no momento errado. Uma Hinata estranha que eu não entendo e isso me irrita um pouco.

Ele gesticulava com os braços, deixando tudo mais bem explicado e infinitamente mais... Divertido?!

– Foi isso que você perguntou para o Neji ontem, não foi?! Se você tinha mudado? – Decidiu perguntar porque a falta de reação dela o fez ficar um pouco inseguro, ela acenou positivo com a cabeça. – Então, você não sabe mais ser você... Essa é a única diferença.

Finalizou cruzando os braços e se encostando para trás, agora parecia apreensivo para saber a resposta a todas suas palavras. Hinata ficou estática apenas olhando-o por um tempo, queria leva-lo a serio, tentava pensar racionalmente sobre isso, deveria sentir ate raiva de como ele a "caracterizou", mas a forma que ele disse, o jeito que se expressou, era tão diferente... Tão "Naruto"... Não conseguiu resistir, começou a rir.

– Por que você esta rindo? – Naruto perguntou confuso.

– Porque você é engraçado. – Ela respondeu tentando segurar o riso.

– Eu estava falando serio, não era para você rir. – Ele coçou a cabeça.

– Achei que teríamos outro tipo de conversa...

– Então... O que eu disse foi muito idiota?

– Não foi nada idiota. Eu realmente me sinto assim dividida as vezes, sem saber como agir com certas pessoas.

– Comigo também?

– Uhum... – Ela balbuciou concordando, sem querer falar que era com ele que mais se confundia. – Tem horas que eu gosto de você, mas em outras é como se eu te odiasse.

– E agora? Me odeia?

– Não, eu gosto... Quando me faz rir, quero dizer.

– Não é justo. Goste de mim o tempo todo, Hinata. É melhor!

– Eu vou tentar. – Ela disse e os dois riram.

– Hinata, eu achava que era quem melhor te conhecia, mas, desde que você acordou, eu não consigo te entender mais... Isso me deixa meio maluco. Então, se eu disse ou fiz alguma estupidez, esse é o motivo.

Hinata se sentia estranhamente bem, aquilo, apesar de não parecer, era um pedido de desculpas, não, era na verdade uma justificativa por tudo que ele disse sem pensar em suas discussões. Ele fez tudo de forma leve, com palavras simples e sem drama, seu mero sorriso apagava qualquer sentimento ruim.

– Eu entendo, Naruto... comigo acontece o mesmo...

– E o que você queria me dizer?

O sorriso dela sumiu, não queria mais perguntar sobre o acidente, nem sobre as agressões ou a briga. Não queria perder esse momento tão descontraído que ele criou com tanta naturalidade.

– Não sei, acho que esqueci...

– Isso já tá virando um clichê. – Ele disse irônico fazendo-a sorrir em resposta.

– Naruto, eu queria voltar a ser como antes. Quero ser a Hinata das historias que eu ouço.

– Neji disse que você estava se redescobrindo e que eu podia ajudar.

– Acho que pode... – Concordou tímida. – Afinal, você é quem melhor me conhecia, certo?!

– Claro sim. Eu sempre vou cuidar de você.

Ele fortificou seus braços ao meu redor e os ferimentos espalhados pelo meu corpo começaram a incomodar, mas, apesar disso, a forma com que ele me cercava me fazia sentir todos seus sentimentos e eu me sentia bem. A paz que eu procurava estava ali entre meus braços, tocando minha pele e afagando meu cabelo. Eu podia ouvir as batidas tranquilas do seu coração, aos poucos, acalmando o meu.

– Vou cuidar de você, Hinata, sempre...

Aquelas palavras a acertou como uma flecha. Hinata perdeu o folego quando se lembrou dele lhe falando aquela mesma frase. Apesar das circunstancias diferentes, ela sabia que era por um mesmo motivo.

Cobriu o rosto com as mãos tentando manter alguma coerência, mas estava novamente nervosa pensando se teria contado algo a ele ou não...

Hinata se levantou, mas logo notou que era uma péssima ideia, as pessoas andavam para lá e para cá e falavam alto. De pé, parecia que a garota tinha entrando ainda mais num ambiente sufocante.

Estava tão vidrada nesse devaneio que esqueceu de respirar, sentiu sua cabeça latejar de novo e percebeu que estava fraca.

Ela buscou com o olhar a porta do banheiro, pensando que talvez só precisasse molhar um pouco o rosto para se sentir melhor, mas não encontrou nenhum lugar para ir se não porta da saída e foi para lá.

– Com licença... – Hinata disse para Naruto.

– Eu fiz alguma coisa, Hinata?!

Ela quase não conseguiu andar em linha reta ate a porta, parou para se apoiar em uma mesa e depois continuou sem olhar para trás. Não sabia o que estava errado, apenas se sentia incomodada por estar lá, um aperto estranho no coração. Se apoiou na parede, já do lado de fora.

– Ei, o que aconteceu? – Naruto perguntou acompanhando-a.

– Nada. Eu só preciso de um tempo...

– Tá, vamos nos sentar então. O ar fresco deve te fazer bem...

– Eu não estou passando mal.

– Nunca disse que estava... – Naruto deu um sorriso torto.

Cercou o ombro dela com o braço e a guiou pelo estacionamento ate chegar onde o carro de Neji estava estacionado. Andaram devagar e em silencio.

– Você tem a chave? – Ele perguntou.

– Acho que Neji levou.

– Idiota, foi a pé com a Sakura-chan e nem pensou que fossemos precisar do carro.

– Eu estou bem, não quero me sentar.

Hinata se encostou no carro observando enquanto Naruto teimosamente continuava vasculhava o local com os olhos, procurando onde se sentarem.

Ele parecia mesmo preocupado, tinha um zelo anormal por ela. Por que? Antes achava que era culpa, mas e se fosse pena? Pena por ela ter contado sobre...

Balançou a cabeça afastando o pensamento, não podia tirar conclusões desse tipo sem questiona-lo.

– Naruto, sobre a noite do acidente, eu preciso te perguntar...

– Não, Hinata, por favor! – Ele disse simples. – Não fala sobre aquela noite.

– Eu tenho que saber...

– Você tem que entender o meu lado, é difícil para mim, ok?!

– Se é difícil para você, imagina como é para mim...

– Eu não quero que a gente brigue de novo. Nunca mais.

Hinata estava zangada com a recusa dele, mas não disse nada, percebeu que era isso mesmo que iria acontecer se insistisse mais, acabaria desencadeando outra briga. Qual era o custo de falar outra besteira por impulso? Era melhor ficar calada então.

– Escuta... – Naruto a chamou.

Ainda estava irritada, mas quando o viu se escorar no carro ao lado dela, sorriu inconscientemente, pois esse ato foi similar ao de quando se conheceram e reclamavam juntos do professor. Hinata chegou a se perguntar se já haveriam conversado muitas vezes dessa mesma forma.

– O que?!

– Eu... Assim... – Ele estava sem jeito e precisou respirar fundo antes de prosseguir. – Em um segundo você estava comigo, em outro nós brigamos e depois foi parar no hospital entre a vida e a morte. Tem como eu não me sentir responsável pelo que aconteceu?!

– Eu sei que a culpa não foi sua. Nem de ninguém... Acidentes acontecem.

Naruto sorriu, pois ela o olhava diretamente enquanto dizia aquilo, não estava mais fingindo, nem se forçando a falar. Ele notou que, diferente de antes, Hinata estava sendo totalmente sincera.

– Também quero conversar sobre isso, Hinata, mas não é justo que só eu me lembre.

– Eu preciso entender algumas coisas, conversar com você talvez ajude.

– Vamos fazer assim, esperamos você se lembrar e ai podemos conversar de verdade.

– Esperar ate “sei lá quando”?!

– Como é possível que você só se lembre do pior?! Quer dizer, não ha nada de bom do que tínhamos nessa sua cabeça?!

Ela o observou, aquele assunto era um tabu para o loiro e insistir parecia magoa-lo. Tinha que descobrir por si mesma, não podia forçar Naruto a revelar a verdade...

Por outro lado, a pergunta de Naruto chamou-lhe a atenção. Ele não sabia do que ela havia se lembrado, parecia maldade esconder e deixa-lo pensando o “pior”...

Então voltou seus olhos para o céu, ficando pensativa.

– Eu me lembro um pouco... – Ela disse sem jeito. – De como nos conhecemos; Me lembro de uma conversa que tivemos sobre nossas famílias no ônibus; E também de uma vez que fugirmos da escola, e você prometendo me levar para qualquer lugar que eu quisesse... – Respirou fundo e olhou diretamente para ele. – Eu tenho me lembrado de muitas coisas sobre você... Sobre a gente...

Naruto se viu encarando-a sem reação, um brilho de esperança nos olhos, mas, quando o sorriso dela o atingiu, não pode resistir, a puxou para mais perto de si fechando os braços ao seu redor.

– Naruto, o que é isso?! – Ela perguntou confusa e assustada com o ato repentino.

– O que? Esqueceu o que é um abraço também? – Ele dizia simples e irônico, descansando o queixo no topo de sua cabeça.

– Claro que eu sei o que é... Mas por que?

– Não sei, apenas deu vontade. É incômodo ficar assim comigo?

– Não. – Ela fechou os olhos, sentindo o cheiro do perfume do loiro, era familiar de um jeito que ela não conseguia entender.

– Você lembra onde me pediu para te levar naquele dia que fugimos?!

Não lembrava, mas não queria falar isto com ele, estava tão feliz e seu abraço era tão bom que tinha medo de fazer algo que estragasse aquele momento.

– Hinata?!

– Estou tentando me lembrar...

– Já é um começo. – Naruto riu.

– Então, estamos bem agora?! Quer dizer, somos amigos de novo?! – Ela perguntou.

Naruto sentiu uma alfinetada em sua consciência, não sabia como agir perante aquela maldita pergunta. O que ele disse antes, mesmo que por impulso, não era mentira: Ele não queria ser amigo da Hinata; Queria mais que isso, muito mais;

De fato, estava lutando contra o desejo de beija-la ali mesmo, mas percebeu que Neji estava certo, ela não estava pronta para esse tipo de coisa, não ainda. Ele tinha que saber esperar e controlar seu lado impulsivo.

E como responder honestamente?! Como não engana-la e não causar mais brigas?!

– Pelo tempo que você quiser... – Sorriu e fortificou seu abraço.

***

Asuma ficou parado com seu carro em frente ao hospital por horas, Kakashi tinha sorte pelo detetive ter bastante paciência, se fosse qualquer outra pessoa com porte de arma já teria atirado no socorrista assim que ele surgisse...

– Chegou cedo hoje... – Foi irônico.

– Acho que você não deve saber que a frequencia de acidentes é maior nos fins de semana. – Kakashi disse simples. – Posso receber uma chamada a qualquer momento, então...

– Então eu me lembrei disso. – Asuma entregou uma pasta. – Fiquei procurando a noite inteira, leve a serio.

– Que lugar é esse?! – Kakashi perguntou folhando o documento em suas mãos.

– É uma taberna da periferia da cidade. Se você quer bebida falsificada, droga barata ou mulher fácil é para lá que você deve ir.

– Eu não sou do tipo carente. Por que esta me mostrando isso?

– Porque foi ai que eu conheci a Hinata.

– Eu acho que não entendi...

– Foi a mais ou menos 7 ou 8 meses... A policia dá uma prensa no lugar de vez em quando. Prendemos algumas pessoas, mas nunca conseguimos provas o suficiente para desmantelar tudo. O esquema da Akatsuki é bem ardiloso.

– Akatsuki?!

– É a gangue que comanda a área.

– Então você viu a Hinata lá, ela era uma das...

– Não, acho que não. Quer dizer, ela não estava vestida como as outras prostitutas. – Asuma dizia pensativo. – Mas ela parecia bem intima daquele lugar.

– Hinata e a Akatsuki...

– Acho que a nossa testemunha não é mais tão inocente.

Notas finais
Então foi isso... Outras peças do quebra-cabeça aparecem... Alguém tem alguma teoria sobre o misterioso Kakashi?! E Naruto e Hinata finalmente fizeram as pazes e voltaram a ser "amigos" haha O nosso loiro esta tentando se esquivar da friend zone... Como será partir de agora? Já adianto que o próximo cap terá fortes emoções ;) Obrigada a quem esta acompanhando ^^ Ate logo.